Colocado em 2015-06-20 In Francisco - Mensagem

O cuidado da casa comum que é a criação

por M. Fischer •

“Uma encíclica contundente, profética e desafiante” diz Mons. Luis Infante, bispo de Aysen, Espanha, publicada dia 18 de junho simultaneamente em árabe, inglês, italiano, polaco, português, espanhol e alemão. No domingo, no Ângelus, o Papa Francisco pediu para se receber com coração aberto a encíclica “Laudato Si” sobre o cuidado da “casa comum” que é a criação, porque, advertiu, “esta nossa casa está a ser arruinada e é algo que nos prejudica a todos, especialmente aos mais pobres. O que faço é, portanto, um chamamento à responsabilidade baseada na tarefa que Deus confiou ao ser humano na criação”.

Como o Papa Francisco disse na audiência de 17 de junho, neste documento da doutrina social da Igreja somos chamados a cultivar e a proteger com responsabilidade a criação, dando especial atenção aos mais pobres, que são os que mais sofrem as consequências dos danos ambientais.

O título do documento inspira-se na invocação de São Francisco de Assis no “Cântico das criaturas”, e recorda que a terra, nossa casa comum, “se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços” (n. 1).

Na conferência de imprensa participaram o cardeal Peter Turkson, Presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz,o Metropolitano de Pérgamo; John Zizioulas em representação do Patriarcado Ecuménico e da Igreja Ortodoxa; o Prof. John Schellnhuber, Fundador e Diretor do Instituto de Potsdam para a Investigação do Impacto Climático; e Carolyn Woo, Presidente da Catholic Relief Services e Decana do Mendoza College of Business, University of Notre Dame, EUA.

Chave: Uma mudança do estilo de vida de cada um e de muitos

“Laudato Si” vai mais além do que expor alguns problemas atuais que afetam o planeta e inclui um claro chamamento a alterar hábitos e tendências negativas na vida de cada pessoa.

Francisco cita varias vezes a Caritas in veritate, a encíclica “económica” do seu antecessor Bento XVI e destaca que “o mercado por si mesmo não garante o desenvolvimento humano e integral e a inclusão social”.

“O mesmo Francisco -que no texto cita diversas conferências episcopais e os seus antecessores Bento XVI y São João Paulo II-, tinha dito em janeiro que esperava que este documento pudesse ajudar a alcançar um acordo na cimeira sobre alterações climáticas que terá lugar em Paris em dezembro próximo”, comenta Elisabetta Piqué, jornalista da Argentina, em La Nación.

Francisco propõe cinco formas concretas para a mudança de vida: Ser grato e praticar a gratuidade, educar nos diversos âmbitos a poupar e usar bem as coisas, abandonar o consumismo compulsivo, esquecer o egoísmo, preparar uma conversão interior. O cristão, assegura, deve viver a sua vocação admirando a beleza da obra de Deus e protegendo-a.

Assim, o Papa propõe “uma sã relação com o criado” como parte da “conversão integral da pessoa”.

Para o Papa, “nem tudo está perdido” já que os seres humanos “também podem voltar a optar pelo bem e regenerar-se, para além de todos os condicionamentos mentais e sociais que lhes imponham”. Definitivamente, são capazes de “iniciar caminhos novos rumo à verdadeira liberdade”.

E é talvez isso o que mais temem aqueles círculos de poder que já antes da publicação de “Laudato Si” a atacaram e questionaram: uma mudança de estilo de vida por parte de milhares e milhares de pessoas. Podia-se, de facto, mudar algo. Em aliança com a criação, também com aquela parte da criação que é o ser humano, cada ser humano e em cada situação de vida. Neste sentido, “Laudato Si” y “Misericordiae Vultus”, o chamamento ao cuidado e o chamamento à misericórdia, são aliados, irmãos. Pois a terra é a casa de todos nós e os homens, nossa família.

Texto oficial da Enciclica “Laudato Si”(pdf)

Original: espanhol – Tradução: Maria de Lurdes Dias, Lisboa, Portugal

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