tercera edad

Colocado em 2021-07-25 In Vida em Aliança

“Schoenstatt não é para uma etapa da vida, mas para a vida inteira”

CHILE, Denise Ganderats •

Por volta do ano 2010, entre vários casais mais velhos do Ramo dos Casais de Schoenstatt em Santiago (Chile), surgiu o desejo de terem encontros entre eles. O que os motivou? O facto de terem atingido a terceira idade e, portanto, os temas formativos oferecidos pelo Ramo dos Casais – temas que eram principalmente dirigidos a casais jovens e de meia-idade – não se lhes aplicavam. A sua realidade de vida era diferente: todos avós, vários com dificuldades de saúde que, limitavam a sua presença em reuniões frequentes e, em jornadas prolongadas, alguns viúvos ou viúvas, ou com um cônjuge com limitações físicas ou mentais, e também alguns com o seu grupo de vida dissolvido. —

Contudo, o seu amor por Schoenstatt e o seu desejo de cultivarem os vínculos pessoais que tinham quando eram mais activos levou-os à ideia de terem encontros formativos e, ao mesmo tempo, comunitários. Assim nasceu esta comunidade à qual eles próprios deram o nome: “Schoenstatt para sempre“. Ou seja, Schoenstatt não é para uma etapa da vida, mas para a vida inteira.

Foi fundada em 2012 e todos os maiores de 60 anos de idade, que idealmente já pertenceram a Schoenstatt, podem pertencer. Têm uma Direcção e um Padre Assessor. A função desta Direcção é oferecer impulsos formativos para o cultivo do espírito com a espiritualidade de Schoenstatt e, promover um bom encontro comunitário. Isto não exclui, de forma alguma, a formação que alguns participantes recebem através da sua participação nos seus Ramos e comunidades, trata-se de um complemento. Até ao final de Junho de 2021, participaram cerca de 160 pessoas e há cerca de 100 participantes activos. Actualmente, Eduardo Undurraga e M. Elena Riesco coordenam este grupo juntamente com outros cinco casais e o Padre Lucho Ramirez assessora-os.

Este grupo reúne-se quatro vezes por ano no Santuário de Providencia. A primeira reunião é fundamentalmente um encontro social, para saber como estão, para falarem sobre o que os preocupa, quais os temas em que estão interessados em trabalhar durante o ano, etc. As três reuniões formativas e comunitárias seguintes realizam-se aos sábados de manhã e consistem numa oração inicial, uma breve apresentação do tema (o orador pode ser um membro do grupo ou alguém que conheça melhor o tema), trabalho em pequenos grupos com base em perguntas dadas pelo orador e uma sessão plenária com as principais conclusões dos grupos. Finalmente, têm um momento de oração no Santuário. A vida tem demonstrado que o trabalho de grupo é o mais importante, porque é aí que se trocam opiniões, se partilham experiências de vida e se responde às preocupações existentes à luz da visão de Schoenstatt.

Desde os inícios desta comunidade, é a Direcção que escolhe os temas para o ano, tentando garantir que, sejam de interesse geral e, com um critério providencialista, como nos ensinou o Padre Kentenich: Deus da vida e na vida. Por esta razão é tão importante ouvir a voz de Deus nas preocupações dos participantes e, no que está a acontecer de forma palpável no país, na sociedade, na Igreja, na Família de Schoenstatt. Com base nestas vozes, o discernimento é feito para a linha a seguir durante o ano.

Como é que eles viveram este tempo de pandemia?

Perguntamos a M. Elena e Eduardo como tem sido este tempo para esta comunidade, como se têm organizado e quais têm sido os maiores problemas ou preocupações durante este tempo. Dizem-nos que de 2019 a 2021 muitas coisas mudaram… claro que, já não têm as suas reuniões presenciais no Santuário e tiveram de se reinventar e adaptar-se à realidade que todos nós vivemos. Falar da pandemia, neste grupo de idosos, é falar de um momento complicado, difícil e doloroso de não poder ver os seus filhos e netos, onde se sentem limitados por não poderem sair e com falta de comunicação porque nem todos são tecnologicamente conhecedores. Foi uma época em que perderam amigos e, em que o fim da vida e a solidão se tornaram mais palpáveis. Há incerteza, sentimentos de fragilidade devido à possibilidade de contrair a doença, e também sentem que estão a perder oportunidades de se verem e de se abraçarem mutuamente. Por outro lado, a pandemia tornou os idosos mais visíveis socialmente, os idosos são tratados e recebem preferências, a vacina é para eles um sinal de esperança… mas sem dúvida que a faixa etária dos idosos foi a mais atingida pela pandemia, sobretudo porque “temos prazo de validade“, os idosos de 70 ou 80 anos vivem com a consciência de que “falta pouco“.

Na última reunião de Zoom, no final de Junho deste ano, o tema foi “Da insegurança à esperança“. Eduardo e M. Elena dizem-nos que puderam partilhar e discutir, entre outros temas, a pandemia e a realidade nacional após as eleições. “A ideia é que os temas sejam divertidos, interessantes, vigentes para a realidade e que nos ajudem a alargar o nosso ‘olhar’ para que não nos concentremos apenas nos achaques e nas doenças. Estes encontros reforçam os vínculos entre pessoas da mesma idade. Podemos partilhar interesses semelhantes – não só Schoenstatt – mas também interpretar a vida com a pedagogia de Schoenstatt e, dar sentido ao último momento (do último encontro), partilhar os problemas da idade e as preocupações que temos, por exemplo, como manter a fé nas próximas gerações ou o que fazer com os filhos separados que começam a regressar a casa, etc.”. Falam de todo o tipo de temas, desde os mais espirituais, como a sua vinculação a Deus, o seu sim ao presente em que vivem, a reconciliação com a sua história, etc., a questões da vida como o seu papel como avós, os seus medos, a possibilidade de irem presencialmente à Missa em tempos de pandemia, confinamento, etc. Durante este tempo, o mais importante tem sido manter vivos os vínculos. A cada 18 do mês, o Pe. Lucho escreve uma carta de saudação da Aliança de Amor que é enviada a todos os membros e recebem também as “Gineserías“, pequenas reflexões sobre a vida quotidiana e a contingência que Jesús Ginés, um dos membros, escreve quinzenalmente, tratando de assuntos como esperança, sabedoria, museus, etc. São “luzes” que ajudam a manter a vitalidade do grupo, o que por vezes tem sido muito difícil nesta altura.

Schoenstatt para siempre

O Padre Lucho Ramírez diz-nos….

“A origem do meu papel como Assessor está no convite que os casais que formaram “Schoenstatt para sempre” me fizeram para os acompanhar no desenvolvimento desta iniciativa. Este serviço para o qual o Senhor e a Mãe me chamaram, consiste principalmente em colaborar como Padre de Schoenstatt nas reflexões e decisões da equipa dirigente, participar e ajudar com algumas conversas nas reuniões presenciais – agora virtuais devido à pandemia – e estar à disposição daqueles que pedem uma atenção sacerdotal. Embora eu pertença à equipa da Direcção, só presto colaboração, mas a liderança pertence ao casal chefe.

Tem sido uma grande alegria reencontrar casais com quem participámos no Ramo dos Casais nos seus dias mais jovens, nos anos 70 e 80. Foi uma alegria ver os vínculos pessoais que foram forjados durante esses anos, assim como a sua fidelidade a Schoenstatt. Na verdade, a origem do nome desta comunidade obedece a esta convicção da alma: Schoenstatt não é apenas para uma etapa da vida, mas para sempre. É também uma alegria vê-los sempre activos no cultivo da sua vida interior, do dinamismo da fé nesta fase da vida. A necessidade de continuarem a crescer no seu vínculo pessoal com o Senhor e com a Mãe. A sua fidelidade ao Pai Fundador, ao caminho espiritual que Deus nos deu através dele, para nos esforçarmos por viver mais plenamente o Evangelho de Jesus Cristo. A sua preocupação em manterem viva a dimensão apostólica, agora talvez com uma actividade externa mais limitada, mas com a riqueza do seu testemunho de vida nas suas famílias e, entre os que lhes são próximos, com a oração e a oferta ao Capital de Graças que atinge tantos.

Fico impressionado com a forma como eles não querem estagnar como pessoas: viverem apenas das recordações, queixarem-se dos seus males, retirarem-se para dentro de si próprios. A fé providencialista leva-os a estar atentos ao presente e ao que está para vir, a contribuir com a sabedoria que vem da experiência. A caridade aliancista leva-os a continuarem a amar os seus e os outros necessitados. As cruzes sofridas em tantas situações de vida foram curadas na cruz de Cristo e com Ele e n’Ele, oferecidas no Santuário para que a Mãe de Deus as faça chegar àqueles que precisam da experiência de Deus que os ama e os salva. “Schoenstatt para sempre” foi para mim um presente da delicadeza da Mãe. Aprendi muito com eles. Cada encontro é um momento do Espírito Santo que nos renova interiormente. (Nesta fase da vida, há pouco a renovar externamente). Ajudou-me a continuar a experimentar a felicidade de ser sacerdote em Cristo, a tentar amar e servir em todas as fases da vida. Para o fazer de mãos dadas com a Mãe – em aliança com Ela – e com o selo sacerdotal do nosso Pai e Fundador.

O que quer Deus de nós? Qual é a nossa contribuição para Schoenstatt?

Esta questão surgiu em algumas reuniões, por isso Eduardo Undurraga e M. Elena Riesco dizem-nos que a grande contribuição que esta comunidade faz é a sua fidelidade e serem Capital de Graças para toda a Família de Schoenstatt: “quando se é idoso, não te podes dedicar a fazer muitas coisas dentro do Movimento, mas podes oferecer os teus sofrimentos, as tuas limitações, as tuas cruzes, a tua sabedoria, a tua oração, a tua fidelidade, etc., como capital que sustenta… algo como os conventos contemplativos; essa é a nossa contribuição hoje”. Também sentem que ainda são “úteis” e que é importante cultivar uma atitude de serviço, porque isso lhes traz satisfação e felicidade; por exemplo, o seu papel como avós não é apenas valioso a nível familiar, mas para a sociedade como um todo.

No 10º aniversário do nascimento de Schoenstatt para sempre, recolheram e compilaram tudo aquilo em que trabalharam nos seus encontros e estão a reunir material que pode ser útil a outros grupos que queiram formar-se. Pediram mesmo a schoenstatteanos de outros países – como o Panamá, Portugal, Costa Rica – que lhes falassem da sua experiência e metodologia a fim de as replicar.

Schoenstatt para siempre


Neste momento só estão a funcionar em Santiago e aqueles que queiram participar ou saber mais sobre Schoenstatt para sempre, podem escrever para Eduardo ou M. Elena nos seus endereços de correio electrónico: [email protected] ou [email protected]

 

Fonte: Vínculo. Julho 2021. Com autorização

Original: espanhol (23/7/2021). Tradução: Lena Castro Valente, Lisboa, Portugal

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