Colocado em 2017-05-14 In Vida em Aliança

Ela já me chamava

PARAGUAI, Carlitos Estigarribia •

Os meus pais ensinaram-me desde pequeno a ter fé em Deus e em Maria. Esta foi crescendo graças à formação mariana que recebi no meu colégio pertencente à congregação Betharramita (grupo de Jovens que nasceu com o objetivo de aprofundar e vivenciar o Carisma de San Miguel Garicoïts, fundador da Sociedade de Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus de Betharram), em Asunción, Paraguai. Sempre acreditei em Deus e sabia que Maria me estenderia a sua mão para me salvar nos momentos mais difíceis “tal como aconteceu em Betharram”. Contudo, por coisas da vida, esta fé foi-se apagando. Deus e Maria passaram a ser os últimos nas minhas prioridades.

Terminei o colégio com muitas ambições e desejos – que continuo a ter – mas a minha vida tornou-se fria: tinha Deus, mas à minha maneira. Queria conquistar muitas coisas – e não digo que a ambição seja má – mas focava-me no aspeto material. Queria tudo e a qualquer custo. Dizia para mim próprio constantemente: “Sou livre, não faço mal a ninguém. A vida é assim, todos são assim porque não eu?”. Converti-me num adolescente frio e calculista que atuava segundo o que lhe convinha e de acordo com os desejos do seu mundo superficial, acreditando que era feliz porque tinha “tudo”.

 

Um encontro profundo

Um tempo depois, num retiro, a minha vida deu uma grande volta: Deus tocou o meu coração. Pela primeira vez questionava-me se era bom. “Sou bom aluno, já tento experiência laboral, projeto-me na minha profissão… sou bom” Mas o que se tinha passado com o rapaz que queria um mundo melhor, que queria lutar pela igualdade na sociedade? Deus realmente esteve ali e pude senti-Lo em todo o seu esplendor.

Com 20 anos apercebi-me de que o meu coração era feito para O servir e aos outros e quanto mais o entregava, mais felicidade encontrava. Uma felicidade que jamais tinha experimentado e que era incrível. Creio que foi a etapa em que me apaixonei por Jesus, a quem conheci como o Deus do infinito amor. À medida que o tempo passava e aumentavam as responsabilidades, aumentavam as deceções próprias de todo aquele que começa a caminhar com Deus, e damo-nos conta de que os membros do movimento não são perfeitos.

Tudo isto me fez cair de novo e muito mais fundo. Já conhecia e tinha estado envolvido nas coisas do mundo e saboreado tudo o que este me oferecia. Esqueci-me novamente do que Deus me tinha feito sentir e viver. No fundo não me sentia digno de estar na Sua equipa e era mais fácil fugir.

“Uma vez que Deus te apanha, já não podes escapar…

… Ele faz tudo para que voltes ao caminho”, esta é a minha frase. Foi nesse momento que Maria fez parte da minha vida sem que me desse conta. Conheci um amigo que sofria muito, vendo a sua dor e aflição houve algo em mim que fez com que reagisse, e convidei-o a ir ao lugar onde eu ia quando me sentia assim: a missa de cura na paróquia Virgem de Fátima.

Sempre me enchia de esperança, felicidade e ânimo para continuar e ver as coisas com otimismo. Quando a missa terminou, senti uma paz imensa no coração. Voltei a sentir que eu era de Deus e soube que não era o meu amigo que precisava dela mas eu: Jesus chamava-me, novamente, através de Maria. Que melhor intermediário que a Sua Mãe para me salvar de mim mesmo e convidar-me a ser instrumento do seu querido Filho e meu fiel amigo?

A Jornada Mundial da Juventude 2013

Este novo caminho era muito melhor que o anterior, agora sentia o amor de Maria como nunca e estava acompanhado de Jesus o qual, sem me julgar, me animava a deixar o passado oferecendo-me uma nova vida sustentada pela Palavra por meio da qual se dava a conhecer cada vez mais. Jesus ensinava-me a amar sem fronteiras, a dar tudo sem limites.

Nessa entrega experimentei uma felicidade imensa que, junto com o amor da Sua Mãe, enchia o meu coração. Voltava a ser uma criança. Era como se o amor de Deus e Maria se tivessem fundido num só para dar-me o melhor. Foi incrível, estava sempre um pouco mais unido a Deus.

Em 2013 convidaram-me para uma confissão no Santuário Jovem de Schoenstatt. O meu coração precisava de orientação e de um guia espiritual e assim fui. Nunca tinha vivido uma confissão tão profunda como nesse dia. Recebi o abraço do Pai Misericordioso que me olhou, me chamou pelo meu nome e me perguntou “Como estás?” Comentei com o sacerdote que tinha escutado pela primeira vez o chamamento de Deus para ir à JMJ. Dia a dia sentia-me mais seu.

A ermida da Mater no centro de ermita de Cançoa Nova

Fui à JMJ do Rio. Uma das melhores experiências da minha vida. As palavras do Papa entraram no mais profundo do meu coração que transbordava de amor. Pela primeira vez sentia-me a fazer parte da Igreja Católica: via a impressionante imagem da Mater no centro de  Cançoa Nova (Brasil), falei com o padre Pedro Kühlcke e vi os schoenstattianos, cheios de alegria, no encontro na catedral de São Sebastião.

Tudo isto me fez voltar com vontade de conhecer mais o Movimento de Schoenstatt. Perguntei o que era preciso fazer para ter um grupo de vida e o sacerdote disse-me: “Quando o teu coração to pedir avisa-me”. O que ele não sabia era que no meu coração já tinha nascido o anseio de selar uma aliança com Maria.

A minha aliança

“Chegou a hora do teu amor”. A Mater elege o momento certo para cada um dos seus filhos. O que vivi foi parte de um caminho perfeito até Schoenstatt onde tudo me fazia sentir que o Santuário era o meu lugar: as suas três graças – acolhimento, transformação interior e envio apostólico -, participava nas missas e escutava a música, cuja melodia só podia ser feita por Deus. O seu chamamento para este movimento bonito onde já não era orfão, mas um filho amado de Maria.

 

Foto acima: Carlitos Estigarribia, María Fischer, Sebastián Denis (da esq.)

Original: espanhol. 07.05.2017. Tradução: Maria de Lurdes Dias, Lisboa, Portugal

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