Maria mujer

Colocado em 2020-11-29 In Artigos de Opinião

Maria ensina-nos a forjarmos uma Pátria mais justa, mais unida e pacífica

CHILE, Paulina Johnson •

Em tempos tão complexos como os que vivemos, podemos confiar que existe uma Mãe que vela pelo nosso país, por todas os filhos desta terra e, que nos acompanha no nosso caminhar incerto: nas alegrias, nas tristezas, nas pandemias que são assustadoras, na violência que, a diferentes níveis e de mil maneiras, nos está a prejudicar tanto. Ela devolve-nos a esperança de que o Senhor é Aquele que lidera a História. Ela renova-nos na fé, para que, em cada cruz que nos chega, possamos descobrir, com Cristo, o amor infinito do Pai e possamos acreditar novamente na Ressurreição e na promessa, sempre válida, do Espírito Santo, para aqueles que querem construir o Seu Reino. —

Maria, por ser Mãe, é também Educadora – e se Lhe pedirmos, Ela não só nos ensina, como também nos ajuda a aprender. Ela selou connosco uma Aliança de Amor, para que sejamos autênticos filhos, irmãos e irmãs e, desta forma, façamos desta terra um lar, um país que é família, onde todos são bem-vindos, onde todos podem ser amados e aprender a amar.

Uma mulher que viveu imersa na História

No Chile de hoje, é bom recordar que Maria, além de estar muito unida a Deus, viveu imersa na História do Seu povo e esperou ansiosamente pela vinda do Messias. Ela tinha o seu próprio “projecto de vida virginal”, fica surpreendida com a saudação do anjo e aceita que Deus irá mudar os seus planos. Com grande lucidez antes do anúncio da sua maternidade, Ela pergunta ao anjo, com total liberdade, como seria isso se Ela não conhecia homem? Assim, Ela mostra-nos que tem clareza sobre o modo como vêm as crianças  ao mundo, que a Sua fé não anula a Sua razão e que, A abre para o mistério da Encarnação do Seu Filho divino, Jesus. Ela sente-se pequena face a um dom tão grande e está pronta para dar o seu “sim” ao Pai, para servir o Deus Trino com todo o Seu ser e a Sua vida. Então terá de enfrentar, com a coragem que lhe vem da Sua confiança em Deus, o conflito que se aproxima com José e com a sociedade. É assim que cada mãe pode encontrar nela um refúgio e companhia para dar um sim à vida.

Uma mulher que não permanece fechada sobre si mesma

Avisada pelo anjo da gravidez da sua prima Isabel, não permanece fechada em si mesma e, em breve, parte com pressa para servir. Ela ensina-nos que servir Deus está, intimamente ligado, ao serviço daqueles que d’Ele necessitam e que, nesse serviço, se encontra a alegria.  É nesse feliz encontro da Visitação que Maria proclama o seu Magnificat, em que nos ensina, pela primeira vez, o que mais tarde será a base da Doutrina Social da Igreja, a predilecção de Deus pelos pobres e pelos pequenos. O nosso Padre Kentenich convida-nos a descobrirmos e a meditarmos sobre o que Maria expressa no seu cântico e assinala que, nele, Ela se nos revela como a grande revolucionária do amor. O nosso Papa Francisco, nestes tempos, convida-nos à revolução do amor e da ternura, acreditamos que, para isso, a vida de Maria é o melhor manual.

Nos dias de hoje do nosso país, não podemos esquecer que a Sua gravidez avançada não foi uma desculpa para não partir com José para cumprirem o dever cívico de participar no recenseamento. É esta circunstância especial que decide que Jesus nascerá em Belém, fazendo-se o mais pobre dos pobres, num pequeno estábulo, porque eles não conseguem encontrar uma estalagem, um lugar digno para acolher o Deus que nasce. Maria ensina-nos que a sua docilidade ao plano de amor do Pai não tem limites e que ela é a portadora do Seu Filho Jesus, que, com a sua presença, transforma, até o lugar mais humilde, numa morada digna.

Maria peregrina

A mulher de um Advento não tranquilo

Aproxima-se o Natal, quantas vezes nos queixamos que gostaríamos de um tempo de Advento calmo, sem azáfama, sem preocupações e tarefas de todo o tipo. Recordemos que Maria viveu o Seu Advento como peregrina com José, montada no dorso de um burro e grávida de 9 meses. Então, aprenderemos a esperar e a ansiar pela vinda de Jesus no meio da nossa vida concreta, preparando no seio da família e no coração, um pouco de Belém. Talvez desta forma, a solidariedade para com os mais pobres, os mais indefesos, os mais vulneráveis também surja em nós, e ao mesmo tempo, o perdão para aqueles que, hoje em dia, não dão a Deus um lugar nas suas vidas e não cuidam dos seus irmãos e irmãs.

Uma família de refugiados

Para Maria, nada do que é humano Lhe é estranho. Viveu com José a fuga para o Egipto para proteger o Menino, uma vez que Herodes O procurava para O matar. Conheceram o exílio e o exílio longe das suas terras. Como não vermos, hoje em dia, em cada migrante, a família de Jesus, Maria e José. Ela quer ensinar-nos como acolher, proteger e integrar cada migrante com a sua atitude carinhosa e maternal, para que eles possam encontrar no Chile, um refúgio no Seu Coração, através do nosso.

Maria refugiado

Uma mulher que faz o ordinário com amor

Ao regressar a Nazaré, a Sagrada Família partilha com os que os rodeiam, a sua vida quotidiana, o trabalho, o serviço mútuo e os vínculos profundos de amor entre eles. Maria ensina-nos que Ela valoriza e partilha a vida com José, assumindo juntos a criação e educação de Jesus. Ela mostra-nos que, na vida diária, se pode fazer da casa um lar, de todas as obras e tarefas, um serviço de amor a Deus e à vida daqueles que Ele nos confia. Ela ensina-nos que a santidade consiste em unir o natural com o sobrenatural, em descobrir Deus presente na nossa vida e no rosto de cada um dos Seus filhos, fazendo o ordinário, o quotidiano, com amor extraordinário.

Uma Mãe que se preocupa

Quando Jesus Se perde no Templo, Maria e José, preocupados e angustiados, procuram o Seu filho e quando o encontram, Maria repreende-O mas, finalmente, ensina-nos a aceitar a liberdade dos filhos para cumprirem o plano de Amor do Pai e não o nosso. Ela guarda e medita em tudo o que lhe vai no coração, abrindo-o a tudo o que virá. Na festa das Bodas de Caná vemo-la, com Jesus, partilhando a festa, mas atenta às necessidades, e atenta a que não falte a alegria. Nessa passagem, Ela ensina-nos a recorrermos a Jesus com a confiança de que Ele agirá. Maria mostra-nos o caminho: “Fazei o que Ele vos disser”, e o Seu poder intercessor pressupõe e está ligado à nossa acção.

A tarefa de fazer brilhar o rosto de Cristo em cada filho

Junto à Cruz de Jesus, vemos Maria como a fiel e fidelíssima Companheira e Colaboradora de Cristo em toda a obra da Redenção. Junto à Cruz, Ela ensina-nos que o amor crucificado é vitorioso e também que, não há vitória sem cruz, e indica-nos que todas as nossas cruzes, unidas a essa Cruz da Unidade, tão querida para nós, podem ser fontes de Redenção e dar frutos de Ressurreição, que é a vitória do amor e da  vida nova.

Nesse triste Sábado Santo, com o seu silêncio, mostra-nos a sua fé inabalável, que sabe como esperar contra toda a esperança, a alegria da Ressurreição.

É do alto da Cruz, naquela hora de extremo amor e dor que, Jesus no-la dá como Mãe. É então, nessa dolorosa maternidade, que Ela nos aceita a todos como Seus filhos. É aí que se confirma a nossa vocação de filhos e irmãos e a nossa missão de sermos Igreja e família de Deus.

Nessa passagem, Ela mostra-nos que assume a tarefa de fazer brilhar o rosto de Cristo em cada filho e convida-nos a descobri-l’O em cada rosto do Cristo que, hoje sofre, a sermos como Ela na cruz de cada irmão, a sermos aliados da Sua maternidade universal para darmos à luz um  Homem Novo numa Nova Comunidade, no hoje da nossa sociedade.

No Cenáculo de Pentecostes, é Ela quem reúne os apóstolos indefesos e lhes comunica o Seu anseio e a Sua fé na promessa do envio do Espírito Santo.

Dos santuários

No nosso Schoenstatt chileno, Ela está presente nos nossos Santuários como a Mãe do Cenáculo. Aí ela nos acolhe com todas as nossas fraquezas e ensina-nos a não confiarmos, apenas, nas nossas próprias forças, mas no poder do Seu amor. Ela ensina-nos que espera a nossa colaboração na Sua tarefa como Mãe e Educadora, na transformação do nosso coração de acordo com o Seu Coração e o Coração de Cristo. E não só isso, ensina-nos que precisa de nós como Seus instrumentos para nos enviar, hoje, como apóstolos, para a construção do Reino Mariano do Pai sobre esta terra, dando vida à missão do nosso Pai e Fundador, o grande Profeta de Maria.

Sim, querida Mãe, neste tempo em que vivemos, queremos deixar-nos educar por Ti, queremos pedir-Te que nos ajudes a aprender e, com o nosso Padre Kentenich, queremos dizer-Te que nos ensines, todos os dias, a caminhar pela vida tal como Tu o fizeste…

Olhando para o Teu caminhar, podemos descobrir algumas pistas para seguirmos os Teus passos na nossa peregrinação diária. Para assumirmos, como Teus filhos e aliados, o desafio da elaboração de uma Nova Constituição, que seja uma oportunidade para construirmos uma Pátria mais justa, mais unida e pacífica, uma Pátria que seja casa e mesa para todos.

Dos Teus Santuários e de Maipú, Terra do Encontro, querida Mãe e Rainha do Chile, escuta a nossa oração, acolhe-nos, transforma-nos e envia-nos a partir do Cenáculo, para forjarmos contigo uma Pátria que será a Tua grande família, unida pelo amor.

Fonte: Revista Vínculo, Chile, com autorização dos editores

 

Original: Espanhol (27/11/2020). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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