Colocado em 18. Julho 2015 In Em Aliança solidária com Francisco, Francisco - Mensagem, Igreja - Francisco - movimentos

“Indescritível, emocionante e debaixo de chuva”

PARAGUAI, por María Fischer, redação •

“Obrigado, Santo Padre…”. No momento de ver o avião de Alitalia aproximar-se do aeroporto de Asunción, começam a cantar o hino oficial da visita do Papa Francisco ao Paraguai. Este canto do grupo “Nazarenos”, com o seu texto tão singelo como carinhoso e comprometido, ouvido já tantas vezes e com tanta alegria, sabendo que quatro dos nove membros dos Nazarenos são schoenstattianos, e que os “Nazarenos” cantaram em tantas oportunidades em Tuparendá. Esta canção acompanhará toda a transmissão em direto da TV do Paraguai, por meio das câmaras de segurança de Asunción para captar todo o sucedido.

Schoenstattianos do Paraguai estão no aeroporto, outros estão entre o aeroporto e a nunciatura, e muitos schoenstattianos que no Paraguai e noutros países seguem a transmissão em direto de CTV, unem-se através desta canção, trocam fotos via WhatsApp e faltam as palavras com tanta emoção…

“O Santo Padre já está em terras paraguaias”, diz o locutor no aeroporto, onde chove a cântaros. Sonia Zaracho manda uma foto de jovens na rua saltando para saudar o Papa no avião de Alitalia que se vê ainda no céu cinzento… e outra de grupos de schoenstattianos próximos do Santuário Jovem, já que o Santo Padre passará ali muito perto.

O Papa sai do avião, saúda…. As crianças do coro choram de emoção enquanto cantam: “Obrigado, Santo Padre… mensageiro de alegria e de paz…”

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Correndo para o Santo Padre

“Indescritível, emocionante e debaixo de chuva”, comenta Sebastián Acha. “É um dia cheio de emoções, não se consegue descrever a alegria que gera em nós a visita do Santo Padre” escreve Sandra Lezcano, da equipa de Schoenstatt.org.

O Papa dá os seus primeiros passos em terra paraguaia, veem-se os bispos schoenstattianos Mons. Claudio Giménez e Mons. Francisco Pistilli. Chega uma foto do aeroporto, tirada muito perto do Papa Francisco… e quem a enviou para Schoenstatt.org foi Mons. Francisco Pistilli, dizendo “Bênçãos”.

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É um acolhimento cálido no aeroporto, sem discursos, com uma apresentação bonita de um baile religioso típico do Paraguai. Susi Sacco, a diretora do ballet folclórico, é schoenstattiana. É o mesmo ballet que, cada 18 de outubro, dança em Tuparendá.

“Um Papa sem guarda-chuva recebe um aguaceiro de carinho na sua chegada a Asunción”, titula “Religión Digital”.

AgyVXRG0_QsVIPg3vyTpM32LofOEWP0-jP9XcqTkFd7RTerminada a apresentação e o canto dos hinos, o Santo Padre dirige-se, saindo da passadeira vermelha, para o coro das crianças… e chega o momento mais emotivo.

Várias dezenas de pequenos saltaram o cordão de segurança e “cercaram” o Santo Padre, o qual se deixou abraçar, e beijar pelas crianças.

Espiritualmente, todos corremos com eles…

 

É uma verdadeira festa nas ruas

AlB5FbEnpUX4Agt19al_huQ7cBM8udeHLLCvNDb-ETat“Estamos tão alegres de ter o Papa Francisco no Paraguai, é uma verdadeira festa nas ruas, as pessoas fazem vigília nos lugares por onde irá passar, já não se dorme pela grande emoção”, escrevem Diana e Alejandro Caballero.

Ani Souberlich relata-nos:

“O tempo provou a nossa fé e confiança e, apesar da chuva e do céu negro, nada pôde vencer a nossa ESPERANÇA E AMOR, e não nos tirou do lugar onde estávamos. É lindíssimo… sem palavras! O melhor de tudo foi que, logo que passou Francisco, entre a chuva e o sol… apareceu o arco-íris!! Tão lindo e com tanto significado para mim, que me recordou a frase ‘Selámos uma Aliança contigo’. É o sinal que o mesmo Deus nos deixa, como sinal da sua promessa.

“Estamos felizes… Todos muito felizes…e muito abençoados”, disse Graciela Vera, da Pastoral de Tuparendá.

Vários schoenstattianos fizeram parte do cordão humano de 13 km, desde o aeroporto até à Nunciatura.

“Fomos servidores do cordão papal com Yvonne, minha mulher, meus filhos e sobrinhos”, comenta Alberto Sallustro.

“Esperámo-lo em frente à prisão de mulheres”, comenta o Pe. Pedro Kühlcke. “Um coro de internas da prisão cantou para o Papa”. E ele parou para as saudar…

Mães Peregrinas saudando o Papa

 

Ag9E2zZbc0M5xtDhFEvwgdvXa3LKPHDYLi1MAMSZhKRG“Fui com os meus pais até à nunciatura”, conta José Argüello. “Vimo-lo muito de perto. Passou devagar, à nossa frente e olhou para nós…”

Há bandeiras, balões, bíblias erguidas, imagens da Virgem de Caacupé, e há Mães Peregrinas e mais Mães Peregrinas. Mons. Francisco Pistilli saúda os schoenstattianos que esperam com a Mãe Peregrina erguida…

Durante esse tempo na Nunciatura, ofereceram ao Papa um lanche típico paraguaio, um chá mate e uns   “chipá” (típico pão ou bolinho de farinha de mandioca com queijo). “É o mesmo lanche que compartilhava com as famílias paraguaias nas suas visitas às casas da Villa 21 de Barracas, em Buenos Aires”, comenta Claudia Echenique desde Buenos Aires.

Centenas de milhares de pessoas esperam novamente na rua, quando mais tarde, o Santo Padre se muda da Nunciatura para o Palácio do Governo para o Encontro com as Autoridades e com o Corpo Diplomático do Paraguai no jardim do palácio de Los López em Asunción.

Um programa para os 200 anos de Schoenstatt…

O Papa oferece ao Presidente do Paraguai uma cópia da imagem da “Mater Ecclesiae” em São Pedro.

“Mensageiro da alegria do amor e da solidariedade”, afirmou o presidente paraguaio, o qual elogiou as palavras da encíclica papal, “um monumento contra a indiferença”. Pela sua parte, Francisco declarou que “sinto-me em casa,e não é difícil sentir-se em casa nesta terra tão acolhedora”.

Encontro com Mons. Francisco Pistilli em frente à Nunciatura

“Que esse esforço de todos os agentes sociais não cesse até que deixe de haver crianças sem acesso à educação, famílias sem tecto, operários sem trabalho digno, camponeses sem terras para cultivar e pessoas obrigadas a emigrar para um futuro incerto; deixe de haver vítimas da violência, da corrupção ou do narcotráfico. Um desenvolvimento económico que não tem em conta os mais fracos e desfavorecidos não é verdadeiro desenvolvimento. A medida do modelo económico deve ser a dignidade integral da pessoa, especialmente da pessoa mais vulnerável e indefesa”.

Imediatamente pensamos nas 100 casas solidarias (presente jubilar de Schoenstatt.org ao Santo Padre), em Dequeni, na pastoral carcelaria do Pe. Pedro Kühlcke, em tantos projetos de compromisso social solidário de Schoenstatt… É o programa para os 200 anos de Schoenstatt.

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Muito mais tarde, o dia termina no Santuário Jovem, onde muitos jovens viram a transmissão em direto da visita, enquanto organizavam detalhes para o encontro com a juventude no domingo. Terminaram o dia com a Santa Missa, rezando por Francisco e rezando por todos os seus aliados… “Unimo-nos nessa aliança solidária”, escreve José Arguello, via Whatsapp, e acrescenta: “No domingo às 5 da manhã hora local, a Pastoral Juvenil da Campanha da Mãe Peregrina rezará o Terço em Ñu Guazú, antes da missa central”.

“Se o paraguaio se caracteriza por ser alegre, digo-lhe que nestes dias estamos a transbordar de alegria”, escreve Sandra Lezcano, sábado de manhã, antes de se instalar como servidora até domingo.

Ao ver as imagens dos diversos atos, visitas e celebrações, parece que Francisco também transborda de alegria em terras paraguaias.

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Jovens da Campanha Juvenil à espera do Papa Francisco

Discurso do Papa Francisco

Senhor Presidente,
Autoridades da República,
Membros do Corpo Diplomático,
Senhoras e Senhores!

Saúdo cordialmente Vossa Excelência, Senhor Presidente da República, e agradeço-lhe as deferentes palavras de boas-vindas e estima que me dirigiu, em nome próprio e ainda do governo, dos altos cargos do Estado e do querido povo paraguaio. Saúdo também os ilustres membros do Corpo Diplomático e, através deles, faço chegar os meus sentimentos de respeito e apreço aos respectivos países.

Um sentido «obrigado» a todas as pessoas e instituições que colaboraram, com esforço e dedicação, na preparação desta viagem para que me sentisse em casa. E não é difícil sentir-se em casa, nesta terra tão acolhedora. O Paraguai é conhecido como o coração da América, não só pela posição geográfica mas também pelo calor da hospitalidade e proximidade do seu povo.

Desde os seus primeiros passos como nação independente até dias ainda recentes, a história do Paraguai conheceu o sofrimento terrível da guerra, do confronto fratricida, da falta de liberdade e da violação dos direitos humanos. Tanta dor e tanta morte! Mas é admirável a tenacidade e o espírito de superação do povo paraguaio para se refazer perante tanta adversidade e prosseguir nos seus esforços por construir uma nação próspera e em paz. Aqui, no jardim deste palácio – que foi testemunha da história do Paraguai, desde quando era apenas margem do rio e era usado pelos Guaranis até aos últimos acontecimentos contemporâneos – quero prestar homenagem aos milhares de paraguaios simples, cujos nomes não aparecerão escritos nos livros de história mas que foram e continuam a ser verdadeiros protagonistas do seu povo. E quero reconhecer, com emoção e admiração, o papel desempenhado pela mulher paraguaia nestes momentos tão dramáticos da história, de modo especial essa guerra iníqua que quase chegou a destruir a fraternidade dos nossos povos. Sobre os seus ombros de mães, esposas e viúvas carregaram o peso maior, souberam levar por diante as suas famílias e o seu país, infundindo nas novas gerações a esperança num amanhã melhor. Deus abençoe à mulher paraguaia, a mais gloriosa da América.

Um povo que esquece o seu passado, a sua história, as suas raízes, não tem futuro, é um povo seco. A memória, firmemente apoiada na justiça e livre de sentimentos de vingança e ódio, transforma o passado numa fonte de inspiração para construir um futuro de convivência e harmonia, tornando-nos cientes da tragédia e insensatez que é a guerra. Nunca mais guerras entre irmãos! Construamos sempre a paz! Uma paz também do dia-a-dia, uma paz da vida quotidiana na qual todos participamos evitando gestos arrogantes, palavras ofensivas, atitudes prepotentes e, positivamente, fomentando a compreensão, o diálogo e a colaboração.

Desde há alguns anos que o Paraguai está empenhado na construção dum projecto democrático sólido e estável. E é justo reconhecer, com satisfação, quanto progresso se fez neste caminho, graças aos esforços de todos, mesmo no meio de grandes dificuldades e incertezas. Encorajo-vos a continuar trabalhando com todas as vossas forças para consolidar as estruturas e instituições democráticas que dêem resposta às justas aspirações dos cidadãos. A forma de governo adoptada na Constituição – uma «democracia representativa, participativa e pluralista» –, baseada na promoção e respeito dos direitos humanos, afasta a tentação da democracia puramente formal, definida no documento de Aparecida como aquela que se contenta com estar «fundada em procedimentos eleitorais honestos» (cf. Aparecida 74). Esta é uma democracia formal.

Em todas as áreas da sociedade, mas especialmente na actividade pública, deve-se promover o diálogo como meio privilegiado para favorecer o bem comum, baseado na cultura do encontro, do respeito e do reconhecimento das legítimas diferenças e opiniões dos outros. Não se deve deter no conflito; a unidade é sempre superior ao conflito; um exercício interessante é decantar, no amor à pátria e no amor ao povo, toda a perspectiva que nasce das convicções duma opção partidária ou ideológica. E o mesmo amor deve ser o motor para crescer diariamente em gestões transparentes que lutam com ímpeto contra a corrupção. Sei que existe uma firme vontade para desterrar hoje a corrupção.

Queridos amigos, nesta vontade de serviço e trabalho pelo bem comum, devem ocupar um lugar prioritário os pobres e necessitados. Muitos esforços estão a ser feitos para que o Paraguai avance no caminho do crescimento económico. Deram-se passos importantes no campo da educação e da saúde. Que esse esforço de todos os agentes sociais não cesse até que deixe de haver crianças sem acesso à educação, famílias sem tecto, operários sem trabalho digno, camponeses sem terras para cultivar e pessoas obrigadas a emigrar para um futuro incerto; deixe de haver vítimas da violência, da corrupção ou do narcotráfico. Um desenvolvimento económico que não tem em conta os mais fracos e desfavorecidos não é verdadeiro desenvolvimento. A medida do modelo económico deve ser a dignidade integral da pessoa, especialmente da pessoa mais vulnerável e indefesa.

Senhor Presidente, queridos amigos! Desejo, em nome também dos meus irmãos bispos do Paraguai, assegurar-lhes o empenho e a colaboração da Igreja Católica no esforço comum por construir uma sociedade justa e inclusiva, onde se possa viver em paz e harmonia. Porque todos nós, incluindo os pastores da Igreja, somos chamados a preocupar-nos com a construção dum mundo melhor (cf. Evangelii gaudium, 183). A isso nos move a certeza da nossa fé em Deus, que quis fazer-Se homem e, vivendo entre nós, compartilhar o nosso destino. Cristo abre-nos o caminho da misericórdia, que se baseia na justiça mas vai mais longe e ilumina a caridade, de modo que ninguém fique à margem desta grande família que é o Paraguai, ao qual amais e quereis servir.

Com imensa alegria por me encontrar nesta terra consagrada à Virgem de Caacupé – e quero também lembrar especialmente aos meus irmãos paraguaios de Buenos Aires, da minha diocese anterior; eles também têm uma paróquia da Virgem dos Milagres de Caacupé -, imploro a bênção do Senhor sobre todos vós, sobre as vossas famílias e sobre todo o querido povo paraguaio. Que o Paraguai seja fecundo como o indica a flor da passiflora no manto da Virgem e, como essa faixa com as cores do Paraguai que cinge a imagem, assim a nação se abrace à Mãe de Caacupé. Muito obrigado!

 

11 de julho de 2015 Papa Francisco no Paraguai

Chegada ao aeroporto

Encontro com as Autoridades e com o Corpo Diplomático do Paraguai no jardim do palácio de Los López em Asunción

Original: espanhol. Tradução introd: Maria de Lurdes Dias, Lisboa, Portugal

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