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Colocado em 2022-01-16 In obras de misericórdia, pastoral prisional

Ano Novo, de novas oportunidades?

PARAGUAI, Roberto M. González •

Quase 15 dias após o início deste novo ano, pude dedicar-me a analisar uma imagem que tenho na minha cabeça desde 31 de Dezembro do ano passado. —

No dia 31 de Dezembro pude ir novamente ao Reformatório de Itauguá para partilhar com eles uma ceia de Ano Novo. Desta vez foi um pouco mais familiar para mim, pois pude encontrar-me com o Director da prisão e com um dos funcionários, que já conhecia anteriormente.

Com este funcionário, que trabalha na cozinha, pude falar sobre muitas das melhorias que foram feitas durante os quase cinco anos desde a minha última visita à prisão. Ele até me falou da boa situação de alguns dos adolescentes, agora adultos, a quem tive o privilégio de acompanhar e até de ser o Assessor de prova para que lhes pudesse ser concedida a liberdade condicional. Mas isso é uma história para outra altura.

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“O Ano Novo que começa…”

cárcelDe volta à ceia de Ano Novo, não é fácil organizar tudo em grupos rotativos, especialmente com o calor do Verão paraguaio, que é muito elevado nestas últimas semanas: distribuição da comida, pão, talheres e um refrigerante frio. Depois de todos receberem a sua porção, alguns comem-na lá connosco e outros guardam-na para mais tarde, quando regressarem às suas celas.

Sempre, antes de distribuir as refeições, o Pe. Pedro faz uma breve reflexão e oração. Desta vez, uma frase ficou na minha cabeça até agora: “O Ano Novo que está a começar…”. Porquê esta frase em particular? Na minha mente, calculei que muitos deles vão continuar por mais alguns meses, se não anos, no Reformatório.

Para nós, por outro lado, um novo ano começou. Alguns de nós já foram de férias e outros irão de férias um pouco mais tarde. Temos 365 dias de novas oportunidades de trabalho, de estudo, de estar com a nossa família e amigos, de realizar aquele projecto pessoal ou profissional para o qual temos vindo a trabalhar há algum tempo. No entanto, estes adolescentes têm um futuro incerto em quase todos os sentidos.

Sonhos de uma vida em liberdade

O futuro destes jovens é tão incerto que, literalmente, tudo depende do que diga o Procurador e o Juiz do caso, porque, uma vez terminada a fase de confinamento, eles podem sonhar com uma vida de liberdade, de volta às suas famílias e amigos.

Para muitos é um sonho poder sair da prisão e entrar na Casa Mãe de Tupãrenda. Todos já o sabem, e se os 75 adolescentes estivessem hoje livres, estou certo de que a grande maioria estaria à porta da Casa a pedir um lugar no programa.

No dia 4 de Janeiro eu estive na Casa da Mãe Tupãrenda. Falei com o Padre Pedro sobre o futuro, “planeando como loucos e confiando como santos”, como Mario Hiriart escreveu no seu diário, e vi o quanto a Casa cresceu nestes 5 anos e os seus quase 50 licenciados.

Há um bom caminho percorrido, assim como resultados que nos encorajam a continuar a trabalhar por um espaço onde qualquer adolescente que, queira avançar pode ir e ser acolhido por uma equipa que o acompanhará neste processo de transformação interior à sombra do Santuário de Tupãrenda.

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Original: espanhol (14/1/2022). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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