Providencia digital

Colocado em 2021-05-09 In obras de misericórdia, Projetos

Quando um terço das famílias não têm internet nem computador…

URUGUAI, Providencia •

A pandemia continua a afectar as crianças e os jovens. Em muitos países, assim que as escolas reabriram, tiveram de fechar novamente as portas. As crianças e os jovens não só perdem tempo de aprendendizagem, como também sentem falta dos seus colegas de classe, dos seus jogos… e para os pais, o malabarismo entre os cuidados infantis, o homeschooling e o teletrabalho é muito desafiante. Para não falar do medo constante de apanhar a doença e de deixar os seus familiares em risco e incapazes de cuidar deles. Além disso, para muitas crianças de sectores vulneráveis, as refeições escolares são fundamentais. A partir do Centro Educativo de Providencia, no Uruguai, eles contam como lidam com a situação. —

Actualmente, o Centro Educativo de Providencia mantém as portas abertas com um sistema de guardas e trabalhando virtualmente, enfrentando grandes desafios. Os educadores de cada programa organizaram-se para planear as tarefas e actividades para as crianças, tendo em conta o que aprenderam no ano passado.

Com todos os nossos esforços concentrados em sustentar uma proposta educativa de qualidade e trabalhando com várias estratégias (plataformas virtuais, contacto telefónico e visitas aos casos mais complexos), continuamos a estar em contacto com 100% dos estudantes. Ao mesmo tempo, estamos a acompanhar de perto as famílias e a trabalhar para garantir o acesso a alimentos de qualidade e a diferentes situações de conectividade”, disse Laura Voituret, Directora-Geral de Providencia.

Actualmente, o principal objectivo é que as crianças possam avançar na sua aprendizagem e continuar a trabalhar em conjunto, virtualmente. Este cenário coloca desafios em termos de conectividade. Neste sentido, realizámos um inquérito para conhecer a conectividade das famílias de todos os programas educativos.

Providencia kits

Conectividade

Este inquérito permitiu-nos saber que 34,4% das famílias têm acesso limitado ou nenhum acesso à Internet e 34,1% não têm um computador ou tablet para se ligarem e fazerem os trabalhos de casa. Esta situação implica ser criativo na procura de soluções.

Neste momento estamos a trabalhar com diferentes alternativas, analisando cada caso particular e avaliando diferentes possibilidades nas formas de abordagem. Algumas das ferramentas que estamos a utilizar são: WhatsApp, chamadas telefónicas semanais, folhetos, tutoriais, aulas de consulta, e dar às crianças a possibilidade de utilizarem a ligação do Centro Educativo para descarregarem os materiais do CREA e, depois poderem fazê-los em casa.

Alimentação

Por outro lado, assegurar a alimentação das famílias tornou-se um desafio muito grande que, semana após semana, aumenta. Estamos actualmente a entregar pacotes alimentares e cestos às famílias que, mais deles necessitam e a trabalhar com as diferentes equipas para estarmos em contacto permanente com as famílias, acompanhando os diferentes desafios que surgem. “Esta situação de crise sanitária exacerbou muitas situações de violação de direitos na comunidade: desemprego ou insegurança no emprego, as complexidades da convivência em casas onde as condições de habitação são realmente difíceis, a incerteza, a falta de recursos para apoiar as necessidades da vida quotidiana, traz grandes preocupações e novos desafios que, não são fáceis de enfrentar. Neste sentido, estar próximo e disponível para acompanhar os processos pessoais e familiares, pensar em soluções em conjunto, e construir pontes para a articulação a nível comunitário torna-se fundamental para enfrentar esta situação e procurar novas respostas para os problemas que surgem”, acrescenta Laura.

Providencia

Clube de Crianças

No caso do Clube de Crianças, os educadores foram divididos por nível. Cada grupo é composto pelo professor de referência e diferentes educadores de oficina que, complementam, apoiam e enriquecem a proposta. Todas as crianças são chamadas pelo menos uma vez por semana e são feitas videochamadas de seguimento para descobrir como estão a fazer os seus trabalhos de casa e para avaliar como podem ser apoiadas.

Os alunos do 1º e 2º ano receberam um kit educativo e os do 3º, 4º, 5º e 6º anos receberam um folheto de actividades para poderem trabalhar em casa.

Este ano decidimos concentrar grande parte do trabalho no acompanhamento e apoio às escolas para assegurar o contacto com todas as crianças e para acompanhar os alunos na execução das tarefas na plataforma CREA. Para tal, trabalhamos tanto em formato papel como digital e em comunicação permanente com as escolas onde as crianças vão para se articularem e pensarem em estratégias em conjunto. O objectivo é reforçar as suas propostas e acompanhar os estudantes no seu trabalho na plataforma, para que possam manter-se actualizados com as tarefas da escola.

Por outro lado, foi também gerada uma “proposta lúdica que visa o prazer e a diversão“, comentou Leticia Dubcovsky, coordenadora do Clube de Crianças.

E, acrescentou: “As crianças e as famílias apreciam muito as videochamadas. Sendo capazes de se verem, gostam muito, vivem-no com grande alegria”. “Assistimos a grandes avanços nas crianças especialmente nas classes mais velhas”, sublinhou.

Escola Secundária de Providencia

Actualmente a escola está a trabalhar através da plataforma CREA e a utilizar a ferramenta CREA Conference onde os alunos têm um espaço diário para consultas com diferentes professores.

“Tomando o que aprendemos no ano passado, optámos nesta ocasião por manter um calendário semanal de disciplinas, que assegure que todos os dias os alunos tenham contacto com a proposta educativa e possam reunir-se, pelo menos, com dois professores”, disse Laura. Agustina Berchesi, Directora da escola secundária acrescentou, “todos os dias às 10 da manhã são carregadas actividades de duas disciplinas diferentes… e isso tem ajudado muito com o nível de entrega. Todas as actividades têm um prazo de uma semana”.

De facto, “uma grande percentagem de crianças na escola fez 100% dos trabalhos de casa”, observou Agustina.

Os estudantes estão a progredir em cada disciplina e os professores prestam especial atenção para assegurarem que as tarefas sejam adaptadas à plataforma. “Pensamos em actividades que são do CREA e podem ser realizadas no CREA” disse Carolina Quiroz, professora de Língua e Literatura Espanhola na escola secundária.

O espaço da CREA Conference tem sido muito útil para gerar intercâmbio e esclarecer dúvidas. “É algo muito bom que foi incorporado este ano e que lhes permite esclarecer dúvidas ou mesmo fazer actividades ali mesmo”, disse Carolina. Ela acrescentou: “Penso que estamos todos mais preparados, os professores e as crianças”.

Por sua vez, os estudantes têm grupos WhatsApp por geração, com a sua referência institucional e uma conta Instagram criada especificamente para eles, onde “são gerados desafios para se ligarem com o espaço, concursos e actividades para se ligarem e se encontrarem de outra forma”, disse Agustina.

Do mesmo modo, há uma comunicação constante com as famílias para saber como se estão a sair, que dificuldades ou desafios vão encontrando tanto, no acompanhamento educativo como, nas situações socioeconómicas, a fim de acompanhar e intercambiar para se encontrar soluções.

“Têm vontade de voltar. Têm saudades e eles próprios o dizem”, acrescentou Carolina sobre os comentários que recebe de alguns estudantes.

Neste sentido, Jhonn, um estudante do ensino secundário, disse-nos: “Tenho saudades dos meus colegas de turma, de me divertir, dos professores quando nos explicam as coisas. Eu gostaria de começar (com as aulas presenciais)”. Além disso, disse-nos que não é tão fácil trabalhar a partir de casa porque “em casa não se tem alguém para explicar”, mas “se lermos calmamente e pudermos ter o nosso ritmo, estamos tranquilos” é mais fácil.

Centro de Juventude

A partir do Centro de Juventude, os educadores estão em contacto com as escolas secundárias e famílias para articular e acompanhar os estudantes na realização dos seus trabalhos de casa.

Também os acompanham para saberem como se estão a sair em termos de convivência e saúde em casa. E para manter a estreita ligação e motivação, “estão a ser realizadas actividades mais lúdicas em que nos podemos encontrar através da Instagram e outras redes”, disse Florencia Cruces, coordenadora do Centro da Juventude.

Em todos os programas educativos, o nosso grande objectivo neste momento é acompanhar os processos educativos, assegurar o acesso à proposta educativa, e estar perto dos estudantes e das famílias. Isto convida-nos a procurar as mais variadas estratégias e a construir soluções em conjunto com toda a sociedade.

Providencia Uruguay

Fonte: www.providencia.org.uy

Original: espanhol (7/5/2021). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

 

Centro Educativo Providencia, Uruguay: educar para la vida

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