Colocado em 23. Abril 2019 In Francisco - iniciativos e gestos

De novo com os presos

PAPA FRANCISCO, Maria Fischer com material de ACIprensa •

Outra vez com os presos. Os seus favoritos. Os mais esquecidos e abandonados. Na noite de 18 de Abril, Quinta-feira Santa, em Roma, durante a Missa da Ceia do Senhor de Quinta-feira Santa e da Cerimónia do Lava-pés, o Papa Francisco exortou os fiéis a serem sempre “irmãos no serviço”, como Jesus ensinou os Seus apóstolos a deixarem de lado a ambição de dominar o outro. Ao meditarmos sobre o gesto e a mensagem do Papa Francisco, pensamos em todos os projectos do ministério das prisões da nossa Família de Schoenstatt e agradecemos as doações que são feitas em solidariedade. Ainda na Quinta-feira Santa chegaram 10 €, enviados, com carinho, por uma Irmã de Maria alemã, para a Pastoral prisional do Padre Pedro e da sua equipa no Paraguai.—

A cerimónia foi realizada por volta das 17h30. (hora local) no Centro Penitenciário de Velletri, uma cidade italiana a 60 km do Vaticano. Durante a visita, o Papa foi recebido pelas autoridades do centro e reuniu-se com reclusos, pessoal civil e agentes da polícia prisional.

“Ouvimos o que Jesus fez, foi interessante. O Evangelho diz: sabendo Jesus que o Pai tinha colocado tudo em Suas mãos , Jesus tinha todo o poder e depois começa a fazer este gesto de lavar os pés. É um gesto que os escravos faziam”, disse o Santo Padre ao iniciar sua Homilia no dia 18 de Abril.

Explicou que, embora o Senhor “tivesse o poder”, ele faz “o gesto de um escravo e depois aconselha” os Seus apóstolos: “Fazei este gesto também entre vós”. “Por outras palavras, servi-vos uns aos outros, sede irmãos no serviço, não na ambição, como aquele que domina o outro ou pisa o outro, não, sede irmãos no serviço.

A regra do serviço

“Cada um de nós deve ser o servo dos outros. Esta é a regra de Jesus e a regra do Evangelho: a regra do serviço, não do domínio, do fazer o mal, da humilhação dos outros. Serviço!”, recordou o Pontífice.

Depois, recordou outra passagem evangélica em que os apóstolos lutaram entre si e discutiram quem seria o mais importante, então Jesus pegou numa criança e disse: “Se o vosso coração não for como o de uma criança, então não sereis Meus discípulos”.

“É necessário ter o coração de uma criança sempre, humilde, serviçal”, sublinhou o Bispo de Roma.

Mais tarde, o Papa disse que Jesus acrescentou “algo interessante que pode ser ligado ao gesto de hoje”. “Ele diz: ‘Cuidado: os líderes das nações dominam, mas entre vós não deve ser assim. O mais velho deve servir o mais novo. Aquele que se sente mais importante deve ser um servo. Todos nós, também, devemos ser servos.

Finalmente, o Santo Padre pediu que os problemas entre as pessoas sejam “passageiros” e que sejam encorajados a amar-se uns aos outros.

Depois da Homilia, o Pontífice lavou os pés de doze reclusos desta prisão durante a Missa “in Coena Domini”. Segundo a Sala de Imprensa da Santa Sé, os 12 detidos são oriundos de 4 países: 9 são italianos, 1 do Brasil, 1 da Costa do Marfim e 1 do Marrocos.

No final da celebração, depois da saudação do Director do Departamento das Prisões e da troca de presentes, o Papa voltou ao Vaticano.

 

Aqui está o texto integral da catequese do Papa Francisco:

Esta é a regra de Jesus e a regra do Evangelho: a regra do serviço, não do domínio, do fazer o mal, da humilhação dos outros. Serviço!
Há alguns dias, recebi uma bela carta de um grupo de vocês que, não estarão aqui hoje, mas que disseram coisas tão bonitas. Obrigado pelo que escreveram. Nesta oração estou muito unido a todos: aos que estão aqui e aos que não estão.

Ouvimos o que Jesus fez na Última Ceia. É interessante. O Evangelho diz: “Jesus sabia que o Pai tinha colocado tudo nas Suas mãos”, isto é, que Jesus tinha todo o poder, todo. E então, ele começou a fazer este gesto de lavar os pés. Era um gesto dos escravos da época, porque não havia asfalto nas ruas e o povo, quando chegava a um lugar, tinha pó nos pés; quando chegavam a uma casa para uma visita ou um almoço, havia os escravos que lavavam os pés. E Jesus faz este gesto: lava-lhes os pés. Ele fez um gesto como um escravo: Ele, que tinha todo o poder, Ele, que era o Senhor, fez o gesto como um escravo.

E, depois, aconselhou-os a todos: “Fazei este gesto entre vós”, isto é, servi-vos uns aos outros, sede irmãos no serviço, não na ambição dos que dominam o outro ou dos que pisam o outro ou dos que… não: serviço, serviço. Precisas de alguma coisa, um serviço? Fá-lo-ei por ti. Isto é irmandade. A fraternidade é humilde, sempre: está ao serviço.

E agora vou fazer este gesto – a Igreja quer que o Bispo o faça todos os anos, uma vez por ano, pelo menos na Quinta-feira Santa – para imitar o gesto de Jesus e também para fazer o bem a si próprio pelo exemplo, porque o Bispo não é o mais importante: o Bispo deve ser o que mais serve. E cada um de nós deve servir os outros. Esta é a regra de Jesus e a regra do Evangelho: a regra do serviço, não do domínio, do fazer o mal, da humilhação dos outros. Serviço!

Certa vez, quando os apóstolos estavam a discutir entre si, eles  discutiam “quem é o mais importante entre nós?”, Jesus pegou numa criança e disse: “A criança. Se o vosso coração não é como o coração de uma criança, não sereis Meus discípulos. O coração de uma criança, simples, humilde, mas serviçal. E aí ele acrescenta algo interessante que podemos ligar a este gesto de hoje. Ele diz: “Cuidado: os líderes das nações dominam. Eles dominam. Não tem de ser assim entre vocês. O maior deve servir o menor. Aquele que se sente mais importante deve ser um servo”. Também nós devemos ser servos. É verdade que há problemas na vida: discutimos entre nós… mas isso deve ser algo que acontece, algo temporário, porque nos nossos corações deve haver sempre este amor do serviço ao outro, de estar ao serviço do outro.

E que este acto que, farei hoje, seja para todos nós um gesto que nos ajude a sermos mais servos uns dos outros, mais amigos, mais irmãos… mais irmãos no serviço. Com estes sentimentos, continuamos a celebração com o Lava-pés.

 

Original: espanhol (19/4/2019). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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