Colocado em 2016-01-10 In Schoenstatteanos

Muitas felicidades, Pe. Theo Hoffacker, pelo seu 90º aniversário!

ALEMANHA, de Maria Fischer •

“Ele é assim!“ – Diz o artigo que lhe é dedicado, no dia 30 de dezembro, no jornal Rheinische Post, dinâmico e com graça, como o padre Theo Hoffacker da União de Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt o qual, no dia de Ano Novo, fez 90 anos. “Sacerdote em corpo e alma”, assim define o jornalista Heinz Kühnen, Theo Hoffacker.

“O homem mantém-se em forma: faz ciclismo e natação. Antes velejava no Adriático junto ao seu irmão gémeo, há muito poucos anos esquiava, com regularidade, na Suíça. A prática de ténis também já é passado – “já não tenho rivais na categoria por idades”, diz o Pe. Theo Hoffacker. Há pouco tempo, este homem nascido em Büderich, celebrou em Marienbaum o 65º aniversário da sua ordenação sacerdotal. No dia 1 converte-se “num jovem de 90 anos”, descobrem os leitores do Rheinische Post.

Artigo completo do Rheinische Post (em alemão)

Há dez anos a aspirante a jornalista, Stefanie Frank, escreveu sobre o Pe. Hoffacker: “Quem o vê e o ouve não acredita que o Pe. Hoffacker seja um jovem de 80 anos. Muito ágil e em forma começa com grande entusiasmo a contar as suas experiências. O entusiasmo que emana dele inunda todo o ambiente à sua volta. Consegue cativar os seus ouvintes com as suas histórias, sempre com simpáticas anedotas nos lábios e às vezes com uma linguagem idêntica à dos jovens. Assim é o Pe. Hoffacker”.

Por ocasião do 90º aniversário do Pe. Hoffacker, publicamos extratos do artigo que Stefanie Frank escreveu, naquele momento, sobre a sua tarefa nos acampamentos da Juventude Masculina de Schoenstatt. Têm dez anos, mas continua atual!


Os seus primeiros passos em acampamentos até hoje

6b0774sch-theo-hoffacker11Sendo diretor espiritual da juventude de Duisburg, Theo Hoffacker aceitou em 1951, como ele próprio o diz, dar os seus primeiros passos no funcionamento de um acampamento, apesar de não haver muitos participantes. Pelo contrário, no segundo ano foi com Norbert, o seu irmão gémeo, ao Hühnerberg, a atual “Arena dos Peregrinos” em Schoenstatt, já com150 participantes. Desde então houve acampamentos todos os anos e o Pe. Hoffacker esteve lá sempre. Não pode dizer exatamente a quantos acompanhou. Foram bastantes acampamentos, durante os quais viveu coisas fascinantes e dos quais guarda as melhores recordações.

Assim, por exemplo, o acampamento de 1951 tinha a sua própria capelinha. Um dos rapazes tocava viola, outro violino. Juntos cantavam canções como “Gostamos de tempestades” E recorda: “um dia recebi um aviso de uma querida Irmã. ‘É impossível – disse – que cantemos sempre estas canções horríveis; é que com elas as irmãs não podem fazer bem a sua adoração’. A partir daí cantámos canções americanas e as Irmãs já não reclamavam.”

Outra Irmã que vinha toda engalanada da casa Sonnenau, surpreendeu o Pe. Hoffacker em1958 na praça do acampamento e quis falar com o chefe,Hoffacker, de calções, apresentou-se como o chefe e capelão. A Irmã reagiu atónita “O quê é você o capelão?”

Histórias como esta aconteceram ao longo de 56 anos de trabalho em acampamentos e há muitas mais ainda.

Uma é do acampamento deste ano, e nela se explica ‘a magia do acampamento’. Para o Pe. Hoffacker é a combinação entre ‘natureza e graça’ o que configura a magia do acampamento.

Pouco antes de ter lugar a Aliança de Amor dos mais jovens da JM, na Alemanha, no último dia do acampamento, caiu um jovem da torre. O Pe. Hoffacker, que já estava revestido para celebrar junto ao santuário, observou o helicóptero que sobrevoava a sua cabeça, e foi informado sobre o acidente por um jovem que fez de ‘mensageiro’. Depois do acidentado ter sido evacuado, chegaram os outros rapazes muito angustiados. “O irmão do acidentado veio ter comigo e disse-me que não era batizado, mas que o seu irmão era, se podia, apesar de tudo, rezar por ele”. E continuou: “É assim que isto funciona. Os mecanismos elementares da natureza e da graça experimentam-se apenas desta maneira. Esta é a escola da nação. Sempre jovem e sempre atual.”

O padre e os seus pupilos

Naturalmente, o padre interessava-se sobre o que acontecia aos seus pupilos ao longo dos anos. Muitos escolheram uma profissão ao serviço da Igreja. As vivências neste aspeto são tão determinantes, que “em comparação, quinze conferências não conseguem o mesmo”, os antigos pupilos continuam a lembrar-se com gosto daquele tempo. Também os participantes deste ano anunciaram que para a próxima querem ir novamente com o Pe. Hoffacker. Disse-lhes que fossem com alguém mais jovem que ele, mas eles disseram: “Não. No próximo ano queremos novamente ir consigo. Não temos ninguém mais jovem.”

Outros dos seus pupilos são os Padres de Schoenstatt que trabalharam como diáconos na sua paróquia, como o Pe. Penners, do qual, diz rindo Hoffacker, “Chegou a ser alguém”.

O Pe. Hoffacker recorda as suas primeiras estadias em Schoenstatt

Também tem estreitos vínculos com Schoenstatt. Visitou o lugar pela primeira vez em 1942, quando os nazis já tinham deportado muita gente para os campos de concentração, entre eles o Pe. Kentenich. Hoffacker sabia e interessou-se pelo tema.

Em 1944 voltou a Schoenstatt, subiu ao coro da igreja, e por trás do órgão um sacerdote deu-lhe mais informações sobre Schoenstatt. O sacerdote, que lhe explicou claramente a situação, levou Hoffacker à convicção de que: “Ele está contra os nazis. Precisamos de gente assim”.

A sua decisão de ser sacerdote tem muito a ver com Schoenstatt, entre as primeiras vivências com Schoenstatt entusiasmou-o uma muito especialmente. Em 21 de junho de 1944 chegou de férias. Hoffacker era paraquedista da força aérea alemã, e encontrou-se no santuário com um soldado da sua divisão. O soldado abriu um livro com uma foto da sua mãe e uma imagem da Virgem; mostrou a foto da sua mãe e disse: está morta. Depois dirigiu-se à imagem da Virgem e disse: mas esta está comigo. Isto foi para Hoffacker uma experiência definitiva, comenta: ”Que homem incrível! Tem tal confiança em Deus que disse: ainda tenho uma mãe porque a Virgem está comigo, então eu também a quero.”

Assim Ela acompanhou-o sempre, também durante o seu voo no bombardeamento das Ardenas, durante o qual ele levava um cantil por trás do seu banco, no qual mais tarde pôde contar treze impactos de bala, permanecendo ele ileso. Refere-se a isto dizendo: “Servus Mariae nunquam peribit“, o que quer dizer, um servo de Maria nunca perecerá, “se não a tivesse comigo, não teria saído de algumas situações. Sinceramente, não.”

Estas intensas vivências fortaleceram-no para ser sacerdote.

Encontro de maneira especial

Hoffacker sabe também algo sobre o Pe. Kentenich, com o qual teve dois encontros.

A primeira vez em 1946 na casa de exercícios, o Pe. Kentenich falou com cada um dos jovens presentes. Resultou que o Pe. Kentenich conhecia a tia de Hoffacker, que era Irmã de Maria. “Soube imediatamente o seu nome, Ops! pensei, é um homem que se lembra de uma coisa destas”, disse.

Com 36 anos era o pároco mais jovem da diocese de Münster e o então bispo de Münster propôs-lhe que fosse pedir ao Pe. Kentenich uma Irmã de Maria como ajudante. Durante o seu encontro o Pe. Hoffacker pôs na mão do Pe. Kentenich uma nota com o seu nome e o seu pedido. Novamente recorda:”meteu o papel na sua batina e saudou o seguinte. Bom, pensei, nunca mais se vai lembrar.” Mas não foi assim, oito semanas mais tarde apresentou-se uma Irmã de Maria ao Pe. Hoffacker, para assumir o cargo.

Por último resume: “Podia-se confiar nele, isto diz tudo.”

Antes de empreender o caminho de regresso a Xanten, fui visitar de novo um acampamento e acompanhá-lo num dos seus “tours en bici”, como ele chama às suas excursões, nas quais algumas vezes faz 200 km em três dias, para experimentar “a magia” pessoalmente.

Satisfeito acrescenta: “Mas deve pedalar com força. Saí da excursão há pouco com um grande grupo de jovens mulheres, que se questionaram no final se deviam levar-me com elas de novo. Fui sempre à frente delas nas subidas. Decidiram que sim”.

Com estas palavras despede-se, com a certeza de que na próxima vez tem mais historias novas para contar.

Original: Alemão. Tradução:: Maria de Lurdes Dias, Lisboa, Portugal

 

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