Colocado em 2020-05-22 In A Aliança de Amor Solidaria em tempos de coronavírus

A coroação da Mater no Chile: uma cerimónia muito especial por muitas razões

CHILE, Pe. Juan Pablo Rovegno Michell, Director do Movimento de Schoenstatt no Chile •

Há já alguns anos, que vivemos um período de profunda mudança e crise, como país. As causas são diversas e no centro têm estado a Igreja, a sociedade organizada e a cultura.  Como Família Nacional de Schoenstatt, estas circunstâncias também nos têm afectado e desafiado a passar por um processo de revisão e renovação. Este foi o grande objectivo da Jornada Nacional de Dirigentes de 2019, na qual reflectimos, dialogámos e confrontámos três temas centrais: o exercício da autoridade, o diálogo com a realidade e a nossa forma de trabalhar em Família. —

A nossa missão encontra uma oportunidade privilegiada e inevitável de se actualizar no contexto actual, o que implica a humildade necessária para reconhecer aquilo que não fomos capazes de moldar e transmitir, bem como toda a vida que foi despertada e desenvolvida.

Neste contexto de crise e mudanças, o roubo da Coroa da Missão e do Terceiro Marco da Família, no nosso Santuário de Bellavista teve lugar de forma surpreendente e violenta. Um facto incompreensível, que acompanhou, como pano de fundo, os momentos mais dolorosos da nossa crise eclesial de 2018 (que também nos afectou directamente) e a crise social, que foi detonada em 18 de Outubro de 2019.

Este último acontecimento, pela sua importância e projecção futura, pelas fracturas sociais e políticas que demonstrou, unido à esperança de um Chile mais justo, digno, fraterno e solidário, despertou, de forma muito geral, a necessidade de devolver a Coroa da Missão à Mater em Bellavista, iluminando um processo de Família que nos permitirá renovar-nos na nossa missão, com toda a urgência e oportunidade dos dias de hoje.

A isto se juntou a dolorosa pandemia do Coronavírus, que mostra a fragilidade de toda a humanidade e a necessidade de reconhecer a nossa impotência e, ao mesmo tempo, a nossa indispensável colaboração, não só para sermos co-responsáveis e solidários como pessoas e comunidade internacional, mas também como a possibilidade de reflectir e rever o tipo de sociedades e relações que construímos.

Face a este cenário mundial, a corrente de coroação transbordou e surgiu a urgência de coroar, no contexto da incerteza e do pedido de saúde e protecção. Assim foi vivido o 15 de Abril como uma experiência generalizada de coroação.  A carta da nossa Presidência Nacional no Domingo da Misericórdia também ligou a corrente de coroação aos desafios da pandemia.

Percebemos que estamos a viver um tempo de conversão pessoal, comunitária e social, que necessita e exige a nossa colaboração. É uma oportunidade para nós, no contexto de uma profunda mudança no mundo, renovarmos a nossa consciência de missão ao serviço de um mundo novo que tem necessariamente de emergir. Ansiamos e precisamos de um mundo mais integrado e integrador, mais humano e humanizador, mais de Cristo como fundamento e de Maria como atitude, mais de uma “casa comum” do que de um mundo fragmentado.

A impotência perante um tempo de profundas mudanças, a confiança na vitória de Jesus e Maria e a nossa necessária colaboração são as condições que nos levam a devolver a coroa à Mater.

Esta última acentuação, a nossa colaboração para o novo mundo que precisa de sair de cada crise, é o mais apropriado para a nossa Coroa da Missão e o que estamos a transmitir à Família Internacional. Este ponto (que para nós é central), foi expresso pelo Padre Juan Pablo Catoggio na sua carta de convite à Família Internacional [1], como eco do convite que nós, como Presidência Nacional, fizemos para nos juntarmos a um evento que está profundamente unido ao Terceiro Marco de Schoenstatt.

Todo este processo foi um percurso vital e mutuamente enriquecedor, através da coordenação e das várias expressões da vida da Família (pastorais, assessorias, Ramos, Comunidades, iniciativas espontâneas), bem como, com os representantes de todos os seus órgãos oficiais, através de uma comissão transversal que convocámos no final de 2019 para reflectir, acompanhar e animar esta corrente de vida.

Sempre esteve na nossa consciência, enquanto equipa, que a Coroa de glória da Missão é a colaboração para um novo mundo, e o contexto social de crise em que este processo se desenvolveu. Por conseguinte, as palavras e experiências de conversão e colaboração foram moldadas de várias formas:

O convite ao processo com um tríptico que contém uma frase inspiradora  (“na Tua Coroa, a nossa conversão para a Missão”), um novo elemento que contextualiza a coroação (a estrela), cinco elementos centrais (esperança, conversão, compromisso, encontro e Família), fichas de trabalho que tocam as diferentes dimensões pessoais, comunitárias, sociais e religiosas, que este processo de crise nos desafia a reflectir, rever e projectar à luz do nosso carisma. Às 12 fichas preparadas pelos membros da comissão (ES) acrescentámos as cartas da Presidência Nacional e a carta da Conferência Episcopal Chilena, com perguntas para o trabalho pessoal e comunitário.

Este material foi, transversalmente avaliado e está a ser trabalhado em muitas instâncias.

É um material que não esgota o desafio, mas estimula-nos a descobrir e aprofundar o sinal da coroa num tempo de profundas mudanças, que exigem a nossa conversão, empenho e colaboração para o futuro, superando assim qualquer perigo de pietismo ou reducionismo, abrindo-nos à actualidade da missão de restaurar e recompor o organismo de vinculações em todas as suas dimensões (pessoal, familiar, comunitária, eclesial, religiosa, social, cultural, ecológica, económica, laboral, etc.)

A frase e a experiência que resume este processo, face ao futuro, e que emergiu destas reflexões e trabalhos é:

 

“Com o nosso Pai, queremos ser um sinal de esperança na condução de Deus”,

assumindo o desafio da conversão pessoal, comunitária e social que o tempo presente

exige de nós, comprometendo-nos com o processo do país e do mundo em que vivemos,

saindo ao encontro dos outros e sendo uma Família no meio do nosso povo”.

Juan Pablo Rovegno Michell

Direcção Nacional do Movimento no Chile

 

 

[1]No próximo dia 31 de Maio de 2020, festa de Pentecostes, a Família Chilena quer voltar a coroar Maria, como o Pe. Kentenich naquela época, como Rainha da Missão. Por estar tão intimamente ligada ao Terceiro Marco e, portanto, a toda a Família de Schoenstatt em todo o mundo, convidam-nos a juntarmo-nos a eles. A pandemia do Coronaavírus torna esta coroação mais significativa e actual do que nunca para todos: todos nós queremos reconhecer a nossa impotência e renovar a nossa confiança na nossa Rainha.
Esta pandemia mudou o mundo; mostrou que se esgotou um modelo antigo. Não sabemos como será o mundo e as nossas vidas depois do Coronaavírus – mas serão diferentes. E nós acreditamos que Maria tem uma tarefa na gestação deste novo mundo. Uma nova mentalidade e um novo estilo de vida orgânica e solidária deve marcar uma “nova normalidade”. Por esta razão, coroamos Maria, Rainha da Missão, e entregamo-nos a Ela como aliados e instrumentos para a Sua Missão.
 
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Original: espanhol (19/5/2020). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

 

 

 

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