Colocado em 25. Novembro 2019 In José Kentenich

“Então mostrámos o caminho para que a Igreja guie o mundo para Cristo nos Novos Tempos”

ALEMANHA, Maria Fischer •

“Impressiona-me a visão de futuro do Padre Kentenich. É comovente e tão actual”, diz Petra Stegemann, patrocinadora da “Associação de Ajuda à Casa natal do Padre Kentenich”, fundada em 2005 e presente neste 16 de Novembro de 2019 para celebrar, juntamente com a Paróquia e o Movimento de Schoenstatt, o aniversário do “filho mais velho de Gymnich”, segundo Ludwig Schlömer, também da Associação. —

 

 Em frente à Casa natal de José Kentenich

“Vieram mais do que aqueles que se tinham inscrito”, diz o Pe. Pikos, pároco de S. Cuniberto, quando, como por magia, apareceram mais cadeiras e toalhas de mesa no salão paroquial. “Há pessoas aqui que nunca vi”, diz o Padre Peter Nöthen, satisfeito. Durante muitos anos, este sacerdote de Schoenstatt acompanhou a vida em torno do lugar de nascimento e da igreja baptismal do Padre Kentenich e, em Gymnich, desenvolveu um acompanhamento pastoral, silencioso e fecundo, das vinculações. Se ele não conhece estas pessoas, é porque elas estão lá pela primeira vez neste 134º aniversário do Fundador do Movimento de Schoenstatt mundial.

Kentenich tangível

“Numerosas pessoas celebrarão este dia em todos os continentes e estarão ligadas a nós em pensamento. Convidamos-vos a celebrar este evento juntamente connosco na terra natal, Gymnich”, dizia o convite. Os primeiros comentários de “todos os continentes” chegarão durante a celebração através das redes sociais, onde foram publicadas algumas fotos ao vivo: do México, Argentina, Paraguai, Chile, Brasil, Espanha. “Não o reconheço”, segundo uma argentina que visitou Gymnich várias vezes há 20 anos. De facto, mudou desde então: o belo jardim ajardinado com estelas sobre a vida do Padre Kentenich e uma maravilhosa Ermida, a réplica do quarto, no mesmo lugar da casa onde nasceu José Kentenich a 16 de Novembro de 1885, os desenhos da artista local, Marion Nitsche, a vitrina com os achados nas escavações para retirar os escombros do velho poço do pátio: fragmentos de pratos velhos, chávenas, copos, garrafas, várias ferramentas e artigos para a casa, um estilete… Muitos visitantes aproveitam o tempo para rezar no quarto onde ele nasceu. Só o local é o original; tudo o resto é uma recriação do que este lugar deveria ser há 134 anos atrás. Há uns quantos utensílios da época, mas o lugar, o lugar concreto, torna Kentenich tangível, permite perceber a história dramática do nascimento deste filho natural – como se dizia então – de Catarina Kentenich.

Depois de uma oração no jardim, em frente à Ermida, vamos até à Casa paroquial, junto à igreja de S. Cuniberto.

 

Recriação do quarto onde nasceu no local original, no sótão

Um profeta com uma mensagem para hoje

Continuamos com um café com bolo de esponja e conversas animadas. O Padre Peter Nöthen oferece a todos um presente de aniversário, um folheto com desenhos de Marion Nitsche (ali presente ) e a única fotografia disponível de Catarina e José Kentenich (de 1898 ou 1899), que nos convida ao encontro com esta mulher.

O Padre Christian Maria Löhr, Reitor do Instituto dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt, sempre esteve presente na celebração do aniversário nos últimos anos; este ano, é ele quem profere a conferência correspondente. Numa apresentação cheia de numerosas e extensas citações de Kentenich, desconhecidas até mesmo para os “dinossauros” do Movimento de Schoenstatt, ele deixa claro que este homem e as suas declarações quase centenárias são também de grande actualidade para a Igreja de hoje.

Ele cita o contacto constante de Kentenich com os seus colaboradores, o seu “nada sem eles” com referência à Família de Schoenstatt, a sua rejeição dos lutadores solitários e a sua prioridade incondicional de servir a causa. O caminho sinodal da Igreja na Alemanha (e no mundo, veja-se o Papa Francisco) de repente não nos soa tão novo .

Ele retrata o Padre Kentenich como uma pessoa sincera e amorosa que entrega o seu coração por esta Família, esta pequena igreja que ele constrói. Em busca de uma igreja calorosa, diz Löhr, é útil e estimulante olhar para  Kentenich.

Um fundador, um sacerdote que não vive tanto em modo “selfie”, mas que assume e aprecia a vida interior das pessoas como uma fonte de conhecimento, que lê na vida concreta e sabe, ao fim de anos, o que aconteceu na sua própria vida e na de Schoenstatt. Podemos dizer isto da nossa vida?

 

Padre Peter Nöthen com o novo folheto

“Então a Igreja está a perder a humanidade moderna.”

Com a última longa citação de uma conferência realizada em 18 de Outubro de 1928, quinze anos após a fundação de Schoenstatt, as canetas voltaram à vida. O Padre Löhr deixa o Padre Kentenich falar e soa como se estivesse a falar hoje:

Todas as correntes religiosas que não repousam, pelo menos, sobre os ombros do clero diocesano do mundo são julgadas infrutíferas com o passar do tempo. É por isso que os sacerdotes diocesanos desempenham um papel tão importante no nosso Movimento. Além disso, têm que viver hoje no meio de um mundo infectado pelo paganismo. Portanto, eles estão constantemente em perigo de serem atacados pelo espírito pagão do tempo. É por isso que precisamos reuni-los e trazê-los para o nosso Santuário sob a influência da querida Mãe de Deus (…)

Se, a partir daqui, o destino da Igreja deverá, na situação actual, ser profundamente influenciado, então, pelo menos, duas outras grandes correntes de graça devem sair do nosso Santuário, todas irrigando e dando frutos em todo o território alemão e nos países europeus.

Da mesma forma, embora não tão forte como os sacerdotes, mas em proporções relativamente grandes, o bem do mundo depende das mulheres. E quem conhece o presente sabe como a natureza da mulher foi danificada atá às suas raízes mais profundas e, portanto, cambaleia.

Estamos perante uma nova era na História. Os círculos católicos mais amplos já o reconhecem. Se, como católicos, não podemos conseguir assumir e formar o novo tipo de Homem que os tempos modernos produziram desde a invenção da máquina a vapor, então a Igreja, humanamente falando, está a perder a humanidade moderna.

No modo original como nos educamos, o Homem Novo, que lentamente se torna visível no horizonte do futuro, pode ser compreendido interiormente e formado especificamente cristão. Percebem o que quero dizer? Não quero aventurar-me muito; não quero dizer tudo o que vejo e penso; Mas eu quero dizer que se nós conseguirmos fazer cristão o novo tipo de Homem à nossa maneira e ganhá-lo interiormente para Deus, então, mostrámos o caminho para que a Igreja conduza o mundo a Cristo nos Novos Tempos.

Tenho a sensação de que mais tarde devemos ir mais longe, como se os nossos princípios e métodos educativos fossem também adequados para moldar o Homem dos Novos Tempos e oferecê-lo à Igreja.

A mesma lei que enfatizamos tão fortemente: liberdade tanto quanto possível, vínculos só os  necessários, e para isso, máximo cultivo do espírito é como eu o vejo, adequado para guiar a humanidade moderna como a estrela dos Magos, para Belém e parar sobre o estábulo até que todos aqueles que a seguiram se ajoelhem e adorem.

Creio que se, mais tarde, os sábios especialistas escreverem a história contemporânea e pudermos ler nela o que aconteceu com a pequena planta que se enterrou aqui na terra, e se percebermos que do nosso Santuário se contribuiu, no essencial, para a salvação do Tempo, então surpreender-nos-emos que nós, seres humanos inocentes e simples fomos os portadores deste grande movimento de renovação, ou que do silêncio, da solidão, nos levantámos e aparentemente crescemos a partir das mesmas coisas, segundo o que o tempo de hoje anseia, como o sedento procura a água fresca. Vocês não sabem até que ponto vós próprias representam um novo tipo humano.

 

18/10/1928 (Conferência às Irmãs de Maria)
Gymnich 2019

Escuta atenta

Renovação baptismal no lugar onde tudo começou

Um ponto alto da Santa Missa na igreja paroquial, onde as crianças ocupam as primeiras filas, é a renovação baptismal na Pia, onde José Kentenich foi baptizado em 19 de Novembro de 1885.

Na verdade, tudo começou aqui, tudo. Aqui está a origem da Aliança de Amor, na aliança baptismal de Deus com esta criança, que muitos desprezaram por causa de seu “defectum natalis”, como também foi dito em Schoenstatt por muito tempo à porta fechada: uma criança de origem ilegítima.

Os celebrantes vão com as crianças e os acólitos para a Pia baptismal e todos renovam as promessas baptismais.

Löhr disse na sua Homilia: “Devemos cultivar a gratidão e agradecer e não esquecer que Deus conduz a história do mundo, também hoje, através de nós” .

E a sua proposta, provavelmente, vai para além desta noite, para se pensar na própria imagem em torno da grande figura deste José Kentenich, porque, como ele, todos nós fomos chamados e preparados na aliança baptismal para  co-decidir os destinos do mundo e da Igreja. Verdadeiramente.

Gymnich 2019

 

 

Albúm de fotos para fazer click – 16/11/2019, Gymnich

Gymnich 16.11.2019

Original: alemão (17/11/2019). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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