P. Juan Manuel

Colocado em 2021-01-31 In Schoenstatteanos, Vida em Aliança

Um grande instrumento para Schoenstatt no México: O Pe. Juan Manuel Pérez Romero

MÉXICO, equipa editorial •

Com grande tristeza, a 26 de Janeiro de 2021, a Coordenação Nacional de Schoenstatt no México partilhou a notícia da partida do Padre Juan Manuel Pérez Romero para a Casa do Pai, devido a complicações do COVID-19. —

Na carta, também publicada no site oficial de Schoenstatt no México, pode ler-se: “Unimo-nos em profunda gratidão pela sua entrega  sacerdotal  nos seus 46 anos de ministério frutuoso, e também por ter sido um grande instrumento de Deus na chegada e crescimento da nossa espiritualidade ao México, com um grande amor e devoção à Mãe Rainha Três Vezes Admirável e à Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt.

Durante o seu tempo de estudos em Roma, Itália, teve a oportunidade de conhecer e contactar com o Movimento de Schoenstatt, e rapidamente se interessou pela espiritualidade. Ao regressar a Querétaro, México, começou a formar os primeiros grupos de vida e mais tarde, juntamente com as Irmãs de Maria, fez crescer o Movimento em Querétaro e, a partir de Querétaro. Esteve presente e envolvido na construção e bênção do primeiro Santuário de Schoenstatt – Coração Fiel da Igreja – em 1980, e incansavelmente continuou a partilhar a imagem e devoção à Mater em todos os lugares onde Deus o conduziu.

Entrou no Instituto Secular dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt, do qual foi formador até agora.

Certamente Maria irá recebê-lo no Céu com um abraço maternal e levá-lo-á ao encontro definitivo com o Senhor.

Continuamos unidos na nossa gratidão pelo Pe. Juan Manuel e rezamos pela sua comunidade e família.

“A morte do Padre Juan Manuel Pérez Romero, ocorrida ontem às 14 horas, comoveu o povo de Querétaro até ao mais profundo dos seus sentimentos”, lê-se no jornal “Noticias”.

O testemunho de um irmão de Curso

P. Juan Manuel

Pedimos ao seu irmão de Curso, Pe. Raúl, do Chile, um testemunho sobre o Pe. Juan Manuel:

“Descrevi o Pe. Juan Manuel como “heróico”, por causa de dois traços ou episódios dos quais tive conhecimento directo e cheio de admiração.

Para os apreciar na sua justa dimensão, deve ter-se em mente que, de acordo com a prática tradicional da Igreja no México, os seminaristas ou padres recém-ordenados que foram enviados para Roma para estudar e obter diplomas e graus académicos, estavam destinados a tornar-se Bispos. Em confirmação disto, o Pe. Juan Manuel foi nomeado Reitor do seminário para sacerdotes, um cargo que, normalmente, culmina numa eleição para o episcopado.

Bem, chegou uma altura na sua Diocese de Querétaro em que, uma nomeação como Pároco e Reitor de um Santuário que, ninguém queria assumir, ficou vaga. Era um lugar muito longe dos grandes centros urbanos, muito difícil de aceder e privado de meios de comunicação modernos, tais como telefones celulares e  Internet. Não sei se o Padre Juan Manuel conhecia a disposição da nossa Regula Patris (Constituições), segundo a qual um sacerdote diocesano de Schoenstatt tem de estar disposto a oferecer-se para assumir uma missão pastoral que outros não querem aceitar. O facto é que, este  óbvio e brilhante candidato a ser eleito Bispo não hesitou por um momento e disse sim, de coração, ao que ele sabia que seria uma espécie de exílio por tempo indefinido, no que diz respeito aos seus vínculos familiares, sacerdotais e culturais. A sua imperiosa caridade de serviço, humilde e silenciosa, prevaleceu sobre qualquer desejo secreto ou manifesto de subir na hierarquia e honras eclesiásticas. Deus recompensou-o, facilitando a conversão deste deserto num pomar, de acordo com a promessa bíblica”.

Condenado ao silêncio

Já gozando de fama e estima pela sua humilde dedicação a cada pessoa e pela sua admirável capacidade de conceber e moldar instituições de caridade e centros devocionais, particularmente marianos, tudo pressagiava uma próxima eleição como Bispo. Mas Deus tinha outros planos. Uma misteriosa doença abateu-se sobre ele, o que o privou quase inteiramente da fala. Era um ministro ardente da Palavra e foi condenado ao silêncio para toda a vida. Ele só conseguia resmungar de forma difícil de compreender, obrigando-o a depender de um intérprete para pregar e comunicar em geral. Deve ter sido uma restrição invalidante e humilhante. Nunca ouvimos ou lemos sequer uma queixa dele. Raramente, testemunhei um silêncio tão eloquente. Foi a obediência aos inescrutáveis desígnios de Deus, que raramente coincidem com os nossos planos ou desejos.

Amar, servir, rezar, sofrer

Considero um privilégio tê-lo conhecido e privado com ele, em Roma, na Alemanha, no Chile e no México, sempre o mesmo, sempre ele próprio, simples, de uma só peça, acolhedor, alegre e brilhante, espirituoso e afável, gerador de vínculos e muito dedicado à Virgem Mãe de Deus. Para mim, um homem santo, 100% sacerdotal, e heróico, pelas duas razões acima descritas.

Agora está a descansar da sua fadiga e limitações severas. Mas pode falar e, de facto, fala, desde a eternidade, com o seu testemunho virtuoso de uma vida dedicada aos seus quatro pilares: amar, servir, rezar, sofrer.

Ele foi à nossa frente para colonizar o Céu e preparar-nos um lugar, como Ver Sacrum Patris.

Obrigado, querido e admirado Padre Juan Manuel. É impossível esquecer-te. Continua a falar em nome de todos aqueles que te conheceram e desejam encontrar-se contigo novamente. Onde não há mais morte, não há mais gritos, não há mais lágrimas, não há mais dor. Apenas aquela Luz da qual foste uma testemunha fiel e incansável provedora”.

Colaboração: Gabriela de la Garza, Monterrey, México; P. Esteban Casquero, Daireaux, Argentina.

 

Original: Espanhol (29/1/2021). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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