Robert Schuman

Colocado em 2021-06-24 In Igreja - Francisco - movimentos

Robert Schuman: um pioneiro da amizade internacional em vias de beatificação

EUROPA, Maria Fischer •

A notícia quase se perdeu entre o Euro 2020, a onda de calor, a variante Delta do Covid19 e a visitação canónica à Arquidiocese de Colónia: a 19 de Junho, o Papa autorizou a promulgação do decreto que, reconhece a virtude heróica do estadista francês Robert Schuman. Um dos pais fundadores da União Europeia, um dos pioneiros da amizade entre os povos após duas guerras mundiais devastadoras que, reduziram a Europa a escombros e custaram a vida, a saúde e a propriedade de milhões de pessoas. Uma das “estrelas” de toda uma (minha) geração de jovens cujos pais e avós tinham sido marcados pela guerra e aprenderam de modo duro que a reconciliação, unidade e amizade entre os povos da Europa eram possíveis. —

Adenauer, De Gasperi, SchumanRobert Schuman nasceu em Clausen, Luxemburgo, de um pai da Lorena e de uma mãe luxemburguesa. Schuman cresceu bilingue e, foi igualmente influenciado pela cultura e religiosidade francesa e alemã. Como Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, foi co-responsável pela reconciliação com a Alemanha após a Segunda Guerra Mundial. Também defendeu a amizade franco-alemã. Como Ministro dos Negócios Estrangeiros do seu país, abriu o caminho para a criação da chamada Comunidade do Carvão e do Aço. Para ele, a gestão conjunta dos materiais nucleares da indústria de armamento pelos antigos inimigos ancestrais era essencialmente uma política de paz. Este instrumento, também aberto à adesão de outros países, deveria tornar-se o núcleo da unificação europeia.

O Plano Schuman lançou as bases da União Europeia de hoje. Mais tarde, Schuman foi também Presidente do Parlamento Europeu. O seu compromisso foi marcado, em grande medida, pela sua fé católica pessoal.

O compromisso de Schuman em política e por uma Europa unida não podia ser separado da sua fé católica, como se pode ler em muitas biografias do político. A partir dos anos 20, Schuman, um católico convicto, estabeleceu uma estreita rede de contactos com políticos democrata-cristãos em toda a Europa, tais como Konrad Adenauer ou o italiano Alcide de Gasperi. Estas relações dariam frutos a seguir a 1945.

A sua fé católica comum foi a base para o encontro entre Alcide De Gaspari, Konrad Adenauer e Robert Schuman, quando se tratava de construir uma Europa na qual não haveria mais guerras. A Convenção sobre Direitos Humanos e Liberdades Fundamentais de Estrasburgo de 1950 é também considerada como sendo obra sua.

Primeiro uma solidariedade de acção

O Papa Francisco refere-se repetidamente a Robert Schuman quando faz declarações sobre política. No Regina Coeli de 10 de Maio de 2020, por exemplo, Francisco referiu-se à declaração de Schuman de 9 de Maio de 1950, que é considerada a “certidão de nascimento” da União Europeia. ” À Europa, por ocasião do 70º aniversário da Declaração Schuman de 9 de maio de 1950. Inspirou o processo de integração europeia, permitindo a reconciliação dos povos do continente, após a Segunda Guerra Mundial, e o longo período de estabilidade e paz de que hoje beneficiamos”, disse o Papa Francisco na altura. Face à crise do Coronavírus, os valores que Schuman propôs na altura deveriam ser uma inspiração “O espírito da Declaração Schuman não deixe de inspirar todos aqueles que têm responsabilidades na União Europeia, chamados a enfrentar as consequências sociais e económicas da pandemia num espírito de harmonia e cooperação”. Robert Schuman, na sua declaração de Maio de 1950, tinha recordado o papel da Europa na paz, sublinhando que “a Europa não pode ser feita de uma só vez, nem pode ser feita por um simples resumo: será feita por actos concretos que criem primeiro uma solidariedade de acção”. O dia 9 de Maio, o dia da Declaração Schuman, é ainda hoje celebrado como “Dia da Europa” por decisão do Conselho Europeu de 1985.

Robert-Schuman_Monument_Scy-Chazelles

O Padre José Kentenich rezou numa pequena Ermida na Suíça em Outubro de 1946:

“Pela tua parte, sela uma perfeita Aliança de Amor com o maior número de pessoas possível, sim, com todos os povos, especialmente com os seus líderes e governantes. Dá-lhes uma fé providencial viva que, veja Deus por detrás dos destinos da vida e, lhes responda através da vivência prática da santidade da vida quotidiana, e dá-lhes uma fé missionária eficaz”.

 

Original: alemão (23/6/2021). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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