José padre

Colocado em 2021-01-08 In Ano de S. José, Igreja - Francisco - movimentos

“O homem da presença quotidiana discreta e escondida”

HOMENS SÃO JOSÉ | Miguel Lasso de la Vega, Espanha •

The Joseph Challenge 2021 de Schoenstatt.org, only for men (O Desafio José 2021 de Schoenstatt.org, somente para homens): Homens de diferentes opções vocacionais na Aliança de Amor, de diferentes países e gerações, sentiram-se desafiados pela carta do Papa Francisco Patris Corde sobre José, “esta figura extraordinária, tão próxima de nossa condição humana” e compartilham o que mais os influencia e motiva na figura de São José e na carta do Santo Padre sobre ele. O primeiro a aceitar o desafio é Miguel Lasso de la Vega, da Espanha. —

Pai
Todos podem encontrar em São José – o homem que passa despercebido, o homem da presença quotidiana discreta e escondida – um intercessor, um amparo e uma guia nos momentos de dificuldade. (…) São Paulo VI faz notar que a sua paternidade se exprimiu, concretamente, «em ter feito da sua vida um serviço, um sacrifício, ao mistério da encarnação e à conjunta missão redentora; em ter usado da autoridade legal que detinha sobre a Sagrada Família para lhe fazer dom total de si mesmo, da sua vida, do seu trabalho; em ter convertido a sua vocação humana ao amor doméstico na oblação sobre-humana de si mesmo, do seu coração e de todas as capacidades no amor colocado ao serviço do Messias nascido na sua casa».

Papa Francisco, Patris Corde

A profunda carta na qual o Santo Padre Francisco escreve suas reflexões pessoais sobre a figura de São José para mim, pessoalmente, é como uma interpelação para colocar minha vida em comparação com suas virtudes. Onde estou em relação a esse discreto herói do dia-a-dia que silenciosamente trabalhou, serviu, entregou-se e amou, cumprindo a vontade de Deus?

“Presença quotidiana discreta e escondida”, diz o Papa, e ainda assim com um protagonismo inigualável na história de nossa salvação. Porque José é uma dobradiça, uma peça chave que une “o Antigo e o Novo Testamento”, o filho de Davi, o marido de Maria, o pai de Jesus. Mas, em nosso mundo, é legítimo ser nada aparentemente com o objetivo de ser apenas para os outros?

Meu currículo

Quem foi São José? Qual era seu histórico familiar, sua formação? Que cargos civis ocupou em sua comunidade? Seus trabalhos de carpintaria eram conhecidos em toda a Galiléia? Era o melhor carpinteiro de Nazaré? Ou, pelo menos, era o único? É com estes e outros parâmetros semelhantes que nos medimos agora. Sem objetivos não podemos supostamente crescer como pessoas; objetivos que estabelecemos para nós mesmos ou que outros estabeleceram para nós; objetivos que devemos cumprir porque deles depende nossa auto-satisfação habitual.

No meu currículo coloco o que aprendi e onde, o que fiz, o que disse, o que pretendo ser, às vezes brevemente descrevo meus projetos futuros e, portanto, espero que outras pessoas possam saber do que sou capaz. Mas no meu currículo não está a coisa mais importante: se eu sou de todos aqueles que me rodeiam antes de ser para mim mesmo. Receio, no meu caso, que isso simplificaria muito seu conteúdo.

Por isso sempre me senti atraído pela vida dos santos e santas de Deus, que seguem sua vontade agindo e realizando grandes e extraordinárias obras, enormes fundações, maravilhosos milagres, sacrifícios até a morte. Mas esta carta nos faz meditar sobre uma vida que não foi assim e, mesmo assim, foi assumido como um pai por muitos desses santos. A vida de José foi uma vida de poucas coisas grandes e quando a contemplo me vejo como sou. O que me move? Quanto há em mim de vaidade?

Quem pôde abraçar a Virgem Maria com imenso carinho e segurar em seus braços com ternura o Deus Menino, quem olhou para Ele e sorriu, tenho certeza de que não deve desejar, nem precisar de mais nada.

Quanto aprendo com José!

Os medos e dúvidas que nós, como pais, temos e que José certamente tinha sobre o futuro que poderemos dar aos nossos filhos, no seu caso, aumentaram por não poder preparar um lugar digno para aquele que estava prestes a nascer, aquele que manifestaria a glória divina no frágil corpo de uma criança. José viu Deus na criatura que crescia no ventre de Maria, no olhar de Jesus recém-nascido e me pede para ver também no olhar de meus filhos o olhar do Pai, porque na ternura que ele inspira em nós está Sua ternura para conosco.

Quanto aprendo com José! Ele acreditou, confiou, soube ler e aceitar a vontade de Deus e reafirmar sua fé. Ele foi corajoso e não recuou. Como eu teria agido no papel de José? Confio em minha esposa quando surgem problemas domésticos? Respeito seus tempos? Tomo a iniciativa nas decisões-chave ou prefiro ficar à margem?

O mundo precisa de pais 

“A Igreja hoje precisa de pais… o mundo precisa de pais”, nos lembra o Papa. E precisamente em Schoenstatt sabemos da importância do princípio da paternidade, mas sabê-lo não é o mesmo que aplicá-lo na vida cotidiana ou tomar consciência de que com meus filhos ou aqueles que me foram confiados sou apenas um humilde transparente da paternidade de Deus, um instrumento para levar outros a Ele.

Nesta hora de tribulação, a vida de São José, vinte séculos depois, continua a se apresentar para nós como misteriosamente válida, um exemplo a seguir, um modelo a me guiar. Portanto, em minha oração, peço-te a proteção, custódio do Redentor, para minha família, para Schoenstatt, para a Igreja.

San José padre

São José Foto: iStock Getty Images   © WichitS Parkled, Thailand

Original: Espanhol (05/01/2021). Tradução: Luciana Rosas, Curitiba, Brasil

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