La verdad nos hace libres

Colocado em 2020-11-24 In Artigos de Opinião, José Kentenich

A verdade nos torna livres

Paz Leiva, Espanha •

Nietzsche certa vez disse: “As verdades que são mantidas em segredo tornam-se venenosas”.  Em outras palavras, coisas que estão no ar ou verdades que mais cedo ou mais tarde passam a ser de domínio público, que se suspeita em todos os lugares, mesmo que não se possa realmente acreditar nelas, acabam se tornando flechas envenenadas capazes de ferir e matar. É por isso que é recomendável expressá-las oportunamente e debatê-las. —

Não sou eu quem diz, mas sim o Pe. José Kentenich, na Apologia pro vita mea, no ano de 1960. Há algum tempo li uma obra de Henrik Ibsen chamada “Um inimigo do povo”. Foi escrita no final do século XIX e conta a história de Thomas Stockmann, quem descobre que as águas das termas estão contaminadas e quer contar a verdade, mesmo que a verdade tenha como consequência prejuízo ao negócio. São muitas as dificuldades que ele encontra e é declarado “inimigo do povo”.

Há semanas que me lembro desta obra que, por outro lado, estava esquecida em algum canto da minha mente.

Também há semanas, meu marido e eu, estamos sendo atacados por expressarmos nossa opinião sobre o assunto levantado pela Sra. von Teuffenbach neste verão. Recebemos todo tipo de críticas, diretas e indiretas e alguns convites para nos calarmos. Por isso nos sentimos “inimigos do povo”, só porque queremos saber a verdade.

E o último episódio aconteceu hoje mesmo: censuraram-me um artigo que haviam me pedido. A revista Tiempos+ Nuevos (Movimento de Schoenstatt Espanha) entrou em contato comigo para me dizer que o artigo não será publicado, pois causaria divisão.

Deixo ao juízo do leitor a crítica do artigo, que não é e nem nunca pretendeu ser nada mais do que uma opinião a partir da minha experiência pessoal, depois de 50 anos em Schoenstatt.

Alguns já nos consideram “inimigos do povo”.

Só espero que não acabemos como Thomas Stockmann, na obra de Ibsen.

La verdad nos hace libres

“A cultura do encontro propicia que muitas vozes possam se sentar à mesma mesa para dialogar, pensar, discutir e criar, a partir de uma perspectiva multifacetada, as várias dimensões e respostas aos problemas globais que afetam nossos povos e nossas democracias…” Papa Francisco, 21/11/2020  

A VERDADE NOS TORNA LIVRES
Estão saindo à luz coisas que estavam ocultas há 70 anos e que teriam permanecido ocultas se von Teuffenbach não tivesse investigado os arquivos do Vaticano.

O que foi publicado, incluindo o livro que acabo de ler, não é agradável. Isso me causa uma dor imensa, que assumo como parte da vida. Viver no engano nos torna escravos da mentira.

Devemos aceitar nosso fundador como ele foi e não como às vezes nos foi dito que era. Tê-lo “canonizado em vida” faz com que se queira preservar sua imagem, mesmo que isso signifique esconder a realidade. Agora estamos vendo como o processo de canonização pode ser interrompido, atrasado ou definitivamente anulado.

Demorei algum tempo para encontrar minha vinculação pessoal com o padre Kentenich porque a imagem que era “vendida” parecia-me irreal. Ele é o fundador de um movimento que tem sido o motor da minha vida. Passei a amá-lo com um amor maduro, que aceita seu pai como ele é. Não é um amor infantil, capaz de canonizá-lo desde que nasceu, nem um amor adolescente de rebelde sem causa.

Por isso me entristece o que está sendo publicado. Eu quero saber, quero transparência. Se o que está dito no livro de von Teuffenbach for verdade, como pode ser possível que estas mulheres maltratadas não fossem apoiadas? Como foi iniciado um um processo de canonização para um homem capaz de tais atos? Mas se as declarações que aparecem no livro são falsas e fruto de uma conspiração, por que foi mantido o silêncio? Por que foi permitido que um homem inocente fosse exilado?

Nada poderá tirar o bom de um homem para o qual, hoje, eu teria que fazer muitas perguntas. “Que as gerações futuras nos julguem”. Nós somos as gerações futuras. Para julgar com justiça, temos que descobrir a verdade e assumi-la na Aliança de Amor. 

 

 

Sob a proteção de Maria queremos aprender a autoeducar-nos como personalidades livres, régias e sacerdotais”. 

 

Pe. José Kentenich, Ata de pré-fundação 1912

 

Original: Espanhol (22/11/2020). Tradução: Luciana Rosas, Curitiba, Brasil

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2 Responses

  1. Chegou a hora de reconhecer que o fundador teve seus erros e que é preciso pedir perdão pelas vítimas que sofreram e tiveram suas histórias ocultadas até agora (todas já falecidas). Padre José Kentenich fez muitas coisas santas, mas também teve seus pecados (como a igreja: santa e pecadora). É necessário perder o medo de rever a história para reconstruir o que for preciso, mas na base da verdade.
    É preciso parar de malabarismos argumentativos na tentativa de tentar salvar a imagem do fundador para reconhecer que além de acertos, Padre Kentenich também cometeu erros e pecados.

  2. Mais uma vez leio um artigo que vem de encontro com o que penso, sabe, penso que somos humanos e cometemos erros e que o Padre Kentenich também pode ter errado, sabe tentando acertar com essas mulheres, tentando conduzi-las em sua vocação , as pessoas erram tentando acertar. Mas para acertarmos as coisas agora precisamos da verdade para enfim sabermos como acertar tudo isso.
    Não adianta tapar o sol com a peneira, não adianta ficar contando in verdades .
    Precisamos ser realista colocar os pés no chão e enfrentar de cabeça , não adianta colocar um artigo no site falando que a comunidade feminina (Jufem, Mães, Lafs,etc) reza e apoia o Padre Kentenich, isso não leva a lugar nenhum, pois se é verdade teve um sofrimento as mulheres sofreram e isso sim precisa de apoio e pedido de perdão oração e sacrifício, e talvez ate reescrever nossa historia que mesmo com essa mancha é muito linda , pois o 18 DE OUTUBRO DE 2014 É LEGITIMO!!!! sim temos uma MÃE que nos ama e por esse amor veio morar no santuário.

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