Colocado em 13. Novembro 2019 In Artigos de Opinião, Vozes do Tempo

Para procurarmos caminhos e comprometermo-nos com o Chile

CHILE, reflexão da Presidência Nacional •

Numa mensagem dirigida a toda a Família de Schoenstatt do Chile, e com o pedido do Secretariado Nacional e do Director do Movimento à redacção de schoenstatt.org, a Presidência Nacional daquele país oferece sete pontos de reflexão e orientação sobre a situação sócio-política que se vive nestas semanas no Chile. Foram dias não só de confrontos nas ruas do país, mas também de intensos e acalorados intercâmbios entre schoenstatteanos. —

São muitos os que encontram nos protestos multitudinários um forte apelo a escutar mais atentamente as vozes dos tempos e a promover, pessoal e comunitariamente, “uma conversão pessoal e comunitária com consequências sociais” e um desafio “a questionarem-se à luz desta voz dos tempos (as nossas opções pastorais, o nosso modo de vida, a nossa co-responsabilidade social)”. Um reflexo deste “despertar” são os artigos publicados em schoenstatt.org com os seus muitos comentários e respostas, não só do Chile.


 

Bellavista, 10 de Novembro de 2019.

 

Querida Família,

 

“Mãe, com o teu Divino Filho

desce aos caminhos da Nossa Pátria

para que, seguindo os Teus passos, ela possa encontrar uma paz verdadeira e estável.

Pátria, só terás salvação se, no amor, te unires a Maria e ao seu Filho. Amém

 

Como Presidência Nacional (Superiores e representantes dos Institutos, Uniões e Liga)  reunimo-nos à sombra do nosso Santuário Cenáculo em Bellavista para rezar, dialogar e trocar ideias sobre o processo do país em que vivemos. Neste sentido, queremos partilhar alguns frutos desta troca de opiniões:

 

  1. Estamos a viver um processo que nos mostrou, progressiva e aceleradamente, um profundo mal-estar social: há necessidades, feridas e fracturas sociais que buscam canais de expressão, espaços de reflexão e caminhos de solução. Neste sentido, o desafio que enfrentamos, dentro da diversidade que representamos, é ser sinais de encontro e de esperança. A cruzada por vínculos saudáveis também se refere ao tecido social e esta crise mostra-nos a necessidade de curar os vínculos não só dentro das famílias e da Igreja, mas em todas as áreas da vida: trabalho, relações de cidadania, espaço público, economia, política, saúde, educação, o futuro em oportunidades e possibilidades. Há um desafio pela dignidade da pessoa e das relações humanas. Há um grito de justiça social, que exige o reconhecimento da dignidade de cada pessoa.
  2. Os jovens têm sido os principais protagonistas deste processo, que mostra toda a sua força e convicção para serem protagonistas da mudança, mas também na sua faceta mais complexa, uma radicalização em que a frustração e a intolerância estão na base. Muitos jovens  movem-se por impulsos e redes, o que nos desafia a um diálogo que os ajude a mover-se por ideais e pelo bem comum.
  3. Os nossos santuários e Ermidas têm sido espaços de oração, de encontro e de muita entrega, devem ser também espaços para o diálogo e o encontro, para se olhar profeticamente para os acontecimentos, para discernirmos juntos, para procurarmos caminhos de colaboração e de compromisso para a Pátria, espaços de paz e para a paz.
  4. O processo em que vivemos não é circunstancial nem passageiro, pelo que é uma oportunidade de conversão pessoal e comunitária com consequências sociais, o país não pode voltar a ser o mesmo, nem cada um de nós. Um processo que está a dar frutos, na abertura e na vontade de se concretizarem as mudanças que são urgentemente necessárias. Um processo que também nos desafia, como Família, a questionarmo-nos à luz desta voz do tempo (as nossas opções pastorais, o nosso modo de vida, a nossa co-responsabilidade social). O pensamento social da Igreja e do nosso Fundador deve ser redescoberto, valorizado e aplicado.
  5. Vimos e vivemos impotentes os lados negros deste processo: violência, destruição, exaustão e intolerância, perda de vidas humanas, feridos e uma força pública ultrapassada. Por trás dela está uma falta de liderança, polarizações não resolvidas e um vazio de sentido transcendente, que leva ao confronto, à destruição dos bens públicos, do espaço público, dos símbolos públicos, dos espaços e símbolos de culto e de fé.  Esta violência não pode continuar, porque magoa a nossa alma nacional.
  6. É um processo que nos enche de esperança por expressar tantos anseios e necessidades reais, mas também de incerteza devido ao seu desenvolvimento e consequências. Por isso, como Presidência, fizemo-nos eco do desejo e da necessidade de coroar a Mater: unir o nosso desamparo com o poder da Mater, para que Ela se manifeste com o seu poder de Mãe, Rainha e Educadora do nosso país. No final do nosso encontro, coroámo-l’A com as palavras do Nosso Pai , há 70 anos, em Bellavista. Convidamos-vos a todos a juntarem-se a esta corrente, que será o apoio para procurarmos caminhos e para nos comprometermos com o Chile.
  7. Por último, partilhamos convosco uma das orações que saíram do nosso encontro:

 

 

Rainha,

Nesta hora de esperança e escuridão,

Coroa-Te como Rainha do Encontro e da Paz, para que um novo Chile surja:

mais justo, solidário e fraterno, uma Pátria Familia.

Amém.

 

Presidência Nacional da Família

Schoenstatt – Chile

 

Original: espanhol (11/11/2019). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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