Colocado em 2015-03-28 In Artigos de Opinião

Cultura de Aliança – Cultura do encontro

Carta de Aliança do Pe. Guillermo Carmona, Diretor do Movimento de Schoenstatt na Argentina. O lema deste ano é: Em aliança, saiamos ao encontro.

Esta primeira “Carta de Aliança” quer abrir as meditações que nos acompanharão este ano. O objetivo é, em cada 18 do mês, aprofundarmos o lema da Família de Schoenstatt 2015: “Em aliança, saiamos ao encontro”.

Hoje quero falar-lhes da relação entre “aliança” e “encontro”. Há vários anos que temos vindo a falar da “cultura de aliança”, um termo que se “cunhou” a partir da preparação para o Jubileu. O Papa Francisco, por sua vez, fala da “cultura do encontro”. A ambos os considerou como sinónimos, e são-no. Contudo, há diferenças.

A “aliança” perfila um tipo de relação: é mútua e consciente de ambas as partes. É selada quando há um objetivo mais ou menos claro, onde os dois contraentes procuram um beneficio. A aliança de Deus com o seu povo, tema central da Bíblia, é uma relação onde o homem recebe proteção, o amor e a bondade do alto; e Deus percebe o reconhecimento humilde e amoroso dos seus filhos. A “cultura de aliança” é um estilo de vida, onde o homem vive no dia-a-dia o vínculo com Deus.

Mas a aliança pode dar-se também com os outros. Na Bíblia narram-se alianças entre povos e pessoas. Todos percebem algo; há um que toma a iniciativa, mas o outro aceita a oferta e ambos cumprem requisitos. Toda a aliança conhece direitos e deveres. O seu incumprimento pode ser causa de quebra, de separação e distância das partes. Quanto mais séria é a aliança, menos inócua é., por exemplo, a aliança matrimonial.

Toda a aliança, seja gratuita ou onerosa tem um objetivo, pretende um tipo de vínculo que, tomado a sério, compromete tempo, dinheiro, dedicação e em alguns casos, a própria vida. É mútua: eu ganho e tu ganhas. Tem um custo e um benefício, espiritual, material ou social.

A diferença da aliança, o encontro não tem maiores intenções. Não pretende nada do outro; pode gerar aceitação ou recusa, proximidade ou distância. Sair ao encontro é ir em busca, sem outra intenção que o próprio encontro. Baseia-se no facto de que o outro é pessoa, filho de Deus, alguém a quem devo respeitar, com quem posso dialogar.

È muito provável que ninguém sele aliança com quem não partilha da sua ideologia, que não seja do seu “clube”, que não tenha os mesmos valores nem pretenda o que se deseja. Mas é possível sair ao encontro dos outros sem descriminação, sem prejuízo ou qualquer juízo. Sair ao encontro pode dar-se com alguém que não tem a minha identidade sexual, não compartilhe a minha religião, não tenha a minha filiação política nem participe das minhas opções. É mais universal.

Quando em novembro de 2014 definimos como meta “saiamos ao encontro”, demos-lhe uma motivação, não uma finalidade: sair para encontrar Jesus Cristo que vive em cada homem. Não procuramos inculcar-lhe nada, nem há intenção proselitista. É exigente, porque pressupõe esquecimento de si próprio, desprendimento sincero.

Nesta Quaresma, olhando já proximidade da Semana Santa e da Páscoa, é-nos oferecida a oportunidade de descobrir quantas vezes o Senhor e a Mãe disseram: “saiamos ao encontro”. Encontraram-nos e com base na nossa disponibilidade propuseram-nos algo mais: selar aliança. A Quaresma é o tempo para descobrir o Deus que nos busca e nos quer abraçar Como um humilde mendigo aproximamo-nos do Calvário e beijamos a cruz de Jesus Cristo. Ali estará a sua Mãe. Ela ser-nos-á dada, para que o encontro termine na alegria da Páscoa. Porque eles saíram ao encontro, nós também o faremos, especialmente, durante este ano.

Um abraço cordial a cada um de vós e a minha bênção para este dia de Aliança.

P. Guillermo Carmona

Original: Espanhol – Tradução: Maria de Lurdes Dias, Lisboa, Portugal

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