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Colocado em 2022-01-29 In Comunicação

Hoje, como comunicamos uns com os outros?

Carlos Ricciardi, Argentina •

Neste mundo, onde estamos imediatamente ligados ao que se passa em todo o lado, onde recebemos numerosas mensagens, avisos, circulares, notificações, promoções, spam, etc., e onde também comunicamos com as nossas páginas favoritas ou necessárias para o nosso trabalho, actividades sociais, familiares, desportivas, religiosas, comerciais e outras, pergunto-me e pergunto-vos (como diz o meu pároco Guillermo nos seus sermões): A minha comunicação e utilização dos actuais meios informáticos é eficiente e responsável? —

… aparecia alguém a dizer Feliz Aniversário!

Com a utilização massiva do WhatsApp, especialmente para grupos, reparei que a minha vida mudou de uma forma abrupta e inoportuna… Comecei a receber um grande número de mensagens com todo o tipo de informação em que as respostas eram mistas, e no meio dessas respostas surgiram outras informações que, nada tinham a ver com a anterior. Quando eu pensava (passado algum tempo) que tinha encontrado o fio condutor das ideias dos tópicos apresentados, aparecia alguém a dizer “Feliz aniversário!”, e a partir daí o rumo e o caminho da informação original mudavam e todos nós acabávamos por celebrar o aniversário. Está tudo muito bem celebrar os aniversários, mas perde-se o objectivo de se comunicar, informar e trocar ideias.

Reconheço e aprecio o progresso dos meios de comunicação social, que nos permite comunicar com todos eficaz e rapidamente, que nos permite alcançar e comunicar com pessoas isoladas ou sozinhas (desde que tenham rede…), o que salvou vidas e, especialmente neste período de pandemia, permitiu a muitos trabalhar remotamente e a outros lidar com este longo confinamento e cuidados a que nos devemos submeter para não cairmos nas mãos do COVID.

Como utilizar estas ferramentas de comunicação

Contudo, considero que devemos aprender a utilizar estas novas ferramentas de comunicação para que não afectem a nossa vida espiritual, física, familiar e social… Conhecemos as mesas familiares onde os membros utilizam os seus telemóveis enquanto comem… Talvez estejam a comunicar entre si através do WhatsApp! ou em reuniões sociais ou, num diálogo pessoal onde as interrupções dos telemóveis não permitem o diálogo….

Em schoenstatt.org, como noutros meios de comunicação, as notícias são dadas semanalmente às segundas-feiras através de um boletim. Cada assinante recebe por e-mail uma lista dos artigos, actividades, informações, que ocorreram na semana anterior, para além de serem publicados diariamente na página web. Isto permite-me ordenar a recepção da informação, a menos que haja uma notícia urgente a comunicar.

Este exemplo pode ser aplicado à utilização dos grupos WhatsApp, em vez de enviar informação a todas as horas e momentos do dia, que, como dissemos anteriormente, se perde na mistura de comentários e informação. Hoje parece que todos os dias algo deve ser publicado, talvez com o objectivo de informar, mas, na minha opinião, o que faz é confundir e preencher com informação, queixas, anúncios, etc. que produzem cansaço, aborrecimento e indiferença. E isto acontece não só nos grupos WhatsApp, mas também com os governos, os políticos, os meios de comunicação social e a própria Igreja.

Parece que sou contra estes novos meios de comunicação, especialmente telemóveis, mas não é este o caso. Creio que devemos utilizá-los de uma forma ordenada e que não afecte a nossa qualidade de vida. Para o conseguir, temos de aprender a utilizá-los, valorizá-los e respeitá-los. Como não sou especialista no assunto, deixo-o como uma preocupação.

A comunicação de diálogo a dois

Finalmente, e talvez isto devesse vir primeiro, gostaria de enfatizar a comunicação pessoa-a-pessoa, que para mim é a mais eficaz e a que tem o maior impacto, especialmente na forma presencial. Mas devido à pandemia, por um lado, e à impossibilidade de poder estar em todo o lado, por outro, sublinho a importância da comunicação por telemóvel. Há alguns dias publicámos um pedido de orações para as Missões Familiares em forma de grupo, também no grupo schoenstatt.org. Apenas alguns responderam. Nesta circunstância, procurámos os telemóveis das pessoas que conhecíamos e dos grupos de Schoenstatt e enviámos uma mensagem pessoal a cada um…Olá Juan! Como estás? e depois a mensagem que tínhamos enviado como grupo. A resposta foi imediata, as pessoas aderiram às orações e houve uma troca interessante sobre como estavam e o que estavam a viver naquele momento. Em alguns casos, acabámos por rezar por eles.

É por isso que enfatizamos a personalização da mensagem, o ir e vir, o diálogo a dois (não monólogos de dois, onde um fala e o outro ouve). A maior surpresa foi quando, devido ao aumento de casos de COVID na Argentina, foi decidido suspender as Missões Familiares e informámos todos, mas um a um, pessoalmente. Recebemos a resposta de agradecimento por os termos informado e alguns outros comentários que permitiram a continuidade do diálogo e uma melhor comunicação.

Original: espanhol (27/1/2022). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

 

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