Jorge González

Colocado em 2020-11-28 In José Kentenich, Schoenstatteanos

Dando graças a Deus pelo chamado ao episcopado de um filho do Santuário de La Plata

ARGENTINA, Pe. José María Iturrería e María Fischer •

No dia 18 de novembro, como Família de Schoenstatt da Argentina, tivemos a oportunidade de acompanhar a celebração da missa de Aliança presidida pelo Bispo Auxiliar de La Plata, Mons. Jorge González, no Santuário da Libertação de La Plata. —

Em 18 de novembro, como Família de Schoenstatt da Argentina, tivemos a oportunidade de acompanhar a celebração da Missa da Aliança presidida pelo Bispo Auxiliar de La Plata, Monsenhor Jorge González, no Santuário da Libertação de La Plata. —

Foi uma ocasião muito especial, pois Mons. Jorge González é o primeiro bispo argentino que pertence à União dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt, uma comunidade sacerdotal de Schoenstatt. Nesta ocasião, poucos meses depois de sua ordenação episcopal e no marco do seu aniversário de Aliança, que foi em um dia 17 de novembro, quis celebrar uma missa de Ação de Graças no Santuário, em torno da data em que também comemoramos o aniversário de nascimento do Pe. Kentenich.

Mons. Jorge González en el Santuario de La Plata

O santuário à sombra da catedral

O Santuário de La Plata tem, desde sua origem, uma missão especial em relação à Igreja, por isso a presença de um bispo schoenstattiano celebrando o dia da Aliança tem um significado profundo. Construído à sombra da Catedral, no Jardim do Arcebispado de La Plata, como símbolo da “profunda inserção de toda a Obra na Igreja”, e abençoado por Mons. Antonio Plaza em 1965, o arcebispo platense que ordenou os primeiros Padres de Schoenstatt, tem uma relação muito particular com a arquidiocese e com a época da libertação do exílio do padre Kentenich. Em seu próprio nome está expresso: “Santuário da Libertação do Pai e do Amor à Igreja”.

Hoje o amor pela Igreja se faz mais próximo e mais concreto na medida em que a Família de Schoenstatt argentina acompanha o ministério episcopal do bispo Jorge González e na mensagem que quis compartilhar conosco.

Mons. Jorge González en el Santuario de La Plata

No santuário ou em frente à tela: todos presentes

En estos momentos tan complicados para Schoenstatt es muy valioso su testimonio como una autoridad eclesiástica. Comentó que desde este Santuario de La Plata, que llena de tantos sentimientos religiosos, donde nació la Federación de Presbíteros, donde los schoenstattianos platenses tenemos como objetivo liberar el carisma del P. Kentenich para la Iglesia y el mundo, celebramos un 18, día de Alianza… pero no celebramos un 18 más… celebramos el nacimiento del padre Kentenich hace pocos días atrás, un 18 con fuertes repercusiones sobre la vida del padre Kentenich, que seguramente ayudarán a libera su carisma como hombre, sacerdote y profeta en busca de un nuevo orden social donde se destaca su figura de un educador carismático.”

“Assistimos online a missa da Aliança do padre Jorge. Por conta da nossa idade, mais de 73 anos, cuidamo-nos”, comentou Lilita e Carlos Ricciardi da União de Famílias e grandes protagonistas das Missões Familiares. “Gostamos muito do testemunho que o novo arcebispo auxiliar deu sobre a vida do padre José Kentenich. Neste momento tão complicado para Schoenstatt, seu testemunho como autoridade eclesiástica é muito valioso. Comentou que a partir do Santuário de La Plata, o qual nos preenche de tantos sentimentos religiosos, onde nasceu a União dos Sacerdotes Diocesanos, onde os schoenstattianos de La Plata têm o objetivo de libertar o carisma do padre Kentenich para a Igreja e para o mundo, celebramos um 18, dia da Aliança… mas não comemoramos apenas outro 18… celebramos o nascimento do padre Kentenich há poucos dias, um 18 com fortes repercussões na vida do padre Kentenich, o que certamente ajudará a libertar seu carisma como homem, sacerdote e profeta em busca de uma nova ordem social onde se destaca sua figura de educador carismático”.

Em sua homilia neste dia tão especial, Mons. Jorge González uniu o aniversário do padre Kentenich ao dia 18, dia da Aliança… “Embora já seja sabido que nasceu antes…”, comentou.

Mons. Jorge González en el Santuario de La Plata

Homilia 18 de novembro – Santuário da Libertação 

Texto completo

Como tantos outros dias de Aliança, estamos no santuário celebrando a Eucaristia, com um profundo desejo de renovar nossa Aliança de Amor com a Mãe. Na memória litúrgica da Dedicação das Basílicas de São Pedro e São Paulo, durante esses dias celebramos várias vezes a Dedicação / Consagração de um Templo: São João de Latrão, nossa Catedral de La Plata, hoje São Pedro e São Paulo. O mistério do Templo que alcança sua perfeição em Jesus Cristo, morada de Deus entre os homens. Maria, Templo do Senhor, Arca da Aliança. A Igreja Templo, cada cristão é um Templo do Espírito.

Os textos: da grandiosidade do Templo de Salomão à simplicidade e pobreza do Presépio: “Templo de Deus”. Maria Templo… guarda tudo em seu coração!

Hoje é um dia de Aliança 

Mas não é apenas mais um 18…

  • a pandemia, que abala a todos nós, que chegou de repente e nos pegou de surpresa, deixando uma grande sensação de desorientação e impotência, impediu-nos de poder celebrar durante vários meses, e de forma presencial, nos diferentes santuários a que estávamos acostumados. Tantas outras iniciativas surgiram que foram animando nosso caminho espiritual… e agora podemos compartilhar este momento como Schoenstatt Nacional, a partir do Santuário da Libertação… e isso é lindo e fonte de graça!

Não é apenas mais um 18…

  • agradeço muito pelo convite do padre Pablo, Diretor Nacional do Movimento na Argentina, para celebrar esta Eucaristia com todos vocês, querida Família de Schoenstatt. Ele insistiu que, como Família Nacional, queria agradecer a Deus pelo chamado ao episcopado que o Papa Francisco fez a um Aliado da Mãe, a um filho do Santuário… Pareceu-me que este poderia ser um momento oportuno, aniversário da minha Aliança de Amor e deste lugar, o Santuário de La Plata, minha igreja, na qual tenho a missão de pastorear como Bispo Auxiliar; à sombra da Catedral, onde ainda sou pároco por mais alguns dias; a partir do Santuário da Libertação, onde a comunidade da União dos Sacerdotes Diocesanos, minha comunidade de origem, foi formada e cresceu…

Não é apenas mais um 18…

  • em um tempo de tanta confusão, de falta de liderança positiva, nosso querido Papa Francisco nos presenteou com sua Carta Encíclica Fratelli Tutti: sobre fraternidade e amizade social, uma mensagem clara que respira o Evangelho, a mensagem de Jesus nos encorajando a que nos reconheçamos como irmãos e irmãs e assim viver na casa comum que o Pai nos confiou. Inspirado em São Francisco de Assis e no Beato Carlos de Foucauld, Francisco nos propõe que “avancemos na direção de uma ordem social e política cuja alma seja a caridade social”, ou seja, um amor capaz de “gerar processos sociais de fraternidade e justiça para todos” (No. 180). O papa insiste que esta nova ordem integradora da humanidade não é “mera utopia” (no. 180), mas sim fruto de uma conversão pessoal que alcançará todas as instituições, comunidades e culturas. É um roteiro que devemos conhecer bem em primeira mão e trabalhar muito nisso… Infelizmente, muitos comentários jornalísticos são tão maliciosos e superficiais! Na Fratelli Tutti o papa nos apresenta, em carne viva, um panorama do mundo atual, com seus problemas e desafios, desde a pandemia lacerante da covid-19 até as feridas causadas pela má administração da imigração, racismo, desemprego, discriminação contra a mulher, escravidão e tráfico, aborto, populismo, guerras, especulação financeira, abuso tecnológico do poder ou a pena de morte…

Não é apenas mais um 18…

  • é um novo aniversário do nascimento de nosso pai fundador, o aniversário do Pe. Kentenich, como dizemos em nossa família… em um ano foi forte em repercussão pública, no qual mais uma vez a prova está presente: devemos aprender a ler o que aconteceu como uma prova renovada pela qual o carisma de nosso pai fundador deve passar a fim de alcançar um conhecimento exato e saudável da sua contribuição à Igreja… o que nós de La Plata costumamos chamar de “a libertação de seu carisma”.

Mons. Jorge González en el Santuario de La Plata

Não temos que nos confundir…

Neste marco que acabo de compartilhar com vocês, agradecemos a Deus, neste dia da Aliança, por um homem, um sacerdote e um profeta do nosso tempo: o padre José Kentenich. Nascido em 18 de novembro de 1885 em Gymnich (Alemanha), morreu em 15 de setembro de 1968, na Igreja da Adoração (Schoenstatt), foi ordenado sacerdote em 8 de julho de 1910 e exerceu seu ministério ininterruptamente por 58 anos. Sua grande tarefa – e paixão – de toda sua vida foi o novo homem na nova comunidade, para lançar as bases de uma nova ordem social no mundo inteiro. Não contente com um diagnóstico preciso da crise atual, foi capaz de ousadamente lançar-se ao trabalho efetivamente, dando uma resposta global em pequena escala aos problemas do presente. Educador carismático, seu sistema não foi desenvolvido de forma abstrata ou através da mesa de um escritório. Pelo contrário, foi sendo feito no contato diário com homens e mulheres, com a vida, em meio a dificuldades e lutas contínuas. Em uma época que viu uma mudança inédita da história: a Primeira e Segunda Guerras Mundiais, a Revolução Russa e a Revolução Chinesa. O progresso científico e técnico. O Concílio Vaticano II… conhecia até mesmo as penúrias de um campo de concentração. Com uma visão profética ele compreendeu o pano de fundo do grande processo histórico contemporâneo quando escreveu, como prisioneiro em Coblença, em 1941: “No horizonte, as grandes linhas estruturais de uma nova ordem no mundo estão lentamente tomando forma: um mundo antigo está em chamas. . .”. Podemos dizer então que Kentenich é um homem de fronteiras, o crepúsculo de uma era que está terminando e o amanhecer do futuro. Assim, a tarefa de sua vida adquire também dimensões seculares. Em relação ao passado, procurou captar cuidadosamente e manter vivo em sua Obra “tudo o que é grande e tudo o que é belo que os últimos quatro séculos revelaram sobre o esplendor, ainda oculto, da ideia divina – do homem”. (Oktoberbrief 1949). E em direção ao futuro, seu olhar se estendeu para os próximos quatrocentos ou quinhentos anos “Os melhores de todas as nações instintivamente sentem que estamos diante de uma mudança histórica de dimensões seculares; que agora estão caindo os dados que decidirão os destinos do mundo para os próximos quatro ou cinco séculos”, (op.cit). Isto explica porque afirmou que sua missão não consistia tanto em quebrar lanças pela eficácia atual da Igreja, mas sim comprometer-se profundamente por seu destino e vitalidade futuros (1955).

Não temos que nos confundir…

Seu processo de canonização foi aberto em 10 de fevereiro de 1975 na diocese de Tréveris, pelo mesmo bispo Stein que o havia enviado a Milwaukee anos antes. Recordo isto porque é um sinal que já nos diz muito… Somos também testemunhas de que sua reputação de santidade está extraordinariamente difundida. Pessoas de todos os continentes testemunham que nele encontraram um exemplo convincente da vivência do Evangelho, que se sentiram apoiadas em sua fé e que se confiaram à sua intercessão diante de Deus. Centenas de santuários de Schoenstatt espalhados em tantos países são lugares de encontro com Deus.

Não temos que nos confundir…

Neste dia da Aliança, no aniversário do pai, como Família de Schoenstatt na Argentina, é hora de renovar nosso SIM PAI, VAMOS CONTIGO! E vamos contigo sabendo que o Pe. Kentenich foi um ser humano, com tudo o que isso significa… não uma entidade celestial. Somos filiais, não adultos imaturos, crianças ingênuas… Isto tampouco significa que coloquemos em dúvida a integridade moral sexual do pai, isso seria bobagem.

Estou certo de que muitos dos irmãos de La Plata saberão a quem me refiro, porque me vem à mente o que um grande professor de Filosofia que tínhamos no Seminário costumava dizer, que também ensinou em outros âmbitos da cidade e de Buenos Aires, destes aos quais a cidade e a igreja de La Plata deveriam honrar mais do que temos feito… sempre dizia: “uma mentira é uma verdade dita num contexto falso ou uma falsidade dita num contexto verdadeiro”. É muito simples… se eu disser que durante seis meses os schoenstattianos de La Plata não pisaram no Santuário; estou dizendo uma verdade. Mas se não esclareço o contexto, se der a impressão de que o contexto é a mediocridade da fé dos schoenstattianos, estou mentindo. MINTO E DIFAMO. Estamos diante de situações que o Pe. Kentenich já viveu.

Mas não cabe a mim, que estou recém dando meus primeiros passos como Bispo Auxiliar, de uma Diocese tão distante dos acontecimentos que estão sendo novamente questionados 72 anos depois, que me pronuncie em assuntos tão delicados… A Diocese de Tréveris, onde Schoenstatt está localizado, já está cuidando disso. Foi ali que o processo de canonização começou e, como tal, o lugar adequado para voltar a falar sobre fatos de tanto tempo atrás…

Por outro lado, e é importante que todos saibamos disso, a Presidência Geral do Movimento criou uma COMISSÃO DE INVESTIGAÇÃO, não para competir com a Diocese, mas sim para explicar e enquadrar todos os gestos, atitudes e palavras do padre Kentenich em um sistema psicológico, pedagógico e religioso próprio, baseado na tradição da Igreja, que nós schoenstattianos certamente apreciamos, mas que não explicamos suficientemente de forma científica. A Presidência Geral do Movimento está comprometida com isso, nossos compatriotas estão trabalhando muito, filhos deste mesmo Santuário da Libertação…

Coloquemos tudo isso nas mãos da Mãe de Deu… acompanhemos este caminho com nossa oração constante, com nosso Capital de Graças e com nosso SIM PAI, VAMOS CONTIGO!

+ Jorge E González

Bispo Auxiliar de La Plata – Argentina

Homilia 18 de novembro – Mons. Jorge González (pdf)

 

Original: Espanhol (25/11/2020). Tradução: Luciana Rosas, Curitiba, Brasil

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