Colocado em 26. Maio 2015 In Missões

A Peregrina do Padre vai as Missões Universitárias

PARAGUAY, por José Aníbal Argüello, Lala Pires Ferreiro, María Ester Cáceres, Gabriela Bolaños y Maria Fischer •

A Peregrina do Padre foi missionar… Quando o responsável pela Peregrina do Padre, o P. Heinz Kuenster celebrou seus 90 anos, Monina Crivelli, grande amiga do “Herr Pastor” aproveitou o momento para pedir-lhe, uma vez mais, a Peregrina do Padre, aproveitando a viagem de Maria Fischer a Paraguay e Argentina.

Quando João Pozzobon soube da viagem de seu amigo o Irmão Germano Arendes a Schoenstatt, em março de 1968, entregou-lhe duas peregrinas; uma para iniciar a Campanha em Alemanha, outra para o Padre Kentenich. O Irmão Arendes entregou esta peregrina ao Padre Kentenich na casa Marienau, no vale de Schoenstatt, em 19 de março de 1968. Ela esteve sempre em seu quarto nesta casa. Depois de sua morte, ficou em custódia do então reitor da Casa, o Padre Heinz Kuenster. Quando o Sr. João em 1979 pôde visitar o Santuário Original, perguntou por esta peregrina e na alegria do reencontro escreveu de punho e letra ao dorso da imagem: “Esta imagem do Brasil foi presenteada ao Padre Fundador em 1968. Esteve em suas mãos”.

A Peregrina do Padre já havia peregrinado por Paraguay e Argentina, e também esteve na benção do Santuário de todos nós em Belmonte, Roma, em 2004. Desde então, ficou como um tesouro, tão grande quanto desconhecido, em sua vitrine do quarto do Padre Kentenich na Casa Marienau. Jurando não perdê-la de vista, nem das mãos, nem nada para que não desapareça ou se danifique; a coordenadora de Schoenstatt.org a recebeu com permissão de levá-la a Paraguay e depois entregá-la a Monina Crivelli para estar umas semanas com a Campanha em Argentina.

Quando uma peregrina pode sair ao encontro, no se detém… e saiu, desde o primeiro momento de aterrissar em Paraguay. O que segue é a aventura mais audaz dela. Contra todos os conselhos dos Padres de Schoenstatt em Paraguay e resultando no comentário “desesperado” de alguém do Dreamteam a Maria: “Sabia que ia acontecer ao perder-te de vista por um minuto e ver-te sair sozinha com os jovens…”.

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“Assunto: pedido especial” – testemunho de José Aníbal Argüello

“Assunto: pedido especial”. Assim era o título do e-mail que enviei a Maria Fischer, Chefe da Equipe de Comunicação de Schoenstatt.org, que foi a pessoa de quem se serviu a Santíssima Virgem, para, desde Alemanha transladar-se até Paraguay, e compartilhar a Semana Santa na nação de Deus. Com este e-mail, fiz-lhe a proposta audaciosa:

“Olá Maria! Há um ditado em Paraguay que se utiliza quando se quer perguntar algo complicado ou de difícil cumprimento.

A frase é: “Há que perguntar de qualquer maneira… o máximo que responderá é um não”. Querida Maria, minha atrevida consulta é para saber se te animas a que a Peregrina do Padre Fundador vá as Missões Universitárias.

Eu sei que é uma relíquia super especial, mas também sei que ela está cheia de graças especiais que merecem ser levadas ao encontro daqueles a quem ela queira realizar a segunda visitação.

É uma proposição muito atrevida… mas cheio de vontade de armar um bom barulho. Bênçãos! Amanhã nos vemos!”.

Diante da falta de resposta de Maria, presumi a negativa a meu pedido. Já na Catedral de Asunción, minutos antes de partir para as Missões, e pelo convite que lhe havia feito semanas antes, Maria Fischer se faz presente com a Peregrina do Padre Fundador, e comenta que apesar de não poder deixá-la ir as Missões, a Mãe se fez presente no “envio”. Lógico que esta resposta me deixou um sabor não muito doce na boca, e disse a mim mesmo que não estava tudo dito.

Acompanho então Maria Fischer a percorrer a explanada da Catedral, onde setecentos missionários universitários se dispunham a sair às periferias do país para levar a palavra de Deus. Foi os rostos entusiasmados e carregados de Cristo, assim como a vontade de Maria de sair ao encontro de seus filhos, que tocou o coração de quem custodiava a Peregrina do Padre, e finalmente acedeu a este pedido atrevido.

Agora só resta agradecer a Deus, por nos permitir levar Maria para visitar seus filhos… verdadeiramente sentiu-se suas ganas de sair a esse encontro, pendente quem sabe há quantos anos, mas finalmente aconteceu.

Na Campanha da Mãe Peregrina, dizemos que quando uma Peregrina não está “missionando” ou percorrendo casas, então está “enjaulada”. Então… aqui compartilhamos alguns dos testemunhos da Missão que realizou a Peregrina do Padre Fundador, depois de sair de sua clausura de tantos anos. E que bom que tenha sido no Paraguay!

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“Ela viu Maria em você” – testemunho de Gabriela Bolaños

Na manhã de quarta-feira Santa, na capela do colégio onde nos hospedamos durante as Missões Universitárias Católicas, nos estavam explicando a honra de ter esta peregrina original em nosso povoado, uma peregrina especial a de 19 de Março de 1968. Contaram-nos que passou por várias mãos e vários lares no mundo, com a peculiaridade que esteve nas próprias mãos do Sr. João Pozzobon e do fundador, o Padre José Kentenich.

Esta manhã, antes de sair para missionar, confiam a mim esta peregrina tão particular. Na terceira casa que visitamos, nos atendeu uma senhora de uma família muito humilde, com sete filhos, três dos quais padecem microcefalia; têm perto de trinta anos, mas são como crianças, não entendem muitas coisas.

A senhora nos recebeu com muita amabilidade e num dado momento uma de suas filhas especiais estava olhando pela janela para o corredor e lhe mostro de longe a imagem da peregrina. Sorriu de uma maneira única, veio correndo diretamente até a imagem da Mãe e lhe deu um beijo. Esta mirada de ternura e alegria da moça foi única, foi um momento inexplicável, fiquei desconcertada com este gesto.

Ao nos despedir a filha vem outra vez perto de mim e me dá dois beijos no rosto, só em mim, senti uma sensação estranha de tanto amor e alegria e até um agradecimento seu, que sem poder fazer-se entender muito teve este gesto.

Ao sair da casa, todos continuávamos muito surpreendidos pelo que havia acontecido, e um de meus irmãos me diz “ela viu Maria em você”; e creio que isso foi exatamente o que senti.

Foi uma benção gigante poder missionar com esta Peregrina que possui tanta história. Obrigada!

Revista Mayo-7

É necessário amar – testemunho de Lala Pires Ferreiro

ZuschneidenApresento-lhes o Sr. Aurelio e a Sra. Siriaca Argüello. Hoje não vou ressaltar a situação de carência em que vivem em Potrero Guazu, distrito de Caazapá (a 7 km de Buena Vista). Apenas enfatizar sua fiel companhia um ao outro sem importar as circunstâncias da vida. Com setenta anos de matrimônio admiráveis, que inclusive nos faz pensar: é possível tantos anos juntos? Sem permitir ainda, que a morte os separe. O Sr. Aurelio com 95 anos de idade e a Sra. Siriaca com 85, me demonstraram que para viver mais tempo nesta terra não é necessário ter muito dinheiro ou bens materiais.

Não é necessário investir em quantidades de medicamentos que prometem melhorar sua qualidade de vida, tampouco é necessário ser alguém de renome na sociedade ou viver num lugar me atreveria a dizer “habitável”. É necessário amar.

Amar? Pode parecer um pouco piegas para alguns, mas é necessário. Haverá dias em que Aurelio não se lembre nem onde vive, nem quem é a pessoa que o acompanha, mas nestes setenta anos teve e tem alguém que o sustenta em todos os aspectos. Posso assegurar que o que os mantém juntos e com vida é o amor que têm um pelo outro, o respeito e a fidelidade de estar um ao lado do outro. Na pobreza, na enfermidade e na dor.

E me leva a pensar: O que/quem eu amo para prolongar minha vida nesta terra? Não importa se é algo ou alguém, sua família, seu cônjuge, seu trabalho, seus sonhos. Onde seja ou quem seja há mais de uma pessoa envolvida. Porque alargando meu tempo aqui, estou gerando mais tempo de vida aos demais. Saibamos classificar o que nos dá vida e o que nos rouba vida. E creio que todos estamos de acordo que o ódio, o rancor, a raiva, o medo, a intolerância entre outros, vão diminuindo vida minuto a minuto; a nós e em conseguinte aos demais. Geremos tempo de vida e não restemos vida a quem nos rodeiam e muito menos a nós mesmos. Então a pergunta é: Quanta vida podes gerar hoje?

Revista Mayo-8

Aonde será que nos leva a Rainha? – testemunho de María Ester Cáceres

Fomos missionar na Semana Santa com as Missões Universitárias Católicas. Oitocentos jovens se somaram a esta grande loucura de amor, me correspondeu ir ao povoado de Buena Vista (Caazapá – Paraguay).

Quando soube que a Virgem peregrina do Padre Kentenich iria missionar em Buena Vista saltei de alegria, a princípio pensei que estavam burlando, mas quando vi a imagem percebi que não era uma mentira.

Pedi a Mãe que se era a vontade do Pai me permitisse missionar com ela. E assim aconteceu. Na quinta-feira Santa tive a oportunidade e benção de missionar na Compañía Potrero Guazú com a peregrina em braços e foi muito emocionante, para mim significava muito essa imagem.

Quando chegamos nos dividimos em grupos de três pessoas e me correspondeu missionar com Fausto e Lala. Depois de fazer uma pequena oração saímos para missionar.

O caminho era de terra e barro, caminhamos quase três quilômetros ou mais. Durante a caminhada me perguntava, aonde será que nos leva a Rainha?

Ao fim do longo caminho entramos numa casa muito humilde que se encontrava escondida. Ali nos receberam com grande acolhida. Era uma família completa, muito pobre, o matrimônio tinha uns oito filhos, o maior já havia completado vinte anos e era um rapaz especial, pois tinha síndrome de Down. Quando ele vê a Mãe se emociona e diz: Amém.

Ao chegar nos sentamos em volta de uma mesa e começamos a conversar com eles. Depois de um tempo Fausto, que toca violão, começa a cantar uma música e todos o acompanhamos.

Aos poucos se criou um clima belo, uma família unida cantando, louvando a Deus e a imagem peregrina no centro. Todos a miravam com grande assombro.

Antes de nos despedir a dona de casa pega a imagem, a mira e começa a falar com ela; suponho que estava rezando. Num dado momento me aproximo e vejo que seus olhos brilhavam, ela me mira, me abraça e me diz: “Obrigada por vir, que Deus te abençoe”. Senti-me tão bem ao escutar estas palavras porque realmente me senti instrumento. Estou muito agradecida por haver tido esta linda experiência.

Revista Mayo (2)

23 de maio de 2015 – MUC com a Peregrina do Padre

 

Fonte: Revista Tupãrenda, maio de 2015

Fotos: MUC/Revista Tupãrenda, Ani Souberlich, Maria Fischer, José Argüello

Original: Espanhol – Tradução: Lena Ortiz – Ciudad del Este, Paraguay

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