Colocado em 10. Novembro 2016 In obras de misericórdia, Projetos

Os milagres que dão alegria aqui e no céu

PARAGUAI, Ani Souberlich •

“Una coisa é o que merecemos pelo mal realizados; outra, diversa é a «respiração» da esperança, que não pode ser sufocada por nada nem ninguém. (…) O nosso coração sempre espera o bem; devemos isso à misericórdia com que Deus vem ao nosso encontro sem nos abandonar jamais (…). Todos somos pecadores e, muitas vezes, também somos prisioneiros sem nos dar conta. Quando se permanece fechado nos próprios preconceitos, ou se é escravo dos ídolos dum falso bem-estar, quando nos movemos dentro de esquemas ideológicos ou se absolutizam leis de mercado que esmagam as pessoas, na realidade limitamo-nos a viver dentro das paredes estreitas da cela do individualismo e da autossuficiência, privados da verdade que gera a liberdade.”, disse o Papa Francisco no jubileu de Misericórdia dos encarcerados na manhã de 6 de novembro, na Missa em São Pedro, na presença de uns mil detentos, com permissão, procedentes de cárceres de todo o mundo. O Papa levava o báculo de madeira que lhe presentearam os internos do cárcere mexicano de Ciudad Juárez.

Hoje no CEI (Centro Educacional de Itauguá), situado a poucos quilômetros do Santuário de Schoenstatt de Tupãrenda, no Paraguai, onde jovens infratores da lei cumprem sua pena, também se celebrou o Jubileu da Misericórdia dos encarcerados. O bispo da diocese de San Lorenzo, Mons. Joaquín Robledo, celebrou a Santa Missa às 10 hs, na qual participaram o P. Pedro Kühlcke, capelão penitenciário, membros da Pastoral carcerária “Visitação de Maria” e a Diretora da Casa Madre de Tupãrenda, onde neste momento 18 jovens, depois de cumprir sua pena, recebem uma segunda oportunidade, o na verdade, a primeira.

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Que festa no céu!

Vários adolescentes internos, devidamente preparados pela Pastoral carcerária “Visitação de Maria”, a cargo do Padre Pedro Kühlcke com sua equipe, receberam os sacramentos do Batismo, Primeira Comunhão e Confirmação. Numa celebração emotiva, cinco jovens cruzaram “o pórtico da vida no espírito” ao receber o sacramento do Batismo; cinco jovens receberam a Primeira Comunhão e sete, a Confirmação. Podem imaginar a festa no céu? Um reflexo muito simples, mas real dessa festa e essa alegria celestial foi o brinde com bolo e suco que depois compartilharam com todos os presentes.

Sim, “Queridos reclusos, é o dia do vosso Jubileu. Que hoje, diante do Senhor, se reacenda a vossa esperança” (Papa Francisco).

Necessitam um tu humano

Poderia contar muitas coisas de tudo o vivido hoje junto a estes jovens: a alegria de, por própria iniciativa, pedir preparar-se e receber os sacramentos; a alma e o coração de criança que conservam e que se pode ver através da janela de seus olhos, apesar dos delitos que tenham cometido. A necessidade de “um tu humano” que os aceite e os queira tal qual são. Olhava para eles, têm idades entre os 15 e 18 anos, em sua maioria. São adolescentes normais, em pleno processo de rebeldia, de ser contra tudo, como qualquer jovem de nossa sociedade nessa idade. Hoje estão ali por algum erro que cometeram, alguns muito pequenos, outros maiores… mas todos na vida merecemos e desejamos uma oportunidade e acredito que neste ano da Misericórdia, todos recebemos essa oportunidade nascida unicamente do infinito amor que o Bom Deus nos tem.

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O abraço da mãe

Tudo foi emocionante mas houve algo infinitamente grandioso que comoveu meu coração, minha alma… no momento da saudação da paz, uma mãe abraça seu filho recluso e rompe em pranto, um choro silencioso, mas que destroça seu coração de mamãe… Imaginei aquele encontro que teve a Santíssima Virgem com Jesus, seu Filho, caminho à cruz, com seu coração transpassado… O abraço terno e forte desta mulher no seu filho expressava “estou contigo, apoio-te, amo-te, és meu filho, não te abandono”. Assim de misericordioso imagino o abraço de Deus, esse abraço que não julga, que não condena… mas que simplesmente perdoa, levanta, ama e dá esperança.

E se a mudança de sua vida depende do meu abraço de perdão?

Todos cometemos e temos cometido erros. Por que é tão difícil dar um abraço de perdão? Por que não nos propomos acreditar e dar uma oportunidade a estes jovens, uma oportunidade que pode mudar sua vida? Creio que se um deles fosse meu filho, meu sobrinho, meu neto, meu afilhado adolescente e rebelde, os olharia de maneira diferente, os trataria diferente, os ajudaria a não se render, a lutar contra os vícios e sempre acreditaria no bom que existe nele.

Proponho que façamos esse click em nosso interior, mudemos esse chip que temos, que só critica, julga e condena… e sejamos portadores desse sinal de esperança para muitos, saiamos de nossa comodidade e comprometamo-nos com a vida, sejamos esse “tu humano”, esse laço que Deus necessita para presentear com sua misericórdia e atrair muitos para seu coração.

Pensando nestes jovens, comove como o Senhor e a MTA tornam fecundos nossos esforços e serviços. São os milagres que dão alegria aqui e no céu.

O olhar de Jesus vai além dos pecados e preconceitos, vê a pessoa com os olhos de Deus, que não se detém nos erros do passado, mas coloca o olhar no futuro. Jesus não se resigna diante das portas fechadas, mas sempre as abre, sempre abre novos espaços para a vida. Não presta atenção às aparências, mas olha para dentro do coração”. Papa Francisco, Ângelus, 30. 10. 2016.

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Texto completo da homilia do Papa Francisco – Jubileu dos encarcerados

Original: Espanhol – Tradução: Lena Ortiz, Ciudad del Este, Paraguai

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