Santa Cruz do Sul

Colocado em 2022-08-10 In Santa Cruz do Sul, Vida em Aliança

Um novo passo em Santa Cruz do Sul: Um Santuário com porta de vidro

BRASIL, Ruy Kaercher, Maria Fischer •

Há já dois anos, desde aquela noite em que as Irmãs de Maria retiraram o altar e outros elementos do Santuário de Santa Cruz do Sul, há cerca de 800 menções a este Santuário na imprensa local, incluindo artigos, comunicados de imprensa, cartas de leitores e comentários de opinião de cidadãos conhecidos, transformando assim este Santuário, do qual restam apenas as paredes e o imenso amor dos seus peregrinos, no Santuário com a maior atenção mediática no mundo. A tudo isto, há uns dias atrás foram acrescentadas outras notícias, após a remoção das janelas, a porta e o campanário que foi declarada ilegal pelo Ministério Público – lembramo-nos das “lágrimas de Maria” e da enorme tristeza e raiva quando a chuva inclemente da época inundou o interior do Santuário, privado das suas janelas…

Entretanto, as Irmãs de Maria através da sua porta-voz, a Irmã Rosequiel Favero, comunicam o feliz progresso no terreno do seu Santuário a ser construído num local de que gostam mais do que o do primeiro Santuário, na berma da BR-471, e justificam a remoção da porta, do campanário e das janelas como moldes necessários para construir estes elementos do futuro Santuário – como se em todo o Brasil não houvesse outra forma de copiar porta, janelas ou campanário.

Glacy Falleiro, que no ano passado conseguiu recolher mais de três mil assinaturas para a petição de conservar o Santuário, escreve no jornal GAZ: “Não podemos ficar calados perante o absurdo do nosso Santuário por parte daquelas que se retiraram daqui. Digo “nosso” porque foi a comunidade que doou tudo o que tinha. Não foram as Irmãs que compraram, mas o trabalho e o suor dos fiéis… Não consigo compreender como as pessoas que se dizem representantes de Deus, vestindo um hábito religioso, fazem tal crueldade à nossa Mãe, que até a sua Imagem de Graças foi deixada à chuva… Bem, li no GAZ que vão mandar outra porta como aquela. Agora pergunto-me, como muitos se perguntam: Porque não mandaram fazer outra porta para o outro Santuário que vão construir? Porquê remover a que estava lá há 40 anos?

Novas janelas, uma porta de vidro, um altar e bancos……

Pouco antes do prazo dado pelo Ministério Público para a devolução dos elementos retirados, novas janelas, uma porta de vidro, bancos e até um altar que tem uma certa semelhança com o altar do Santuário – com uma história e origem desconhecida para os schoenstatteanos do primeiro Santuário de Schoenstatt – “apareceu”. E embora o anseio pelo altar original e por tudo o que compõe o interior do Santuário continue, há alegria.

Uma reportagem no jornal GAZ diz: “Com isto, o espaço está muito próximo de se tornar novamente um lugar de oração e devoção aberto ao público. O local tem um novo altar iluminado e oito novos bancos dentro do templo. A porta de vidro na entrada também foi instalada, bem como as quatro janelas, que substituem as originais.

Na zona exterior, para contemplar tanto a Escola Municipal de Creche Mãe de Deus como a capela, estão a ser realizados novos trabalhos paisagísticos. A intenção da administração municipal é conceder o uso da capela à recém-criada Associação de Devotos da Mãe e Rainha de Santa Cruz do Sul”.

Maria Erica Goldschmidt comenta: “Este é o lugar certo, que na minha opinião já é um campo sagrado, onde muitas graças já foram recebidas, e nunca puderiam retirar nada dele, porque foi feito com donativos dos fiéis. Só espero que não o voltem a pedir, porque talvez encontrem outra desculpa no futuro.

Quando é que um lugar é sagrado e um Santuário é um Santuário?

A Irmã Rosequiel Lopes Fávero, do Gabinete de Comunicação do Movimento, comentou que a terraplanagem (no novo terreno) está na fase final de construção. Um quadro simbolizando a Mãe e Rainha já foi colocado num canto da terra. “A imagem mostra que o novo espaço já é sagrado”, disse ela. Também segundo ela, o projecto para a fachada do novo templo está pronto e, logo que possível, a construção terá início.

Resta uma questão: se uma imagem da Mãe Três Vezes Admirável transforma um pedaço de terra num lugar sagrado, será que a decisão de deixar de viver num lugar onde uma Imagem de Graças da mesma Mãe Três Vezes Admirável se mantém há 40 anos torna esta terra “não sagrada”? Ou o faz a remoção da mesma imagem?

Compreendemos o relato que foi escrito: tiramos os elementos e mesmo as pedras deste primeiro Santuário e com isso, as graças e o Capital de Graças acumuladas neste lugar, mais todas as palavras ditas sobre o convite à Mãe de Deus para Se instalar aqui para sempre, as experiências de visitas e peregrinações, e transferimo-lo – à maneira de “Scotty, beam me up! Apenas que as vozes da alma de tantos schoenstatteanos, peregrinos, cidadãos gritaram: NÃO. E não foram silenciados. Mas não houve diálogo com aquilo a que um José Kentenich chamou uma fonte insubstituível de conhecimento.

Também compreendemos que, perante o escândalo nos meios de comunicação social e a resistência de grandes partes do povo de Deus, recorreram a novas histórias, desta vez comentadas ao Bispo. A história de que só poderia haver um Santuário de Schoenstatt na mesma cidade (O que querem fazer com os Santuários de Roma, Buenos Aires, Santiago, Vallendar?), ou a história de que onde não há Irmãs de Maria não existe um Santuário de Schoenstatt “verdadeiro” (desta forma, metade dos Santuários são eliminados…).

Agora recorrem a dizer que o “velho”, ou seja, o até agora único Santuário em Santa Cruz do Sul já não é um Santuário, mas sim uma capela. Uma distinção artificial. Nos primeiros anos de Schoenstatt, a geração fundadora falou da sua “Kapellchen”, a sua pequena capela… e muitos schoenstatteanos ainda hoje o dizem.

Arquitectonicamente, é uma capela. A lei eclesiástica distingue entre catedrais, paróquias e capelas, sendo a primeira a sede do Bispo, a segunda a do pároco e as capelas que lhes são atribuídas.

Santuário, segundo a RAE, é um templo no qual a imagem ou relíquia de um santo de devoção especial é venerada. De acordo com a Igreja Católica, um Santuário é um lugar de peregrinação para os fiéis:

“O nome Santuário designa uma igreja ou outro lugar sagrado ao qual, por uma razão especial de piedade, numerosos fiéis vão em peregrinação, com a aprovação do Ordinário local”. Num Santuário, o encontro com o Deus vivo é proposto através da experiência vivificante do Mistério proclamado, celebrado e vivido: “Nos Santuários, os meios de salvação devem ser abundantemente proporcionados aos fiéis, através da pregação diligente da palavra de Deus e da promoção cuidadosa da vida litúrgica, especialmente através da celebração da Eucaristia e da penitência, e também através da prática de outras formas aprovadas de piedade popular”. Assim, “os Santuários são como marcos que guiam o caminhar dos filhos de Deus na terra”, promovendo a experiência da convocação, do encontro e da construção da comunidade eclesial”.

Vale a pena ler o documento na íntegra:

Recordo que, na preparação para o jubileu da Aliança de Amor, o Pe. Carlos Cox, então Reitor do Santuário de Maipú (Chile), disse que, nesta perspectiva eclesial, poucos dos “Santuários” de Schoenstatt são Santuários….

O que faz de um Santuário um Santuário? Em Schoenstatt, o Capital de Graças oferecido pelos visitantes do mesmo, juntamente com o Sim de Maria, a mãe de todos nós, para aceitar o convite para ocupar a Sua morada e ficar para sempre. Como foi feito há 40 anos em Santa Cruz do Sul e até hoje.

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Original: castelhano (8/8/2022). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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