"Madre del pueblo"

Colocado em 2021-09-12 In Vida em Aliança

Quando é que o menino vai acordar?

CHILE, Patricio Young •

Quando é que o menino vai acordar? Uma pergunta precisa e significativa que um pequenito argentino fez ao Padre Martín Donetch numa lixeira em Córdoba, em 2004, enquanto se pendurava no ombro com duas outras crianças e descobre a sua medalha da Mãe do Povo (Madre del Pueblo). Outra criança perguntou-lhe: “Quando é que me vais levar à igreja? —

P. Sergio Mena, fundador del "Oratorio Mariano Madre del Pueblo"

Pe. Sergio Mena, fundador do «Oratório Mariano Madre del Pueblo»

Duas perguntas que marcaram a vida do Padre Martín e do Movimento Oratório Mariano, fundado pelo Padre Sergio Mena, um antigo Padre de Schoenstatt, que se retirou da Comunidade em 1976 para formar este novo Movimento, composto por Casais, Mães, Jovens, Sacerdotes e três Comunidades religiosas femininas, hoje presentes na parte central e meridional do Chile, Argentina, Brasil, Equador, Colômbia, México, EUA (dois estados), Alemanha e Espanha.

O Padre Martin é o sucessor do Padre Sergio na liderança deste Movimento desde a sua morte em Fevereiro deste ano. Tem um claro selo popular, sem negar outros sectores, mas quer responder claramente à escolha que a nossa Igreja fez.

Encontro de schoenstatteanos com o Oratório Mariano

Há alguns dias, um grupo de schoenstatteanos que reflecte sobre a dimensão social do Movimento queria conhecer esta experiência de que alguns de nós, só tangencialmente, tínhamos ouvido falar. Pareceu-nos que era tempo de nos encontrarmos, pois podiam contar-nos muito sobre a sua experiência com os sectores populares e na consciência de que, como primos direitos, temos muito em comum.

Uma das razões, e talvez a mais importante, para a saída do Padre Sérgio dos Padres e do Movimento, foi precisamente as suas diferenças em relação à forma como Schoenstatt se estava a desenvolver (no Chile), tão longe dos sectores mais pobres e mais carenciados da sociedade. O Padre trabalhava com eles desde 1969 durante a sua estadia no Carrascal. Partilhou a sua visão desde o início com a sua Comunidade e mesmo pessoalmente com o Padre Kentenich, que o reconheceu como diferente do resto dos Padres e lhe escreveu duas frases: “Envio-te, vão e incendeiem o mundo” e “Ele enviou-me para evangelizar todo o povo“.

Hoje, por clara diocidência, no lugar onde o Padre Sérgio falou com o Padre Kentenich há uma gruta para a Mãe do Povo (Madre del Pueblo); a imagem e advocação para a Nossa Senhora deste Movimento.

Sergio Mena con el P. Kentenich

Sergio Mena com o Pe. Kentenich

O comum e o diferente em relação a Schoenstatt

Num diálogo maravilhoso e frutuoso, o Padre Martín mostrou-nos o que é comum e o que é diferente em relação a Schoenstatt. Salientou que o Padre Sergio sempre reconheceu a sua origem e até rezou, diariamente, até ao fim dos seus dias; “que me mantenha sempre unido ao Padre Kentenich”.

As principais características deste carisma são: um movimento mariano, perto dos pobres sem exclusão, o Oratório da Mãe do Povo como lugar de graça, a odologia (estudo dos caminhos), uma metodologia pastoral para caminhar juntos em direcção à santidade e, finalmente, a autenticidade.

Para o Oratório Mariano, uma das maiores forças inspiradoras é a “cultura do encontro”[1]. Encontro com Deus e encontro entre as pessoas, especialmente os mais pobres. A partir da sua experiência em La Rioja, Argentina, incorporaram um conceito que fazia muito parte da sua cultura e que data de 1640: o Tinkunaco[2], que representa claramente esta dimensão de encontro, e é assim que chamam às suas grandes reuniões.

É evidente que há muitos pontos e riquezas a serem partilhados.

P. Martín Donech

Pe. Martín Donetch

A dimensão social que nós (precisamos)

Sem dúvida, este encontro com o Padre Martín foi também muito significativo para ele, como ele disse, dado que era a primeira vez que um grupo do nosso Movimento se tinha aproximado para conhecer esta grande experiência desenvolvida por um filho da Aliança.

Para nós foi um momento extraordinário, tanto humano como sobrenatural, que quisemos partilhar com a Família. Para mim, foi um re-encontro com o Padre Sérgio que conheci em 1969 quando tinha 19 anos de idade e, que teve um grande significado nessa fase da minha vida.

Este encontro leva-nos, com uma visão providente, a descobrir a vontade de Deus para este tempo. Também nos deixa muitas perguntas: O que nos aconteceu que não fomos capazes de ouvir e aceitar a visão do Padre Sérgio na altura e, hoje, estamos tão presos a um grande classismo ou elitismo social? Porque nos fechámos tanto que não fomos capazes de ir em busca do que Deus nos quer dizer com outras experiências que nasceram da nossa Família e que migraram dela? Numa altura em que o nosso Movimento imperativamente necessita, por fidelidade à nossa Igreja e à nossa missão, de alcançar uma maior proximidade e incorporação dos sectores mais pobres e desfavorecidos da nossa sociedade. O quê e quanto pode o Oratório Mariano ensinar-nos?

Continuaremos a fazer progressos nestas reflexões e em novos encontros que colocaremos em comum, porque é uma experiência em que Deus, com força e quase a gritar connosco, nos mostra formas maravilhosas de sermos percorridos pelo nosso Movimento.

Como acordar o Deus Menino no Chile de hoje?

Teremos de começar por nos despertarmos para o olhar de Cristo que, nos convida a descobri-Lo principalmente nos mais pobres, mais privados e excluídos ou descartados da nossa sociedade, compreendendo plenamente que só O encontraremos na medida em que vivermos o amor ao nosso próximo e às obras de misericórdia.

Mas o menino acordou em membros da nossa Família que vivem uma dedicação empenhada aos mais necessitados, que decidiram viver e partilhar a sua vida quotidiana com eles. Reñaca Más Alto e Arde Puente Alto são exemplos disso.Acende-se uma luz de esperança que esperamos que se torne um grande fulgor para toda a família.

Não há outra forma de acordar o menino!


[1] Expressão típica do Papa Francisco
[2] “O Tinkunaco é a mais importante festa popular e religiosa da província de La Rioja. É celebrado há mais de 400 anos entre o dia 22 de Dezembro e o dia 3 de Janeiro. Reúne raízes andinas e hispânicas que têm sido redefinidas ao longo da história. No Tinkunaco comemora-se uma aliança de paz que teve lugar na Páscoa de 1593 entre os conquistadores espanhóis e os Diaguitas que habitavam La Rioja. Meio século depois desse episódio, foram os Jesuítas que retomaram esta história como parte da sua prática evangelizadora e deram origem à celebração”.https://www.cultura.gob.ar/conoce-que-es-el-tinkunaco-8655/

Original: espanhol (11/9/2021). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

 

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