Colocado em 2020-05-16 In A Aliança de Amor Solidaria em tempos de coronavírus, Schoenstatteanos

Nestes tempos, precisamos de pessoas que nos precederam – Gertraud von Bullion

ALEMANHA, Bettina Betzner •

No meio do tumulto da Primeira Guerra Mundial, em 1917, uma jovem mulher viveu um encontro que mudou abruptamente a sua vida. Para o espectador, foi um encontro insignificante e, no entanto, um momento decisivo. Após uma oração numa pequena sala lateral no hospital militar, teve lugar uma conversa entre duas pessoas que mudou as suas vidas. Através do Irmão Franz Salzhuber, a Condessa Gertraud von Bullion soube da existência da União Apostólica de Schoenstatt. Um grupo de leigos empenhados no apostolado em todas as áreas possíveis, através da prática da fé católica na vida quotidiana. Um campo de actividade no meio da vida quotidiana; isto atraiu e tocou o coração de Gertraud, a jovem enfermeira da Cruz Vermelha.—

Após o fim da Primeira Guerra Mundial, Gertraud von Bullion contactou o fundador do Movimento de Schoenstatt, Padre José Kentenich, com o pedido de abertura da União Apostólica às mulheres. Mas o seu desejo não foi imediatamente satisfeito. Nessa União, formada sobretudo por teólogos, a admissão de mulheres era, na altura, algo impensável. Mas Gertraud era uma lutadora e sentiu no seu coração um grande desejo de lutar, com paixão, pela sua fé, de se aproximar deste batimento decisivo do seu coração. Ela deu os primeiros passos e pôs-se a caminho.

E nós, hoje?

Nos tempos da pandemia do Coronavírus e das celebrações da Santa Missa no ecrã, sentimos um grande anseio pelo encontro de Deus na Eucaristia. Procuramos a proximidade de Deus neste momento, em tempos de contacto restrito.

Como podemos dar espaço ao desejo do nosso coração?

Que esforços fazemos para nos aproximarmos do Deus da nossa vida e do desejo do nosso coração?

Em todos os corações do universo

Em 8 de Dezembro de 1920, com determinação e disposição interior, Gertraud consagrou-se à Mãe de Deus, selando a sua Aliança de Amor juntamente com outra mulher. A partir de agora, Gertraud e a sua prima Mariele Christmann colocaram as suas vidas sob a protecção de Maria. Deixaram-se conduzir pelo apelo de Deus para servirem Deus e a humanidade. Não o fizeram pela sua própria vontade, mas com profunda emoção e determinação para aderirem à União Apostólica. Esta consagração das duas primeiras mulheres teve grandes implicações que levaram à celebração da primeira Jornada de Mulheres em Schoenstatt, em 1921.

A hora da consagração e a carta do dia anterior mostram qual é o mundo espiritual interior que Gertraud viveu. Todo o seu amor era pelo Deus Trino, o seu grande amor pela Imaculada e pelas pessoas. Ela queria servi-los e fê-lo até ao fim da sua vida.

“Jesus, meu Rei, eu Te ofereço todo o meu coração, reina nele completamente e para sempre, mas também quero usar todas as minhas forças, todo o meu ser, como um instrumento da Tua Santa Mãe, para que também Tu possas reinar como Rei em todos os corações do universo!

Gertraud von Bullion

 E nós, hoje?

 

Como mostramos o nosso amor a Deus em tempos de Coronavírus? Que sinais de amor na fé pomos em prática? O que estamos dispostos a arriscar? Estamos a tornar-nos criativos para darmos um sinal deste relacionamento com Deus? Vivemos das nossas pequenas igrejas domésticas, dos nossos Santuários-Lar e dos Santuários-Coração. É aí que reside o nosso centro de controlo, o pulsar do coração na vida quotidiana, que me aproxima de Deus e do meu próximo.

Será que levamos a sério esta possibilidade e o local para agir a partir daí?

Eu quero servir

Gertraud von Bullion foi uma personalidade que viveu segundo o lema da sua família dos Condes von Bullion e que, através de uma profunda fidelidade, orientou a sua vida de acordo com este lema: SERVIAM – Eu quero servir!

O seu amor pelo próximo reflectiu-se na sua disponibilidade diária para servir os outros. No seu serviço sentiu-se completamente comprometida com aqueles que a rodeavam, quer fosse no bairro com os mais necessitados, as pessoas simples e os seus filhos, para quem gostava de fazer brinquedos com coisas do dia-a-dia; no seu trabalho na casa dos pais ou com a sua família numerosa e alargada; com os soldados no hospital militar, lá trabalhava espiritualmente e entre as enfermeiras da Cruz Vermelha ou com as jovens mulheres da Congregação feminina. Ela não tinha vergonha de nada e viveu o seu cristianismo até ao fim. Não foi o título de nobreza o seu rótulo, mas sim a nobreza do seu coração e o seu profundo amor a Deus como seu pai e a Maria como sua mãe.

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Solidariedade! NÓS estamos aqui para vós. Fiquem em casa! Vai correr tudo bem – eu fico em casa! Mantenham-se saudáveis!

Em tempos de incerteza, as pessoas precisam de viver dos sinais de solidariedade e comunhão de uma comunidade, de uma sociedade – o bem comum é a essência de uma democracia que funciona bem, mas também de uma sociedade humana – um ajuda o outro – todos por um e um por todos. Só desta forma é possível ultrapassar e suportar, em conjunto, os tempos de necessidade. Isto é mais evidente do que nunca, agora, hoje e em todo o mundo: temos de permanecer unidos para ultrapassarmos, juntos, esta catástrofe natural. Não é só o indivíduo que conta, mas também a união de todos.

A doença que nos pode derrotar

Mas a guerra deixou a sua marca na Gertraud. Contraiu, como tantas outras, uma doença de guerra: a tuberculose pulmonar, da qual nunca se curou. Em muitos sanatórios e em diferentes tipos de cura, ela tentou superar a doença e, no final, a doença derrotou-a.

Mas a última palavra não a teve a doença ou a morte, que estava inevitavelmente diante dos seus olhos, mas Deus, o Pai misericordioso. Ela acreditou n’Ele e experimentou o Deus da sua vida através de sinais e gestos de amor. Ele estava lá para ela e ela estava lá para Ele – até ao seu último suspiro! Ela manteve a sua atitude positiva em relação à vida e encaminhou-se para Aquele que amava indescritivelmente e que a segurava nas Suas mãos.

Medo do Coronavírus

O Coronavírus mantém-nos em alerta e, por vezes, a nossa respiração pára quando vemos o desenvolvimento da crise no nosso próprio país, no mundo. Os efeitos são devastadores. sobre a economia, a educação, a sociedade e as nossas famílias. O sistema de saúde está a atingir os seus limites. As pessoas estão preocupadas e em pânico e anseiam pela normalidade. Anseiam por uma mão para as segurar, anseiam por cuidados e ternura. Muitas vezes não sabem o que vai acontecer. O medo da doença está a alastrar, perturbando muitos.

O que me dá paz? Onde está o meu objectivo de estabilidade interior? Onde está a minha fonte de energia? O que há quando me sinto só e perdido? Quem segura, se nada me segura?

Servir até ao fim

Gertraud von Bullion experimentou a sua estabilidade em Deus, em Jesus Cristo, em Maria, na sua relação com Eles.

Ela foi grata até ao fim e pronta a servir até ao seu último suspiro e à sua última gota de sangue por Ele e pelas pessoas, a quem deu todo o seu amor e proximidade.

O meu testemunho pessoal

O meu apoio pessoal é a minha Mãe e Rainha no meu Santuário-Lar, o nosso Pai e Fundador, a minha comunidade da União das Mães de Schoenstatt.

No Padre Kentenich, no seu amor paternal por mim, em pequenos sinais de atenção através das suas citações e textos. Olhar para a sua imagem, onde experimento a correspondência interior de encorajamento. São pequenos diálogos que provocam mudanças no meu coração. São diálogos que tenho com a Santíssima Virgem, com Jesus Cristo, no meu pequeno Santuário-Lar. É um diálogo e uma luta com o Deus da minha vida que me envia para estar disponível para as pessoas.

Para uma família que precisa de apoio nas coisas do dia-a-dia.

Para uma colega de trabalho que está muito ansiosa e preocupada, porque pertence ao grupo de risco. O pânico e o medo acompanham-na. Nesse momento, o meu encorajamento é importante: conta comigo.

O meu pequeno oásis em casa dá-me força para falar aos outros com coragem, mas também com serenidade sobre a segurança e o meu apoio na fé.

Original: alemão (11/5/2020). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

 

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