Colocado em 2020-05-13 In A Aliança de Amor Solidaria em tempos de coronavírus, Vozes do Tempo

Viver em modo apocalíptico

Mons. Francisco Javier Pistilli Scorzara, Bispo de Encarnación, Padre de Schoenstatt •

O modo de vida cristão apocalíptico não usa Deus ou o mal para incutir medo e sugestionar as massas, nem seduz, oferecendo arcas de preservação ou castelos inexpugnáveis diante do mal.—

Não organiza exércitos dos eleitos para derrotar o maligno, nem vive obcecado por teorias conspiratórias que tentam destruir a Igreja ou minar os Seus alicerces. Não se alista, fanaticamente, numa guerra apologética, muito menos se torna obcecado com a presença do diabo ou se dedica a uma vida de rituais de exorcismo.

O modo apocalíptico é o amanhecer dos cristãos que sabem que Cristo é o início e o fim da sua peregrinação.

Bispo Francisco Pistilli, Encarnación

O modo apocalíptico é o amanhecer daqueles cristãos que sabem que Cristo é o início e o fim da sua peregrinação, e passam com Ele os altos e baixos da sua história.

Pertence às comunidades que, na sua conversão contínua, perseveram na unidade e na fidelidade.

Manifesta-se na luz e na fé daqueles que não temem poderes ocultos ou arcanos misteriosos e que vivem na certeza de que os males deste tempo são temporários e que o fim do mundo já aconteceu para aqueles que seguem Cristo e só esperam a sua plena manifestação. Tudo foi revelado.

Este é o caminho dos santos e mártires que vêem as sementes do Reino de Deus germinar e as regam com as suas vidas e o seu sangue, despreocupados com o joio e serenos diante do golpe da foice, porque permaneceram no amor do seu Senhor.

Esta é a forma de estar presente neste tempo, atento a Cristo que se revela nos mais pequenos, sempre pronto a abraçá-los com misericórdia, a nossa passagem segura para a glória eterna.

O cristão apocalíptico sabe que o seu melhor anti-diabólico é o simples “faça-se segundo a Tua palavra” de Maria, fazer-mo-nos crianças diante de Deus, viver e morrer todos os dias com Cristo que vence o mal na humildade, na mansidão, na bondade e na coragem daqueles que nunca renunciam ao amor maior.

Original: espanhol (10/5/2020). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

 

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