Colocado em 2021-02-16 In Artigos de Opinião

A polêmica Campanha da Fraternidade 2021 (2)

BRASIL, Ana Beatriz Dias Pinto •

Após a controvérsia causada por ocasião da divulgação do texto-base da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021 (CFE-2021) continuamos a refletir um pouco mais sobre este assunto. —

Hoje falaremos sobre o posicionamento tomado pelo Núcleo Ecumênico e Inter-religioso da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (NEIR-PUCPR)que tem como coordenador o Prof. Dr. Pe. Elias Wolff, da Diocese de Lages (SC). Wolff é um dos maiores especialistas em ecumenismo e diálogo inter-religioso do país, autor de diversos livros sobre o tema, além de ser membro do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).

Como forma de instruir a população sobre o tema do Ecumenismo, o NEIR acaba de lançar um novo canal no youtube, o @neirpucpr, visando debater a temática da CFE-2021 e assuntos relacionados a este importante caminho de diálogo construído a partir do Concílio Vaticano II (1962-1965). Ao longo dos próximos dias, religiosos de diversas denominações postarão vídeos com mensagens no canal, que contará com a participação da autora do texto-base da CFE-2021, a pastora luterana Romi Bencke.

Então, estar por dentro das novidades que virão pela frente nessa nova ferramenta de comunicação ecumênica pode ser uma alternativa bastante interessante a quem se interessa por esse assunto em específico e também pelas propostas da Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano.

3 motivos para um cristão aderir à Campanha da Fraternidade Ecumênica

No vídeo de lançamento do canal do NEIR-PUCPR, o padre Elias Wolff oferece a oportunidade de se refletir sobre três motivos para se aderir à CFE-2021:

1) fé em Jesus Cristo: como obediência ao Mandamento do Amor “Amai-vos como eu vos tenho amado”, presente no Evangelho de João (Jo 13, 34). Esta frase do Evangelho fala do amor universal de Deus para com todos. Além disso, a prática do exemplo deixado por Cristo em suas parábolas, como a do Bom Samaritano (Lc 10, 25-37) ou mesmo as Bem-Aventuranças (Mt 5, 3-16) – expressando o amor misericordioso de Deus. Ou seja, a CFE-2021 pode ser expressão de amor entre todos os brasileiros;

2) consciência eclesial: consciência da fé em Cristo e discipulado, e também a pertença da fé que se vive, indiferentemente da Igreja cristã à qual pertença, sendo testemunho no mundo. As Igrejas que pertencem ao CONIC têm suas orientações para seus fieis, e buscam pontos de união para orientar os fieis. Não tem como colocar a doutrina católica em um documento que pertence a diferentes igrejas. Ou seja, o seu texto fala de fraternidade universal, de compromisso comum – e não único. Então, a CFE-2021 não contradiz a identidade eclesial de quem é membro das igrejas que a promovem. Uma pessoa católica, por exemplo, que está em sintonia com o Magistério da sua Igreja, vai encontrar a orientação para viver o ecumenismo nos documentos do Concílio Vaticano II e no ensino do Magistério Pós-Conciliar. Serve como exemplo o número 12 do Decreto Unitatis redintegratio que promove ações comuns de cristãos católicos com cristãos de outras igrejas. Há também o número 5 da Declaração Nostra aetate que orienta o diálogo com as diferentes religiões para construir a fraternidade universal. Por fim, outro exemplo é a recente Encíclica Fratelli Tutti, do Papa Francisco, que convoca a humanidade inteira ao encontro, ao diálogo e à cooperação por um mundo melhor. Assim, a CFE-2021 é uma concretização de orientações oficiais da Igreja sobre o ecumenismo para os fieis católicos. Os fieis de outras igrejas cristãs têm orientações semelhantes;

3) compreender a pertinência do tema Fraternidade e diálogo:  num mundo com tantas desigualdades, culturas, raças, credos, sabemos que existem diferenças e injustiças, como a fome e a miséria. Então, a palavra FRATERNIDADE e gestos de FRATERNIDADE propõe uma cultura de encontro, de diálogo. Compreender a intenção da CFE-2021, de que ela é um compromisso de amor, é fundamental para que se possa vivê-la. E assim se faz a proposta do tema “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor” e também de seu lema, retirado de um trecho da carta de Paulo aos Efésios: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade” (Ef 2, 14).

De acordo com o padre Elias Wolff, todos são convidados a este momento de partilha e de fé que se torna serviço. Afinal, a expressão religiosa na sociedade atual acontece num contexto de pluralismo eclesial e religioso que se apresenta, por um lado, como um desafio para a afirmação de uma identidade religiosa específica e para a convivência das diferentes identidades.

Por outro lado, esse pluralismo apresenta também possibilidades para intercâmbios e enriquecimento mútuo entre os diferentes credos. Para que isso aconteça, faz-se necessário traçar caminhos que possibilitem encontro, diálogo e cooperação entre as igrejas, as religiões, os cultos e as espiritualidades que configuram o pluralismo religioso existente na humanidade.

Esse universo religioso plural se expressa, não poucas vezes, pela concorrência religiosa onde prevalecem posturas de intolerância, sectarismo e proselitismo. Nesse contexto, não é tarefa simples individuar os elementos que possibilitam a superação das tensões que surgem entre as diferentes expressões religiosas e sócio-culturais.

Portanto, a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021 é uma valiosa contribuição para que a sociedade brasileira cresça a nível ecumênico e inter-religioso, explorando as possibilidades de favorecer o desenvolvimento de uma cultura do diálogo, da afirmação da liberdade religiosa, da convivência e da cooperação entre tradições de fé.

Abertura da Campanha da Fraternidade 2021 em Curitiba

A Campanha da Fraternidade Ecumênica inicia na próxima quarta-feira, 17 de fevereiro (Quarta-feira de Cinzas). Em Curitiba, às 9h da manhã, o arcebispo metropolitano de Curitiba, Dom José Antonio Peruzzo, e outros líderes religiosos, receberão a imprensa para entrevista coletiva. O lançamento oficial da Campanha será no sábado, 20 de fevereiro, às 19h30, na Catedral Anglicana de São Tiago.

Quer saber mais sobre a Campanha da Fraternidade 2021?

Se você deseja aprofundar seus conhecimentos sobre a CF-2021, a editora Edições CNBB preparou uma página com três videoaulas, além de deixar disponível em seu site na internet o texto-base e materiais diversos. O conteúdo é apresentado pelo secretário executivo de Campanhas da CNBB, padre Patriky Samuel Batista, de maneira didática, rápida, clara e objetiva, favorecendo a compreensão sobre o tema.

Para assistir, acesse:  https://campanhas.cnbb.org.br/canal/cf2021


Ana Beatriz Dias Pinto é comentarista e traz reflexões sobre temas atuais e contextualizados sob a ótica do universo religioso, oportunizando seu saber e experiência no tema de Teologia e Sociedade para alargar nossa compreensão do Sagrado e suas interseções. É jornalista; Teóloga, mestre e doutoranda em Teologia. Professora do Studium Theologicum Claretiano afiliado à Pontifícia Universidade Lateranense de Roma e do mosteiro da Ordem de São Basílio Magno em Curitiba/PR. Membro do NEIR – Núcleo Ecumênico Inter-Religioso da Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR.

Fonte: www.bemparana.com.br

 

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6 Responses

  1. Tendo em vista que houve comentários com ataques caluniosos em relação a pessoas concretas, o IP será rastreado e serão consideradas possíveis medidas legais por calúnia e difamação.

  2. Maria Zilda Isfer diz:

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  3. Maria Zilda Isfer diz:

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  4. Luiz Henrique diz:

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  5. A Ele toda Gloria e Louvor diz:

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