Colocado em 23. Dezembro 2015 In Francisco - Mensagem

Começa o tempo do grande perdão

ANO SANTO DA MISERICÓRDIA – FRANCISCO EM ROMA •

papaO Papa Francisco abriu, no dia 13 de Dezembro, a Porta Santa da basílica de S. João de Latrão, a catedral de Roma. Francisco permaneceu vários minutos a rezar em silêncio aos pés da porta e a sua abertura foi precedida pela fórmula “esta é a porta do Senhor, abri-me as portas da justiça. Pela Tua grande Misericórdia entrarei na Tua casa, Senhor”.

Na sua Homilia anuncia que, “se inicia o tempo do grande perdão” e que a Igreja tem que derramar ternura, porque “Deus não ama a rigidez”, e “ testemunhar um amor que vai além da justiça”.

Isto lembra-nos o que o Pe. Kentenich escreveu, num 13 de Dezembro de há 50 anos, à Família de Schoenstatt:

O mais importante para nós é Deus: o Pai e o Seu amor misericordioso. Como temos vindo a ensinar desde o começo da história da nossa Família. Deus não nos ama porque somos bons e nos tenhamos portado bem, mas, precisamente, porque é nosso Pai. Porque o Seu amor misericordioso corre, para nós, com mais riqueza quando, aceitamos, com alegria, os nossos limites, as nossas debilidades e misérias, porque as consideramos, como razão essencial para que o Seu coração se abra e nos inunde com o Seu amor.

Por isso, mais que nunca, reconhecemos ter, perante Deus, dois direitos: a Sua infinita misericórdia e a nossa miséria insondável. Com gosto juntamos as mãos e rezamos:

“ Querida Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt, vela para que nos experimentemos filhos de Rei, filhos miseráveis e dignos de misericórdia e, deste modo, vivamos convencidos de que somos predilectos do amor paternal e infinitamente misericordioso de Deus Pai”.

Texto integral da Homilia do Papa Francisco

O convite dirigido pelo profeta à antiga cidade de Jerusalém, hoje é endereçado também a toda a Igreja e a cada um de nós: «Rejubila-te… exulta!» (Sf 3, 14). O motivo da alegria é expresso com palavras que infundem esperança, e permitem olhar para o futuro com serenidade. O Senhor revogou qualquer condenação e decidiu viver no meio de nós.

Este terceiro domingo de Advento atrai o nosso olhar para o Natal já próximo. Não podemos deixar que o cansaço se apodere de nós; não nos é permitida qualquer forma de tristeza, mesmo se tivéssemos motivos devido às numerosas preocupações e às várias formas de violência que ferem esta nossa humanidade. Porém, a vinda do Senhor deve encher o nosso coração de alegria. O profeta, que traz inscrito no seu próprio nome — Sofonias — o conteúdo do seu anúncio, abre o nosso coração à confiança: «Deus protege» o seu povo. Num contexto histórico de grandes iniquidades e violências, praticadas sobretudo por homens de poder, Deus anuncia que Ele próprio reinará sobre o seu povo, que nunca mais o deixará à mercê da arrogância dos seus governantes, e que o libertará de qualquer angústia. Hoje é-nos pedido que «não se enfraqueçam os nossos braços» (cf. Sf 3, 16) por causa da dúvida, da impaciência ou do sofrimento.

O apóstolo Paulo retoma com força o ensinamento do profeta Sofonias e reafirma-o: «O Senhor está próximo» (Fl 4, 5). Por esta razão, devemos rejubilar-nos sempre e com a nossa afabilidade dar a todos testemunho da proximidade e do cuidado que Deus tem por cada pessoa.

Abrimos a Porta Santa, aqui e em todas as catedrais do mundo. Também este sinal simples é um convite à alegria. Inicia o tempo do grande perdão. É o jubileu da Misericórdia. É o momento para redescobrir a presença de Deus e a sua ternura de Pai. Deus não ama a rigidez. Ele é Pai, é terno. Faz tudo com ternura de Pai. Também nós somos como as multidões que interrogavam João: «Que devemos fazer?» (Lc 3, 10). A resposta de João Baptista não tarda a chegar. Ele convida a agir com justiça e a olhar para as necessidades dos que estão em dificuldade. Contudo, o que João exige dos seus interlocutores é quanto encontra aprovação na Lei. De nós, pelo contrário, é exigido um compromisso radical. Diante da Porta Santa que somos chamados a atravessar, é-nos pedido que sejamos instrumentos de misericórdia, cientes de que seremos julgados sobre isto. Quem foi baptizado sabe que tem um compromisso maior. A fé em Cristo suscita um caminho que dura a vida inteira: que consiste em ser misericordioso como o Pai. A alegria de atravessar a Porta da Misericórdia acompanha-se ao compromisso de acolher e testemunhar um amor que vai além da justiça, um amor que não conhece fronteiras. É por este amor infinito que somos responsáveis, não obstante as nossas contradições.

Rezemos por nós e por todos aqueles que atravessam a Porta da Misericórdia, para podermos compreender e acolher o amor infinito do nosso Pai celeste, que recria, transforma e reforma a vida.

Coordenação: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

FONTE: Santa Sé

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