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Colocado em 2020-11-01 In Carta da juventude - diálogo em aliança, José Kentenich

Estamos dispostos a nos entregar pela renovação da nossa Família

CARTA ABERTA À FAMÍLIA DE SCHOENSTATT DO BRASIL •

Vários membros da juventude apostólica do Brasil do regional Sudeste, diante do atual cenário do Movimento de Schoenstatt, querem oferecer como contribuição à toda Família de Schoenstatt através de schoenstatt.org uma carta aberta à Família de Schoenstatt do Brasil que visa abrir o diálogo sobre temas atuais. —

 

Querida Família de Schoenstatt do Brasil,

Alguns integrantes de ramos da Juventude Feminina e da Juventude Masculina no Regional Sudeste prepararam a seguinte carta aberta diante das publicações dos últimos dias, a respeito do Padre Kentenich e de abusos em Schoenstatt. Escrevemos essa carta por amor a Schoenstatt e fiéis à nossa Aliança, esperando que ela sirva como instrumento de diálogo e reflexão entre as diferentes comunidades do movimento e estando, portanto, abertos a diferentes visões, comentários e críticas. Nosso objetivo é contribuir para que enfrentemos juntos os desafios que estes tempos nos trazem e que se fazem necessários para a renovação da nossa Família.

Unidos na Aliança,

Integrantes da Juventude Apostólica de Schoenstatt abaixo assinados.

 


 

CARTA ABERTA À FAMÍLIA DE SCHOENSTATT DO BRASIL

 

“Os que põem sua confiança nele compreenderão a verdade, e os que são fiéis habitarão com ele no amor:

porque seus eleitos são dignos de favor e misericórdia.” –  Sabedoria 3, 9.

 

Caros irmãos e irmãs na Aliança de Amor,

 

Nós, membros da Juventude Apostólica de Schoenstatt abaixo assinados, considerando as publicações a respeito do Padre Kentenich, gostaríamos de compartilhar algumas inquietações e reflexões a fim de proporcionar um canal de diálogo e provocar reflexões entre a juventude, assessores e toda a Família de Schoenstatt do Brasil. Esclarecemos que não se trata de um posicionamento ou visão de qualquer ramo ou grupo, mas expressa o que sentem e pensam os que, de forma consciente, livre e responsável, assinam esta carta.

Aproveitar o momento para realizar uma profunda reflexão, análise e autocrítica

Juventude

Foto: Dillinger

Nos últimos meses, diversos documentos e testemunhos vêm sendo publicados com relatos sobre possíveis abusos de natureza psicológica, espiritual e moral e um possível caso de abuso sexual cometidos pelo fundador do Movimento de Schoenstatt Padre José Kentenich. Tais notícias têm nos deixado profundamente estarrecidos, confusos e intrigados, pois colocam em suspeita as bases de nossas vivências no Movimento, nossa espiritualidade, a história de Schoenstatt e até mesmo, de certa forma, abalam nossa fé.

A negação como forma de defesa da imagem do Padre Kentenich e a sensação de silêncio que tem pairado sobre o tema nos angustiam, pois sentimos que, se não acreditamos piamente na “moral infalível” do fundador, somos “descrentes” ou “infiéis”. Além disso, tem-se a impressão de que se quer continuar a manter o conhecimento reservado a poucos membros dos círculos mais internos de Schoenstatt, num movimento de auto-defesa e auto-preservação que não condiz com o espírito de um Schoenstatt em Saída e uma Igreja das Novas Margens, uma Igreja em Saída, como queria o próprio padre Kentenich e tanto nos pede o Papa Francisco.

Embora se possa questionar os métodos, conclusões e intenções da historiadora Alexandra von Teuffenbach ao divulgar os textos citados, a gravidade de seu conteúdo é inquestionável e não pode ser ignorada. Como schoenstattianos e atentos à Divina Providência, acreditamos que deveríamos mais uma vez “colocar a mão no pulso do tempo e o ouvido no coração de Deus” e aproveitar o momento para realizar uma profunda reflexão, análise e autocrítica acerca das estruturas, normas, história e conceitos ensinados e praticados nos diversos ramos e comunidades do Movimento. Por isso, gostaríamos de propor alguns temas que achamos ser importantes para este momento de reflexão.

“Canonizai vós mesmos o Fundador!” Estaremos, pois, dispostos a canonizar a verdade?

Ao longo dos anos, aprendemos a amar o padre Kentenich como pai de nossa Família e de cada um de nós, tomando-o como verdadeiro exemplo de vida e de entrega a Deus. Para que esse amor seja orgânico, precisamos conhecer a verdade sobre sua pessoa, sua história e a história do Movimento, não havendo espaço para “negação” e “secretismos”.

Para isso é necessário compromisso com o diálogo e total transparência acerca das conclusões das investigações por parte da comissão de Schoenstatt e da nova comissão da Diocese de Tréveris que irão estudar os documentos do Vaticano sob os quais foram levantados o sigilo, além de maior discussão e esclarecimentos sobre toda a história de Schoenstatt e do Padre Kentenich. Teremos a coragem e a confiança necessárias para dialogar com amor, liberdade e respeito como uma família?

Infelizmente, não é isso o que temos experimentado até o momento, mas pensamos que esse seja um ponto central de nossas próximas ações como Família de Schoenstatt. Vemos que muitas vezes caímos no erro de idealizar a figura do Fundador de forma exagerada. Apesar de sua imensa contribuição para a Igreja e a humanidade, não podemos perder de vista que ele foi humano e passível de erros, os quais certamente aconteceram. Reconhecer sua humanidade e suas falhas é também uma forma de respeito a todos os que sofreram e sofrem as consequências desses erros.

Ao reconhecermos que Kentenich também errou, não tiramos o mérito de sua missão, mas estaremos dispostos a nos reconciliar com um Kentenich mais humano? Certa vez o Papa João Paulo II disse a um grupo de schoenstattianos: “Canonizai vós mesmos o Fundador!” Estaremos, pois, dispostos a canonizar a verdade?

Estamos realmente cultivando e vivendo um verdadeiro espírito de família entre os ramos e comunidades?

Considerando o impacto e o mal que abusos de ordem psicológica, moral e espiritual causam nas potenciais vítimas, bem como diversos comentários e relatos com os quais tivemos contato nas últimas semanas, refletimos ainda se nós, como herdeiros de Kentenich, propagamos, ainda que de forma indireta ou inconsciente, práticas abusivas e manipuladoras como as citadas nas publicações. Acreditamos, dessa forma, que alguns pontos merecem especial reflexão.

Muito se fala em sermos família, mas temos visto isso apenas como aparência em algumas atividades durante o ano. Percebemos questões e tensões não criadoras entre assessores e entre comunidades do Movimento que são incompreendidas, deixando transparecer e afetar no trabalho com a juventude e com as vocações, causando muitas vezes ruptura e divisão. Há também uma grande competição entre alguns ramos, bem como uma idealização e distanciamento dos institutos e uniões, que não favorecem o trabalho apostólico ou o crescimento dentro de Schoenstatt, inclusive na própria juventude. Estamos realmente cultivando e vivendo um verdadeiro espírito de família entre os ramos e comunidades, com amor, diálogo, compreensão e respeito? Como nós, juventude, famílias e comunidades podemos atuar para um convívio mais harmônico?

Não deveríamos liderar pelo servir? Não deveríamos educar para a liberdade e não para estrutura?

Em muitos locais e situações, ocorre uma dependência dos assessores e superiores que não é saudável, a qual retira a autonomia e descaracteriza a identidade dos indivíduos e grupos, centralizando a figura do assessor e de “alguns que estão à sua volta”. Fundamentalmente, é o assessor que deve se adaptar ao estilo e identidade da comunidade, e não a comunidade ser uma mera expressão da personalidade do assessor. Afinal, não deveria ser o assessor a se colocar à serviço dos ramos e das almas? Não deveríamos liderar pelo servir? Não deveríamos educar para a liberdade e não para estruturas e modelos prontos que por vezes não respondem à vida?

Verificamos situações em que as estruturas existentes no Movimento fecham portas para um contato maior com Deus e a Mãe de Deus. “Exigências” e “pré-requisitos,” muitas vezes inatingíveis e não totalmente claros, criam modelos ideais de pessoas nos quais muitos não se sentem à vontade ou não se sentem capazes o suficiente para lutar. Ideais que por vezes não tocam a realidade tornam-se um fardo e não uma motivação. Erros e falhas, que podem acontecer com todos, são motivos para afastamento e condenação. O próprio Jesus não ensinou os fariseus a não julgar e condenar, mas pelo contrário, amar? Não temos como princípio chave combater a massificação e o mecanicismo?

Tabus

Dentro de tudo o que falamos, há temas e situações que se tornam “tabus” e que, por não serem discutidos e falados de forma aberta, sincera e realista ou encarados de forma madura e responsável, são reprimidos ou citados apenas em círculos mais fechados, contribuindo para se criar e aprofundar muitas feridas no Movimento e nas pessoas.

Exemplos disso são: trabalhar a castidade e a virgindade como fim em si mesmas e requisitos para participar da Juventude ao invés de um processo de auto-educação e de liberdade; desconfianças e medos no trabalho e vinculação entre Jumas e Jufem; negligência e imaturidade na forma de lidar com temas como gravidez fora do casamento, homossexualidade, divórcio, aborto, feminismo, racismo, entre outros; esforço para proteger a imagem de um ramo, de uma comunidade, do Movimento ou do Fundador, em detrimento e exclusão de indivíduos e de seus processos interiores; tratar a Juventude como extensão da comunidade (Padres, Irmãs, Senhoras, Irmãos) ou do estado de vida dos assessores, ao invés de prevalecer sua autonomia e independência; negligência dos assessores em regiões que têm uma quantidade de ramos a que o assessor não é capaz de dar atenção, muitas vezes por assumir diversas tarefas além da assessoria, não conseguindo de fato assessorar os ramos e vidas que lhe são confiados; existência de “classes” dentro do Movimento, em que alguns se sentem e/ou são tratados como mais relevantes do que outros por sua antiguidade no Movimento, conhecimento ou estado de vida.

Pois amamos Schoenstatt

Mais um exemplo é a própria escrita desta carta. Por tocar em pontos sensíveis ao Movimento, tememos causar mal-estar, críticas e divisão. Num ambiente aberto ao diálogo, esse tipo de receio e aversão à crítica não deveria existir. Cabe lembrar aqui a carta publicada pela Juventude de Schoenstatt do Chile em 12/09/2018 com suas diversas inquietações e exigências de mudanças, de certa forma profética para o que toda a Família está passando neste momento, e que contém temas muito relevantes e que deveriam ser estudados e discutidos por nossos ramos.

Ressaltamos que não queremos generalizar as experiências e reflexões aqui citadas, mas partilhamos experiências concretas e sentimentos pelos quais passamos e que temos a certeza de que encontram eco em muitos outros corações de membros do Movimento. Tais experiências negativas, em maior ou menor grau, afetam o trabalho dos ramos, das comunidades, das vocações e também de muitas pessoas de forma individual, desviando-se do projeto de amor que Deus tem para nós.

O objetivo desta carta não é a crítica pela crítica ou “caçar” e apontar culpados. Não queremos nos colocar apenas do outro lado da calçada e ficar atirando pedras, mas queremos contribuir num processo sincero de autorreflexão e autocrítica, que se faz urgente e necessário, bem como na construção de uma Família de Schoenstatt onde reine o amor, a liberdade, a autenticidade, o respeito e a transparência, à luz do que Cristo nos propõe nas sagradas escrituras e do que a nossa Igreja nos pede.

Há muito o que se dialogar, muito o que se discutir e muitas feridas a se tocar. Mas nos propomos a isso, pois amamos Schoenstatt, acreditamos na Aliança de Amor com Maria e aqui encontramos um lar para nós e as futuras gerações, por entendermos Schoenstatt como uma vocação para a vida toda e não apenas como algo passageiro. Por isso também queremos respostas, comentários, críticas, reflexões e um espaço para discutir e dialogar sobre o que apresentamos aqui.

Lembramos também que os primeiros congregados passaram por um processo semelhante, ao se levantarem e lutarem por mais autonomia, liberdade, transparência e mudanças nas práticas da educação que recebiam. Como resposta, o Padre Kentenich lhes ofereceu a Aliança de Amor e a auto-educação. O que o Movimento de Schoenstatt irá nos oferecer agora? Como integrantes da Juventude, assumimos novamente a nossa Aliança e estamos dispostos a nos entregar pela renovação da nossa Família.

Sabemos que os momentos de cruz são dolorosos, mas também são oportunidades para o crescimento. Assim como Nosso Senhor Jesus teve que passar pelo calvário e descer à mansão dos mortos para ressuscitar em sua glória e salvar toda a humanidade, rezamos para que nossa Família de Schoenstatt tenha também a coragem de beber deste cálice, sofrer o que tiver sofrer, e “ressuscitar” ainda melhor para cumprir sua missão na Igreja e no mundo.

Neste dia 01 de novembro de 2020, Dia de Todos os Santos, assinam essa carta:

 

  1. Mariane de Souza Muniz – Jufem Poços de Caldas
  2. Nikolas Oliveira Garcia – Jumas Atibaia
  3. Pedro Paulo Oliveira Weizenmann – Jumas São Bernardo do Campo
  4. Bruno Roberto da Silva – Jumas Caieiras
  5. Mariana Lisboa Tanaka – Jufem Jaraguá
  6. Daniel Angelo Esteves Lawand – Jumas Vila Mariana
  7. Julia Roberta da Silva – Jufem Jaraguá
  8. Laura Garibaldi – Jufem Jaraguá
  9. Pablo Enrico Oliveira Garcia – Jumas Atibaia
  10. Juliana de Oliveira Flausino – Jufem Poços de Caldas
  11. Helena da Silva Reis – Jufem Jaraguá
  12. Daiene Gonçalves Delfino – Jufem Poços de Caldas
  13. Thalmir Barbosa de Souza – Jumas São Bernardo do Campo
  14. Vinicius de Sousa Mendes – Jumas São Bernardo do Campo
  15. Marcos Vinícius Paes Costa Celeguim – Jumas Campinas
  16. Rodrigo Gustavo Batista Bussula – Jumas São Bernardo do Campo
  17. Mariana Dias Lopes – Jufem Jaraguá
  18. Bruno de Sousa Mendes – Jumas São Bernardo do Campo
  19. Jeberson Moreira da Silva – Jumas São Sebastião do Paraíso
  20. Lucas Oliveira Vieira – Jumas São Bernardo do Campo
  21. José Anderson Ferreira de Oliveira – Jumas São Bernardo do Campo
  22. Ezequiel Barroso Camara – Jumas São Bernardo do Campo
  23. Walisson de Araújo Damaceno – Jumas São Bernardo do Campo
  24. Matheus Benicio Martins – Jumas São Bernardo do Campo
  25. Gabriel Lenharo – Jumas Jaraguá
  26. Eduarda Nogueira Ferreira – Jufem Jaraguá
  27. Feliphe Botassio – Jumas Jaraguá
  28. Danilo Viana Figueiredo – Jumas Poços de Caldas
  29. Gustavo Silva Pereira – Jumas São Bernardo do Campo
  30. Giovanna Ferreira de Sousa – Jufem Jaraguá
  31. Guilherme Barbosa Candido – Jumas Poços de Caldas
  32. Isabela Maria Luz Gonçalves – Jufem Poços de Caldas
  33. João Batista de Oliveira Dias – Jumas Poços de Caldas
  34. Clara dos Anjos Xavier – Jufem Poços de Caldas
  35. Ana Clara Porto de Brito – Jufem Jaraguá
  36. Maria Eduarda Deszo – Jufem Jaraguá
  37. Igor Martins Silvério – Jumas Campinas
  38. Giovanna Silva Pereira – Jufem São Bernardo
  39. Amanda Martins – Jufem São Bernardo
  40. Gabriela Guariso de Campos – Jufem Mairiporã
  41. Gabriel Zanetti – Jumas Poços de Caldas
  42. Gabriel Fidelis Ribeiro – Jumas Caieiras
  43. Matheus Vaitkevicius- Jumas Caieiras
  44. Vitória Del Sarto Zanetti Silva – Jufem Poços de Caldas

 

Carta aberta à Família de Schoenstatt do Brasil (pdf)

 

 

Para comentários, críticas ou testemunhos particulares, favor entrar em contato com o seguinte email: [email protected]

 

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25 Responses

  1. Sou lésbica e vivi nas esferas de Schoenstatt desde apóstola luzente de Maria. Passei a juventude me reprimindo. Nunca questionei ou explorei em um diálogo ou colóquio nenhum tipo de questão de sexualidade. Hoje vejo o quanto a pedagogia fechada e ultrapassada de Schoenstatt me conduziu a um abismo. Me casei com homem, tive filhos e aos 30 anos me deparei com minha sexualidade. Minha família e minha vida ruíram porque nao fiz a experiência de escuta e aprendizagem que precisava na adolescência e juventude. Nao pedi pra ser assim e ja implorei a Deus pra ser diferente. Espero que temas delicados sejam tratados com a delicadeza necessária. Precisa existir urgente mais transparência em Schoenstatt

  2. Estou totalmente de acordo com a carta. Como “participante ativa” da Juventude, sinto as mesmas coisas que os jovens que assinaram este documento. Eu também assino embaixo e agradeço pela iniciativa!

  3. Gostaria de apresentar uma outra perspectiva sobre a Carta Aberta da Juventude. Acredito que mais importante que o conteúdo da carta é a existência da mesma e os questionamentos que podemos fazer a partir de toda essa situação. “Por que foi necessário uma carta? Será que uma hora de conversa não bastaria?”

    Destes questionamentos nota-se a existência da distância que há entre os remetentes e os destinatários, e que a comunicação entre as partes parece ínfima e sem autenticidade. Sendo necessário um documento oficial para apresentar as inquietações juvenis. Tais características, em uma família, levam a degradação e a deterioração dos vínculos.

    Considerando as lideranças, os superiores e os assessores como os pais desta família e os que lhes são confiados como os filhos, os faço o seguinte questionamento: Como não pudemos escutar nossos filhos? Será que em meio às discussões de casal esquecemos de ouvir àqueles com que nos comprometemos a cuidar? Será que quando o filho chegava e pedia a atenção do pai, outras tarefas eram mais importantes? Ou será que era mais importante zelar pela imagem de uma família perfeita do que de fato viver isto?

    Será que não percebemos os sinais que os jovens nos mostram? Se de fato foi isso que aconteceu, então por que aconteceu? E esta reflexão é essencial para observarmos onde estamos falhando, para aprender a nos educar e assim estarmos aptos para a construção de um diálogo aberto e sincero entre quem quer que seja.

    E a construção do diálogo interpessoal é como construir pontes, pois não é uma tarefa unilateral, mas é um esforço comum entre todos na família. Na construção do diálogo é necessário buscar ao outro, mas mais uma vez faço um questionamento, será que estamos dispostos a ouvir aos outros? A buscarmos a escuta ativa e a empatia? Será que nos momentos em que os nervos excedem a razão somos capazes de deixar de lado todo o sentimento e buscar a voz do outro ao invés de projetar o nosso barulho interior?

    Como reagimos ao recebermos a Carta Aberta da Juventude? Deixamos a indiferença, a raiva ou a soberba tomar conta? Qual sentimento que repercutiu em cada um de nós? E como reagimos a esses sentimentos? São perguntas que poderíamos nos fazer.

    Mas mais que perguntas, nós buscamos respostas, e a única resposta que temos é que nosso fim último reside em Cristo. E como é em direção a Ele que caminhamos, o que Cristo quer dizer a ti a partir de tudo isso?

  4. Estas reivindicações deste jovens não são novidades e graças a internet puderam colocar onde são ouvidos e vistos.
    Parece que a liberdade que tanto falam no Movimento, na prática não é realizada. Na minha época de jufem e até hoje se você não usa saia você estava fora do “padrão” jufem, onde está a liberdade de cada inviduo? Ou precisamos entrar nesta forma para estar no carisma de schoenstatt? Isso sem dizer em comportamentos que deveriamos ter, como se fosse uma cadeia de produção de jovens que deveriam seguir os mesmos passos. Desde a minha geração algumas destas inquietações já eram demonstradas a assessores e isso os antigos podem confirmar, em congressos de outubro era notório o olhar de uma juventude indignada e sem muita voz. Felizmente hoje estes jovens com o apoio da internet puderam se fazer ouvir.
    Por último a culpa não necessariamente é dos assessores, pois os mesmos podem ter sido vítimas em sua formação e saíram no “molde desejado”.

    Agradeço a Schoenstatt por mim e pela minha família e é por isso que faço este comentário de apoio aos jovens, pois acredito no carisma e acredito que o Movimento tem que estar em constante mudança, mantendo o espírito, mas as formas não precisam ser as mesmas de anos atrás.

  5. Parabéns aos que escreveram a carta!

    Atualmente não participo da juventude, mas como todo aquele marcados por Schoenstatt, carrego a aliança de amor e toda as experiências do meu tempo de juventude. Schoenstatt me compõe o que sou hoje e agradeço muito à MTA por tantas alegrias, amizades e vivências..
    Também reconheço que muitas das críticas que exerceria ao movimento, somente o faço com o olhar de agora depois de muitas experiências pessoais, entre elas profissionais e acadêmicas. Por isso atualmente faço uma autocrítica, respeitando minha condição sócio histórica.

    Não vejo nenhum ataque do texto à Schoenstatt ou a igreja, muito pelo contrário, enxergo uma mensagem reflexiva que convida o movimento a se despir daquilo que envelheceu e não mais condiz com nossa realidade. Aliás, que texto bonito! Trata-se daquilo que pede uma nova vida e um novo olhar frente ao povo de Deus que sofre. E constando que todos são filhos de Deus e não somente os que participam do privilégio da comunhão do corpo de Cristo. Enxergo como um convite de saída, tal qual o Papa Francisco nos exorta. Uma juventude digna do pós 2014, caminhando para a Igreja de Francisco.

    É uma juventude que convida todo o movimento a abandonar o que se está velho, renovar os arredores do santuário, realizar sua preparação pessoal e coletiva, bater os sinos e partir rumo ao mundo novo, sem perder tempo, pois há muita coisa a ser feita. A carta nada mais pede que uma reflexão, não apenas somente sobre as questões recentes que envolvem o Pe. Kentenich, mas sobre temáticas que a sociedade se refuta a dialogar, tal como questões de gênero, racismo, pobreza e capitalismo, sexismo, bem como uma estrutura de poder que não se mostra adequada para o diálogo.

    Muito me lembra os recentes comentários do Papa Francisco sobre questões de direitos civis de pessoas que não se identificam com a cisheteronormatividade e a Igreja e os religiosos se recusam a sequer discutir a possibilidade. Por quanto tempo não somente Schoenstatt, mas também a igreja, possuem em sua estrutura de poder uma relação opressora com aqueles que fogem de seus padrões? Por quanto tempo não foi um estilo de vida imposto e não posto, do qual era tido somente um caminho e não uma escolha pessoal e livre do próprio estilo de vida? São necessárias muitas reflexões caso Schoenstatt queira ser um movimento resposta aos tempos novíssimos de Maria.

    Que a crítica mais poderosa seja a autocrítica!

    O convite da reflexão parte juventude! 40 Jovens que já se observam criticados por não “estarem ativos” e serem “taxados de imaturos” ou “desajustados” para o carisma e mesmo assim convidam à reflexão o movimento que amam e o fazem por amor. Convidam para desbravar a resposta complexa do que se entende por uma juventude schoenstattiana nestes tempos. Tempos de afirmações de existências individuais que sempre foram negadas, tempos de desigualdades sociais em meio a riquezas nunca antes vistas, tempos de uma sociedade polarizada incapaz de enxergar além da própria bolha, bolha esta que reluz paredes e faces de velhas “personas”.

    Muito feliz que esta reflexão parta da juventude da qual fiz parte por muitos anos e mesmo não “estando ativo” carrego carinho e amor por toda essa estrada.

    Aquele abraço fraternal.

    *Deixo uma frase do Paulo Freire que muito pode acrescentar aos debates de auto educação em Schoenstatt

    “Não existe tal coisa como um processo de educação neutra. Educação ou funciona como um instrumento que é usado para facilitar a integração das gerações na lógica do atual sistema e trazer conformidade com ele, ou ela se torna a “prática da liberdade”, o meio pelo qual homens e mulheres lidam de forma crítica com a realidade e descobrem como participar na transformação do seu mundo.”

    • Nem preciso comentar nada, so mesmo MEUS PARABÉNS POR ESSE COMENTÁRIO.
      Muito acalenta meu coração enquanto uma das que assinaram a carta pois fomos tão sensíveis ao escreve-la e estamos recebendo resposta sem muita sensibilidade e com comparações absurdas. Quem nos conhece enquanto pessoas sabem da nossa dedicação e amor a schoenstatt então mais uma vez obrigada.

  6. Fernando,

    isto faz parte do diálogo, então vamos lá: penso que seria melhor você se ater aos argumentos apresentados, e apresentar os seus, como de fato o fez em alguns momentos. Porém, argumentos que se prestam a baixar a qualificação dos que escrevem para atingir são argumentos são falazes, e penso que isso é mais que oportuno de se conversar:

    1- o que é ter vocação para schoenstatt? Leio o teu texto e penso: o Fernando está querendo dizer que esses jovens que escreveram não tem vocação para Schoenstatt? É isso? E se não tem essa (suposta) vocação para Schoenstatt, isso significa que os questionamentos expostos por eles não tem fundamento e, como consequência, não tem validade? Bom, esse tipo de argumentação se torna falaz, porque ataca as pessoas que o disseram, e não ao que foi dito e questionado.

    2- acho excelente que você teve boa experiência e os assessores foram bons para você, isso de forma geral, no que diz respeito ao trato pessoal e aos questionamentos trazidos por você. Por outro lado, porque você teve uma boa experiência, isso não significa que todos os demais tiveram. Por tanto, isso pode servir como testemunho seu, mas não argumento para desqualificar a carta e, por tanto, falaz. Nesse mesmo nível, pode-se construir outro argumento falaz: como há testemunhos positivos de outras irmãs sobre o padre José Kentenich, então devemos desconfiar do testemunho de abuso de consciência e autoridade apresentado por outras irmãs, para não falar de abuso sexual, mesmo que sejam proporcionalmente uma minoria comparado aos outros testemunhos. Por tanto, mais uma vez estaríamos com um argumento falaz.

    Por fim, gostaria ainda de acrescentar que na minha experiência nesses anos de juventude de schoenstatt, que se escuta falar de pureza e castidade da parte dos assessores e algumas vezes dos dirigentes, mas que nos corredores, ou “catacumbas” como já escutei falar por ai, se sabe que isso não se vive na grande maioria. A doutrina fala uma coisa, e na prática se faz outra, alguns carregam o fardo da incoerência e da culpa, enquanto outros acham normal. Não chegou a hora, mesmo que muito atrasado, de falar abertamente desses temas sem passar um sentimento de culpa terrível nos jovens? O sexto mandamento é maior e deve gerar mais sentimento de culpa do que os outros nove mandamentos? Finalizando: Jesus perdoou uma mulher pecadora surpreendida em adultério, e recomendou que não pecasse mais. Então porque uma menina quando engravida é automaticamente expulsa da juventude? Jesus Cristo faria o mesmo? É claro que não… há outras formas de acolher, perdoar, orientar, e de falar da castidade sem criar bode expiatório e medo nos outros. É preciso colocar mais amor. Isso me parece mais coerente com o que sempre fez Jesus. Isso não é libertinagem nem relativismo, isso é Jesus Cristo!

  7. Caro Fernando, você só não acha curioso que dois dos seus dirigidos tenham assinado a carta? Momento de reflexão para todos neste momento delicado!

  8. Fernando,

    Agradeço muito pelas suas palavras, que me representam como juventude Jufem Poços, diferente da carta!

    Um abraço!

  9. A RESPEITO DE UMA CERTA CARTA ABERTA DA JUVENTUDE

    Chegou ao meu conhecimento uma carta assinada por diversos integrantes da Juventude Apostólica de Schoenstatt (alguns já afastados e outros nem tão participativos) a respeito das graves e tristes acusações que o nosso Fundador está sofrendo. Sem embargo da necessária investigação imparcial que necessita ser feita, sobretudo por membros da Igreja, para que a verdade venha à tona, e não somente os escritos unilaterais de quaisquer pessoas.

    Primeiramente, não se pode tratar as acusações como verdades absolutas, o que é deveras inconsequente e injusto. Ainda que não tenha sido esse o objetivo da referida carta, na minha ainda jovem carreira como advogado, já vi inúmeras denúncias, as mais graves que podem imaginar, serem desaguadas em mentiras, manifestações de inveja ou ressentimentos por causas diversas. Portanto, é necessário cautela. Ao final, a verdade prevalece, e somente ela que devemos buscar.

    No decorrer da carta, aproveitando-se de um momento delicado que vive a Obra, e fugindo completamente da questão central dos atuais acontecimentos, noto algumas injustas, e na minha percepção, falsas acusações contra o Movimento de Schoenstatt, seus líderes e dirigentes. Como permaneci na Juventude de Schoenstatt dos meus 17 anos até a exata data do meu casamento em 08/02/2020, exercendo o papel de dirigente e participando de inúmeros encontros e atividades, me senti pessoalmente atingido e acusado.

    Sempre tive a minha personalidade, a minha individualidade e, especialmente, a minha liberdade respeitada e, sobretudo, acolhida, por quem quer que seja do Movimento, assessores, líderes, dirigentes ou não. Como Movimento com características próprias, vocação e carisma próprio, é evidente, e natural, que os seus assessores e dirigentes levam aos seus assessorados e dirigidos referidas características e carismas, especialmente para aqueles que se sentem correspondidos e para aqueles que, sobretudo, se identificam com esse carisma Schoenstattiano.

    É possível que falta coragem para alguns assessorados ou dirigidos de assumirem para si mesmos que não possuem vocação para Schoenstatt ou que os princípios, valores e pedagogia de Schoenstatt não correspondem aos seus anseios pessoais. Busque outro Movimento, outro carisma, ou ainda fundam uma nova corrente na Igreja. Tenham coragem de se assumir. Questionar e aperfeiçoar é possível, mas é absurdo e deveras incoerente tentar mudar de maneira radical aquilo que está enraizado no coração de tantos, e que se mostrou ao longo da história capaz de transformar simples homens e mulheres em seres mais próximo de Deus e da Mãe, como José Engling, como Mario Hiriart, como Pozzobbon, como Bárbara Kast e Regininha.

    A carta afirma, ainda, que existem certas “exigências” e “pré-requisitos” inatingíveis. Em mais de 10 anos de juventude jamais foi me exigido além daquilo que o próprio Senhor Jesus Cristo nos pediu no Evangelho. Jamais me foi exigido mais do que aquilo que a própria Igreja Católica nos pede em seu Catecismo e em sua Doutrina. Não deixaram claro no texto, provavelmente por falta de coragem de expor aquilo que pessoalmente consideram que não vale a pena lutar, os ideais que consideram inatingíveis, as exigências e pré-requisitos que não preenchem. Não deixaram claro simplesmente por que não existem e nunca foi exigido de ninguém, muito menos relacionadas a castidade e virgindade, ao menos não em mais de 10 anos que estive nessa juventude, e creio que não tenha mudado em apenas 09 meses.

    Hoje, vivemos em um mundo que confunde liberdade com libertinagem, em um mundo que tudo é relativo, desde a sexualidade até a vida humana. Vivemos em uma sociedade de pessoas que não desejam limites, tampouco se sacrificar pelos mais altos ideais. Assistimos pessoas que afirmam a existência de “tabus” aonde na realidade existem “valores”. A posição da Igreja é muito clara e aberta para quem realmente deseja conhece-la. A título de exemplo, o aborto é pecado grave e injustificável; a sexualidade é conecta ao amor e a criação, sendo pecado, portanto, a relação sexual antes do casamento. Esses pontos não são tabus, e sim valores, e são abertamente discutidos em Schoenstatt e na Igreja. Discordância em relação a esses valores é diferente de considera-los tabus.

    Enfim, pelos meus assessores nunca me foi exigido, e como dirigente eu nunca exigi, perfeição de quem quer que seja, muito menos ideais inalcançáveis. Ao revés, nas minhas falhas humanas que livremente levei ao conhecimento daqueles em quem eu confiei, sobretudo os Padres de Schoenstatt, me foi oferecido, de maneira extremamente amorosa e respeitosa, e sem qualquer exigência, caminhos para uma busca cada dia maior pela santidade e pelo homem novo. Caminhos que eu, livremente, busquei percorrer, em que pese os meus vários tropeços. São altos ideais que sempre me motivaram, e motivaram muito daqueles que estavam ao meu redor quando da minha época de juventude. Ideais que LIVREMENTE me propus lutar e buscar alcançar, ainda que esteja longe disso.

    De fato, esses ideais assustam e nem todos estão encorajados e dispostos a buscá-los, mas isso não deve se tornar uma crítica aos próprios ideais, mas sim uma reflexão pessoal sobre aquilo que te motiva e aquilo que pessoalmente você tem como ideal de vida a ser alcançado.

    Vale ressaltar, por fim, que esses ideais não são inalcançáveis, – “sede Santos como Vosso Pai é Santo” Mt. 5,48 – o beato Carlos Acutis está aí para provar isso. Guido Schäffer está aí para provar que a santidade é alcançável por todos nós, mas por ela tem que lutar e se sacrificar.

    Encerro agradecendo profundamente aos membros de Schoenstatt, especialmente aos Padres de Schoenstatt e aqueles que foram os meus assessores, por, a meu pedido e pela minha liberdade de escolha, me conduzirem a mais perto de Deus e da MTA; por me mostrarem meios eficazes de autoeducação e autoconhecimento; por me incentivarem, com respeito e ternura, e sobretudo pelo exemplo, a buscar os mais altos ideais.

    “Não se opor ao erro é aprova-lo, não se defender a verdade é nega-la”

    Essa é uma opinião pessoal de Fernando Gabriel de Carvalho e Silva e não representa, necessariamente, a opinião do Movimento Apostólico de Schoenstatt.

    Fernando Gabriel de Carvalho e Silva

    • Muito obrigada pela digna resposta, Fernando!
      Suas palavras sim, me representam enquanto juventude!

      “É justo que muito custe o que muito vale.” Santa Teresa D’ávila

      • Essa carta é extremamente necessária e fico muito feliz de terem tomado essa iniciativa.
        Várias das inquietações citadas também estão no meu coração e me senti representado em cada tópico abordado. Parabéns a todos que assinaram! Estou com vocês!

    • Olá, Fernando

      Obrigado pelo tempo em ler a carta e escrever esses comentários. Sendo um dos que assinaram a carta, aproveito para compartilhar aqui algumas das minhas reflexões pessoais sobre os pontos que você levantou:

      1) É ótimo que a sua experiência com o Movimento de Schoenstatt tenha sido positiva. A minha também o foi, o que não exclui o reconhecimento de questões em que o Movimento ainda tenha muito a melhorar. Além disso, é necessário um pouco de empatia para se reconhecer, e não apenas se rejeitar, que outros possam ter tido experiências diferentes das nossas. Ninguém quer tirar a legitimidade de experiências positivas. Pelo contrário, penso que seja justamente por acreditar no grande bem que há em Schoenstatt e seus ideais que muitos assinaram a carta e se colocaram à disposição para batalhar pela renovação da Família neste tempo de crise.

      2) Na carta se lê: “negligência e imaturidade na forma de lidar com temas…” O problema que a carta expõe é a forma como as coisas são feitas. Em nenhum momento se é questionada a validade da Doutrina Católica ou de qualquer outro fundamento de Schoenstatt (todos certamente aspiramos à santidade e ao ideal do homem novo na nova comunidade!). Para exemplificar de maneira simples: você pode ensinar ao seu filho que usar droga é errado, mas a partir do momento em que seu filho está usando droga você pode lidar da maneira correta ou de maneira “negligente e imatura”. O que se levanta é que, em determinados momentos, pessoas em situações delicadas se sentiram negligenciadas. Isso faz parte da experiência que essa pessoa teve. Pode-se questionar se esse é um sentimento que diversas pessoas sentiram ou se é algo individual. Negar essa experiência, entretanto, e tachar que se a levante como injusto, porque você não encontrou algum dos problemas, é lidar de maneira negligente e imatura, rejeitando até o amor ao próximo.

      3) Deve-se tomar muito cuidado ao alertar alguém para que saia do movimento, e acredito que esse ponto deva ser enfatizado. Não porque não haja outros caminhos sadios a se fazer para uma boa vida de Igreja (existem, e muitos!), mas porque é muito fácil solidificar um “padrão” schoenstatteano que, na realidade, é muito mais restrito que a inspiração original do nosso carisma. Acredito que muito do que se considera “schoenstatteano” na prática hoje são questões circunstanciais de como o movimento se desenvolveu em alguns lugares, sobretudo em setores mais elitistas. Além disso, como alerta o Papa Francisco, o carisma deve se renovar continuamente, voltando sempre às suas origens, para que estas se confrontem com os problemas dos novos tempos. “As raízes de um carisma não são um museu, mas garantia de futuro.” Essa carta, a meu ver, foi escrita justamente com essa intenção, e por amor a Schoenstatt, cujas raízes estão estão no anseio revolucionário de alguns jovens por liberdade, algo que segue encontrando eco nos anseios expressos por essa carta (ora, para os primeiros congregados se levantarem e exigirem liberdade foi valentia no passado, mas é desobediência hoje?). Isso, para mim, prova a relevância e necessidade do carisma de Schoenstatt para os problemas do nosso tempo, um carisma que deve estar aberto às mais diversas formas de manifestação inspiradas pelo Espírito, e não a algum “padrão” estático e pré-definido, especialmente se vindo “de cima”, como infelizmente ocorre e alerta essa própria carta (uma “padronização que, a meu ver, é fundamentalmente contra o ideal de liberdade e de personalidades firmes e livres proposto pelo Pe. Kentenich aos primeiros congregados).

      Grande abraço e seguimos unidos na Aliança,
      Pedro

      • Excelente resposta Pedro!
        Muito bem colocado. Em nenhum momento a carta escrita pelos mais de 40 jovens me pareceu um ataque ao Movimento da Mãe Rainha e muito menos ao Fundador…
        Nao seria a voz destes 40 jovens algo a se pensar? Os jovens de hoje sentem e pensam diferente que nós mais velhos em anos… E é bom que assim seja.
        Me chama muito atenção a defesa emocional e em certo ponto de exclusão de quem pensa diferente da concepção da vivência dentro do movimento de Mãe e Rainha . Ao ver reações aqui neste comentários e algumas pessoas que tive contato se colocando como vítima desta carta ou injustiçados pela opinião destes jovens só me fazem dar mais crédito ao que esses mais de 40 corações de forma corajosa colocaram no papel. Que egoísmo não abrir -se a quem pensa e sente diferente de mim! Será que Mãe Rainha não tem espaço pra irmaos que vivem e pensam de forma diferente? Quem deu ao senhor Gabriel , sacerdotes, religiosas ou quem seja o poder de dizer quem tem “vocação” ou não pra Schoenstatt? Pois é me parece que os jovens tem razao…
        Diálogo… isso é ser família.

        Temos jovens em nossa Igreja que pensam graças a Deus . Deus abençoe A riqueza pessoal de cada jovem e nos Abra para a riqueza de se deixar complementar.

        Esses 40 jovens como diz meu sobrinho: ” Estão comendo com farinha”. Parabéns

    • Gabriel, obrigado por trazer lucidez à este assunto. As pessoas estão perdidas com este momento de crise e tudo acaba virando motivo para rebeldias contra aquilo que não me agrada ou não me encaixo.
      Compartilho de sua opinião, aqui em casa eu vivo há 26 anos dentro do movimento, minha esposa há 18… nunca nos sentimos acuados, nunca nos foi pedido nada diferente do que pede a Igreja, nunca sofremos nenhum tipo de abuso de autoridade ou de consciência.
      Personalidades livres, firmes e sacerdotais. Lembra? Não é para todos. Infelizmente.
      Firmes na liberdade. Jamais frouxos na libertinagem.

  10. A RESPEITO DE UMA CERTA CARTA ABERTA DA JUVENTUDE

    Chegou ao meu conhecimento uma carta assinada por diversos integrantes da Juventude Apostólica de Schoenstatt (alguns já afastados e outros nem tão participativos) a respeito das graves e tristes acusações que o nosso Fundador está sofrendo. Sem embargo da necessária investigação imparcial que necessita ser feita, sobretudo por membros da Igreja, para que a verdade venha à tona, e não somente os escritos unilaterais de quaisquer pessoas.

    Primeiramente, não se pode tratar as acusações como verdades absolutas, o que é deveras inconsequente e injusto. Ainda que não tenha sido esse o objetivo da referida carta, na minha ainda jovem carreira como advogado, já vi inúmeras denúncias, as mais graves que podem imaginar, serem desaguadas em mentiras, manifestações de inveja ou ressentimentos por causas diversas. Portanto, é necessário cautela. Ao final, a verdade prevalece, e somente ela que devemos buscar.

    No decorrer da carta, aproveitando-se de um momento delicado que vive a Obra, e fugindo completamente da questão central dos atuais acontecimentos, noto algumas injustas, e na minha percepção, falsas acusações contra o Movimento de Schoenstatt, seus líderes e dirigentes. Como permaneci na Juventude de Schoenstatt dos meus 17 anos até a exata data do meu casamento em 08/02/2020, exercendo o papel de dirigente e participando de inúmeros encontros e atividades, me senti pessoalmente atingido e acusado.

    Sempre tive a minha personalidade, a minha individualidade e, especialmente, a minha liberdade respeitada e, sobretudo, acolhida, por quem quer que seja do Movimento, assessores, líderes, dirigentes ou não. Como Movimento com características próprias, vocação e carisma próprio, é evidente, e natural, que os seus assessores e dirigentes levam aos seus assessorados e dirigidos referidas características e carismas, especialmente para aqueles que se sentem correspondidos e para aqueles que, sobretudo, se identificam com esse carisma Schoenstattiano.

    É possível que falta coragem para alguns assessorados ou dirigidos de assumirem para si mesmos que não possuem vocação para Schoenstatt ou que os princípios, valores e pedagogia de Schoenstatt não correspondem aos seus anseios pessoais. Busque outro Movimento, outro carisma, ou ainda fundam uma nova corrente na Igreja. Tenham coragem de se assumir. Questionar e aperfeiçoar é possível, mas é absurdo e deveras incoerente tentar mudar de maneira radical aquilo que está enraizado no coração de tantos, e que se mostrou ao longo da história capaz de transformar simples homens e mulheres em seres mais próximo de Deus e da Mãe, como José Engling, como Mario Hiriart, como Pozzobbon, como Bárbara Kast e Regininha.

    A carta afirma, ainda, que existem certas “exigências” e “pré-requisitos” inatingíveis. Em mais de 10 anos de juventude jamais foi me exigido além daquilo que o próprio Senhor Jesus Cristo nos pediu no Evangelho. Jamais me foi exigido mais do que aquilo que a própria Igreja Católica nos pede em seu Catecismo e em sua Doutrina. Não deixaram claro no texto, provavelmente por falta de coragem de expor aquilo que pessoalmente consideram que não vale a pena lutar, os ideais que consideram inatingíveis, as exigências e pré-requisitos que não preenchem. Não deixaram claro simplesmente por que não existem e nunca foi exigido de ninguém, muito menos relacionadas a castidade e virgindade, ao menos não em mais de 10 anos que estive nessa juventude, e creio que não tenha mudado em apenas 09 meses.

    Hoje, vivemos em um mundo que confunde liberdade com libertinagem, em um mundo que tudo é relativo, desde a sexualidade até a vida humana. Vivemos em uma sociedade de pessoas que não desejam limites, tampouco se sacrificar pelos mais altos ideais. Assistimos pessoas que afirmam a existência de “tabus” aonde na realidade existem “valores”. A posição da Igreja é muito clara e aberta para quem realmente deseja conhece-la. A título de exemplo, o aborto é pecado grave e injustificável; a sexualidade é conecta ao amor e a criação, sendo pecado, portanto, a relação sexual antes do casamento. Esses pontos não são tabus, e sim valores, e são abertamente discutidos em Schoenstatt e na Igreja. Discordância em relação a esses valores é diferente de considera-los tabus.

    Enfim, pelos meus assessores nunca me foi exigido, e como dirigente eu nunca exigi, perfeição de quem quer que seja, muito menos ideais inalcançáveis. Ao revés, nas minhas falhas humanas que livremente levei ao conhecimento daqueles em quem eu confiei, sobretudo os Padres de Schoenstatt, me foi oferecido, de maneira extremamente amorosa e respeitosa, e sem qualquer exigência, caminhos para uma busca cada dia maior pela santidade e pelo homem novo. Caminhos que eu, livremente, busquei percorrer, em que pese os meus vários tropeços. São altos ideais que sempre me motivaram, e motivaram muito daqueles que estavam ao meu redor quando da minha época de juventude. Ideais que LIVREMENTE me propus lutar e buscar alcançar, ainda que esteja longe disso.

    De fato, esses ideais assustam e nem todos estão encorajados e dispostos a buscá-los, mas isso não deve se tornar uma crítica aos próprios ideais, mas sim uma reflexão pessoal sobre aquilo que te motiva e aquilo que pessoalmente você tem como ideal de vida a ser alcançado.

    Vale ressaltar, por fim, que esses ideais não são inalcançáveis, – “sede Santos como Vosso Pai é Santo” Mt. 5,48 – o beato Carlos Acutis está aí para provar isso. Guido Schäffer está aí para provar que a santidade é alcançável por todos nós, mas por ela tem que lutar e se sacrificar.

    Encerro agradecendo profundamente aos membros de Schoenstatt, especialmente aos Padres de Schoenstatt e aqueles que foram os meus assessores, por, a meu pedido e pela minha liberdade de escolha, me conduzirem a mais perto de Deus e da MTA; por me mostrarem meios eficazes de autoeducação e autoconhecimento; por me incentivarem, com respeito e ternura, e sobretudo pelo exemplo, a buscar os mais altos ideais.

    “Não se opor ao erro é aprova-lo, não se opor a verdade é nega-la”

    Essa é uma opinião pessoal de Fernando Gabriel de Carvalho e Silva e não representa, necessariamente, a opinião do Movimento Apostólico de Schoenstatt.

    • Cabe lembrar que as acusações vivenciadas na sua jovem carreira carreira de advogada provavelmente nada tem a ver com o Santo Ofício ou a Congregação para Doutrina da Fé ou os processos de beatificação.
      Desculpe, mas foi uma infeliz comparação.

    • Prezado Fernando,

      Ao tratar a carta dos membros da juventude como “certa carta” você inicia seu texto tentando invalidar uma manifestação justa, afinal, eles têm o direito de expor suas dúvidas, anseios e disposição em construir um novo tempo para Schoenstatt e a Igreja. Depois você diz que muitos são membros não tão participativos, o que pode ser verdade, mas as oscilações na atividade apostólica são naturais do período da juventude, pois muitas vezes estudam, trabalham, fazem cursos de aperfeiçoamento e têm responsabilidades com suas famílias. Muitos jovens que hoje pertencem à União e Institutos tiveram suas oscilações na participação, mas o amor a Schoenstatt permaneceu.
      Como você bem coloca, as denúncias precisam ser apuradas e tudo o que está obscuro precisa ser esclarecido. Creio que, infelizmente, não será possível determinar uma verdade absoluta, pois estas denúncias envolvem pessoas já falecidas, incluindo o Padre Kentenich. Como advogado você também deve saber que um testemunho positivo não invalida um testemunho negativo, mesmo quando são maioria. Sobretudo em casos de abuso, como pudemos ver nos casos do fundador dos Legionários de Cristo e do absurdo caso de João de Deus. O abusador se previne e blinda sua moral. Os testemunhos que a Dra. Teuffenbach trouxe à tona adicionam uma página dolorosa para o Movimento de Schoenstatt, algo que não gostaríamos de lidar e provavelmente preferiríamos deixar para o postulador e historiadores responsáveis pelo processo de beatificação. Quis a história que essa chaga fosse exposta, o que Deus quer revelar com isso?
      Você relata uma bela experiência com a juventude e a Igreja, que moldou um grande homem e provavelmente uma frutífera família. Você teve assessores responsáveis e preocupados, como boa parte dos jovens têm. Por outro lado, há jovens que não se sentem como você e manifestam suas insatisfações. Sabemos que o estado virginal não é um pré-requisito para participar do Jumas ou da Jufem, mas especialmente no ramo feminino isto é visto como um fim, onde o maior objetivo da jovem é permanecer nesse estado (manter seu lírio intacto). São tantos os desafios para os jovens, como limitar os anseios de uma jovem nisso? Este ambiente se torna uma verdadeira tortura para jovens que, por ventura, tiveram experiências precocemente. Estes jovens não nasceram para Schoenstatt ou Schoenstatt se torna uma experiência dolorida para pessoas com “falhas” tão humanas? Cometer um pecado de castidade está na mesma lista de guardar domingos e festas, mas ninguém se martiriza por ter perdido uma missa de domingo.
      Alguns valores podem se tornar tabus, pois há constrangimento ao tratar do tema. É fato que o aborto não é um tema relativo para a Igreja, mas o jovem pode querer expor suas ressalvas, dúvidas, pensamentos em geral que o ajudem a construir uma opinião que coincida com a da Igreja. Não basta dizer que fetos são utilizados como matéria-prima para cremes faciais, como já pude ouvir de assessores, não basta reproduzir informações sem estar aberto àquilo que passa na mente dos jovens. É preciso construir junto, pois nessa etapa de vida que se moldam os valores e ideais.
      Ideais, por conceito, são inatingíveis. Horizontes que se distanciam toda vez que damos um passo. É o que nos desafia na busca da santidade da vida diária, mas sabemos que o próprio PK não via a santidade como algo inatingível. Sempre lembro da frase “a mão no pulso do tempo e o ouvido no coração de Deus” e talvez os tempos exijam uma reformulação dos ideais, algo que ressoe nos corações jovens, que faça sentido. Ou talvez a forma como são trabalhados. Aqui faço suposições. O que nos diz o sentimento de insatisfação dos jovens? Fracos que não nasceram para Schoenstatt ou para os verdadeiros valores cristãos? Eu penso que há um anseio por solidariedade, por vestir e alimentar os irmãos, como o próprio Cristo nos ensinou (onde muitas vezes falhamos). Anseio por verdade, por luz. Eles fazem referência à carta dos jovens chilenos e isso me toca profundamente, pois sequer imagino a tristeza da Família de Schoenstatt do Chile, fogo de Pestecostes, ao se dar conta de que muitos dos membros de Sião eram abusadores (agora com testemunhos e comprovação). Jovens como os nossos foram abusados dentro das nossas comunidades, sob nossos olhos e demoramos para fazer algo. Até hoje há quem não saiba desses escândalos. Os jovens estão errados em aproveitar o momento para exigir mudanças? Eu penso que não há melhor momento, a ferida está exposta, vamos tratá-la para que cicatrize.
      Por fim, gostaria ainda de dizer que assessores e assessoras também podem ser vítimas. Não se trata de condenar os 3 assessores que são responsáveis por uma ou outra região, mas os problemas relatados existem há mais de vinte anos na juventude! Então falo diretamente aos assessores agora, sobretudo aqueles que são jovens como esses jovens que escrevem a carta, não se sintam culpados ou permitam que a culpa recaia sobre vocês. Sabemos que a vida de um assessor é pesada, muitas vezes faltando horas para o descanso, sem ferramentas que subsidiem um apostolado mais eficaz com os jovens (tempo, cursos, vivências), muitas vezes resta a boa vontade e os escritos de Schoenstatt e da Igreja, o que é importante, mas não é suficiente para os desafios dos jovens de hoje. Assessores, tomem a cruz da mudança para si também, deixem ecoar estes anseios em seus corações para que não percamos verdadeiros estes jovens corações schoenstattianos, futuras vocações, pessoas livres e determinadas. Vamos construir juntos o segundo século de Schoenstatt!

  11. Não há nada oculto que não venha a ser revelado…
    É isso mesmo! Quem constroi sobre segredos já deve ser colocado sobre suspeita.
    Parabéns a essa juventude que com coragem quer constuir uma nova realidade. A Igreja não pode se tornar novamente um grupo de neo-fariseus. Dá orgulho de ler uma carta dessas, a Igreja (e espero que Schoenstatt também) tem presente e tem futuro! São jovens, não crianças que esperam os seus líderes dizer o que devem pensar e repetir.
    Confesso que muitas vezes escutei falar do pai e não entendia se estavam falando de Deus Pai ou do fundador. Chegou a hora de parar de igualar a palavra do fundador com a Palavra de Deus!
    Jovens, sigam a Jesus Cristo, tenham Nossa Senhora como mãe e protetora. É para a liberdade que Jesus nos libertou Gal 5,1

  12. Jovens, parabéns! Transparência é condição para sobrevivência de toda instituição no século XXI. Uma instituição, que “varre para debaixo do tapete” suas falhas e limitações, não tem futuro possível. Além do mais, parabéns pela coragem de pedir que temas tão importantes na atualidade sejam tratados pelos seus assessores: não dá para pensar um movimento juvenil, no qual feminismos e homossexualidade, por exemplo, não sejam tratados. E, finalmente, já participei de Sch e parabenizo vocês por questionarem a forma como castidade e virgindade são abordadas pelo Movimento: jamais podem ser um fim em si mesmo! Mas a impressão que se tem é que são dois temas são muito mais importantes que o seguimento de Jesus, o amor ao próximo, especialmente ao próximo pobre, e a sintonia com a Igreja. Parabéns!

  13. “Não há nada oculto que não venha a ser revelado”.
    Tempo de renovação pede verdade , transparência e audácia …
    Parabéns pela coragem e iniciativa dos envolvidos…
    Me sinto representada e me emocionei muito com esse texto.
    As vezes lutamos tanto para manter uma imagem, estruturas e normas que esquecemos de ser simplesmente humanos e livres tanto no vínculo a Deus, como entre nós que amamos a Mãe e Rainha!

    Nunca mais meias verdades! Nunca mais pessoas que em nome de Deus e de nosso Pai Fundador manipule consciências ou nos conduza a práticas religiosas constrangedoras que causam traumas e nao nos permitem chegar a verdadeira liberdade interior que tanto Schoenstatt nos ensina.

  14. Com a força dos primeiros congregados, avançado rumo ao segundo século de Schoenstatt. Alegria e esperança dessa juventude e feliz por um dia ter estado nessas fileiras.
    “Com Maria cheios de alegre esperança, certos da vitória rumo ao tempo novíssimo!”

  15. Que bom juventude de sec XXI que tenham se manifestado. E a frase acima é perfeita a única Coisa que mudaria seria.. ” Os que se sacrificam, mudam um povo inteiro”. Chega de meias verdades!

  16. “Pelos puros que se sacrificam, Deus salva um povo inteiro”.
    É tempo de transformação, de transparência, de coisas que precisam morrer para uma nova vida nascer. Avante juventude!

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