Colocado em 2020-10-30 In José Kentenich

Um momento de discernimento

Editorial schoenstatt.org •

Para esclarecer desde já: este artigo não é sobre o livro, mas para informar os nossos leitores sobre a sua publicação. Muito menos é uma resposta ao livro ou aos artigos publicados sobre ele, uma vez que se trata de dar uma resposta a Deus que nos fala através dos acontecimentos. Parafraseando o teu artigo, Ignacio, o contexto da descoberta é o livro ou as publicações da Sra. Von Teuffenbach, o contexto da justificação é o apelo de Deus neste momento da história da Igreja e do mundo, o apelo a um discernimento que está apenas a começar. —

Na segunda-feira, 26 de outubro, apareceu o primeiro de dois ou mais livros anunciados pela historiadora Dra. Alexandra von Teuffenbach. O livro baseia-se – assim explica a própria autora – numa abordagem biográfica, utilizando testemunhos e cartas encontradas nos arquivos dos Palotinos em Limburgo, de várias Irmãs que deixaram a comunidade nas décadas de 1950 e 1960. Algumas, inclusivamente,  fundaram mais tarde uma nova comunidade em Sucre, Bolívia. No mesmo dia apareceram vários artigos na imprensa alemã, o mais longo e forte no site dos bispos alemães, katholisch.de, onde já tinham sido publicados outros artigos sobre o assunto.

A abordagem biográfica, como uma das muitas formas científicas de abordagem da realidade, tem os seus pontos fortes e fracos, tal como todas as abordagens. Não procura comparar os testemunhos encontrados com os de outras pessoas em situações semelhantes ou com uma avaliação aprofundada de outros elementos contextuais. A historiadora diz que a intenção do livro não é oferecer uma avaliação completa, mas sim uma publicação explicada dos documentos encontrados, e apenas destes documentos. As primeiras linhas do livro mostram claramente a sua intenção, assim como a da autora: “Dedico este livro à Irmã M. Georgina Wagner e às suas valentes confrades, Ir. Beatrix Mesmer e Ir. M.Agnes Waldmann que, ousaram, com êxito, pôr fim aos abusos daqueles anos”.

O que é denunciado neste livro sobre os abusos de poder experimentados ou recordados pelas já mencionadas ex – Irmãs de Maria, por parte do Pe. Kentenich, é forte e tem um impacto em todo o Schoenstatt, porque se trata do seu fundador, a quem muitos schoenstatteanos chamam Pai.

E agora?

Há muito para avaliar, verificar, e investigar. Faltam fontes importantes, resta ver – se isso for possível após tantos anos, com todos os protagonistas do assunto mortos e sem poderem responder – se o que foi, subjectivamente, experimentado e recordado coincide plenamente com os factos reais. Resta esperar pelo que as comissões de investigação da Diocese de Trier e de Schoenstatt devem fazer.

Um erro, um erro grave, uma ruptura num aspecto essencial da sua personalidade, um erro grave na aplicação da sua própria pedagogia, mesmo um pecado do “mensageiro” afecta a mensagem? Teologicamente falando, dizem-nos os teólogos, a única pessoa em que a mensagem e o mensageiro não podem ser diferenciados é o Verbo Encarnado. Os apóstolos eram grandes pecadores. Os santos que mudaram o curso da Igreja cometeram erros, fizeram coisas imprudentes, exageradas, falsas, más.

Significaria manter a mensagem e despedir o mensageiro? Não. Mas pode significar crescer para a visão de um mensageiro, um instrumento escolhido por Deus para dizer algo a este mundo, um instrumento que foi escolhido para uma missão demasiado grande para um ser humano, um instrumento que teve de pagar um preço elevado por esta escolha, um instrumento que, com São Paulo, deve cumprir a palavra do Senhor: “A minha graça é suficiente para vós, porque o meu poder se torna perfeito na fraqueza” (2 Cor 12,9). Um instrumento que, mais do que admiradores, precisa de colaboradores maduros e aliados.

Original: Espanhol (29/10/2020). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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