Colocado em 2020-05-24 In A Aliança de Amor Solidaria em tempos de coronavírus, Igreja - Francisco - movimentos

Sem idosos não há futuro

INICIATIVA em tempos de pandemia, impulsionada pelo Movimento de Sant’Egídio •

Milhares de pessoas de vários países europeus espalharam o apelo promovido pela Comunidade de Sant’Egidio – cujo primeiro signatário é Andrea Riccardi – juntamente com um grupo de personalidades que são uma expressão, em vários domínios, da cultura europeia.—

Este apelo, que foi traduzido em várias línguas e que a partir de 20 de Maio começou a ser divulgado internacionalmente, nasce de uma preocupação da Comunidade de Sant’Egidio pelo futuro das nossas sociedades, uma preocupação que surgiu nestes dias de crise do Coronavírus. (ver os primeiros signatários no final)

Apela a todos, cidadãos e instituições para que mudem radicalmente a sua mentalidade, a fim de promover novas iniciativas sociais e de saúde a favor dos idosos.

SEM IDOSOS NÃO HÁ FUTURO

Apelo para re-humanizar as nossas sociedades.

Não a um sistema de saúde selectivo.

 

Não a uma cultura de descarte

Durante a pandemia do COVID-19, os idosos estão em risco em muitos países europeus. Os números dramáticos de mortes em lares de idosos são chocantes.

Muito terá de ser revisto nos sistemas de saúde pública e nas boas práticas, a fim de chegar a todos, curá-los eficazmente e superar a institucionalização. Estamos preocupados com as tristes histórias de mortes em lares de idosos. A ideia de que as suas vidas podem ser sacrificadas em benefício das dos outros está a ganhar terreno. O Papa Francisco define-a como uma “cultura do descarte”: privar os idosos do direito de serem considerados pessoas, relegando-os a ser apenas um número e, em alguns casos, nem sequer isso.

Em muitos países, perante a necessidade de cuidados de saúde, está a surgir um modelo perigoso que promove “cuidados de saúde selectivos”, que considera residual a vida dos idosos. Assim, a sua maior vulnerabilidade, a sua idade avançada e o facto de poderem ser portadores de outras patologias justificariam uma forma de “escolha” a favor dos mais jovens e mais saudáveis.

Resignar-se a uma tal solução é humana e juridicamente inaceitável. É inaceitável não só, de acordo com uma visão religiosa da vida, mas também de acordo com a lógica dos direitos humanos e da deontologia médica. Não se pode avalizar qualquer “estado de necessidade” para legitimar ou encobrir o não cumprimento destes princípios. A tese de que uma esperança de vida mais curta implica uma redução “legal” do valor dessa vida é, de um ponto de vista jurídico, um ultraje. O facto de isto ocorrer através de uma imposição (pelo Estado ou pelas autoridades sanitárias) sem contar com a vontade da pessoa, representa uma intolerável violação adicional dos direitos da pessoa.

 

A Etapa da Sabedoria da Vida

O contributo dos idosos continua a ser objecto de uma importante reflexão em todas as culturas. É fundamental para o tecido social de solidariedade inter-geracional. Não podemos deixar morrer a geração que lutou contra as ditaduras, que trabalhou para a reconstrução do pós-guerra e que construiu a Europa.

Acreditamos que é necessário reafirmar, com firmeza, os princípios da igualdade de tratamento e do direito universal aos cuidados de saúde conquistados nos últimos séculos. É tempo de consagrar todos os recursos necessários para proteger o maior número possível de vidas e humanizar o acesso aos cuidados de saúde para todos. Que o valor da vida seja sempre o mesmo para todos. Aqueles que diminuem o valor da vida frágil e fraca dos idosos estão a preparar-se para desvalorizar todas as vidas.

Com este apelo expressamos a nossa dor e a nossa preocupação com o elevado número de idosos que morreram nestes meses e esperamos que seja desencadeada uma revolta moral para mudar o rumo dos cuidados de saúde aos idosos e que estes, especialmente os mais vulneráveis, nunca sejam considerados um fardo ou, pior ainda, inúteis.

APELO E FORMULÁRIO PARA SUBSCREVER

Assinar na página de Sant’Egídio

Primeiros Assinantes:

 

Andrea Riccardi, historiador, fundador da Comunidade de Sant’Egidio

Romano Prodi, antigo Presidente do Conselho dos Ministros e da Comissão da UE

Jeffrey D. Sachs, DDirector da UN Sustainable Development Solutions Network

Aleksandra Dulkiewicz, presidente da Câmara Municipal de Danzica, Polónia

Simonetta Agnello Hornby, escritora, UK

Manuel Castells, Professor de Sociologia, Universidade da Califórnia, Berkeley, Espanha

 

Irina Bokova, ex-Director-Geral da UNESCO, membro do Alto Comité para a Fraternidade Humana, Bulgária

Mark Eyskens, antigo primeiro-ministro belga

Hans Gert Pöttering, Antigo Presidente do Parlamento Europeu, Alemanha

Felipe González Márquez, ex-Primeiro-Ministro de Espanha

Marie De Hennezel, Psicóloga, França

Jean-Pierre Denis, Director da revista semanal La Vie, França

Card. Matteo Zuppi, arcebispo de Bolonha

Adam Michnik, ensaísta, director da Gazeta Wyborcza, Polónia

Michel Wieviorka, sociólogo, presidente da Fondation Maison des Sciences de l’Homme em Paris, França.

Giuseppe De Rita, fundador do CENSIS

Stefania Giannini,  Director-Geral Adjunto da UNESCO

Maria Antónia Palla –  Jornalista, Portugal

Navi Pillay,  Juiz, Presidente do ICDP, África do Sul

Annette Schavan,  Ex-ministro federal alemão da Educação e Investigação, Alemanha

Jürgen Habermas, filósofo, Alemanha

 

Original: espanhol (23/5/2020). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

https://www.schoenstatt.org/pt/schoenstatt-em-saida/2020/05/e-a-rainha-conta-connosco/Um projecto de atenção solidária a idosos em Schoenstatt Espanha:

 

E a Rainha conta connosco

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