Catedral Buenos Aires

Colocado em 2021-11-22 In José Kentenich, Vida em Aliança

Caminhar juntos no Espírito, sinodalmente, para renovar a missão evangelizadora

ARGENTINA, Maria Fischer •

“A opção pela missão que caracteriza uma Igreja em saída, não se pode compreender se não for desde a perspectiva de “relação”; a partir do mundo dos vínculos” disse Jorge González, Bispo Auxiliar de La Plata e membro da União dos Sacerdotes de Schoenstatt, na Missa da Aliança da Família de Schoenstatt de Buenos Aires, nesta tarde ensolarada de 18 de Novembro de 2021, na Catedral de Buenos Aires. Todos os anos, neste Dia da Aliança, próximo da data do nascimento do Padre José Kentenich, a Família de Schoenstatt de Buenos Aires peregrina desde os diferentes Santuários da cidade (Belgrano, Confidentia) e a “Zona Mater” até esta Igreja Catedral e celebra a Eucaristia com o Bispo, desta vez com um Bispo peregrino da Diocese de La Plata, um schoenstatteano.

Rosario frente de la catedral

Antes da Missa, um grande grupo de schoenstatteanos reuniu-se em frente à Plaza de Mayo, ao lado da oliveira que foi plantada no ano 2000 pelo então Cardeal Jorge Mario Bergoglio – Papa Francisco – como símbolo de paz, solidariedade e respeito entre os povos. As MTA’s Auxiliares da cidade e várias MTA’s Peregrinas foram lá colocadas, tendo sido mais tarde transferidas para o altar da catedral. Estavam o Padre Pablo Pérez, Director Nacional do Movimento de Schoenstatt na Argentina, várias voluntárias de Maria, Javier Maulen como representante dos taxistas missionários, casais, missionários, jovens… uma reflexão viva “da riqueza de tantos dons e carismas espalhados pelo Espírito Santo por esta Igreja particular”, como disse mais tarde Monsenhor Jorge.

Antes do início da Missa, houve saudações, encontros e reencontros. Após o longo período de confinamento e de reuniões virtuais, a alegria de se encontrarem pessoalmente era evidente. Várias “Voluntárias de Maria” presentes partilharam o seu pesar porque justamente quando os doentes nos hospitais mais precisavam delas, não podiam entrar. Que alegria saber que no Sanatório Mater Dei tornaram possível as visitas familiares aos doentes… Sim, “a opção pela missão que caracteriza uma Igreja em saída não pode ser compreendida senão a partir do “relacional”, do mundo dos vínculos”, e os vínculos precisam de presença.

Voluntarias de Marìa

Voluntárias de Maria

Como é fácil cair na tentação de julgar entre bons e maus, puros e impuros

Junto com Monsenhor Jorge, na procissão de entrada estavam os Padres de Schoenstatt Guillermo Carmona, Pablo Pérez, Manuel López Naón – o próximo mestre de noviços em Tupãrenda – Paraguai – e o recentemente ordenado Juan Molina, que recebeu uma forte salva de palmas de todos. Um coro animou a Missa com cânticos alegres.

Posso também colocar a minha Peregrina no altar? Perguntava-me uma missionária com a sua Peregrina nos seus braços. “Nem pergunte”, disse eu, “Vá em frente”.

“Convido-vos a poderem ler, a poderem descobrir em dois ou três sinais algum caminho que a Providência nos abre…um caminho que a Mãe nos exorta a percorrer”, assim começou a sua Homilia Monsenhor Jorge. Estes sinais são: O processo sinodal, os cinco anos da Amoris Laetitia, e a pessoa e missão do Pe. Kentenich após os acontecimentos do ano passado.

Como Família de Schoenstatt, disse, “têm a oportunidade de pôr “os vossos pães e peixes” em comum; têm o dever interior de ser fiéis ao carisma e com consciência dos instrumentos, de contribuirem generosamente com o muito que receberam. Para além da participação das instâncias sinodais já experimentadas, trata-se de entrar num espírito sinodal, articulando as nossas acções com generosidade, evitando personalismos, sem vaidade, sem competições inúteis… numa chave eclesial que anima a vida das nossas comunidades e todo o nosso trabalho pastoral.

Ligando de forma marcante o Ano da Família Amoris Laetitia com a biografia de José Kentenich , Monsenhor Jorge González disse: “Se voltarmos ao tempo do nascimento do Padre Kentenich que estamos a celebrar, encontramos uma mentalidade que marcou costumes e hábitos… Como é fácil cair na tentação de julgar entre bons e maus, puros e impuros, como Jesus já nos avisou no Seu tempo. Pensemos concretamente na mãe do pequeno José, quantos desafios e humilhações ela deve ter tido de suportar como mãe solteira”.

Catedral de Buenos Aires

Três pontos a considerar relativamente ao vínculo com o Pe. Kentenich

Com clareza e seriedade, Monsenhor Jorge González referiu-se aos acontecimentos do ano 2020 com a publicação do livro da Dra. Alexandra von Teuffenbach e as reacções em Schoenstatt, como uma tempestade que “abalou os nossos corações e que, com um olhar providencial, nos abre questões e levanta desafios”.

Partilhou três pontos que foram reflectidos e discutidos no seio da União dos Sacerdotes, pontos que desafiam cada um e cada comunidade – não apenas Buenos Aires.

  1. Devemos conhecer a fundo a história do nosso pai, a fim de lhe emprestar a nossa voz e poder advogar por ele, como fizeram tantos que já não estão connosco, indo ao mesmo grito do Pe. Kentenich para serem ouvidos. Ninguém na Família deve ser isento desta responsabilidade.
  2. Como a FAMÍLIA DO PAI deve surgir entre nós uma forte e renovada corrente patrocêntrica, que clarifica vitalmente o lugar do Pe. Kentenich nos nossos corações… um renovado Pentecostes do Pai.
  3. Dispor os nossos corações para “canonizarem a verdade”, como o nosso pai a expressou, mas uma verdade completa e transparente, que reencontre a nobreza do seu coração no auge dos desafios, a pequenez dos instrumentos, a magnitude das dificuldades.

Un desafío, un compromiso, una luz. No ignorar lo publicado, no culpar al mensajero de una mala noticia, no volver vivir como si nadie hubiera pasado, sino estudiar, asumir la responsabilidad de informarse personalmente, abrir mente y corazón a la verdad y más que nada, declinar de nuevo la relación personal con el Padre Kentenich, aquel que buscaba y hoy más que nunca busca y necesita de aliados para su misión.

Um desafio, um compromisso, uma luz. Não ignorar o que foi publicado, não culpar o mensageiro pelas más notícias, não voltar a viver como se nada tivesse acontecido, mas estudar, assumir a responsabilidade de se informar pessoalmente, abrir a mente e o coração à verdade e, mais do que qualquer outra coisa, declinar mais uma vez a relação pessoal com o Padre Kentenich, aquele que procurou e hoje mais do que nunca procura e precisa de aliados para a sua missão.

Catedral Buenos Aires

Encontros

Num gesto significativo, durante o Ofertório, foram trazidos ao altar símbolos de Schoenstatt a sair, recordando, entre outros, a bênção de uma Ermida no Bairro 31, o acompanhamento dos doentes no Sanatório Mater Dei durante a pandemia, a doação de alimentos, a saída missionária de Maria nos braços dos missionários….

Após a bênção final, todos os sacerdotes e especialmente o Bispo Jorge levaram muito tempo a abençoar as pessoas individualmente, a cumprimentá-las, a conversar…Momentos de encontro, de vínculos, em família, que só tiveram de acabar porque a catedral estava a fechar. Lá fora, continuámos a cumprimentarmo-nos e a conversar?

As palavras de D. Jorge ressoavam:

“O ícone da Visitação e do Magnificat, cheio da presença da Palavra e do Espírito, centrado na alegria e bênção de Jesus, e na fé e no cântico de Maria, iluminou a marcha sinodal que se está a percorrer. Este ícone mariano simboliza o encontro entre pessoas, gerações e culturas, que nos ajuda a comunicar e a receber a visita de Deus em cada um dos nossos corações e na nossa amada Buenos Aires”.

Catedral Buenos Aires


Homilía Mons. Jorge Gonzalez - Catedral de Buenos Aires - 18.11.2021_Seite_1

 

Homilia de Mons. Jorge González

 

 

Fotos

18.11.2021 - Catedral de Buenos Aires

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