Colocado em 2015-06-20 In Projetos

Empresários e executivos: Protagonistas de “boas notícias”?

CIEES, Christian Ketterer •

“Não, disse-lhes o Mestre, não aconteça que, ao arrancarem a erva ruim arranquem também o trigo” (Mt. 13, 29)

Mais do que pôr o acento no joio que o inimigo semeou no “campo” do trabalho e dos negócios, somos, para cima, de uma centena de empresários e executivos schoenstatteanos, de mais de 10 países Ibero-americanos que, nos estamos a dedicar a semear a boa semente no dia-a-dia.

São muitas as manifestações comunitárias que o Pe. Kentenich suscitou na Família nestes 100 anos de vida. Aparecem o Ramo das Famílias, das Mães, dos Homens, Irmãs, Padres, Jovens, etc.

Surgiu uma iniciativa entre empresários e executivos

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Assim também, há uns 6 anos, surgiu uma nova necessidade de formar comunidade, de cultivar os vínculos entre um grupo de empresários e de executivos que, se sentem inspirados em viver de modo coerente e orgânico a pedagogia do nosso Fundador nos nossos respectivos ambientes laborais.

Daí decorre, também, a vocação do apostolado, para levarmos, activamente, estas graças às nossas empresas e às nossas equipas de trabalho, onde exercemos um alto nível de influência na vida de outras pessoas. Assim, através das nossas acções podem precepcionar de modo prático o amor que Deus lhes tem. “Onde está a tua fé que não produz nada? Eu, por meu lado, mostrarei a minha fé através do bem que faço” (S. Tiago 2, 18)

Em vésperas do terceiro Congresso do CIEES

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O mais interessante é que, a resultante criadora, foi muito fecunda.

1. Formou-se o CIEES (Centro Internacional de Empresários e Executivos Schoenstatteanos) e, a esta data, tivemos dois importantes e concorridos Congressos no Equador (2011) e na Costa Rica (2013).

No primeiro e no segundo Congressos trabalhou-se, não só, na elaboração do “Ideal do empresário e do executivo schoenstatteano”, mas também, na formação como dirigentes empresariais em diferentes aspectos da pedagogia do Pe. Kentenich e da Doutrina Social da Igreja. Também foi um excelente âmbito para partilharmos testemunhos reais de apostolado de empresários e de executivos da Família.

2. Na data de 5, 6 e 7 de Novembro de 2015 realizar-se-á o nosso 3º Congresso CIEES em Monterrey, México. O nosso foco estará mais na prática que na teoria, apoiando, em quatro pilares, os temas sobre os quais vamos trabalhar:

* “Vozes do Tempo”
* “Formação em liderança schoenstatteana”
* “Iniciativas apostólicas”
* “Em comunhão com a Igreja”

Espera-se uma presença maciça de, á volta, de 150 empresários e executivos do Movimento, provenientes de: Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, Equador, Espanha, México, Paraguai, Perú, Uruguai, além de visitantes da Alemanha e da Suíça.

3. Também se formataram os CIEES locais de cada país, em comunidades de diferentes tamanhos que se reúnem periodicamente para tratarem de vários temas de interesse, entre outros.

a. Doutrina Social da Igreja
b. Confiança: empresário-executivo-trabalhador
c. Integração família-trabalho
d. Ética no trabalho e nos negócios

 4. Finalmente, começou a tornar-se realidade o chamamento de “Schoenstatt para a Igreja e para o mundo”, fazendo parte de uma Confederação Apostólica, participando com a Pastoral Social de uma Diocese, em diálogo e intercâmbio permanentes de experiências nessas matérias com Bispos, Vigários, outros Movimentos e Universidades católicas.

5. Inclusivamente, está-se a trabalhar em Aliança com o Administrador Geral de uma empresa que, é schoenstatteano e, uma Universidade católica, para se redigir um caso de sucesso (género Harvard) liderado por ele e pela sua equipa, com o fim de ser estudado por alunos universitários. Teremos notícias concretas em fins de Agosto!

Criação de valor partilhado

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As vozes dos tempos estão a gritar com toda a força por um repensar do modo como estão a ser dirigidas as empresas. Nas últimas décadas a muitos engenheiros e administradores lhes ficaram gravadas a ferro e fogo frases como: “o fim da empresa é a maximização da rentabilidade dos accionistas”, ou, “o importante é o resultado, como lá chegas não interessa”

A respeito do primeiro, naquele tempo, não se percebia que, para que o acionista ganhe o máximo possível, os clientes, fornecedores, trabalhadores e outros stakeholders (Parte interessada) têm que perder. E, por outro lado, pensava-se que a maximização se deve atingir a curto prazo, motivando, então acções no limite, ou em rota de colisão, directamente, com a legalidade e a ética.

Interessantes são as palavras do próprio Michael Porter, professor de Harvard Business School que, no seu artigo “Criação de valor partilhado”, explana:

“A percepção generalizada é que as empresas estão a prosperar a expensas da comunidade (…) uma boa parte do problema deve-se às próprias empresas que se limitaram a usar modelos de criação de valor fora de moda, põem a rentabilidade a curto prazo como a principal medida de desempenho, ignorando as necessidades mais importantes dos seus stakeholders (Parte interessada) e as tendências que determinam a sua sobrevivência a longo prazo”.

Neste documento o professor Porter descreve vários casos interessantes de trabalho de colaboração entre empresários, executivos, trabalhadores e clientes, nos quais, não só, se gera valor económico, mas também, um justo valor social.

Empresários – continuadores da obra criadora de Deus

Para a Igreja Católica estas vozes dos tempos também não lhe foram indiferentes.

Constantemente procura iluminar os Seus fiéis, por exemplo, através da Doutrina Social da Igreja (DSI) em encíclicas como: Rerum Novarum, Populorum Progressio, Laborem Exercens, Sollicitudo Rei Socialis, Centesimus Annus, Caritas in Veritate y Evangelii Gaudium.

Assim também, o Pontifício Conselho Justiça e Paz, liderado pelo Cardeal Peter Turkson, Há alguns anos elaborou um documento esperançoso, dignificante e sábio, para empresários e executivos católicos, chamado “A vocação do líder empresarial”

Esperançoso porque considera os líderes empresariais como “continuadores da obra criadora de Deus”. Assim como, Deus criou a árvore, também o empresário e os seus trabalhadores a transformam numa mesa ou em móveis úteis para as pessoas.

Dignificante, porque se entende o ser empresário ou administrador como uma vocação de vida que, merece respeito e apreço pela tarefa de gerar bens, serviço e trabalho úteis e necessários para o desenvolvimento social.

Sábio, porque apresenta vários princípios orientadores para lançar luz sobre a tomada de decisões que dia-a-dia experimenta o líder empresarial, entre outros: dignidade humana, bem comum, subsidiariedade, justiça.

É uma alegria ler o método de discernimento que se propõe, baseado em três passos: Olhar, Ajuizar e Agir, coincidente na sua essência com a Fé Prática na Divina Providência que os schoenstatteanos estão chamados a aplicar em todos os âmbitos, também no laboral.

Definitivamente, mais do que ser empresários e executivos tentados pelo maligno para semearem joio, queremos formarmo-nos e experimentar, comunitariamente, o chamamento de Deus para semear a semente boa, a fim de que, esta dê 30, 70 ou 100 por um, segundo os talentos que Ele nos deu para administrar e pôr ao serviço do nosso próximo, pois ”…não podem servir ao mesmo tempo a Deus e ao dinheiro” (Mt. 6,24).

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Para receber mais informação sobre o Congresso: Guillermo Rubio

Autor

CHRISTIAN KETTERER G.
Engenheiro Comercial, MBA e (c) MFA
Facilitador Harvard Business School Publishing
Professor Universidade de los Andes y Andres Bello
Associado em www.conciliachile.cl
Fotos: encontro do CIEES de Chile, foto: Christian Ketterer. Em baixo: Participantes do Congresso 2013 na Costa Rica, foto: Rudy Sauter

Original: espanhol. Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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