Colocado em 3. Março 2019 In Francisco - Mensagem, JMJ Panama 19

Os jovens não são o “amanhã”. Não, são o “hoje” para o amanhã

COMO VIVI A JMJ2019 – PAPA FRANCISCO, redacção •

Terminou a Jornada Mundial da Juventude 2019 mas, continuamos – continuamos com as impressões sobre os eventos que, ainda nos faltam em schoenstatt.org e continuamos (há algum tempo atrás) com um novo ciclo de artigos com o título: “Como vivi a Jornada Mundial da Juventude”. Pedimos a várias pessoas e esperamos os testemunhos de muitas mais e, o primeiro (na versão espanhola de schoenstatt.org pelo menos) a dar o seu testemunho é o próprio Papa Francisco. —

 

Misa de Envío / Campo San Juan Pablo II

Testemunho do Papa Francisco na Audiência Geral de 30 de Janeiro de 2019

Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje irei falar convosco da Viagem Apostólica que realizei nos dias passados ao Panamá. Convido-vos a agradecer comigo ao Senhor por esta graça que Ele quis conceder à Igreja e ao povo daquele amado país. Agradeço ao Senhor Presidente do Panamá e às Autoridades, aos Bispos e agradeço a todos os voluntários — havia tantos — o seu acolhimento caloroso e familiar, o mesmo que vimos nas pessoas que acorreram a todas as partes para saudar com grande fé e entusiasmo. Isto surpreendeu-me muito: as pessoas erguiam as crianças com os braços. Quando passava o Papamóvel com todas as crianças: erguiam-nas dizendo: «Eis o meu orgulho, está aqui o meu futuro!». E mostravam as crianças. Mas eram tantas! E os pais ou as mães estavam orgulhosos com aqueles meninos. Pensei: quanta dignidade neste gesto, e como é eloquente para o inverno demográfico que estamos a viver na Europa! O orgulho daquela família são as crianças. A segurança para o futuro são os filhos. O inverno demográfico, sem filhos, é difícil!

O motivo desta Viagem foi a Jornada mundial da juventude, mas entre os encontros com os jovens foram inseridos outros com a realidade do país: as Autoridades, os Bispos, os jovens presos, os consagrados e uma casa-família. Tudo ficou como que “contagiado” e “amalgamado” pela presença jubilosa dos jovens: uma festa para eles e uma festa para o Panamá, e também para toda a América Central, marcada por tantos dramas e necessitada de esperança e de paz, assim como de justiça.

Esta Jornada mundial da juventude foi precedida pelo encontro dos jovens dos povos nativos e com os afro-americanos. Um lindo gesto: fizeram cinco dias de encontro, os jovens indígenas e os jovens afro-descendentes. São tantos naquela região. Eles abriram a porta à Jornada mundial. E esta é uma iniciativa importante que manifestou ainda melhor o rosto multiforme da Igreja na América Latina: a América Latina é mestiça. Depois, com a chegada dos grupos de todo o mundo, formou-se a grande sinfonia de rostos e de línguas, típica deste evento. Ver todas as bandeiras desfilar juntas, dançar nas mãos dos jovens jubilosos por se encontrarem é um sinal profético, um sinal contracorrente em relação à triste tendência de hoje para os nacionalismos conflituais, que erguem muros e se fecham à universalidade, ao encontro entre povos. É um sinal claro de que os jovens cristãos são no mundo fermento de paz.

Esta JMJ teve uma forte marca mariana, pois o seu tema eram as palavras da Virgem ao Anjo: «Eis a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a Tua palavra» (Lc 1, 38). Foi extraordinário ouvir estas palavras pronunciadas pelos representantes dos jovens dos cinco continentes, e sobretudo vê-las transparecer nos seus rostos. Enquanto houver novas gerações capazes de dizer “eis-me” a Deus, haverá futuro no mundo.

Entre as etapas da JMJ há sempre a Via-Sacra. Caminhar com Maria atrás de Jesus que carrega a cruz é a escola da vida cristã: ali aprende-se o amor paciente, silencioso, concreto. faço-vos uma confidência: eu gosto muito de fazer a Via-Sacra, porque significa andar com Maria atrás de Jesus. E levo sempre comigo, para a fazer em qualquer momento, uma Via-Sacra de bolso, que me foi oferecida por uma pessoa muito apostólica em Buenos Aires. E quando tenho tempo, faço a Via-Sacra. Fazei também vós a Via-Sacra, pois significa seguir Jesus com Maria no caminho da cruz, onde Ele deu a vida por nós, pela nossa redenção. Na Via-Sacra aprende-se o amor paciente, silencioso e concreto. Ao Panamá os jovens levaram com Jesus e Maria o peso da condição de tantos irmãos e irmãs sofredores na América Central e no mundo inteiro. Entre eles há tantos jovens vítimas de diversas formas de escravidão e pobreza. E neste sentido foram momentos muito significativos a Liturgia penitencialque celebrei numa Prisão juvenil e a visita à Casa-família “Bom Samaritano”, que hospeda pessoas afetadas por VIH/Sida.

 

Misa de Envío / Campo San Juan Pablo II Metro Park

Ápice da JMJ e da viagem foram a Vigília e a Missa com os jovens. Na Vigília — naquele campo cheio de jovens que fizeram a Vigília, dormiram lá e às 8h00 da manhã participaram na Missa — na Vigília foi renovado o diálogo vivo com todos os jovens e moças, entusiastas e também capazes de silêncio e de escuta. Passavam do entusiasmo à escuta e à oração em silêncio. A eles propus Maria como aquela que, na sua pequenez, mais do que qualquer outra pessoa “influenciou” a história do mundo: chamámo-la “influencer de Deus”. No seu “fiat” reflectiram-se os lindos e fortes testemunhos de alguns jovens. Na manhã de domingo, na grande celebração eucarística final, Cristo Ressuscitado, com a força do Espírito Santo, falou novamente aos jovens do mundo chamando-os a viver o Evangelho no hoje, pois os jovens não são o “amanhã”; não, são o “hoje” para o “amanhã”. Não são o “entretanto”, mas são o hoje, o agora, da Igreja e do mundo. E apelei à responsabilidade dos adultos, para que não faltem às novas gerações instrução, trabalho, comunidade e família. Eis a chave, pois neste momento faltam no mundo estas coisas. Instrução, ou seja, educação. Trabalho: quantos jovens não o têm. Comunidade: que se sintam acolhidos, em família, na sociedade.

O encontro com todos os Bispos da América Central foi para mim um momento de especial consolação. Juntos nos deixamos ensinar pelo testemunho do santo bispo Óscar Romero, para aprender cada vez melhor a “sentir com a Igreja” — era o seu mote episcopal — na proximidade aos jovens, aos pobres, aos sacerdotes, ao santo povo fiel de Deus.

E teve um forte valor simbólico a consagração do altar da restaurada Catedral de Santa Maria La Antígua, em Panamá. Esteve fechada por sete anos para o restauro. Um sinal de beleza reencontrada, para glória de Deus e para a fé e a festa do seu povo. O Crisma que consagra o altar é o mesmo que unge os batizados, os crismados, os sacerdotes e os bispos. Possa a família da Igreja, no Panamá e no mundo inteiro, haurir do Espírito Santo sempre renovada fecundidade, para que prossiga e se difunda na terra a peregrinação dos jovens discípulos missionários de Jesus Cristo.

Coordenação da Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

Tradução das palavras do Santo Padre: vatican.va

 

Misa de Envío / Campo San Juan Pablo II Metro Park

 

 

 

 

 

 

 

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