San José

Colocado em 2021-05-13 In Ano de S. José

São José, pai na ternura

ARGENTINA, Juan Eduardo Villarraza •

Neste ano de São José, em que o Papa Francisco nos convida a considerá-lo de diferentes perspectivas, decidi partilhar um testemunho de como, na minha vida, experimentei essa proximidade e presença paternal de ternura masculina, através de quatro referências que marcaram a minha vida: o meu avô, o meu pai, o Padre Kentenich e São João Paulo II. —

Estamos habituados, como schoenstatteanos, a compreender que as vozes do tempo são vozes de Deus e, se acrescentarmos a isso o que o Fundador nos disse, que Schoenstatt é para o “depois de amanhã”, podemos concluir que a mensagem de patro-centrismo do Homem Novo na Nova Comunidade e a paternidade sacerdotal, são uma resposta de Deus para este tempo, em que o homem é visto ou como um ditador que escraviza e usa a mulher e a sua família com a sua força ou, como um constructo social que precisa de ser desconstruído, tornando-se uma espécie de híbrido sem forma, inócuo, incapaz de fazer mal, sim, mas ao custo de o desnaturalizar, se pudermos recorrer a este termo filosófico.

O ideal do homem em Schoenstatt

A resposta da qual somos portadores mostra-nos o homem como puer et pater, criança e pai ou filho e pai. Nisto, São José foi um grande exemplo. Tinha um coração filial, capaz de ouvir o que Deus Pai lhe pedia nos seus sonhos; mas ao mesmo tempo, também tinha a força e a coragem de levar a família para o Egipto, desafiando todas as dificuldades que isso implicava. Neste sentido, José não era uma das caricaturas do varão. Nem o ditador agressivo e violento, nem o brinquedo das correntes sociais incapazes de saber o que é, nem o que fazer. Como afirma o Pontífice, ele é um pai na ternura e é sobre as suas transparências na minha vida que eu vou escrever e partilhar a seguir.

Os meus pais em ternura

O meu avô

Depois de provar a passagem de Deus na minha vida, posso dizer, sem dúvida, que o meu avô paterno Julian foi um grande reflexo de São José. Como ele, era um homem de poucas palavras, simples, trabalhador e muito justo. A fim de poder dar educação superior aos seus quatro filhos, deixou o seu Armazém de Drogaria-Mercearia, no campo que amava, veio para a cidade e estudou para se tornar inspector hospitalar, de modo a poder trabalhar e sustentar a sua família. Homem de oração, lembro-me dele a rezar o terço com a minha avó Mercedes e, como viúvo, ele continuou a fazê-lo. A par destas virtudes, ele também viveu a ternura expressa nos seus poemas para os netos e bisnetos, no cultivo do seu jardim (o seu amor pelas rosas é inesquecível) e na sua fidelidade ao vínculo matrimonial.

O meu pai

O meu pai foi a figura decisiva para o meu vínculo a Deus Pai e também na minha compreensão e afecto por São José. Da sua paternidade, lembro-me de gestos como, por exemplo, brincar comigo e com os meus irmãos e irmãs no pátio da minha casa, fazer sombras chinesas quando a electricidade estava desligada, ou piadas como tirar-nos uma batatinha frita para que pudéssemos ver um “passarinho” que obviamente não estava lá. Para não falar de nos levar à escola ou de nos dar sempre conselhos quando lhos pedíamos. Posso atestar a sua ternura através de milhares de memórias. Para citar alguns, lembro-me de quando eu era criança, ele levou-me a pescar no rio Paraná juntamente com outros amigos. A verdade é que eu não estava a prestar muita atenção, mas perante os meus amigos era ponto de “honra” pescar, mesmo que fosse apenas uma tilápia. A certa altura, o pai disse-me que ele estava a morder a cana e eu senti-me como um herói. Imediatamente, um dos meus amigos “queixou-se” porque tinha sido o Willy, o meu pai, que o tinha apanhado e não eu. Não quis saber, para mim foi um feito e fiquei orgulhoso. Só a ternura de um pai é capaz de tal inventividade para ajudar um filho.

João Paulo II

Karol Józef Wojtyla, agora São João Paulo II, acompanhou a minha infância, adolescência e juventude. O seu Magistério moldou a minha educação filosófico-teológica, mas foi a sua pessoa e carisma que teve o maior impacto em mim. Aquela paternidade que fez dele um peregrino do mundo, visitando países já hostis à fé como o México “oficial”, maçónico e anticlerical, ou a sua Polónia subjugada pelo comunismo soviético, a fim de alcançar as ovelhas mais distantes. Mais tarde, com a cruz da sua doença aos ombros, ele ofereceu a sua dor pela Igreja que serviu tão abnegadamente. Como podemos esquecer, ao mesmo tempo, aquelas explosões de protocolo quando ele se riu como uma criança com um palhaço, ou pegou pela mão uma criança que escapou ao guarda e o alcançou. Uma anedota que testemunhei foi numa audiência na Sala Paulo VI, no Vaticano, em 1995. Depois de terminada a catequese, o papa mencionou que estava presente uma delegação do México. Imediatamente, começaram a cantar “se ve, se siente, el papa está presente” (vê-se, sente-se, o papa está presente) e apenas uma senhora do grupo ficou para trás a cantar quando as outras tinham terminado. João Paulo II não demorou um minuto a responder: “Sim, realmente sente-se”.

Pe. José Kentenich

Finalmente, o Pe. José Kentenich é para mim um reflexo da paternidade divina e também da proximidade do seu santo padroeiro, o pai adoptivo do Salvador. Neste sentido, pode dizer-se que a minha entrada em Schoenstatt se deve a ele.

Quando eu tinha 16 anos, em 1992, fui convidado a ir a Florencio Varela, acompanhando aqueles que mais tarde se tornariam meus irmãos de grupo. Só conhecia o agora Pe. Federico Piedrabuena de vista e, Pablo, que era meu vizinho e vizinho de Federico. Verificou-se que a viagem era um isco da MTA. Durante o Jubileu dos 40 anos da bênção do primeiro Santuário Filial na Argentina e o 50º aniversário do 20 de Janeiro, segundo Marco de Schoenstatt, dei por mim a trabalhar como ajudante, distribuindo comida, bebidas, carregando cadeiras e encontrando rapazes de toda a Argentina, e pude ver famílias, sacerdotes, Irmãs, todos muito felizes, cantando, assistindo a palestras, falando sobre a Aliança, a Mãe de Deus, a Juventude Masculina, a Juventude Feminina….

Mas, lembro-me de dois momentos muito significativos para mim naquele Jubileu de 92.

Uma delas foi na Igreja de Deus Pai, colocando autocolantes do logotipo do Jubileu em algumas velas. Ali ouvi uma comparação do Pe. Kentenich com Jesus e as 14 Estações da Via Sacra. Não me chocou, mas chamou a minha atenção.

Mas o momento mais importante que considero a minha entrada e decisão por Schoenstatt foi a noite de 19 a 20 de Janeiro, quando a Família de Schoenstatt da Argentina assumiu um compromisso com o Fundador. Não compreendi o que estava a acontecer, mas senti-me parte disso. Hoje sei o que aconteceu e compreendo verdadeiramente que, graças a esta vivência, sou e serei mais um filho desta Família abençoada. Este vínculo com o Pai Fundador tornou-se mais forte, com o tempo, e resultou numa Aliança com ele no ano 2000, durante o jubileu do 25º Aniversário da bênção do Santuário de La Loma, quando eu estava no meu último ano de estudos para uma licenciatura em Ciências Religiosas e Filosofia. Entre outras coisas, pedi a sua intercessão para o meu trabalho pedagógico e, devo dizer que não falhou um único dia neste trabalho. Posso verdadeiramente dizer que conheci um pai, um professor e alguém muito próximo de mim que, me marcou com a sua ternura e proximidade.

Dons são tarefas

Já conhecemos esta máxima. Repetimo-lo muito na Família. Recebi muitos dons, como podeis ver nestas linhas que partilhei convosco. É por isso que, agora, estou a tentar atribuir a mim próprio a tarefa de dar aos outros alguma desta ternura que experimentei, e não estou sozinho nisto.

Conto com os meus irmãos do 3º Curso da União dos Homens de Schoenstatt, (para os quais peço orações para que nos possamos consolidar, pois estamos apenas no início deste caminhar juntos) e com todos os aliados que, tentam mostrar ao mundo a infinita ternura de Deus Pai que São José nos mostrou tão claramente.


Juan Eduardo Villarraza.

Do Santuário e Família da Providencia, no Paraná, Entre Rios, Argentina
8 de Maio de 2021, Dia de Nossa Senhora de Luján, Padroeira da Argentina

 

Original: espanhol (9/5/2021). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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