Colocado em 7. Outubro 2015 In Artigos de Opinião

É tempo de se acabar com a Cultura do Usar e Deitar fora

Por Matías Rodriguez/Universitários de Campanário, Chile •

 O Padre Kentenich diz-nos muito claramente: a sociedade está longe do seu centro; a sociedade afastou-se de Deus. Acontece a muitos de nós sentirmos que, alguma coisa falta nas nossas vidas e, tentamos saciar esse vazio interior com uma ocupação intensa. Enchemo-nos com diversas actividades, panoramas, amigos e responsabilidades, mas, rapidamente, somos capazes de nos desfazermos deles por saturação ou cansaço, ou, simplesmente pela oportunidade de algo melhor.

Isto interpela-nos e faz-nos perguntar, porque usamos e deitamos fora? Porque é que, não nos responsabilizamos por aquilo que nos foi confiado? Acreditamos que acontece por uma simples razão: sem Deus no centro, nada do que façamos terá pleno sentido ou valor próprio, pelo que, se torna facilmente descartável.

Entre o individualismo e o colectivismo

Esta cultura do usar e deitar fora, explica-se, então, a partir da anunciada morte de Deus. O Seu desaparecimento da vida quotidiana deixa o Homem vazio já não sabendo onde O encontrar. Nesse sem-sentido o Homem não sabe se, deverá centrar-se em si mesmo ou, pelo contrário, na sociedade. A sua vida é, deste modo, atravessada por duas correntes de acção que são o individualismo e o colectivismo.

Pelo individualismo que implica um egoísmo puro, construímos relações humanas em torno da utilidade da pessoa mais, do que, pelo seu valor intrínseco, mas, pelo que corresponda ao discurso de “quanto do que ele tem me serve a mim”. Deste modo, mais que vínculos incondicionais, geramos vínculos de interesse com tudo o que me pode ser útil: ”o que tem tal carro”, “o irmão da pessoa tal”, “aquele que pode emprestar-me os apontamentos”; isto é, valorizamos os outros, não tanto, por aquilo que são mas, pelo que têm ou, pelo que nos podem oferecer para o interesse da nossa própria individualidade. Esta construção de relações humanas conduz a que, naturalmente, se alguém não corresponde às minhas necessidades é, facilmente, descartável.

Pelo colectivismo que, implica um valor nulo da pessoa, em si, os indivíduos subordinam-se ao que a massa quer e faz. Nega-se, também, o valor intrínseco da pessoa e, o que é importante é a comunidade. Muitas vezes, nós próprios somos cegos a isto e continuamos modas sem pensar, apenas porque os outros o fazem e, só, assim, eu me sinto parte de um grupo. O que é que isto implica? Que as nossas originalidades não são bem vistas que, devemos ser como os outros para sermos aceites e, para consolidarmos as nossas identidades. Deste modo, perdemos o nosso valor entre a massa.

Ou seja, egoísmo

No mundo actual sentimos que, esta cultura, se expande epidemicamente e, todos nos encontramos a comportar-nos, colectivamente, de modo individualista, sem nos importarmos, verdadeiramente, com a singularidade ou, com a pluralidade das pessoas, mas tão-somente, com o nosso próprio “eu”, com o “que preciso do outro” e, com o “como posso ser aceite num grupo”. A verdade é que, vivemos todos fechados em nós próprios e desligados do mundo. Vivemos desligados do resto sem podermos construir vínculos verdadeiros, pelo facto de, procurarmos o interesse da relação. Vivemos desligados de nós próprios por fazermos o impossível para cabermos num grupo. Mas, principalmente, vivemos desligados de Deus.

Vidas separadas

De certa maneira, estamos a viver vidas paralelas, separadas. Separamos Deus do mundo secularizando tudo. Separamos as pessoas com muros e traves, edificando cidades que segregam. Separamo-nos a nós próprios, perdendo as nossas originalidades, cada vez que, nos deixamos levar pela massa. Enfim, não fazemos outra coisa, senão, separar e separar. E, nessa separação também há um usar e deitar fora.

O que fazer perante a tragédia de uma cultura que procura usar e deitar tudo fora? O Padre Kentenich dá-nos uma pista quando diz que “ a tragédia não reside em que os maus sejam maus, mas, em que os bons não têm a coragem de serem, integralmente, bons”.É tempo, então, de se formar líderes capazes e cheios de Deus que, possam vencer esta cultura do usar e deitar fora. Como jovens universitários queremos ser esses líderes que, possam dar resposta à necessidade do mundo actual, mas, só o poderemos fazer sendo coerentes. Ser coerentes significa ser de uma só linha; significa dar a cada coisa o seu lugar; significa unir e deixar de separar. Só assim, poderemos ser exemplo e testemunho desta missão em que acreditamos e queremos para o mundo.

Ser agentes da mudança

Mais concretamente, queremos dar uma resposta à sociedade, com base no nosso desenvolvimento profissional. Queremos ser agentes da mudança; queremos ser Homens forjadores de história que, geram vínculos profundos com as pessoas, apesar das dificuldades materiais ou humanas que possamos encontrar no caminho, pois a cultura do usar e deitar fora que, enfrentamos no tempo actual só pode ser derrotada com uma valorização autêntica do mundo e das pessoas.

Isto é, não precisamos apenas de bons líderes, mas também, de ter um olhar ecológico e orgânico da realidade. Tal como, nos diz o nosso Papa Francisco na encíclica “Laudato Si” damo-nos conta que Deus, os Homens e as coisas estão interrelacionados e, não podemos pensar, nem viver como se estivéssemos isolados. Não podemos separá-los, não podemos usá-los e deitá-los fora.

 

Fonte: http://www.jmschoenstatt.cl/2015/09, página nacional da Juventude Masculina do Chile – em aliança de comunicação com schoenstatt.org

Original: espanhol. Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

 

Etiquetas: , , , , , , , , ,