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Posted On 2022-01-16 In abuso, Igreja - Francisco - movimentos

Ventos de mudança…soprados pelo Espírito Santo

PORTUGAL, Lena Castro Valente •

Também a Igreja Católica Portuguesa, a exemplo do que foi feito na Igreja francesa, quer investigar toda a dimensão dos abusos sexuais praticados no seu seio desde os anos 50 do século passado. O anúncio foi feito em 12 de Novembro do ano passado por D. José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), no final da 201ª Assembleia Plenária. Esta investigação será feita por uma Comissão Independente. Esta decisão do episcopado português surge quase três anos depois de uma cimeira global convocada pelo Papa Francisco para debater o tema com os Bispos à escala mundial.

“Não temos medo nenhum…”

Não temos medo nenhum e estamos interessados em conhecer toda a verdade. Pretendemos que se chegue ao fundo nesta questão”, disse o presidente da CEP, frisando que não vão impor à Comissão qualquer baliza temporal, porque “isso seria, logo em si, criar um condicionalismo à própria Comissão”. “É para investigar tudo, seja em que tempo for”, observou.

D. José Ornelas, que é também Bispo de Setúbal – uma região muito problemática do país em termos de desigualdades sociais -, frisou não ter ideia da dimensão do problema em Portugal e assegurou que a Igreja portuguesa está preparada para todos os cenários. “Temos muita pena e custa-nos muito tratar estas coisas [abusos sexuais de menores na Igreja], como qualquer família que tratasse de um problema destes, mas não temos medo e temos todo o interesse em esclarecer tudo isto. Estamos preparados para tudo, sem medo”, afirmou o Presidente da CEP.

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A Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais na Igreja Católica em Portugal

No dia 10 de Janeiro passado foi apresentada a composição da Comissão encarregada de avaliar e pesquisar tudo o relacionado com este assunto.

Fazem parte da Comissão o médico de psiquiatria da infância e adolescência Pedro Strecht que será o seu Coordenador e, ainda, o Juiz Conselheiro Laborinho Lúcio ex- Ministro da Justiça, Ana Nunes de Almeida, socióloga e investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa; Daniel Sampaio, psiquiatra, professor catedrático jubilado da Faculdade de Medicina de Lisboa; Filipa Tavares, assistente social e terapeuta familiar; Catarina Vasconcelos, cineasta.

O seu Coordenador Pedro Strecht disse na apresentação da Comissão: Quanto à nossa acção futura, já o referimos e repete-se hoje, sem qualquer motivo de dúvida que somos um grupo de pessoas que se organizou para esta missão, tendo por base a sua experiência profissional e a respetiva idoneidade necessárias para que, livremente, possa recolher e tratar testemunhos de vítimas, compreender quando, onde, como, por quem foram abusadas. Num modelo de abordagem sintónico com o seu sofrimento passado que por diversas circunstâncias permaneceu omisso até aos dias de hoje”.

“Dar voz ao silêncio”

Este é o Lema desta Comissão que, segundo o seu Coordenador: “De verdade, a Comissão existe para estar ao lado das pessoas. Tem disponibilidade total para as escutar, a seu tempo e com tempo. Uma a uma porque todos, mas todos contam. A comissão irá também procurar validar estes testemunhos em sigilo profissional, fazendo-o através de diversas formas, para que cada qual, sem medo, vergonha ou culpa tenha, finalmente, um espaço de referência onde se sinta confortável para poder falar”.

E, referiu ainda que: “A partir das 10 h do dia 13 de Janeiro, a Comissão teria ao seu dispor ou ao dispor de toda e qualquer pessoa o seu site para consulta, um mail disponível para qualquer esclarecimento, um inquérito para todos os que queiram responder com honestidade, um número de telefone em linha aberta para ouvir quem quiser dar o seu testemunho, e agradecendo a sua divulgação: 917110000. Haverá em simultâneo outras vertentes muitíssimo importantes no trabalho a realizar ao longo dos próximos doze meses. Sendo que desde já se põe em destaque o estudo estatístico de todo o material recolhido, a pesquisa de informação presente em meios de comunicação social pelo menos desde 1950, o estudo ponderado e colaborativo de arquivos históricos da própria Igreja Católica (que os põe à completa disposição da Comissão), o contacto aberto com todas as instituições e pessoas que já existem e continuarão a existir enquanto referência em Portugal no domínio da promoção e protecção dos direitos das crianças”.

Os testemunhos validados logo no primeiro dia de abertura das redes atingiram o número 50.

Fonte: https://darvozaosilencio.org/

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