Colocado em 4. Junho 2015 In Segundo século

Três perguntas… sobre o Schoenstatt do segundo século da Aliança de Amor (19)

Hoje responde: Alejandro Blanco Araujo, Ph.D. Membro da Federação de Presbíteros de Schoenstatt (Schönstatt-Priesterbund) Região Argentina. Participa da Direção internacional da Federação (International-Bundesleitung). Assessor do movimento na Argentina. Assessor pedagógico no Instituto Estrada – City Bell (colégio kentenijiano). Professor de Filosofia da religião na Universidade de Salvador, Buenos Aires

A meio ano de peregrinarmos pelo segundo século da Aliança de Amor… Como sonha este Schoenstatt no seu ser, no seu estar na igreja e no mundo, e na sua tarefa?

Sonho com um Schoenstatt que liberta o carisma do Padre Kentenich para a Igreja e o mundo. Um Schoenstatt que tira do exílio definitivamente o Pai. O carisma kentenijiano oferece uma visão singular do homem, do mundo e de Deus, que (unida a outras correntes da época) permite à Igreja integrar a Modernidade e dialogar com a cultura contemporânea na sua complexidade. Isto, que considero a missão histórica de Kentenich e sua obra, pode perder-se se Schoenstatt se tornar num mero movimento piedoso.

Para chegarmos a cumprir este sonho, que temos que evitar ou deixar? – Para chegarmos a cumprir este sonho, que passos concretos devemos dar?

Obviamente, Schoenstatt deve manter-se fiel, na sua forma original de viver a Aliança de Amor com a MTA no Santuário. Mas para que o seu contributo se possa efetuar plenamente, Schoenstatt deve “sair” (tal como declama o Memorando do Congresso de Pentecostes 2015) “descentrar-se” (como pede o Papa na Audiência à Família de Schoenstatt em outubro de 2014).

Para que a “saída” seja uma realidade, Schoenstatt deve,

  1. Em primeiro lugar, compreender a missão histórica de Kentenich e a sua “visão”, o que o obriga a abandonar formas demasiado ancoradas na “Igreja da antiga praia”, que lhe proporcionam “segurança” (perante o medo ao novo) com o preço de perder a sua virtude de movimento de “renovação”. Algumas destas formas, entre outras, têm que ver com um estilo de condução veladamente autoritário, pouco democrático, que reproduz formas clássicas de “verticalismo clerical” (em laicos, clérigos, homens ou mulheres) em vias de ser superado (esperamos) na Igreja do Papa Francisco. A estrutura federativa de Schoenstatt deveria encarnar em si mesma, para a Igreja, uma forma de organização superadora de clericalismos e verticalismos. Outras formas, manifestam-se nas dificuldades que experimenta Schoenstatt para elaborar situações novas que afloram na vida familiar e social, produzindo a exclusão de algumas pessoas das fontes da espiritualidade, contrariamente a uma práxis, onde o principal é a misericórdia, segundo o curso assinalado por Evangelii Gaudium e Misericordiae Vultus. Relativamente a este último, é devida uma revisão valente e mais profunda da ética da sexualidade à luz do abundantemente refletido e assinalado por J. Kentenich.
  2. Em segundo lugar, Schoenstatt deve abandonar uma linguagem verbal e gestual demasiado hermética que o leva a encerrar-se em si mesmo e dificulta o diálogo com a cultura.
  3. Por último, deve decidir-se a instalar o carisma kentenijiano nos fóruns da cultura contemporânea. Isto concretiza-se se Schoenstatt conseguir que a visão kentenijiana dispute com as correntes da época nos âmbitos acadêmicos, na arte, o pensamento, a educação, a política. O nosso contributo mais importante em relação às reivindicações sociais dos excluídos, passa por instalar na vida política dispositivos inspirados noutra forma de pensar o homem, o mundo, Deus, e a relação do homem com ele, que oferece essencialmente a visão kentenijiana.
Original: Espanhol – Tradução: Maria de Lurdes Dias, Lisboa, Portugal

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