Colocado em 2019-04-29 In Igreja - Francisco - movimentos

Tocam os sinos da Páscoa no Iraque e na Síria

IRAQUE/SÍRIA, Maria Fischer com material de AICA e RD •

“As Peregrinas continuam no Médio Oriente”, responde Isa Ubierna, de Buenos Aires, instrumento há dois anos para o envio de várias Peregrinas para a Síria e para o Iraque. Este ano, em Alepo, na Síria, onde há quatro Peregrinas, e em Mossul, no Iraque, a Páscoa foi celebrada, novamente, em catedrais renovadas, depois de anos de perseguição, guerra e violência. Sinal da Ressurreição. —

“Aqui celebramos a Páscoa como testemunho de como a luz supera as trevas da nossa realidade diária. É hora de ter coragem e esperança de que o povo de Mossul e todos os fiéis da planície de Nínive iniciem uma nova vida”, disse o novo Arcebispo de Mossul, no Iraque, Mons. Michaeel Najeeb Moussa, ao celebrar a Páscoa do Senhor, pela primeira vez, em quatro anos na Igreja de São Paulo de Mossul, junto com umas quinze famílias cristãs, as únicas que regressaram à cidade depois da perseguição do Estado Islâmico.

“Não tenham medo, tenham a coragem de ser cristãos. A nossa missão é dar testemunho de Cristo. Esta é a mensagem que queremos transmitir aos nossos irmãos de outras religiões e a todo o povo iraquiano”, disse o prelado na sua Homilia.

Monsenhor Michaeel Najeeb Moussa OP, quis presidir à sua primeira Vigília Pascal na cidade libertada, no altar da Igreja de São Paulo, onde repousam os restos do seu antecessor, o mártir Monsenhor Paulos Faraj.

Agora parecem longínquos os dias da ocupação de Mossul pelo Daesh (ISIS) em Junho de 2014. De lá, prosseguiu a conquista das aldeias cristãs da planície de Nínive, a expulsão e a perseguição violenta dos seus habitantes. Entre as dezenas de milhares de cristãos que fugiram estava também Monsenhor Najeeb Moussa, nascido em Mossul.

Ele é o responsável pelo cuidado de cerca de 1300 manuscritos antigos e pela fundação do Centro Digital de Manuscritos Orientais, criado para preservar a cultura cristã do Iraque.

Agora este sacerdote dominicano é o jovem Arcebispo desta cidade histórica que, lentamente, começa a recuperar a sua vida.

 

Mossul

A Ressurreição de Jesus impele-nos a não ter medo

A situação continua difícil e a maioria dos fiéis ainda não regressou às suas casas, especialmente nesta cidade onde o medo de possíveis jihadistas emboscados continua a reinar. As feridas profundas foram também causadas pela atitude de alguns muçulmanos em relação às propriedades dos seus vizinhos cristãos.

“Muitas famílias cristãs têm o desejo de voltar para Mossul, mas até agora apenas cerca de quinze regressaram. A minha Páscoa é com eles. O número não importa. “É um sinal de renascimento, vamos retomar a viagem  com este pequeno rebanho”, disse Monsenhor Najeeb Moussa.

E, apesar da adversidade que ainda existe, o novo Arcebispo considerou que é hora de empreender a caminhada com o pequeno rebanho já reunido em Mossul, cuja fé se fortaleceu na adversidade.

Por outro lado, afirmou que não haverá futuro para o Iraque sem justiça e dirigiu-se também ao Governo para que este garanta os seus direitos a todos os cidadãos, sem diferenças de religião ou etnia. Os cristãos são cidadãos, como qualquer outro iraquiano, disse o Arcebispo.

“Construir pontes de fraternidade, demolir muros e semear a esperança”, é por aí que passa a nova vida de Mossul e o renascimento do Iraque, disse ele.

“A Ressurreição de Jesus impele-nos a não ter medo, a mostrar a coragem de sermos testemunhas de Cristo. Esta é a missão que nos espera e a mensagem que devemos transmitir a todos os nossos irmãos iraquianos. A eles dizemos que os cristãos são homens e mulheres de alegria, esperança e caridade. A alegria que o Senhor nos deu, morrendo e ressuscitando por nós, não a devemos desbaratar.

 

Alepo

Páscoa em Alepo

A Catedral Católica de Nossa Senhora na cidade de Alepo reabriu hoje as suas portas no bairro de Jadideh, na cidade velha de Alepo.

A catedral foi sujeita a obras de reabilitação e à reparação dos danos sofridos em consequência dos atentados terroristas.

Os sinos da catedral voltaram a tocar e foi celebrada uma Missa na qual participaram representantes das diferentes comunidades cristãs de Alepo.

O Patriarca de Antioquia e de Todo o Oriente, Joseph Al-Absi, disse que a reabertura da igreja é um indicador simbólico de que a Síria recuperou a sua beleza e vitalidade.

“É uma mensagem para o mundo que a Síria continua e continuará a ser a terra da paz e do amor”, acrescentou o Patriarca.

Os trabalhos de restauro incluíram as cúpulas das igrejas e os tectos colapsados utilizando materiais compatíveis com paredes e tectos antigos.

O Núncio Apostólico em Damasco, Cardeal Mario Zenari, transmitiu, na sua saudação, as felicitações do Vaticano pela reabertura da catedral e expressou o seu apreço pelos esforços feitos para a reabrir.

Aleppo

Aliança Solidária

Quando, juntamente com o Papa Francisco e toda a Igreja Universal, rezamos pelos cristãos no Iraque e na Síria, sabemos que a Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt está em peregrinação entre eles, Aquela que quer deixar os Seus Santuários, apressadamente, para se aproximar de quem d’Ela precisa. Este é o significado da Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt e, na verdade, de Schoenstatt. Saída.

 

Aleppo

Original: espanhol (26/4/2019). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

Etiquetas: , , , , ,

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *