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Colocado em 2022-01-19 In Comunicação, Igreja - Francisco - movimentos

“Obrigado por contar as coisas que não estão bem”

María Fischer •

Javier Martínez-Brocal (Granada, Espanha, 1978), jornalista e escritor, vive em Roma desde 2003. É director da agência noticiosa Rome Reports, autor de El Papa de la Misericordia, colabora com o Wall Street Journal e o jornal madrileno ABC, e dirige o programa semanal El mundo visto desde el Vaticano, que é transmitido na televisão em trinta países. A 11 de Janeiro de 2022 – por intuição, sorte ou profissionalismo ou tudo junto- estava no lugar perfeito para tirar uma fotografia que iria viajar pelo mundo, e alguns dias depois recebeu uma carta manuscrita pelo “objecto” da sua fotografia: o Papa Francisco. —

“Se a teologia narrativa é uma forma privilegiada de pregação e catequese, o autor consegue uma expressão magnífica desta forma de teologia. é-nos narrado o modo de agir do Papa e, com isso, descobrimos as linhas mestras do pensamento do Pontífice” lê-se numa das resenhas do livro “El Papa de la Misericordia”. Há alguns dias, o mesmo autor falou-nos da visita privada do Papa Francisco, saindo de uma loja de discos no centro de Roma.

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“Obrigado por cumprir a sua vocação, mesmo que isso signifique colocar o Papa em dificuldades”

Vendo que a foto estava nos meios de comunicação social em todo o mundo, o jornalista escreveu algumas linhas ao Papa. A carta de resposta do Papa chegou imediatamente, escrita à mão, com uma boa dose de humor e uma mensagem preciosa a cada jornalista.

“Senhor Javier Martínez-Brocal, não negará que foi uma ‘bruta sorte’ (má sorte) – como diz a Senhora do Serralho – que, depois de tomar todas as precauções, houvesse um jornalista à espera de uma pessoa na praça de táxis. O que mais sinto falta nesta Diocese (de Roma) é de não poder vaguear pelas ruas, como fazia em Buenos Aires, andando de uma paróquia para outra. Obrigado por cumprir a sua vocação, mesmo que isso signifique colocar o Papa em dificuldades”.

“Obrigado por contar as coisas que não estão a correr bem na igreja”

Esta não é a primeira vez que o Papa exprime o seu apreço pelo trabalho dos meios de comunicação social. No passado, Francisco confiou ao correspondente do ABC no Vaticano, Juan Vicente Boo, que um bom jornalista está sempre atento, para não perder detalhes, e depois conta tudo. Para Boo, o Papa Francisco é “o melhor comunicador do planeta: “Ele comunica como o Evangelho, com gestos, pequenas parábolas e com tweets. O Evangelho é absolutamente tweetável”, diz ele. Além disso, “ele ouve muito as pessoas comuns e, portanto, fala a sua língua”. Mas, sobretudo, “ele prega pelo exemplo”.

Também, em Novembro de 2021, durante a entrega de prémios aos dois mais antigos vaticanistas, Valentina Alazraki e Philip Pullella, agradeceu aos vaticanistas pelo “que contam sobre as coisas que não estão a correr bem na Igreja”.

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A confirmação da missão que assumimos

Partilhámos a carta do Papa entre os colaboradores de schoenstatt.org. Há algo de nós nisso? Verdade, paixão, profissionalismo, o que o Papa apreciou em todos os ambientes de trabalho. Mas o nosso Juan Zaforas dá-lhe nomes sem muito pensar:

    • Obrigado por cumprir a sua vocação, mesmo que isso signifique colocar o Papa em dificuldades

    • Obrigado por contar as coisas que não estão a correr bem

Longe de pensar que a nossa missão como meio de comunicação livre e independente em Schoenstatt é colocar a liderança de Schoenstatt em dificuldades ou contar (apenas) coisas que não estão a correr bem, a resposta de Juan vai ao âmago da questão. Pois esta é a diferença entre jornalismo e comunicação oficial, que na verdade é nada mais e nada menos do que marketing. Uma tarefa nobre e necessária também, mas de marketing.

Neste sentido, a revista MTA do Padre Kentenich e os primeiros foi jornalismo. Pois a base da livre troca era um consenso básico não discutido; uma base, porém, sobre a qual tudo podia ser dito, feito, pensado e expresso.

Para jornalistas como Martínez-Brocal este consenso básico é o amor por Cristo e pela sua Igreja, para além e, apesar do que corre mal. Para nós, é o mesmo, juntamente com o amor por Schoenstatt, para além e apesar do que não está a correr bem.

Um jornalismo segundo o coração do Papa Francisco
«Precisamos de um jornalismo livre, ao serviço da verdade, do bem, do justo; um jornalismo que ajude a construir a cultura do encontro.
Temos necessidade de jornalistas que estejam da parte das vítimas, de quantos são perseguidos, excluídos, descartados, discriminados”. Papa Francisco, 18/5/2019

Colaboração: Pe. José María Gracía, Juan Zaforas

Original: espanhol (18/1/2022). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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