Colocado em 2017-02-06 In Francisco - Mensagem

As Paróquias para a rua, qualquer instituição para a rua, para a rua no sentido de sair para procurar portas abertas

PAPA FRANCISCO EM ENTREVISTA, via ACIprensa  •

O Papa Francisco concedeu uma nova entrevista, desta vez ao canal católico El Sembrador (ESNE) na qual falou sobre diversos temas como a missão dos leigos, a necessidade de a Igreja estar em saída, os jovens, as mães solteiras, os idosos, entre outros. Ainda que, a entrevista tenha sido realizada no passado dia 22 de Novembro de 2016, só foi transmitida no Domingo 29 de Janeiro às nove horas da noite, hora de Los Angeles, Estados Unidos.

A entrevista foi realizada pelo jornalista e fundador do ESNE, Noel Díaz que, durante o vôo da viagem que o Santo Padre fez ao México em Fevereiro de 2016, lhe engraxou os sapatos, contando-lhe que isso era o que fazia quando era criança, desde os 8 anos, para ajudar a manter a sua família.

A seguir e graças ao ESNE, o texto completo da entrevista transmitida no Domingo, 29 de Janeiro:

 

NOEL DÍAZ: Queridos amigos, irmãos e irmãs em Jesus Cristo, estamos aqui em Santa Marta e muito emocionados, não sei se posso dizer o que penso mas, aqui estou com o Papa Francisco que nos permitiu vir cumprimentá-lo mas também, partilhar umas palavras para cada um de vós, queridos amigos que sintonizam este canal católico El Sembrador Nueva Evangelización Rádio e TV. Este microfone é seu. Gostaria primeiro de lhe agradecer em nome de todos os Latino-americanos e dos emigrantes que somos nós. Primeiro agradecer-lhe e ouvi-lo.

Papa Francisco: Agradeço-lhe a visita e se veio com vontade de me fazer falar assim que dê a si próprio esse prazer e pergunte.

NOEL: Bem, primeiro gostava de lhe pedir que dirija umas palavras para as pessoas que estão nos Estados Unidos e, muita gente, agora mesmo, está com medo, sem nos metermos em políticas, simplesmente uma mensagem para o nosso povo, para a nossa gente e, não apenas, Latino-americanos, porque os há de diferentes países numa situação similar.

PAPA FRANCISCO: Não se esqueçam que temos uma mãe. Quando Juanito, hoje, S. Juan Diego se esquivava um pouca a Nossa Senhora, à Mãe, porque…esta Senhora me mete em sarilhos, Ela disse-lhe: “Menino Juanito, não tenhas medo, por acaso, não estou eu aqui que sou a tua Mãe?” Nós somos um povo que também tem uma Mãe e Jesus deixou-no-l’A, a Sua Mãe e nossa Mãe e, um povo com mãe tem que se sentir seguro. Os monges russos da época medieval ou anterior a isso, tinham um conselho muito lindo. Diziam “quando há turbulências espirituais, devemos acolher-nos sob o manto da Santa Mãe de Deus”; e isso é o que posso e quero dizer-lhes, Ela disse-o ao Juanito na sua língua, “não tenhas medo”. Por acaso, não estou eu aqui que, sou a tua Mãe?”. E, isto é a saudação que vos quero dar.

NOEL: Vossa Santidade, disse-me em duas ocasiões, a primeira quando lhe engraxei os sapatos no avião e a segunda quando me escreveu e me disse:” lembro-lhe que diga aos leigos que saiam das catacumbas”. Qual é essa missão que me dá e que nos dá aos leigos?

PAPA FRANCISCO: Às vezes, acho que o melhor negócio que podemos fazer com muitos cristãos é vender-lhes naftalina para porem na roupa e nas suas vidas e, não se deixem dormir, porque estão encerrados e vão dormir. Têm que sair, têm que ir levar a mensagem de Jesus; a mensagem de Jesus não é para ser guardada para si próprio. A mensagem de Jesus é para ser dada; assim como, eu a recebo d’Ele. Através de um irmão ou de uma irmã vem-me essa graça, eu dou-a. Isso é o que têm que fazer todos os cristãos. Eu não posso guardar em conserva a mensagem de Jesus. Não é para ser guardada, é para ser dada. Então, cada um vê que essa mensagem passa pelas minhas mãos e, eu vou-a entregando e desse modo saio das catacumbas.

NOEL: Esse chamamento é…Definitivamente temos que o fazer já?

PAPA FRANCISCO: Claro. Ou seja, as Paróquias para a rua, qualquer instituição para a rua, para a rua no sentido de sair para ir procurar portas abertas. O meu coração para a rua, isto é, o meu coração cristão aberto a uma mensagem para aquele que sofre, para aquele que está a passar um mau momento, para o doente, isto é, as obras de misericórdia que são como que a coluna vertebral do Evangelho. Se nós lermos as perguntas que Jesus nos fará quando nos julgar, são as obras de misericórdia, Mateus 25, tive fome deste-me de comer…

NOEL: Nisso está tudo. Acha que as Paróquias em todo este tempo que o senhor nos diz que quer uma Igreja em saída, não devemos ser evangelizadores com cara azeda e todas essas lindas formas com que nos exorta. Alguns irmãos separados são visíveis nas ruas, eu desejava que tivéssemos uma presença mais visível nas ruas. Que nos falta, Santidade?

PAPA FRANCISCO: Coragem, coragem, não? Estamos acomodados e a comodidade atraiçoa-nos. Coragem para sair, essa que tinha S. Paulo, esse fervor apostólico. E, levar, levar o que recebemos. Recebêmo-lo gratuitamente, dá-lo gratuitamente. Mas a coragem…

NOEL: O senhor usou uma frase quando esteve no México tendo, eu tido a felicidade de o acompanhar. Disse uma frase, eu ia com alguns sacerdotes argentinos que se riram e eu não entendi, disse-lhes, não venho para “vos passar a mão pelo pêlo”

PAPA FRANCISCO: Passar a mão pelo pêlo é “que bons que vocês são”, adular, não. Venho espicaçar-vos para que saiam, um cristão sem coragem não é cristão. Qual é o último Mandamento de Jesus aos Seus Apóstolos? Vão aí à esquina, não. Vão à outra povoaçãozinha aí ao lado? Não! Vão à outra cidade maior, não. Vão por todo o mundo, apresentou-lhes esse horizonte. Isso é a coragem: no final de Mateus 28, não é? Vão por todo o mundo, ensinando as coisas que eu vos ensinei e baptizando em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e, saibam que eu estarei convosco até ao fim dos tempos! E, esse é o sustentáculo da coragem, primeiro vem da Mãe e agora de Jesus.

Jesus é quem nos mantem na coragem apostólica. Quem nos segura para levarmos a mensagem e, eu faço-o. Estou em casa e fulano está doente, vou vê-lo e deixo cair um pedacinho de palavra a quem tem uma dificuldade…um pedacinho de palavra. Não sei, cada um veja o modo como pode levar isto para a frente.

NOEL: O senhor também diz a todos aqueles que servem, sobre não nos tornarmos donos de coisas ou de posições e, não deixar, às vezes que, quem venha, porque quer ir à procura de Deus, se encontra com situações que, em vez de atraírem, nos fazem não cumprirmos esse trabalho como deveria ser. Sei que deve ter repetido isto muitas vezes. O ter este diálogo consigo – não é para um canal secular – é para nós, é para a família, por isso, pergunto-lhe com confiança. O senhor já o repetiu mas, continua a ocorrer esta situação, quando se fala da construção de muros, também nós, dentro da Igreja, temos muros. Que fazer para derrubar estes muros?

PAPA FRANCISCO: Uma imagem que costumo usar muito, é que as igrejas têm que ter as portas abertas. Uma igreja com portas fechadas, não serve para nada. No Apocalipse há uma coisa muito bela – está no capítulo 1 ou 2 – quando Jesus fala às sete Igrejas e, a uma delas lhe diz:” Eu estou à porta e chamo, se alguém me abrir eu entro e vou cear com ele”. Ou seja, Jesus que bate à porta do nosso coração para que lho abramos mas, a mim ocorre-me pensar, como sou muito mauzinho! Vem-me ao pensamento que, muitas vezes Jesus está a bater à porta mas, do lado de dentro, para que O deixem sair para ir evangelizar. Às vezes, nós, cristãos, temos o coração fechado. Uma igreja que tem as portas fechadas, é uma igreja que tem Jesus a bater às portas, do lado de dentro, porque quer sair.

NOEL: Qual é essa mensagem, concretamente, para nós, os leigos, dentro de um desejo genuíno de levar Cristo, com frescura, com alegria, como o senhor o disse? Não vir com uma atitude que, não atrai ninguém. O senhor já o disse, muita gente não é atraída quando está a ser zurzida, quando está a ser ameaçada. Todo esse tipo de coisas que acontecem. Como devemos nós, os leigos, ser eficientes? Já o disse numa palavra – coragem – temos que ter coragem mas, que mais ingredientes nos faltam para estarmos convictos da nossa fé?

PAPA FRANCISCO: Esta é uma ideia minha, mas estou, praticamente, certo que, assim é, falta oração. Porque sem oração não há coragem, falta intercessão, temos que rezar mais e sair mas, sempre com oração, porque saio com o Senhor. Não é? A oração é o que me une ao Senhor, educar na oração, na leitura meditada da palavra de Deus e orante, não? Creio que, tecnicamente, lhe chamam Lectio Divina, não? Este é um exercício tão lindo e, todos temos um quarto de hora por dia, para o fazer, pegar na Bíblia, um bocado e ruminar um bocadinho e rezar, a seguir a oração e rezar.

NOEL: Que desejaria ver nos lares, se a Igreja em saída vai aos lares? Porque menos de dez por cento vão à igreja mas, 90% está de fora, temos que ir procurá-los, porque às vezes, estamos sempre com o mesmo grupo, temos que sair mas, se fôssemos às casas e nos abrissem a porta e nos dissessem “precisamos de oração, a minha família está dividida, tem problemas”. Muitos grupos fizeram acto de presença, mas! Não gostaria de ver brigadas de misericórdia, grupos que façam a Lectio Divina na casa, que façam a oração do Terço, ou que se consagre a família, a igreja doméstica, a Jesus, a Nossa Senhora? O que gostaria de ver?

PAPA FRANCISCO: Tudo isso que você disse. É tão grande a variedade de coisas. Que as Bem-aventuranças vão crescendo nessa casa, são um programa evangélico. As Bem-aventuranças.

NOEL: Santidade, muitos meios de comunicação fizeram-lhe a pergunta. Que legado quer deixar? Um sacerdote muito místico, disse-me: “sinto que o Papa tem muitas coisas, que quer deixar e dizer em determinado momento. O senhor como Sumo Pontífice da Igreja. Há coisas que, quer dizer? Disse Jesus, deixou sete palavras, que seriam essas coisas como chaves.

PAPA FRANCISCO: Igreja em saída é uma. Portas abertas, sair, cristãos na rua, cristãos convictos. Igreja orante, não posso levar Jesus se não falo com Ele, se não O conheço. Igreja orante intercessora, quero tocar num pontinho que é chave, cristãos que saibam adorar o Senhor, adorar a Deus. O acto de Adoração em silêncio, um acto de adoração, sai-se com a força de se saber que há alguém lá em cima que é o Senhor, é Deus, é a força maior, adorar a Deus. Eu Te adoro Senhor. Porque a nossa oração, por vezes, é muito mesquinha, vou para pedir, “Senhor dá-me isto, tenho este problema”. Está bem. Ele gosta de nós, dá-nos uma mão e conserta coisas.

Você sabe-o por experiência mas, também, alguns vão agradecer mas, já são menos os que vão agradecer. Mas adorar, que poucos sabem fazê-lo, adorar a Deus que é o Senhor, neste mundo que, está cheio de senhores, caciques, diria eu, caciques de senhores mundanos. Não sei! Que, se julgam donos do planeta e, este, não sei.

Não me refiro aos que governam os povos, não, também milionários. O único senhorio é do Senhor, esses senhorios são o espírito do mundo e, isto é outra coisa, isto é o que eu gostaria de deixar, deixar em cada lar cristão, em cada família cristã, em cada povo cristão: a consciência de que o espírito do mundo não é de Deus, é a antítese de Deus

Por isso, o Senhor Jesus quando, na Última Ceia pede ao Pai, roga, não para que os tire do mundo mas, para que os proteja. Nós temos que estar no mundo, não somos monges de clausura, temos que estar bem integrados no mundo. Os monges de clausura estão no mundo de outro modo, mas estão, para se ter cuidado para que o mundanismo não nos corrompa.

O mundanismo começa pelo dinheiro, o diabo entra pela algibeira, no dinheiro. Jesus deu estatuto de senhor ao dinheiro quando, diz que não se pode servir a dois senhores, a dois patrões. Ou se serve a Deus, ou, se serve o dinheiro. Não disse ao diabo, ao dinheiro, ou seja, é senhor, senhor do mundo.

Servir a Deus significa não estar dependente do dinheiro. No centro da minha vida está o Senhor, não o dinheiro. Essa passagem do Evangelho impressionou-me sempre. Jesus diz o senhor dinheiro, é um senhor mas, quando manda, destrói, quando é usado para utilizar as pessoas.

Além disso, dá segurança, uma segurança que não é a de Deus, claro que as pessoas precisam do seu salário todos os meses mas, deve-se viver com certa sobriedade, austeridade. Lembro-me de uma vez há muitos anos, conheci uma pessoa, só a tinha visto uma vez. Sabia quem era, muito importante, um empresário muito importante, eu era muito amigo de um seu parente.

Um dia contou-me que estava muito mal, tinha um câncro terminal, é um homem que se diz cristão, diz-se católico, seria bom que procurasse um sacerdote para lhe dar os Sacramentos e se preparasse para bem morrer. Acho que sim que, recebeu o sacerdote mas, era tal a sua relação com o dinheiro que, esse homem três dias antes de morrer, estando internado, comprou uma vivenda.

Não sei se na Suíça ou Áustria ou onde quer que fosse, luxuosíssima, para si próprio, para os três dias que lhe faltavam. Além disso, a casa que tinha e todas as casas de veraneio, tudo isso, ou seja, não pôde libertar-se, nos umbrais da eternidade, não pôde libertar-se do dinheiro. Não digo que se tenha ou não condenado, porque recebeu o Sacramento e Deus sabe perdoar…mas o dinheiro quando te agarra…mas esse é o primeiro passo aonde o dinheiro te leva, à vaidade.

Segundo passo: e a vaidade enche-te a cabeça de fumo, então, em vez de se olhar as pessoas nos olhos, olha-se assim, de costas. Sou superior, a vaidade, o vaidoso gosta das aparências, como o pavão real, o pavão real a gente olha-o e que coisa linda, mas! Qual é a verdade do pavão real? Dá a volta e olha-o por de trás. É a verdade, falo de coisas reais. O segundo passo é a vaidade e, qual é o terceiro passo? O orgulho, a soberba e daí vêm todos os pecados.

O primeiro passo: o dinheiro, o diabo mete-se pela algibeira. Segundo passo, a vaidade, porque tenho dinheiro sou vaidoso, em vez de o usar para o bem, uso-o para mim próprio, para maquilhar a minha alma, maquilhar a minha vida, maquilhar tudo, maquilhar a minha importância social… ou o que for. O terceiro passo é o orgulho, a soberba, que é a virtude do demónio.

NOEL: Esta é uma grande catequese para todos nós, eu digo-lhe: “não vim para lhe passar a mão pelo pêlo”, como o senhor disse, usando essa palavra (risos). Agora, também, não venho para lhe passar a mão pelo pêlo, mas para lhe fazer subir o rating do reino de Deus. O que lhe parece?

PAPA FRANCISCO: Parece-me bem. Que o Senhor ajude em tudo isto. Que o Senhor ajude. Veja como o demónio passou a mão pelo pêlo a Jesus. Depois de ter jejuado no deserto, sentiu fome e, ele aproximou-se: “se és o Filho de Deus”. Apostou o diabo muito inteligente…”faz um milagre…transforma estas pedras em pão e terás poder…uma riqueza…o pão à mão”. Jesus responde-lhe (depois voltarei às respostas). Segundo passo: O que vais fazer agora, vais passar a pregar? Junta as pessoas e sobe ao alto do templo, atira-te para baixo, não te vai acontecer nada porque os anjos vão segurar-Te e, com um espectáculo desses toda a gente vai acreditar em Ti”. Vaidade. Jesus responde-lhe. Quando viu que não, não O seduzia. Leva-O para o alto e mostra-lhe todos os reinos da Terra e aí tira a máscara e diz-Lhe: ”ofereço-Tos todos se me adorares”. O último preço que põe. Como respondeu Jesus ao diabo? Não lhe respondeu com uma palavra Sua! Porque com o diabo não se dialoga! Não se pode dialogar, porque nos ganha sempre; responde-lhe com a Palavra de Deus: “Não só de pão vive o Homem mas, de toda a Palavra que sai da boca de Deus. Não tentarás o Senhor teu Deus. Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás”. Porquê? Porque uma palavra sua pode ser perigosa perante a astúcia do demónio. Quando o demónio tenta a Palavra de Deus!

NOEL: Vou-lhe mencionar um nome e o senhor dirige-lhes umas palavras, uma resposta para eles, ou seja, uma resposta assim breve: Jovens

PAPA FRANCISCO: Bom, aos Jovens, o que lhes peço é que não se reformem aos 20 anos. É muito triste ver um jovem que se reforma. O jovem tem que olhar para a frente e lutar e brigar e você pode falar, contando a sua vida aos Jovens, porque olhou sempre para a frente. Por favor, rapaziada não se reformem, o futuro depende de vós, dos Jovens. Tenham coragem, vocês vão enganar-se mil vezes mas vão fazer coisas. Há um modo de não nos enganarmos: ficarmos fechados em casa, ficam fechados, reformam-se e adormecem… Um jovem com a alma adormecida…é feio, muito feio. Saiam, tenham ilusões, apostem na vida mas, falem também com os mais velhos.

A esperança, a coragem, nada de se reformarem, nada de adormecerem, nada de irem sozinhos. Não, ancorados na memória. O profeta Joel no capítulo terceiro diz uma coisa muito linda: falando da Graça de Deus, no povo de Deus: então os anciãos terão sonhos e os Jovens vão profetizar e aos do meio voltam-lhes as costas. “Os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos anciãos terão sonhos e os vossos jovens terão visões” (Jl.3) A memória dos povos são os anciãos, animem-se falem com os mais velhos e tirem forças dessa memória.

Para avançarem, profetizem, não profetizem sozinhos, mas partindo da memória dos velhos. Avancem, um pé apoiado na memória e o outro à frente e profetizando o futuro. Animem-se, vai-vos correr bem

NOEL: O que diz às mães solteiras? A maioria são mães solteiras mas, também, há pais solteiros

PAPA FRANCISCO: Cuidem dos vossos filhos, Deus sabe. Deus é o grande pai e sabe a história de cada uma, de cada um, como chegou a essa situação. Nas vossas mãos têm uma promessa, têm um futuro. Cuidem deles, dediquem-se aos vossos filhos e, muita ternura por favor.

Uma das doenças que tem o mundo de hoje é a cárdioesclerose, corações escleróticos, duros, não sabem expressar o amor, o carinho. Ternura, precisamos de ternura, precisamos da revolução da ternura, você tem essa criança, veio como veio, mas com muita ternura façam-no desabrochar e vós próprios deste modo, contagiem ternura.

NOEL: Os idosos, os avós muitos deles esquecidos, só isso

PAPA FRANCISCO: É das coisas mais tristes! Porque foram eles que nos deram a vida, os que têm a memória dos povos e, neste mundo, nesta cultura que é a cultura do “deitar fora”, quando o idoso não serve “deita-se fora”. A minha avó contava-me, quando éramos crianças contava-nos muitas histórias, lembro-me de uma: um senhor de família bem, trabalhador, de uma linda família, estava casado, vários filhos, e o seu pai, viúvo, vivi com eles, mas o pai foi envelhecendo e…à mesa quando comia, caía-lhe um pouco da comida, babava-se.

Então, ele disse não. Não podemos ter o papá connosco, porque não podemos convidar ninguém, Comprou, então, uma mesa pequenina e pô-lo a comer na cozinha. A família comia na casa-de-jantar e o velhinho na cozinha porque, se babava e parecia mal. Claro, no fundo, estava negando o pai! E, bem, ao fim de uma semana chega do trabalho e encontra o filho mais novo que tinha 4 anos e estava a brincar com um pequeno martelo, uns pregos, umas madeiras… O pai perguntou-lhe o que estava a fazer. Estou a fazer uma mesa papá. Uma mesa? Para quê? Para que, quando fores velho possas comer na cozinha. A criança observou isso (o Papa indica com o seu dedo o coração). Eu digo-vos, sim vocês…abandonam os mais velhos… saibam que a vida vos pode pagar na a mesma moeda. Os avós são a memória, não os “deitem fora”, a memória da família, a memória do povo, a memória da fé. Não os “deitem fora”. Os avós são uma riqueza muito grande.

Conheço um lugar, um país que está a passar por uma crise de desemprego bastante grande e, claro, os avós têm a pensão, têm a reforma. O interesse não é por amor, o amor ao avô foi despertado nesse lugar pelos comentários de toda a gente. Lembraram-se dos avós por causa da pensão, da reforma. Aos idosos, dir-lhes-ia:” Vocês têm o privilégio de poderem rezar, sejam intercessores dos vossos filhos, dos vossos netos, dos vossos bisnetos. Rezem, rezem, com o vosso coração apoiem a família”.

NOEL: Os Párocos às vezes têm a tarefa muito pesada, são muitas coisas. Uma palavra para os Párocos

PAPA FRANCISCO: Por vezes o Pároco tem de tratar de tantas coisas, para além, dos problemas da Paróquia. Os problemas que lhes são confiados… e, podem cair num grande cansaço. Eu dir-lhes-ia: Parem um pouco quando estão assim. Quando se sentirem assim vão para o Sacrário, diante da Imagem de Nossa Senhora. Descansem um bocadinho, “Padre se faço isso, adormeço”. Dormita 20 minutos diante do Senhor que te fará bem.

NOEL: Bom, gostava de lhe agradecer. Uma mensagem para nós como apostolado El Sembrador. Que estamos a semear e somos chamados a semear. Creio que a semente caiu em boa terra. Uma mensagem para todos os nossos irmãos, os que servem, membros deste apostolado. Que a nossa intenção e o nosso desejo maior é sair e fazer o que Jesus nos indicou e o que o senhor nos vem dizendo

PAPA FRANCISCO: Bom, você levou-me um pouco a dianteira, mas… na resposta. Mas, a mensagem de Deus: tenham pontaria, ou seja, que caia em boa terra. Mas, alguns vão semeando como quem vai a passear e não lhes interessa a semente: Não a Palavra, a Semente Sagrada, presta bem atenção onde cai, não A desperdices.

NOEL: Neste momento, gostaríamos, apenas, de lhe pedir a sua bênção para todos os que vão ver isto, porque eu não venho aqui sozinho, venho em representação de muita gente que, desejaria estar aqui, como eu, como estamos os dois. Mas, a nossa tarefa é que o senhor, através deste meio de comunicação, chegue, toque, com o que nos disse, com o seu coração aberto, o que nos mencionou que desejaria. Para nós não é apenas um comentário, mais uma prédica. Queremos fazê-la nossa e levá-la a cabo. Assim, como é o seu desejo. Eu como filho, o senhor como pai, eu sinto o desejo de cumprir e levar a cabo também os seus desejos.

PAPA FRANCISCO: Avante, coragem, oração e muita ternura, muita ternura. Que Deus Todo Poderoso vos abençoe, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

 

Fonte: ACIprensa

Original: espanhol. Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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