Colocado em 19. Outubro 2017 In Dilexit ecclesiam

“Aceitei esta tarefa pelo Dilexit Ecclesiam do Pai” – Entrevista ao Padre Alexandre Awi

SCHOENSTATTEANOS AO SERVIÇO DA IGREJA: Pe. Alexandre Awi,  novo Secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida

No passado dia 1 de Setembro, Alexandre Awi, Padre de Schoenstatt do Brasil e, até ao mês de Maio p.p. Director Nacional do Movimento desse país, assumiu, oficialmente, o seu cargo como Secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. Antes de iniciar as suas novas incumbências e, depois de ter vivido já alguns meses na casa dos Padres de Schoenstatt no Trastevere, Roma, onde concluiu a sua tese de doutoramento e estudou italiano, peregrinou a Schoenstatt, onde tivemos a oportunidade de o entrevistar. A data do início do seu secretariado coincide, providencialmente, com o aniversário da publicação da versão alemã do seu livro: Maria é minha mãe”, sobre a relação do Papa Francisco com Maria. Aproveitou a ocasião para agradecer ao Pe. Egon Zillekens que, tornou possível a tradução do livro para alemão, por meio de, uma iniciativa de angariação de fundos e, a Maria Fischer por ter feito a tradução e conseguido a publicação na Editora Benno.

Na entrevista que concedeu em Agosto à redacção de schoenstatt.org falou, entre outras coisas, do seu novo cargo, do Sínodo da Juventude que está a ser preparado com o maior inquérito da história da Igreja e do desafio do Dilexit Ecclesiam neste momento histórico de Schoenstatt e da Igreja. O lugar onde decorreu a entrevista foi significativo: a sala, na Casa Marienau, onde o Pe. Kentenich costumava receber as visitas. Nesse lugar, ao receber a Peregrina que lhe enviara João Pozzobon, falou sobre a “nova Pastoral” que procuramos e que podemos encontrar na obra de Seu João. Ali, também houve muitas trocas de impressões sobre a Igreja pós-Conciliar e sobre a contribuição de Schoenstatt ao sair desse tempo em que se tinha que proteger, de traçar o seu perfil, de garantir a sua integralidade e de se orientar rumo ao Dilexit Ecclesiam e ao serviço da Igreja. Em 14 de Setembro de 1968, depois do jantar, o Pe. Kentenich saiu daqui para o Monte Schoenstatt e, na manhã de 15 de Setembro, para a sua última Missa em vida, quando foi chamado para o Pai. 

1 – Pe. Alexandre, em que consistem, concretamente, este novo Dicastério e as tarefas que assume dentro do mesmo?

Agradeço a oportunidade de falar à Família de Schoenstatt sobre este novo trabalho, do qual ainda não sei muito, visto que, estou a começar e tenho que aprender. O Dicastério é novo também, ainda que, seja a conjunção de vários Dicastérios e, portanto, já havia um trabalho de serviço à Santa Sé, aos Leigos, à Família e à Vida, mas, agora, estão unidos num único Dicastério.

Tenho o encargo de ser o Secretário deste Dicastério, isto é, há o Cardeal presidente e, a seguir vem um secretário que, segundo o novo estatuto, segundo as reformas da Cúria, pode chegar a ser um leigo. Nesta primeira etapa, quiçá, o Papa ou o Cardeal preferiram que fosse um sacerdote, mas, pode ser que o próximo seja um leigo e, isso, parece-me muito interessante. Depois, cada uma das três secções: Leigos, Família e Vida, têm um sub-secretário que, ainda não está nomeado mas, provavelmente, os três serão leigos.

A minha tarefa é ajudar na coordenação de todas estas áreas para que, possam colaborar entre elas e que possamos acompanhar todo este processo. Na realidade, há muitos assuntos que têm a ver com este Dicastério, começando pelo tema dos leigos. Quando se chamava Pontifício Conselho para os Leigos, tinha umas quatro secções principais, incluindo o trabalho com a Juventude, a Jornada Mundial da Juventude, o trabalho com os Movimentos e as Novas Comunidades, assim como, as Associações laicais que recebem ali a sua aprovação e são acompanhadas e, caso seja necessário são estudadas. Ali, estão todos os Movimentos, até, o desporto está neste Dicastério dos Leigos. A seguir vem a secção das famílias. Como se sabe, todos os assuntos que dizem respeito à família, como as Jornadas Mundiais da Família e o Encontro Mundial de Famílias, são organizados por este Dicastério. Nele está a preocupação pelo assunto da Família e pelo apostolado da Igreja. O Dicastério em geral, está ao serviço das Dioceses, por isso, os Bispos nas suas visitas “ad limina” (a Roma) passam pelos Dicastérios, trazem as suas perguntas, os seus temas, as suas preocupações e o Dicastério ouve-os também. Ou seja, há um contacto constante com as Dioceses e com as Conferências Episcopais.

A seguir, vem o tema da vida que, é a proteção da vida desde a concepção até à morte natural mas, sob uma perspectiva pastoral, visto que, existe uma Pontifícia Academia da Vida que está associada ao Dicastério mas que, não depende dele e, que se preocupa com a parte mais académica do diálogo com os académicos, os cientistas e outros interlocutores. O assunto da Pastoral no que diz respeito à vida vai ficar vinculado a este Dicastério e, isso, é totalmente novo, não existia anteriormente. Então, como veêm, é um espectro muito amplo de tarefas e vamos ver como podem ser acompanhadas. Parece-me que a minha incumbência é ajudar o Cardeal e os sub-secretários, ser um pouco como uma ponte e ajudar em todos os âmbitos que eu possa.

 

 

2: “Jovem, Francisco quer ouvir-te” – com este lema, os jovens do mundo inteiro, não só os católicos, estão convidados a participar num inquérito para a preparação do próximo Sínodo, em Outubro de 2018, cujo tema será: ”Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Que papel tem a participação dos jovens?

A participação no Sínodo é um desejo muito grande do Santo Padre. Eu participei por Schoenstatt, representando-o, antes de ser nomeado Secretário. Participei com uma jovem da Áustria, fomos os representantes: o adulto e o jovem. Todos os Movimentos e as Conferências Episcopais tinham a possibilidade de enviar um representante.

De facto, na Conferência do Brasil esteve presente um participante da Juventude de Schoenstatt, em representação dos jovens do Brasil, deste modo, havia três schoenstatteanos nesse encontro. À noite, tivemos um encontro com o Papa em Santa Maria Maior, onde ele falou muito especificamente do desejo de que todos participem no inquérito e reafirmou que a Igreja quer ouvir os jovens.

A ideia é, precisamente, fazer que, participe a maior quantidade possível de gente e, não só gente da Igreja, pois, vai ser muito interessante ouvir o que os jovens de fora da Igreja têm para dizer. Seguramente, vai chegar de tudo mas, eu imagino que, depois na secretaria do Sínodo, se organizarão as respostas e vai ser importante ouvir os jovens. Creio que vale a pena porque é um inquérito aberto, em que, todos podem dizer o que quiserem e, certamente, daí vão sair inquietações a que a Igreja tem que dar resposta.

Creio que esse é o grande valor deste inquérito e agradeço à equipa de schoenstatt.org que se possa fazer-se eco desta iniciativa e divulguem o inquérito que é aberto a todos. É questão de que saibam que existe este canal e, quanto mais se saiba mais se poderá participar e mais retro-alimentação vão receber também os que estão a organizar o Sínodo. Por exemplo, no mês de Setembro houve um novo encontro de preparação para o Sínodo. Não estive, directamente, envolvido nisso, porque comecei com as minhas novas tarefas apenas em 1 de Setembro e, tudo é ainda muito novo para mim. O que sei é que houve participação da secção de jovens do nosso Dicastério e que o rapaz da Juventude Masculina do Brasil foi novamente convidado a participar. Embora, para este encontro só tenham vindo alguns dos 300 que participaram lá, o jovem brasileiro veio a Roma convidado pela Secretaria do Sínodo. E é uma graça ter tido lá um schoenstatteano dando a sua contribuição.

 

É verdade que é a primeira vez que um Sínodo de Bispos trata o tema da Juventude?

É verdade, é a primeira vez. O tema da Família já tinha sido tratado nos anos oitenta e, daí saiu a Familiaris Consortio, no tempo do Papa João Paulo II mas, sobre a Juventude é a primeira vez. Assim que, me parece que é uma novidade. Foi um desejo do Papa e alegra-me muito que se fale disso porque é fundamental para a vida da Igreja ouvir os jovens, responder às suas perguntas e acompanhá-los no seu processo de crescimento vocacional, pessoal e do seu compromisso com a Igreja. Isto é muito importante…

Nós fomo-nos dando conta de que muitos jovens de Schoenstatt, inclusivamente, outros coordenadores ou encarregados, não sabiam, nem do Sínodo, nem do inquérito. Que podemos fazer para chegarmos ainda a mais pessoas, em particular dentro do nosso Movimento?

Eu diria primeiro que o caminho foi via Conferências Episcopais. Precisamente, no encontro em Abril demo-nos conta que algumas Conferências estavam muito avançadas e outras muito pouco, sobretudo, as do hemisfério sul, visto que, o início do inquérito e das consultas foi justamente em tempo de férias. Por isso, não puderam participar, não souberam muito. Agora, já o estão a fazer mas, creio que, nesta esta altura as consultas às Conferências Episcopais e aos Movimentos já estão concluídas e será preciso participar mais através do inquérito geral que está no site.

Por isso, escrevi para chamar a atenção dos Assessores e dos jovens de que deveriam participar. Não o fiz como iniciativa pessoal nem como secretário, visto que, ainda não o era, nem sabia, mas como representante de Schoenstatt nesse encontro. Sei que há pessoas a fazê-lo mas também sabemos que estes caminhos na Igreja nem sempre são fáceis de encontrar, como se costuma dizer, é o caminho das pedras por onde devemos ir. Os Bispos, pelo menos, no Brasil, recomendaram que se faça tudo através das Dioceses e, alguns terão participado nas Dioceses, nos encontros mas, outros não. Isto deve mudar. Talvez em alguns países seja possível apresentar uma contribuição directamente ao Movimento, razão pela qual, teríamos que nos informar em cada país como está a funcionar o inquérito. Embora, já seja um pouco tarde, o que se pode fazer é tratar de nos informarmos se o Movimento, se os jovens de Schoenstatt de tal país querem, ainda, entregar uma contribuição à Conferência Episcopal, se ainda houver tempo. Se não houver, pelo menos, enviar ou fazer o que se puder através da página web.

O inquérito na página web continua aberto e creio que vai continuar aberto até ao fim de Novembro. Há que aproveitar este tempo.

 

3: Em 17 de Agosto completaram-se 10 anos da aprovação do Documento de Aparecida. Um artigo da Rádio Vaticano intitulava-se nesse dia. “O que Bergoglio levou de Aparecida para Roma”. Da sua perspectiva de colaborador próximo do Cardeal Bergoglio na redacção do Documento de Aparecida, o que é que Francisco levou de Aparecida para Roma?

Não li o artigo, assim que, não sei se iremos coincidir mas, acredito que levou muito mais do que se pensa. De facto, no livro que escrevi sobre ele e a sua relação com Nossa Senhora, falo desse assunto e digo que o Papa de alguma maneira foi forjado em Aparecida, como o expressou Monsenhor Fernández num artigo sobre esse assunto.

Acho que muitas das inquietações de Aparecida coincidiram com as inquietações do Papa e, ele, por estar na comissão de redacção, ajudou a que isso pudesse ter uma presença em Aparecida. O espírito missionário, o valor da piedade popular, o espírito mariano, a preocupação pelos pobres, que continuemos a fazer a opção pelos pobres, com o espírito de discípulos e missionários e, não, a partir de ideologias, porque isto para ele é muito importante.

Sobretudo, este impulso que na América Latina foi chamado A Missão Continental, ou seja, uma Igreja em estado permanente de missão, isso é o que ele quer que a Igreja universal viva, essa atitude missionária. Do anúncio, em primeiro lugar, mais do que a preocupação com os pormenores doutrinais. Uma Igreja, em primeiro lugar, aberta para acolher as diferentes realidades que existem dentro e fora d’Ela. Uma Igreja comprometida com a transformação social. Parece-me que, tudo isto, já está muito forte em Aparecida. Só que, para o mundo, principalmente para os que não são Latino-americanos, para a Igreja fora da América Latina, talvez antes de Francisco, pouco se tenha ouvido falar de Aparecida mas, a Igreja da América Latina tem uma longa tradição de cinco Conferências Episcopais que marcaram o caminho da Igreja, muito fortemente, ao longo dos últimos 60, 70 anos. Acho que, Francisco foi, de alguma maneira, porta-voz desta voz da América Latina para o mundo.

Uma coisa que me calhou estudar um pouco agora, por causa da minha tese de doutoramento, foi o papel da Igreja Latino-americana na Igreja universal. Há autores que o Papa admira muito, como Alberto Methol Ferré, um uruguaio que já falava muito da geopolítica eclesial, não no sentido da politiquice, mas em, como Deus, em diferentes momentos da história, escolheu povos e Igrejas particulares que tiveram a oportunidade de influenciar a Igreja universal. O exemplo que dava Methol Ferré é precisamente o do Vaticano II, a presença da Igreja europeia, especialmente, os alemães e os franceses que, durante décadas deram uma contribuição muito forte. Um pouco, profeticamente, antes de morrer, Methol Ferré, chegou a falar sobre a eleição de Bento XVI. Perguntaram-lhe se já era a altura de que a Igreja Latino-americana da qual ele era oriundo, porque também trabalhou no CELAM e outras instituições, se era a altura de haver um Papa Latino-americano e ele disse que não, ele estava a favor de Bento XVI e acreditava que o Cardeal Ratzinger era a pessoa correcta para essa altura, mas dizia: “Talvez o próximo”.

Bom, ele era um amigo pessoal de Bergoglio e não acho, não sei se alguma vez pensou em Bergoglio. Visitava-o muitas vezes em Buenos Aires mas, são os caminhos de Deus de que realmente este Papa, e na entrevista disse-mo assim: sabias que Methol Ferré já tinha dito isto e que se eu? E eu disse-lhe: “sim, sim, soube-o”. Mas realmente é curioso, acho que, agora, chegou um certo momento de maturidade da Igreja Latino-americana para fazer esta contribuição e acho que Aparecida faz parte desta maturidade à qual chegou também a Igreja na América Latina e o Papa é portador, de alguma maneira, desta mensagem para a Igreja universal.

E o Padre Alexandre, que leva para Roma da América Latina e de Aparecida?

Em primeiro lugar, levo a experiência em Schoenstatt, porque toda a minha formação e o meu trabalho foi a partir do Movimento, coordenando o trabalho da Central de Assessores, trabalhando com a Juventude. Dentro da minha função sou consciente de que há muitas coisas que não sei, não sou especialista. Por exemplo, precisamente, nos temas das famílias e dos leigos, não sou especialista. O pouco que conheço da Juventude e de Movimentos é pela experiência que temos tido, assim como, o papel que tive um pouco de coordenar um trabalho.

Talvez, estas coisas me possam servir, a partir de Schoenstatt, a partir do terceiro objectivo de Schoenstatt, de alguma maneira, essa experiência federativa que tive muito forte na Família e com muita alegria no trabalho conjunto com os outros Assessores da Central de Assessores, isso deu-me muita alegria. Isso, de alguma maneira, espero poder levar para Roma, como experiência vital e também de compreensão do valor dos Movimentos, do valor destas iniciativas do Espírito Santo dentro da Igreja e toda a contribuição da Juventude. Um pouco disto, eu conheço e outras coisas, tenho que aprender e, certamente, vou aprender muito, tenho que ouvir muito, certamente, deixar-me complementar muito.

A respeito de Aparecida, esse mesmo espírito, não posso negar que penso de modo muito parecido, fui formado na mesma escola, participei na Conferência de Aparecida: eu era um jovem Padre, tinha só seis anos de sacerdócio ou menos. De 2001 a 2007, sim, ia completar seis anos de sacerdócio. Cresci, tive aulas, mas numa Igreja que já bebeu um pouco desta fonte de Aparecida. Esse espírito missionário foi muito forte na juventude também, eu acompanhei as Missões e todo o trabalho do Movimento no Brasil, um Movimento, nitidamente missionário, com a Campanha da Mãe Peregrina, o Terço dos Homens que são iniciativas muito amplas de uma Igreja em saída. Esta Igreja em saída é a que nós queremos também, de alguma maneira, contribuir para que continue e num campo tão propício a isso como o são os leigos que, têm uma missão muito directa no mundo, tal como, os Jovens, as famílias missionárias, uma Igreja aberta a todas estas realidades. Enfim, oxalá possamos continuar a levar este espírito “à Igreja universal.

 

Nossa Senhora de Aparecidaa

5: Como podemos e devemos viver hoje, como Schoenstatt do segundo século da sua existência, o Dilexit Ecclesiam tão importante para o Padre Kentenich? Como mostramos com obras, com gestos concretos que realmente amamos a Igreja?

Posso dizer como testemunho pessoal que só aceitei este cargo pelo Dilexit Ecclesiam do Pai. Por isso, é realmente bonito estar aqui e, também estive no Túmulo do Pai que para mim é o lugar predilecto de Schoenstatt. Acho que a nossa missão como Família é levar o seu carisma à Igreja. Isso dá-se nesse contacto com a Igreja concreta nas Dioceses, nas Paróquias, na Igreja universal. Sempre se falou disso, A cada um lhe calha no seu ambiente, no seu momento. A mim calha-me agora e, depois espero, regressar à base, um dia, voltar ao Movimento. A outros caber-lhes-á noutra altura fazê-lo e cada um terá que se perguntar. Onde precisa de mim a Igreja? No trabalho na minha Paróquia, ou no meu trabalho no Movimento que sempre é um serviço à Igreja também, mas a partir do carisma do Pai, que significa estar também disposto para o sacrifício, disposto para as incompreensões. Obviamente, o Pai sempre muito fiel aos Papas, à Igreja em geral tratou de que Schoenstatt desse uma contribuição concreta à Igreja pós-Conciliar

Creio que temos uma missão em Schoenstatt: continuar a dar resposta à Igreja pós-Concílio, a dar resposta ao Papa actual e às suas iniciativas e vendo nisso a acção do Espírito, ou seja, um espírito realmente eclesial que marque todos os Ramos, todas as Comunidades, as Ligas que, marque as iniciativas apostólicas que temos no Movimento, que são de tipos diferentes mas sempre a partir  da Igreja, tratando de dar resposta aos impulsos do Papa.

Creio que o Congresso de Pentecostes (2015), deu resposta muito bem a isto, dizendo que a nossa resposta como Schoenstatt pós-centenário é o “Schoenstatt em saída”. Não estive no Congresso mas, sinto-me muito identificado com os seus resultados e acho que desde o Congresso de Pentecostes temos as linhas a seguir, que temos que continuar a desenvolvê-las em vários aspectos para que Schoenstatt hoje possa realmente oferecer o seu serviço e cumprir a sua missão para a Igreja em tempos do Papa Francisco. Que cada um, ali onde Deus o chama, possa dar essa resposta. Nunca imaginei que a minha seria neste lugar em Roma mas, se Deus o pediu tratarei de fazer o meu trabalho o melhor que eu possa

 

Dilexit Ecclesiam

6 – Estamos a um ano do lançamento do seu livro “Maria é minha mãe” na versão alemã. O que devemos nós aprender, como Movimento, e em geral, do amor que Francisco tem a Nossa Senhora?

Poderia falar durante horas…É também o tema da tese de doutoramento que acabo de terminar de escrever e que ainda tenho que defender. É o tema da “Piedade Popular Mariana” é muito importante para o Papa Francisco e também para nós como Movimento. Realmente, temos que acreditar na força da piedade popular mariana. Para mim, foi um achado poder descobrir, através das duas entrevistas que lhe fiz, (uma é a publicada no livro e a outra é posterior), esse mundo interior que ele tem e esse vínculo forte a Nossa Senhora que tem o povo como medianeiro.

O Pe. Kentenich nos anos trinta falou, claramente, sobre este movimento popular e que teríamos que o descobrir, visto que era um complemento de todo o trabalho que fazíamos com as elites. Isso, é muito claro para o Papa: a importância da Igreja estar enraizada no povo. Eu venho de um país onde Schoenstatt se expandiu, principalmente, no meio popular e que, tem dado respostas muito interessantes a partir do Espírito Santo e também a partir de Schoenstatt: a Campanha da Mãe Peregrina, o Terço dos Homens são iniciativas populares. Também temos os Santuários Paroquiais de Schoenstatt que são uma coisa muito positiva no Brasil. Nisso, temos uma experiência na qual Schoenstatt, realmente, lançou raízes no meio popular, com muito bons frutos e frutos schoenstatteanos autênticos como, por exemplo, João Luiz Pozzobon. Então, damo-nos conta que aí há uma riqueza enorme que, oxalá, continuemos a descobrir que, estejamos orgulhosos disso e que, em nenhum momento, “arriemos a nossa bandeira” mariana, a nossa experiência mariana.

Nós somos um Movimento que nasceu de uma Aliança de Amor com Nossa Senhora. Temos que continuar a acreditar na força dessa Aliança e a acreditar que esse caminho, via Aliança de Amor com Maria, é realmente um instrumento de transformação para o mundo. Creio que o Papa também acredita nisso, que o vínculo a Nossa Senhora é muito importante para uma autêntica vivência cristã e para a transformação da sociedade, especialmente pela opção pelos pobres. Há uma dimensão social na devoção mariana.

 

Com o Pe. Egon M. Zillekens e o livro em alemão

Pe. Alexandre, como sempre no final das nossas entrevistas, as famosas “sete perguntas”:

Um livro A Jornada Pedagógica de 1931, do Padre Kentenich
Uma data 18 de Outubro de 1914
Uma frase O ouvido no Coração de Deus e a mão no pulso do tempo
Uma imagem A imagem da MTA
Um gesto A Aliança de Amor, o gesto mais forte de Deus
Uma pergunta ao Padre Kentenich O que faria se estivesse agora no meu lugar, o que me cabe a mim?
Um sonho Schoenstatt realmente em saída

 

Na sala do Padre Kentenich na Casa Marienau

 

Transcrição, redação: Eduardo Shelley, Tita Andras, Claudia Echenique, Maria Fischer. Entrevistadora: Maria Fischer

Original: espanhol (4/9/2017). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

Página do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida

 

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