Colocado em 2020-07-03 In José Kentenich

E, agora? Publicação de documentos que acusam o Pe. Kentenich de abuso de poder

Redacção schoenstatt.org •

“Penso que nos será exigida muita objectividade”, disse o Bispo Francisco Pistilli de Encarnación dando, neste momento, uma pista. Hoje, 2 de Julho de 2020, o jornal alemão “Die Tagespost”, um meio tradicional católico, publicou uma nota escrita pela historiadora Alexandra von Teuffenbach, Roma, sobre documentos dos arquivos do Vaticano da época de Pio XII, que desde Março estão à disposição de todos no contexto da iniciativa do Papa Francisco para uma maior transparência na Igreja. Estes documentos contêm escritos dos Visitadores ao Instituto das Irmãs de Maria, Stein e Tromp, e várias cartas extensas das Irmãs de Maria ao Visitador e a outras autoridades do Vaticano, com acusações das Irmãs de Maria ao Padre Kentenich, por abuso de consciência e de poder, e num caso, abuso sexual.

Ontem já foi divulgada uma “nota de pré-informação” nos meios de comunicação alemães  (DE) e romanos (por Sandro Magister, que a autora tinha contactado há algum tempo), bem como na Religión Digital (ES) e no ACIprensa (ES), e hoje foi publicada a própria nota (DE) .  O que a nota comunica é a opinião do Visitador, a partir do seu conhecimento, posição e obrigação de investigar estas acusações e dúvidas sobre a conduta do Padre Kentenich em termos de autoridade, poder, influência e liberdade de consciência.  A autora faz sua, esta opinião, contrastando-a com a biografia do Padre Kentenich na página oficial da Causa e na Wikipédia.

As acusações que tiveram peso na própria Visitação, bem como na decisão de separar o Padre Kentenich das Irmãs e mais tarde da Obra de Schoenstatt, são conhecidas desde então (1950), tanto fora de Schoenstatt como dentro, e fizeram, como diz a declaração da Presidência Geral, parte das investigações no processo de beatificação do Padre Kentenich (1975).

E, agora? Ser-se encorajado à luz

Monsenhor Francisco Pistilli, Padre de Schoenstatt, Bispo de Encarnación, comentou ontem à noite:

Creio que muita objectividade será exigida de nós. De alguma forma, o nosso Fundador é posto à prova. Confiamos que ele passará no teste, mas deve poder demonstrar-se, com imparcialidade. Estou convencido de que não se trata de estar na defensiva, mas de se ser encorajado à luz. Pode ser doloroso, certamente será. As questões surgirão, talvez de nós próprios. É tempo de compreender e procurar respostas sem medo e sem a necessidade de desenhar um Fundador perfeito.A sua santidade, se a Igreja o confirmar, não será porque foi ele quem sempre teve todas as respostas e nunca arriscou ir além do convencional. Chamamos-lhe profeta, vamos confrontá-lo com o destino do profeta, mais uma vez. Há áreas difíceis. Como julgar, como iluminar? Há aí um desafio.  O abuso de poder é um tema desenvolvido, talvez desde o tempo do exílio. A própria Igreja não a compreendeu totalmente. No Padre Pio era uma questão no seu processo. Ele passou no teste. Colocar panos quentes nem sempre é a melhor opção. Especialmente em tempos como estes. Falar sem conhecimento também não é bom. Quanto é que realmente sabemos? Podemos ir mais fundo no que tudo isto significa? Sem véus, mas com objectividade. Gosto de pensar que podemos. Deus é luz e aqueles que O seguem precisam de ser vistos na Sua luz”.

Uma resposta profética?

Não vamos reagir a partir das trincheiras. Elas estão lá em baixo e são muito escuras. Precisamos de luz“, um comentário do Prof. Ignacio Serrano del Pozo, Chile, num intercâmbio entre schoenstatteanos chilenos, ontem à noite.

Não tomar isto apenas como um ataque e ir para a defensiva. Mas a partir do: e, agora?

Muitos outros dizem que vivemos numa época em que a transparência tem um peso muito maior do que antes, e que esperamos que este duro golpe ajude a levar avante um processo no sentido de uma maior transparência dentro de Schoenstatt. A dissimulação não beneficia ninguém, muito menos o Padre Kentenich. A verdade torna-nos livres.

“Penso que é importante que dentro de Schoenstatt se informe e documente, agora, de forma muito pró-activa, para que as coisas possam ser explicadas, ou refutadas, ou colocadas em perspectiva. A declaração da Presidência Geral é absolutamente correcta como um primeiro passo. Mas não se deve ficar por aí (…) se a Comissão não encontrou nada, está tudo bem…) mas as coisas devem ser explicadas/reveladas. E se o controlo e a dependência (abuso de consciência e de poder) ainda existem hoje, ou são vividos de forma errada, então também podemos “olhar para isso” e endireitar e abordar as coisas que estão erradas. Em todo o caso, as partes da história que talvez ainda estejam em falta ou que deveriam ser melhor explicadas devem ser activamente informadas e processadas”, exige Ulrich Grauert, Suíça, para citar apenas uma voz a este respeito.

Bettina Betzner, Alemanha, citou, neste contexto, ontem à noite, a pregação do Papa Francisco de 29 de Junho, em que ele nos chama à unidade e à profecia. Menos para culparmos “o mundo” pelo que nos acontece ou para procurarmos “inimigos culpados” nas nossas próprias fileiras, e mais para nos deixarmos provocar pelo Senhor, para sermos testemunhas fiéis d’Aquele em quem confiamos, com actos concretos.

 

PT DECLARAÇÃO (Tradução schoenstatt.org)

 

PT Os pais podem fazer isto  

 

 Original: espanhol (2/7/2020). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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1 Responses

  1. Conhecemos suficientemente o Pai Fundador, seu carisma, sua identidade e integridade moral? Essa Professora que “descobriu” o furo jornalístico nos arquivos do Vaticano, a meu ver, publicou uma parte da verdade, em defesa de uma mulher supostamente vitimizada, indefesa, e isto sob o prisma do que observou o Visitador, o Pe.Tromp. O texto coloca o Pe.Kentenich no papel de alguem que abusou do poder, de um agressor sexual. O que esta senhora sabe a respeito do seu caráter? E desta Irmã, ou Irmãs que o denunciaram? Ela o acusa, ou ao menos o coloca sob suspeita. E o que diz a defesa? Ela a conhece? Porque não publica? Nós schonstatianos conhecemos essa verdade? É nossa chance. É esta a hora!
    Sentimo-nos traídos pelo desconhecimento destes fatos publicados? Temos que ponderar que vivemos noutros tempos, onde sentimos a transparência como um direito inato. Antigamente não era assim. Conhecemos o ditado de nossos pais: “Roupa suja se lava em casa” .

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