Colocado em 2. Setembro 2018 In Dilexit ecclesiam

Pedimos perdão

DILEXIT ECCLESIAM, redacção (jz.pjmg.mf) •

“Que o Senhor mantenha e aumente este estado de vergonha e compunção, e nos dê a força para comprometer-nos a trabalhar para que nunca mais isso aconteça e para que se faça justiça”.
Pedimos perdão pelos abusos de poder e de consciência, abusos sexuais realizados por membros qualificados da Igreja. Um pedido de perdão, expressado pelo Papa Francisco no início da Missa de Encerramento do Encontro Mundial de Famílias. Parte-se-nos o coração ao ouvir este Pastor bom pedir perdão, não de modo geral, mas concreta e dolorosamente, nomeando os abusos cometidos, um após outro. Pedimos perdão. Nós, todos juntos, como Povo de Deus. Depois deste pedido de perdão, não há mais lugar para deitar as culpas à imprensa ou fazer cálculos com desenhos enviados, em massa, nas redes sociais, mostrando que, não somos assim tão maus, visto que, outras instituições têm os seus abusos também. NÃO. Pedimos perdão. Assumimos a dor, o pecado, a obscuridade, tal como fez Jesus na Cruz.

Rezei e continuo a rezar este perdão que imprimi e pus no meu Santuário-Lar e copiei para o telemóvel. Imagino o que poderá acontecer no nosso Schoenstatt, na nossa Igreja, ao rezá-lo todos juntos, como Família, como Povo de Deus, no próximo Domingo, em cada uma das nossas Missas, em cada uma das nossas reuniões. Pedimos perdão. Que o Senhor mantenha e aumente este estado de vergonha e compunção, e nos dê a força para comprometer-nos a trabalhar para que nunca mais isso aconteça e para que se faça justiça”.

 

Ontem estive reunido com oito sobreviventes de abuso de poder, de consciência e sexual. Tomando o que eles me disseram, gostaria de colocar diante da misericórdia do Senhor estes crimes e pedir perdão por eles.

Pedimos perdão pelos abusos na Irlanda, abusos de poder e de consciência, abusos sexuais realizados por membros qualificados da Igreja. Em particular, pedimos perdão por todos os abusos cometidos em diversos tipos de instituições dirigidas por religiosos e religiosas e outros membros da Igreja. E pedimos perdão pelos casos de exploração do trabalho a que tantos menores foram submetidos.

Pedimos perdão pelas vezes que, como Igreja, não oferecemos aos sobreviventes de qualquer tipo de abuso, com ações concretas, a compaixão, e a busca de justiça e verdade. Pedimos perdão.

Pedimos perdão por alguns membros da hierarquia que não cuidaram dessas situações dolorosas e guardaram o silêncio. Pedimos perdão.

Pedimos perdão pelas crianças que foram separadas de suas mães e por todas aquelas vezes em que se dizia a muitas mães solteiras que tentavam encontrar seus filhos que lhes foram separados, ou aos filhos que procuravam suas mães, que se tratava de “pecado mortal”. Isso não é pecado mortal, mas sim o quarto Mandamento! Pedimos perdão.

Que o Senhor mantenha e aumente este estado de vergonha e compunção, e nos dê a força para comprometer-nos a trabalhar para que nunca mais isso aconteça e para que se faça justiça. Amém

Com tanta dor e vergonha, a primeira coisa a fazer é pedir perdão, unirmo-nos ao perdão que Francisco pede. Depois, rezar muito pelas vítimas dos abusos e também pelos corruptos. A seguir, procurar esperança no que aconteceu e agarrarmo-nos, fortemente, a Maria, a grande vencedora do pecado e levar a nossa Aliança com Ela a todos os lugares. Uma vez, realizado o citado anteriormente, devemos exigir transparência, justiça, verdade, assunção de responsabilidades e pôr, à disposição, todos os meios necessários, para que não volte a acontecer.

Vistos em conjunto, todos os documentos papais e os discursos em que os aplica e aprofunda em situações concretas, vão-nos preparando para enfrentarmos os abusos de poder, de consciência e sexuais, sem perdermos a esperança e com a liberdade e valentia de sabermos com quem estamos.

 

Pedimos perdón

Pedimos perdão (Osservatore Romano)

Original: espanhol (30/8/2018). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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