Colocado em 24. Fevereiro 2020 In Missões

E pôs-se de pé ao fim de 30 anos! – Testemunhos missionários

ARGENTINA, Pe. José María Iturrería •

Entre 26 de Janeiro e 2 de Fevereiro, 120 missionários percorreram as ruas e casas da cidade de General Alvear, chamando famílias, crianças e jovens para renovarem e revitalizarem a sua fé pela mão de Maria. —

As Missões Familiares de La Plata são as pioneiras na Argentina, e estão em missão há 22 anos sem interrupção. Gerações de jovens e de famílias missionárias passaram por elas, cujas vidas foram transformadas por esta experiência do céu. Como exemplo, poderia citar um “avô missionário”, Francisco, que com seus mais de 80 anos viveu com os jovens, com o mesmo ritmo e condições, durante estes dias de serviço, dando a todos nós um exemplo de fé e de entrega por Maria. Era admirável vê-lo com os seus anos sair, dormir nas condições que qualquer missionário faz, isto é, no chão, e depois sair em missão todas as manhãs e participar, como qualquer jovem, na intensa vida comunitária e de oração, sem perder energia ou alegria!

A fecundidade, fruto das missões

O ano 2020 foi muito especial, pois pela primeira vez em todos estes anos de missão pudemos celebrar o Sacramento do Matrimónio de um casal local, Graciela e Pablo, que depois de 37 anos de vida juntos, já com filhos e netos, decidiram dar o seu “sim” perante Deus e pedir a sua bênção para a família que tinham formado.  Foi emocionante vê-los entrar no altar como “noivos” e colocarem as alianças um no outro. Em tempos de amor “líquido”, onde o compromisso pela vida parece algo do passado, é maravilhoso ver que existem testemunhos reais de um amor que dura e é purificado pela idade.

Outro belo sinal de fecundidade foi participar da alegria de três irmãos pequenos, de 10, 8 e 7 anos, que receberam a graça do Baptismo, os mesmos missionários que os visitaram em sua casa foram os padrinhos. Foi uma grande emoção para todos, mas especialmente para eles, experimentar a paternidade a maternidade espirituais e o compromisso em acompanhar a vida que emerge da missão. E se isto não bastasse, um terceiro sinal extraordinário foi o de receber o “sim” de sete habitantes e paroquianos que se consagraram na Missa de encerramento como missionários da Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt. Deste modo, através deles, a Mater continuará a percorrer e a missionar General Alvear.

As missões são uma semana que enche a alma, mas são fruto de muita dedicação ao longo do ano, em preparação e compromisso, assim como muitas ofertas silenciosas ao Capital de Graças por parte da equipa organizadora. Esta é a garantia de fecundidade, já que repetidamente experimentamos que Maria nunca Se deixa vencer em generosidade! É assim que nós, missionários o vivemos em numerosos sinais.

 

As missões transformam aqueles que dão e aqueles que recebem

Maria abriga-nos no seu colo: recebemos muitas doações e gestos dos habitantes de General Alvear, por exemplo, quando nos prepararam cordeiros assados para os 120 missionários, ou quando nos forneceram as suas casas para que pudéssemos tomar banho devido à falta de água na escola, ou quando nos deram garrafões e garrafões de água, para que pudéssemos consumi-los durante toda a semana.

A experiência missionária é transformadora para os próprios missionários em primeiro lugar, mas também para muitos evangelizados cuja vida é renovada pela fé alegre e vital dos jovens missionários. Foi o que foi vivido nas actividades com crianças e jovens, que foram realizadas diariamente nas capelas e centros comunitários da periferia da cidade. Chegar aos jovens nunca é fácil, mas aqueles que sabem como fazê-lo melhor, são os próprios jovens capazes de “sair ao encontro”, superando preconceitos e barreiras, transmitindo amizade e alegria. Os torneios desportivos no clube da aldeia, os eventos musicais e recreativos na praça, a partilha dum mate e o cantar de canções da moda são formas de chegar para gerar uma amizade, que depois se aprofunda na partilha de experiências de fé. Um sinal desta amizade foi que vários deles começaram a acompanhar-nos na vida interna da comunidade missionária, partilhando refeições e orações no nosso Santuário-Missão. Ver a alegria que experimentaram quando viveram connosco e que não queriam sair do nosso lado, é algo que dá sentido a todo o esforço para os aproximar mais de Deus!

Alguns testemunhos de missionários

Voltar a pôr-se de pé!

Chegámos, pela primeira vez, a casa da Susana por causa de um pedido da sua mãe, que visitámos nas Missões Familiares de 2019, e ela disse-nos que a filha estava há mais de 30 anos sem sair da cama e que não gostava de receber ninguém. Quando chegámos a casa, fomos recebidos pelo seu marido, um homem mais velho, que era muito magro e triste. Disse-nos que durante 30 anos a Susana não tinha saído da cama. Tinha sido vista por todo o tipo de especialistas, tinha feito todo o tipo de exames e TAC’s e estavam todos bem!

Deixaram-nos entrar para a vermos. Ela estava sentada, apoiada por várias almofadas. Vimos uma jovem mulher, com muito medo nos olhos, sem forças e abandonada. Disse-nos que desde o nascimento do seu segundo filho, há 30 anos atrás, não pôde voltar a andar porque perdeu as forças. Já, nem sequer, podia sentar-se sozinha, nem acreditava em nada nem em ninguém. Os Seus filhos não falavam com ela porque não suportavam mais vê-la dessa maneira. Nenhum médico ou psicólogo conseguia encontrar o que ela tinha. Até um curandeiro lhe disse que lhe tinham lançado uma praga e levou dinheiro para que lha tirassem, mas também não funcionou.

Rezámos com ela, mas já nem se lembrava de como o fazer. Mesmo assim, aceitou falar com o Pe. José María, que acompanhava a missão. Acabou por aceitar a comunhão e a Unção dos doentes. Naquele dia, como resultado da nossa visita, encheu-se de coragem e tentou sentar-se na cama, mas com muito, muito medo. Não sei do que falou com o padre, mas sei que quando saímos naquele dia, ela já estava a rir e a dizer que ia tentar sair da cama, que queria fazê-lo pelos seus filhos.

Dissemos-lhe que tinha de acreditar que não estava sozinha, que a força do Espírito Santo e da Mater estavam com ela. Aquela força que só a fé pode dar. Não a vimos novamente depois daquela visita muito especial.

O maravilhoso foi voltar um ano depois e encontrar a sua casa, era outra pessoa! Radiante, alegre, cheia de vida! A família inteira estava feliz e à espera para nos agradecer e mostrar-nos tudo o que tinha conseguido num ano! Tinham a certeza de que naquele dia em que fomos para as Missões Familiares de 2019 mudámos as suas vidas! Pela primeira vez, em muitos anos, celebraram o Natal juntos como uma família, e o filho que já não queria vê-la, quando descobriu que tinha saído da cama, veio e partilhou o Natal com eles.  Hoje, ainda está a fazer reabilitação para fortalecer as pernas e com o firme propósito de voltar a andar. Diz que está feliz porque Nossa Senhora lhe fez um milagre e que prometeu a Nossa Senhora de Luján que iria a pé até ao Santuário! (Essa foi a imagem que lhe deixámos em Janeiro de 2019).

Yvonne Del Nogal, missionária com toda a sua família, chegou da Venezuela, como imigrante, à Argentina

Uma espiritualidade familiar que tira partido da tecnologia!

A espiritualidade da missão acompanha a experiência de se missionar em família. Em cada momento de oração, manhã e noite, descobrimos Maria como nossa Mãe e modelo, que nos ilumina com as Suas virtudes e que, ao mesmo tempo, nos conduz carinhosamente, pela mão, a Jesus. Maria é também a nossa Rainha, e está presente no Santuário-Missão, aquele lugar de graças onde entregamos diariamente o Capital de Graças e onde Ela nos abriga e nos envia.

Todas as manhãs, enquanto todos saíam em missão, uma família ficava sempre no Santuário, na presença do Santíssimo Sacramento, fazendo Adoração Eucarística para rezar por aqueles que estavam em missão. Aproveitando as vantagens que a tecnologia nos oferece, pensámos em criar um grupo WhatsApp de todos os missionários, para que quando visitam uma casa e encontram uma família que pede orações, enviem uma mensagem ao grupo com o pedido de oração, para que aqueles que estão a fazer Adoração nesse momento possam apresentar essa intenção ao Senhor e rezar por essa pessoa. Desta forma, os pedidos chegavam-lhes, através do WhatsApp e dos adoradores, chegavam até ao Senhor.

Francisco Elisei, equipa de Espiritualidade da Missão

Pais missionários!

Ser pai missionário foi uma bela experiência de maternidade e paternidade, e pudemos gerar um belo vínculo com os jovens”adoptados”, com o desafio de ser família, pai e mãe, para jovens sobre os quais não sabíamos muito, mas que durante esta semana pudemos amar, respeitar e motivar.

Oferecer-lhes o nosso coração e poder desfrutar de uma experiência de fé e de Igreja missionária, partilhando desafios, pequenos milagres e a graça de levar a Mater aos outros, foi uma grande graça que nos encheu de alegria e de entusiasmo.

Abre-nos o coração para receber outros jovens como os nossos filhos, e também para o viver com os nossos próprios filhos, gera uma atmosfera de alegria e de abertura missionária que nunca tinha sentido antes; além disso, a força do envio antes de partir em missão impele-nos com paixão a levar a Mater.

Luis e Lorena Folonier, pais missionários

Nada sem ti, nada sem nós.

O que significam as missões familiares? São apenas duas palavras, mas contêm tantas experiências e tanta profundidade, que as palavras são pequenas. Significam ser pais, ser filhos, ser uma comunidade, experimentar a presença de Maria e as graças do Santuário de uma maneira muito especial.

O que levamos destes dois anos como chefes das missões? Levamos a certeza de que não há “nada sem Ti” e “nada sem nós”. Muito esforço, muito trabalho, muitas renúncias, momentos de dúvida e inquietação, mas também a experiência de que Maria não se deixa vencer em generosidade. Ter estado, lado a lado, como casal uniu-nos muito e fez-nos valorizar mais um ao outro. Para poder testemunhar que somos uma família e para ver que os nossos “filhos adoptados” nos pedem, por favor, para não deixarmos de ser uma família, a sua família. Nós só podemos dizer obrigado, porque sentimos os cem por um do Evangelho.

Maria Fernanda e Julio Bussi, casal chefe das Missões Familiares 2019 e 2020.

 

Eu estou contigo.

Ir em missão ao General Alvear desde 2019 foi um reencontro com a Mater e com a Família de Schoenstatt. Às vezes uma pessoa vai em missão por inércia, sem nenhum objectivo presente, mas Ela conquista os nossos corações cada vez que levamos o Seu Filho, e estas missões familiares não foram excepção.

O verdadeiro clima familiar na missão interna é vivido quase sem nenhuma diferença de como o vivo em casa, de passar de ser oito em casa a 120. Mas, como em todas as casas, embora a maioria colabore, surgem tensões entre alguns irmãos mas, há sempre um pai que nos reconcilia a todos.

Muitas vezes pensamos que somos nós que A levamos a Ela, mas na vida quotidiana percebemos quem leva quem. Desde falar sobre os passatempos até partilhar experiências do mais profundo do coração, isto é o que acontece quando se vai em missão. Não sou muito de comparar o sucesso de uma missão com os acontecimentos que nela tiveram lugar, embora conte também os marcos desta semana de aventura: três baptismos, sete pessoas da cidade que quiseram receber a Mater como peregrinos, e um casamento que se realizou depois da visita dos missionários.

Se, nos pomos à escuta da voz de Jesus no tempo de hoje, creio que Ele diz: “Continuai a missão, continuai a entregar o vosso coração”, e quando se faz isso,  ouve-se a voz da Sua Mãe que diz: “Eu estou contigo”.

Fermín Piedrabuena, chefe da missão

Missão para os jovens

As Missões Familiares foram a oportunidade para o encontro de jovens que são muito diferentes uns dos outros. Entre missionários e jovens de outros países, com outras culturas, costumes e até crenças, que deram origem a que todas as tardes houvesse encontros de alegria, de partilha e de evangelização pelo exemplo, sem usar a Palavra. Após dois anos de partilha naquela semana tão esperada por ambas as partes, hoje foram forjados vínculos de amizade, fortalecidos nas diferenças, enriquecidos em recordações e cheios de esperança para continuarmos a encontrar-nos e a partilhar.

Ornella de Franco, Coordenadora da equipa de jovens

 

Original: espanhol (14/2/2020). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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