Colocado em 29. Outubro 2014 In Jubileo 2014

“O primeiro dia do resto da minha vida”

CHILE, Carmen M. Rogers. Até há bocado pensava que ontem, 18 de Outubro de 2014, tinha sido o dia mais importante da minha vida. Mas não, É HOJE!! Hoje acordei no primeiro dia do resto da minha vida, o primeiro dia do meu segundo século de Aliança de Amor, o século da “Cultura de Aliança”, o século da “santuarização” da minha gente, do meu Povo, da minha Pátria, da minha Igreja, do meu mundo.

No dia 18, pela manhã, fui primeiro até ao Santuário Cenáculo de Providência e a Senhora não estava em casa. Que vazio se sentia, Senhor! Conduziram-me então até à sala do Colégio Mariano para embarcarmos num voo virtual até ao Santuário Original.

Nas “entradas do aeroporto” não havia . nem controlos, nem alfândegas, mas sorrisos, abraços e presentes, muitos presentes. Com a “passagem” aérea com um único destino, recebi um denário missionário e, sobretudo, a alegria do reencontro no amor da Aliança.

Nesse ambiente rico e familiar, entrámos em contacto com a Alemanha e vivemos o regresso da Mater ao Seu Santuário. Não é preciso dizer que, de cada vez que, aparecia no ecrã uma Bandeira do Chile (e eram muitas) ou um rosto conhecido, os gritos e aplausos eram maiores. As canções conhecidas eram cantadas em coro, com toda a força. Até os mais velhos pareciam crianças: tão felizes nos sentíamos todos, com essa felicidade que nasce de uma Aliança viva.

Enquanto, ainda, saboreávamos a experiência, escapámo-nos para ir a Bellavista e participar no programa da tarde. Com isso, perdemos o rico encontro da hora de almoço – onde quer que se tenha realizado – mas o dia valeu a pena.

Em Bellavista

Com a intenção de viver plenamente a festa e partilhar com mais membros da Família esse grande dia, partimos para Bellavista, de onde saímos acompanhando a Mater pelas ruas de La Florida até à Paróquia de San Vicente de Paul, onde o Pároco Francisco Javier Manterola (mariano dos bons e durante anos Hermano Mayor da Confraria da Virgem do Carmo) e o Presidente da Câmara (Perfeito) da Comuna receberam a Rainha que chegou precedida por uma Banda militar da Polícia, estandartes dos Ramos (Ligas), delegações de outras Comunas e regiões e uma procissão que, aumentava a cada metro, em quantidade e entusiasmo, apesar das ameaçadoras gotas de água que caíram em alguns momentos.

Às cinco da tarde, a multidão à volta do Santuário era muito grande quando apareceu a Mater, quase pelo mesmo caminho que percorreu naquele 20 de Maio de 1949 quando chegou a Sua Casa pela primeira vez.

“Quase” nada mais. Porque, neste 18 de Outubro, chegou rodeada por uma multidão de filhos e ruidosos galhardetes de papel, por ruas pavimentadas e saudada desde os edifícios circundantes, como a Rainha que Ela é, percorrendo a Sua terra e corações conquistados.

“Santo é este lugar…”

Quero dar lugar, por um momento, ao relato de outro “cronista” porque descreve exactamente o ambiente desta tarde:

“É como se o calor do lar nos envolvesse nestes momentos; como se anjos estivessem no meio de nós e nos dissessem:”Tira as sandálias porque o lugar que pisas é terra santa”.

Sim, santo é este lugar e continuará a fazer-se cada vez mais santo; terra santa é esta, porque a Santíssima Virgem escolheu este chão; terra santa, porque com o passar dos anos, das décadas e dos séculos , a partir deste lugar surgirão, crescerão e trabalharão fecundamente Homens santos. Este é um lugar santo, finalmente, porque desde aqui se imporão santas tarefas, isto é, tarefas que santificam, sobre ombros débeis” (PJK, Prática do 31 de Maio de 1949).

A esta “co-responsabilidade” com as iniciativas da Mater e a esta singela fidelidade, referiu-se o Pe. Andrés Larraín na sua Homilia quando mencionou que, de manhã, quando surgiram alguns problemas técnicos no ecrã gigante, os filhos de Bellavista não vacilaram e puseram toda a sua debilidade ao serviço da festa: até com os telemóveis se ajudava!

Rostos novos, rostos conhecidos, rostos jovens ou já idosos, tinham todos alguma coisa em comum: uma profunda alegria nascida do mais fundo. E, também, uma certeza:

A festa não terminou; a festa está a começar!

A mim e a ti, a quem nos foi presenteado viver este momento, escolheu-nos a Mater para levarmos a missão do Pai ao segundo Centenário. Quem poderia irradiar melhor a luz que se acendeu nos corações?

Sim. Tu e eu levamos a tocha. Oiçamos o nosso Papa Francisco e vamos hoje, agora e aqui “criar confusão”. Para isso somos fundadores. Para isso renascemos. Por isso, este é “o primeiro dia…”

Original: espanhol. Tradução, Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal