Colocado em 2015-11-27 In Aliança solidária

“Pray for Burundi”

BURUNDI, Chiara Santomiero/Aleteia Team

“Durante a noite a polícia chegou às casas para prender as pessoas e no dia seguinte soube-se que estavam mortas. Encontramos cadáveres nas ruas. Agora a insegurança já é total”. Relata para Aleteia uma fonte da Igreja da capital de Burundi, Bujumbura, que pede anonimato por motivos de segurança. Também levaram a uns religiosos salesianos, mas afortunadamente foram liberados no dia seguinte.

“O medo toma conta de todos – prossegue a fonte -: milhares de pessoas se mudaram a outras partes do país, centenas de milhares cruzaram a fronteira rumo a Ruanda, Uganda, República Democrática do Congo, Tanzânia e também Europa”.

Os acontecimentos em Paris fizeram desaparecer dos meios de comunicação a atenção sobre o drama de Burundi. Desde abril passado, no país africano se intensificaram os enfrentamentos causados primeiro pela candidatura e depois pela reeleição do presidente Pierre Nkurunziza para um terceiro mandato, violando a Constituição e os acordos de paz de Arusha que em 2000 marcaram o fim da guerra civil e originado um complexo sistema de divisão de poder.

Aproximadamente umas 200 pessoas foram assassinadas pelas forças de segurança governamentais durante a repressão aos protestos, e calcula-se que mais de 200 mil burundeses abandonaram o país. Inclusive nesta manhã, segundo informa a Agência Fides, houve combates em diversos bairros da capital.

Um chamado ao diálogo

Em 12 de novembro o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução que dá 15 dias de prazo ao secretário geral Ban Ki-moon e a seu enviado em Burundi, Jamal Benomar, para expressar uma opinião sobre a possibilidade de enviar ao país africano uma força militar e policial com o apoio da ONU. Para uma decisão nesse sentido, é necessário, que ao expirar o prazo, uma nova resolução ou uma autorização – difícil de imaginar – por parte do governo do controvertido presidente Nkurunziza.

Em 12 de novembro foi feito conjuntamente um chamado ao diálogo e um convite a ambas as partes para encontrar-se para deter a violência e encontrar uma solução política para a crise, pelo secretário geral adjunto da ONU, Jan Eliasson, pelo presidente da Comissão da União Africana, Nkosazana Dlamini Zuma, e pelo alto representante para a Política Exterior e de Segurança Comum da União Europeia, Federica Mogherini.

“A Comissão para o diálogo entre os burundineses existente – explica a Aleteia a fonte de Bujumbura – não inclui todos os grupos políticos e não é, portanto, eficaz”. É, portanto, necessário “o diálogo entre todas as partes, inclusive aqueles grupos armados, pelo bem do país”.

A pobreza ameaça a população

A Igreja burundinesa, que se pronunciou contra a reeleição de Nkurunziza, havia solicitado, sem êxito, abrir o diálogo com a oposição num comunicado publicado ao final da Assembleia Plenária em setembro.

Na mesma ocasião pediu-se também “o respeito ao estado de direito e a garantia dos direitos das pessoas” condenando “os atos criminosos que se registram cotidianamente, em particular na capital Bujumbura, onde cada noite acontecem homicídios, e onde várias pessoas não dormem em suas próprias casas por medo de serem sequestradas ou assassinadas.

Em alguns bairros, denuncia o comunicado, os habitantes estão em prisão domiciliar, e ao não poder sair de casa para ir trabalhar ou buscar alimentos, correm risco de morrer de fome”. “A pobreza ameaça a população – escreveram os bispos – e esta acrescenta o drama que estamos vivendo, desde o momento em que alguns membros da comunidade internacional parecem ter suspendido sua ajuda a Burundi” (Agencia Fides 24 de setembro de 2015).

Uma novena de oração

Seguem os combates em Bujumbura, perto do Seminário da capital de Burundi. De acordo com testemunhos recolhidos pela sociedade civil, os membros da polícia são acompanhados por jovens milicianos armados com facas, que depredam as casas daqueles que são suspeitos de pertencer a oposição. Os últimos enfrentamentos estouraram na noite de 17 de novembro, quando algumas estações de polícia foram atacadas em vários distritos do centro de Bujumbura.

O Papa Francisco, que no final de novembro visitará Quênia, Uganda e a República Centro-africana, em 17 de maio de 2015 pediu rezar pelo “querido povo burundinês” convidando todos a “abandonar a violência e a atuar responsavelmente pelo bem do país”. Desde 14 até 22 de novembro, a Igreja católica burundinesa lançou uma novena de oração pela paz em Burundi e em alguns outros países da África central: a oração e o desejo de paz são as “armas” que colocam sobre a mesa a reconciliação nacional. “A oração – conclui a fonte de Aleteia – nos dá a força de esperar contra toda esperança”.

Fonte: Aleteia

Há dois Santuários e centenas de Santuários Lar em Burundi, e a Virgem Peregrina percorre as ruas e os caminhos do país. Durante todos os últimos anos, o Movimento de Schoenstatt assumiu um rol ativo no processo de paz. Rezemos em aliança solidária por nossa família de Schoenstatt de Burundi, seus projetos de paz, e por todo o povo buscando a paz.

Cântaro de Burundi no Santuário de todos nós, em Roma, Belmonte

Original: Espanhol. Tradução: Lena Ortiz, Ciudad del Este, Paraguai

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