Colocado em 29. Dezembro 2019 In Igreja - Francisco - movimentos, Schoenstatteanos

“Ansiamos por sacerdotes que estejam prontos para a entrega”

ALEMANHA, Gabinete de imprensa da Arquidiocese de Múnich y Frisinga/redacção •

“Desejamos ardentemente sacerdotes que estejam prontos para a entrega, dispostos a dar a sua vida”, sublinhou o Cardeal Reinhard Marx, por ocasião do 75º aniversário da Ordenação do Beato Karl Leisner, ordenado sacerdote no Campo de Concentração de Dachau, em 17 de Dezembro de 1944, pelo então também prisioneiro, Bispo de Clermont, Gabriel Piguet. Também hoje, em tempos de reforma, “o núcleo continua a ser a questão”: Está o sacerdote pronto não só a celebrar a Missa, mas a entregar-se ele próprio e a convidar todos a fazê-lo também, nesta dinâmica de Deus que se oferece e, de lá, sair para salvar o mundo inteiro e curar todas as feridas?”, comentou o Bispo de Munique e Frisinga, na celebração da Missa em memória do Beato Leisner, no dia 22 de Dezembro passado, na igreja do Carmelo do Preciosíssimo Sangue de Cristo, no Campo de Concentração de Dachau. Não se trata da quantidade de sacerdotes, mas de saber se eles estão verdadeiramente dispostos a assumir esta tarefa no seguimento de Cristo.—

 

O Cardeal Reinhard Marx destacou no início da Missa que Leisner é um “testemunho da esperança, da confiança absoluta, da oração comum e da comunhão de toda a Igreja”. A sua ordenação sacerdotal – a única a ser realizada num campo de concentração e tornada possível pelo esforço e pela oração de muitos – mostra que “não há nenhum lugar que seja abandonado por Deus. O Beato é um testemunho das muitas vítimas do ódio e da violência, sobretudo contra o povo judeu, mas também para todos aqueles perseguidos e mortos pelo regime nacional-socialista, dos “muitos que se manifestaram contra a violência naquela época”, continuou o Arcebispo na sua Homilia. Precisamente hoje, quando o ódio e a violência, também neste país, voltam a manifestar-se em actos e palavras, o exemplo de Leisner convida-nos não só a não fazer vista grossa a certos episódios, mas a opor-nos vigorosamente a eles. Na Missa no Carmelo, o Bispo usou o mesmo Báculo que Mons. Piguet usou há 75 anos na ordenação de Leisner.

 

Foto: Wikipedia

Karl Leisner, nascido a 28 de Fevereiro de 1915 em Rees am Niederrhein, no Bispado de Münster, já era Diácono em 1939, quando expressou publicamente as suas críticas ao regime nacional-socialista. Por esta razão, em 1940 foi levado primeiro para o Campo de Concentração de Sachsenhausen e depois para o Campo de Concentração de Dachau. Mons. Piguet ordenou-o sacerdote ali, na capela do quartel 26, no 4° Domingo do Advento, onde o recém-sacerdote celebrou a sua Primeira e única Missa no dia 26 de Dezembro de 1944. Os óleos sagrados e outros objectos litúrgicos necessários para a Ordenação – anteriormente fornecidos pelo então Cardeal de Munique e Frisinga, Arcebispo Michael Faulhaber – foram contrabandeados para o cCpo de Concentração pela jovem ex-aluna e postulante de vinte anos das Irmãs Educadoras de Notre Dame, Josefa Mack. Após a libertação do Campo de Concentração, Karl Leisner foi levado para o sanatório para doentes pulmonares das Irmãs da Misericórdia em Krailling, devido à sua gravíssima situação de saúde, causada pela perseguição e maus tratos a que foi sujeito pelos nazis.

Ali morreu a 12 de Agosto de 1945. No terreno do Sanatório, em Krailling ergue-se um monumento que o recorda. O Papa João Paulo II beatificou-o em 23 de Junho de 1966, em Berlim.

Foto: Wikipedia

Na sua cidade natal, Xanten, foi celebrada uma Missa solene no dia 15 de Dezembro (3° Domingo do Advento ou “Gaudete”), coincidindo com o 75° aniversário da sua ordenação – que foi precisamente no 3° Domingo do Advento, mas em 1944 – uma solene Missa Pontifical.

Original: alemão (23/12/2019). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

 

 

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