Ucrania

Colocado em 2022-03-21 In obras de misericórdia, Schoenstatt em saída

Estamos na Ucrânia: Solidariedade concreta no Centro de Refugiados de Medyka

POLÓNIA/UCRÂNIA/ESPANHA, Benjamin Arizu •

Solidariedade concreta: Benjamin (34 anos, 4 filhos) e Juan (22 anos) Arizu, filhos de Ambrosio Arizu, da União Espanhola das Famílias e iniciador de “Madre, ven“, foram juntos para a Polónia, alugaram duas carrinhas e viajaram até à fronteira ucraniana para procurar pessoas e levá-las para onde precisassem.

Benjamín é casado há oito anos, tem quatro filhos e está com a sua esposa na Liga dos Casais de Madrid. Juan está a terminar a universidade e regressou recentemente do seu trabalho missionário nas Astúrias, muito abalado. Encontram-se no Santuário de Serrano para a Adoração.

Partilhamos a história de Benjamin.

Um pequeno Centro Comercial transformado num local de ajuda

Antes de mais, muito obrigado a todos pela vossa ajuda e, acima de tudo, pelas vossas orações. É difícil explicar o que temos vivido nestes dias na Polónia porque não temos bem a certeza de como nos sentimos. No entanto, vou tentar.

Chegámos sem saber realmente o que iríamos encontrar. Tínhamos lido e pesquisado tudo o que pudemos sobre a situação na fronteira e era exactamente o que se poderia imaginar, e mesmo assim bateu-nos como um coice.

O Centro de Refugiados Medyka é um pequeno Centro Comercial vazio, convertido num centro logístico para a chegada de refugiados e a sua ligação a outros centros ou viagens para as várias casas de famíliares, amigos ou voluntários onde permanecerão. A primeira coisa que nos saúda à chegada é uma bateria de carros e carrinhas, uma fila muito longa de casas-de-banho portáteis como as do estaleiro de construção, e à porta do Centro, uma carrinha com um toldo e adornada com quase meia dúzia de bandeiras espanholas. No seu interior encontra-se um grupo de habitantes locais a fazer arroz em duas grandes paellas e um homem com uma perna de presunto a cortar e a distribuir porções aos refugiados e voluntários (ajuda ao estilo espanhol). Durante os dias em que lá estivemos, a visão mais comum eram os refugiados e voluntários com um prato vermelho cheio de paella.

Assim que se chega, inscrevemo-nos com os organizadores do Centro para nos tornarmos condutores, num processo que iria melhorando à medida que os dias passavam. O exército de voluntários de todo o lado, da Irlanda à Nova Zelândia (vimos sobretudo espanhóis), andam de um lado para o outro com coletes amarelos. Muitos deles tinham tirado o kit de emergência do carro, limpavam, alimentavam, traduziam e tentavam encontrar condutores e combinavam-nos com grupos de refugiados, dependendo do local para onde iam.

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Viajando através da Polónia de ponta a ponta

Nos primeiros três dias, isto era feito entrando nas diferentes salas, cheias de camas e refugiados, que se organizavam de acordo com o local para onde os refugiados queriam viajar e perguntando aos diferentes grupos para onde iam (fizemos isto com a ajuda do Google translate, sinais e cartazes). Havia uma sala para a Alemanha, outra para Espanha e Portugal, Finlândia, Lituânia, Eslovénia, etc., com muitos países e cidades dentro da Polónia.

Demorava algum tempo a conseguir, encontrar e coordenar pessoas, mas era bastante fácil, pois não nos importava para onde íamos. E assim por diante, todos os dias.

Conduzíamos até Medyka, procurávamos pessoas, punhamo-las nas carrinhas e levávamo-las para onde precisavam de ir. Assim, em menos de uma semana, conduzimos quase de uma ponta à outra da Polónia, levando pessoas de Medyka na fronteira para Varsóvia, Bratislava, Piaski, Lublin, Cracóvia, Katowice, Poznan… Dormíamos num hotel que a minha mulher nos arranjava a caminho da última cidade para onde viajávamos, e repetiríamos a viagem no dia seguinte para levar mais refugiados.

A pulseira

Ficámos surpreendidos com o aspecto semelhante de todos os nossos passageiros. Todas as mulheres, crianças e pessoas idosas. Todos estóicos e gratos, e depois de terem superado a sua desconfiança e medo de entrar no carro de um estranho, sorridentes e afectuosos. De todas as idades e de todos os estilos de vida. Levámos tudo desde um advogado de 26 anos de Kiev, hospedado na casa de um amigo, até uma mãe e uma filha que viajavam para um Centro de Refugiados. De uma mãe com as suas duas filhas adolescentes que nos perguntou se tínhamos Instagram a um casal de idosos a quem os levávamos para se encontrarem com o filho.

E os gestos de gratidão foram esmagadores. A maioria deles, assim que descobriram que não tinham de pagar, tentavam dar algumas das poucas coisas que tinham nas suas malas e sacos de compras. Um casal de idosos não deixou Juan sair sem lhe dar uma pulseira de metal que tiraram dos seus bolsos como se fosse um tesouro. E embora a bracelete seja bastante feia, para Juan é um tesouro e ele não a tira.

La pulsera

A pulseira

Muito obrigado

Partimos tristes porque, embora no último dia o transporte de pessoas parecesse estar sob controlo, muitas ainda estão a chegar e ainda há muito a fazer. Mas, ao mesmo tempo, partimos com muita esperança. Pela força de todas estas mulheres ucranianas, pela sua alegria e afecto, mas também pela resposta do povo. Para todos aqueles voluntários que conhecemos, que deixaram as suas coisas para trás, alguns até atravessaram a fronteira e vão ajudar Lviv. Por toda a ajuda que temos recebido e pelas dezenas de mensagens de apoio e orações. Portanto, em meu nome e no do Juan, muito obrigado.

 

Colaboração: Pe. José María García, Ambrosio Arizu, Madrid, Espanha

Original: espanhol (19/3/2022). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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