Colocado em 2022-01-16 In Artigos de Opinião, Vozes do Tempo

Sofrendo em silêncio

María Fischer •

Suffering In Silence, é o nome dado pela organização de ajuda CARE ao seu relatório anual sobre as catástrofes esquecidas da humanidade. Não porque as vítimas sofram em silêncio, mas porque o seu sofrimento é escondido, ignorado e esquecido pelos meios de comunicação social, a análise dos meios de comunicação social enumera pela sexta vez as dez crises que afectaram, pelo menos, um milhão de pessoas e que foram as menos mencionadas nos meios de comunicação internacionais online. O que não aparece nos meios de comunicação só é notado por pessoas que estão a observar de muito perto e muito proactivamente.

Pessoas como o Papa Francisco, por exemplo, que, alguns dias antes do relatório CARE, trouxe à luz estes e outros sofrimentos globais durante a bênção de Natal Urbi et Orbi, que teve bastante repercussão mediática.

O comportamento dos media surpreendeu os autores do relatório CARE: “A importância global da cobertura surpreende-nos, apesar de toda a nossa compreensão e conhecimento dos factores de reportagem. Os media online publicaram mais de 360.000 reportagens sobre a entrevista do Príncipe Harry e da sua esposa Meghan com Oprah Winfrey. E apenas 512 artigos foram publicados sobre as mais de um milhão de pessoas que se encontram em situação de insegurança alimentar aguda na Zâmbia”.

Uma moeda que pode decidir entre a vida e a morte

A presença dos meios de comunicação social garante consequências imediatas em países em crise. É uma moeda que pode decidir entre a vida e a morte. “Quando as crises chamam a atenção, então recebem atenção política e são tratadas em conformidade nos fóruns políticos”, diz Wilke, chefe de comunicações da CARE.

Os doadores também analisam quais as crises que são particularmente sentidas. “Descobrimos repetidamente que quando se fala com os doadores, é preciso primeiro explicar porquê a Zâmbia, ‘Não ouvimos nada sobre isso este ano’. E depois há uma lógica muito simples: menos atenção, menos recursos financeiros, menos oportunidades para aliviar o sofrimento”.

E porque não há muito mais sobre os projectos sociais de Schoenstatt em schoenstatt.org?

O paralelo com as áreas de sofrimento em que os schoenstatteanos trabalham para as crianças em bairros de lata, para os jovens na prisão, para os sem abrigo, para os migrantes e refugiados, para os doentes graves, para as mulheres grávidas em situações de necessidade… é mais do que óbvio. Se não o relatarmos – e só o podemos fazer se o soubermos, ou seja, se nos contar – e se não o fizermos repetidamente, então isto não é apenas um esforço em silêncio, mas permanece para as crianças, jovens e sem abrigo… muitas vezes um sofrimento em silêncio. Não só por causa da falta de orações e donativos. Também porque cada história que falta destas áreas de sofrimento impede que dois ou três schoenstatteanos em qualquer parte do mundo digam: Nós também. Também aqui.

E aqui outra dor: o nosso Schoenstatt socialmente empenhado permanece em silêncio. A questão: O que faz Schoenstatt por nós, pelos desfavorecidos, pelos pobres, pelos refugiados, pelos maltratados, pelos famintos, pelos sem abrigo, pelos encarcerados? … continua sem resposta.

Os responsáveis pelos grandes projectos de Aliança Solidária sabem quantas vezes nós de schoenstatt.org os atormentamos com os nossos pedidos de histórias, testemunhos, experiências.

Fiquem descansado que o continuaremos a fazer. Porque essa é a nossa promessa para com os mais pobres e mais vulneráveis. E para o Schoenstatt com que sonhamos e em que acreditamos.

Suffering in Silence – Relatório integral de CARE (português)

Original: alemão (13/1/2022). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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