Colocado em 1. Abril 2019 In Vida em Aliança

Hoerde – Santuario de la liberación – misión postconciliar

ARGENTINA, Maria Teresa e Daniel Martino •

O gigante adormecido da nossa História Sagrada desperta lentamente e o esplendor da fecundidade de Hoerde, sem anúncios estridentes começa a iluminar. —

A importância do momento convida-nos a abrirmos os olhos e a admirarmos os caminhos luminosos e inesperados que, no céu, se vão desenhando. A febre da entrega de todos os que nos precederam vai dar-nos muitas surpresas. A Mater, com eles, “adianta-Se a nós” com sinais e manifestações de Rainha. Temos que estar alerta , permitirmo-nos sentir uma nova força e concentrarmo-nos na inguagem dos sinais para, juntos, decifrarmos o chamamento.

Um sacerdote diocesano de Schoenstatt novo Reitor da Catedral de La Plata

Desejamos partilhar com toda a Família, a experiência da Fidelidade de Deus que, nos comoveu, como Família de Schoenstatt de La Plata, no passado Domingo 10 de Março, quando o Pe. Jorge González, membro da União dos Sacerdotes de Schoenstatt na Argentina e sacerdote reconhecido pela sua profunda experiência evangelizadora na Diocese durante 27 anos, recebe do Bispo Monsenhor Victor Manuel Fernández o cargo de Pároco e Reitor da Catedral e a designação formal de Pró-Vigário Geral da Arquidiocese. Ainda não alcançamos a importância do reconhecimento e, tão pouco, o “porvir”. É o contexto e a história do Santuário de La Plata na Argentina quem outorga transcendência notável a este acontecimento.

O papel de La Plata na história de Schoenstatt

La Plata é a capital da Província de Buenos Aires e, à sombra da sua Catedral em 1965, é construído o Santuário da Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt, como símbolo da luta pela libertação do Pai das correntes do exílio.

O então Bispo da Diocese, Monsenhor Antonio Plaza, foi um providencial cooperador do Padre Kentenich e de toda a Obra de Schoenstatt. Em tempos de rigorosas proibições e limites, aceita na sua Diocese os seminaristas da nascente Comunidade de Sião que, estavam prontos para receber o Sacramento da Ordem mas, não eram aceites por nenhum prelado no mundo.

Aqui, foram Ordenados, de 1963 a 1965, nove seminaristas: Günter Boll, Bodo Erhardt, Dieter Spelthahn, Hans Kulgemayer, Herbert King, José Neuenhofer, Peter Locher, Andreas Brath e Heinrich Hug.

Um Santuário à sombra da Catedral

Pelo vínculo de confiança que é selado com o Pai e, também com as Irmãs, o Bispo toma a iniciativa da construção do Santuário na proximidade da Catedral.

É benzido em 15 de Agosto de 1965, com esta missão gravada nos seus alicerces: Santuário da Libertação. Os anos transcorridos, as sucessivas gerações de Militantes do Movimento, a Graça abundante implorada e recebida no Santuário, dão origem a comunidades dirigentes autónomas, inúmeras vocações para os Institutos Seculares e Uniões e leigos ardentes, portadores activos da promessa dos primeiros: entregar tudo pelo carisma, em íntima Aliança com Maria, com a Igreja e para a Igreja.

Trata-se agora de erguer a bandeira com novo ardor, para libertar e oferecer o carisma do Padre Kentenich a toda a sociedade. Recriar o desenho evangelizador à medida da cultura que emerge e tudo transforma. Reconhecer o apelo dos tempos actuais aos Movimentos, na voz profética do Santo Padre: em saída, em saída!

Chegou a hora de fazermos nossas, as convicções profundas do Pai no que diz respeito ao modelo de Igreja que nos cabe construir: “Ele compreendeu o objecto fundamental do Concílio sonhado pelo Papa S. João XXIII: Fazer da Igreja moderna um protagonista excelente e muito eficaz na transformação do mundo moderno a partir da vitalidade do Evangelho. E, ele soube que esta era decididamente a mesma missão que Deus tinha dado a Schoenstatt em 1914. A esta luz, as promessas do nosso Fundador ao Papa S. Paulo VI em 1965 “que Schoenstatt fará todo o possível para ajudar a realizar os objectivos do Concílio, é uma lembrança que nós não podemos, simplesmente, ignorar” [1]


Schoenstatt em saída

2019 – A voz das Uniões de Schoenstatt na Argentina, converte-se em chamamento e desafio para assumir estas promessas.

“Unida na Aliança da Amor, toda a Família de Schoenstatt celebra o Jubileu de Hoerde porque ele marca o início da sua vocação de UNIÃO APOSTÓLICA comum a todas as suas organizações e a todos os seus membros. Naturalmente, dentro da totalidade da Obra, e face ao próximo Jubileu, as Uniões Apostólicas, experimentam o particular e renovado compromisso de serem garantia do espírito federativo e apostólico próprio de todo o Movimento.

Tendo em consideração o facto que Hoerde significou a projeção externa do carisma de Schoenstatt, para além das portas do Semináro Pallottino, dado à Igreja como novo Movimento, o que foi o Pentecostes da Aliança de 18 de Outubro de 1914, as Uniões Apostólicas consideram que, os ritos de celebração do Jubileu deveriam manifestar a abertura do carisma à Igreja, a sua “saída” para o mundo e não o seu dobrar-se sobre si próprio.

Tendo em conta que o próprio início do Movimento de Schoenstatt, paradoxalmente, não se deu no lugar: Schoenstatt mas, em Hoerde, este facto quer ser lido como um sinal dos tempos que, indica a vocação do Movimento para o desenvolvimento plural, policêntrico, descentrado, na unidade de um mesmo Espírito, assegurado pela comum Aliança de Amor com a Mãe e Rainha Três Vezes Admirável no Santuário de Schoenstatt. Por isso, é essencial que as celebrações jubilares não se concentrem em Schoenstatt-lugar mas que, se estendam numa rede simultânea em redor de cada Santuário do mundo, onde, desde há mais de 100 anos, acontece a mesma Aliança de Amor.

No pluricentrismo dos ritos de celebração, encontraria assim expressão, a autêntica vocação “federativa” e “apostólica” da totalidade do Movimento. Por outro lado, os festejos de celebração do Jubileu de Hoerde, não deveriam esgotar-se na recordação de uma efeméride mas, deveriam ser o relançar efectivo da atitude de “saída” de todo o Movimento, profeticamente já expressa naquela jornada histórica de 1919 e, actualizada por ocasião do centenário da Aliança em Roma pelo Santo Padre, animando todo o Movimento a gerar para esta época um “Schoenstatt em saída”.[2]

O nosso próprio DILEXIT ECCLESIAM

Porquê está a sofrer a Igreja de hoje? Porque, agora, Ela deve fazer a transição dos tempos antigos para estes tempos absolutamente novos, os quais são, exasperadamente descontínuos face aos tempos antigos; ou rejeitar (no seu conjunto) os tempos antigos.

A Igreja começa novamente, gostaríamos de dizer, a nascer de novo, de modo que, possa dar à luz um tempo novo (…)

Permitam-me repetir: O 18 de Outubro significa uma nova iniciativa para estes tempos. Deus escolheu Schoenstatt das fontes mais profundas da Igreja para antecipar a grande, grande tarefa que Ela tomou sobre os Seus ombros (no Vaticano II) para os nossos tempos (…) [3]

[1] A missão do Santuário do Exílio para a Igreja Pós- Conciliar”, conferência de 11 de Julho de 2004, Pe. Jonathan Niehaus
[2] Declaração das Uniões na Argentina face ao centenário de Hoerde (1919 – 2019)
[3] A missão do Santuário do Exílio para a Igreja Pós-Conciliar”, Conferência de 11 de Julho de 2004, Pe. Jonathan Niehaus

Original: espanhol (17/3/2019). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

 

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